Notas iniciais
Boa Leitura *_*

Derek

As veias praticamente saltitavam de meu braço. O suor escorria em meu rosto e podia sentir seu gosto salgado por entre meus lábios. Mesmo estando com fone de ouvido onde tocava uma música de rock pesada, eu sabia que meu pai, Joe, estava ali, chamando minha atenção a todo custo. Atenção essa que lhe era negada. Já era minha segunda flexão de cem quando sinto o fone ser arrancado com brutalidade de meu ouvido. Levanto com uma palpável expressão de fúria, encarando-o ali que sorriu de lado, triunfante, por finalmente captar a atenção na qual necessitava.

- O que foi? — Perguntei. As palavras foram cuspidas quase como um grunhido.

- Tenho um trabalho pra você. — Ele vai direto ao ponto e continua ali parado esperando alguma reação da minha parte. Pensei em todas as probabilidades de trabalho no qual ele poderia me oferecer e já tinha uma ideia do que seria já que seu sonho era me ver trabalhando ao seu lado no FBI.

- Não estou afim. — Respondi por fim, tão direto quanto ele em relação ao que eu queria e virei os calcanhares entrando em seu luxuoso apartamento e subi as escadas já tendo a certeza de que estava sendo seguido.

- Olhe aqui garoto, se está achando que eu te sustentarei a vida toda, está completamente...

- Enganado? Claro! — Interrompi-o. — Joe Campbell só tem dinheiro suficiente quando o assunto é prostitutas.

Ele me encara com um ódio no qual jamais vira em seu olhar, seus punhos estão cerrados e mesmo estando com uma pontada de medo, o encarei com a mesma intensidade, esperando o mesmo relaxar e eu pudesse entrar em meu quarto trancando a porta logo em seguida.

- O seu problema é achar que tem alguma escolha. — Ele grita do lado de fora e eu reviro os olhos.

- E o seu problema é achar que sou como seus agentes, que só falta lamber o chão no qual você pisa. — Grito de volta.

- Não é como meus agentes, mas será a partir de amanhã. Te espero no escritório às sete da manhã. E se eu não te ver por lá, é melhor sair dessa casa para nunca mais voltar. — Vociferou por fim.

Bufei e me sentei na cama. Joe não estava de brincadeira. Eu o conhecia tempo suficiente para ter essa certeza, mas não queria ceder aos seus caprichos moralistas. Então pela primeira vez na vida, decidi acatar suas ordens, pois só assim poderia bater de frente com o mesmo e seja lá qual fosse a missão, estava pronto para cumprir mesmo que custasse minha honra, se é que tenho alguma. Encarei a foto que possuía em meu criado mudo. Nela havia um garoto. Ele usava aparelhos e óculos enormes. Sorria de orelha a orelha se apoiando nos ombros do pai, ao lado da mãe que também sorria.

Tudo que eu precisava era de voltar a ser aquele garoto no qual tinha orgulho do pai e iria até o inferno pelo mesmo. Foi assim que vim parar aqui, em frente a secretária dele, esperando ela dizer que finalmente poderia entrar ali e acabar com todo esse mistério. O sono me consumia, afinal era a primeira vez na qual eu acordo tão cedo.

Continuei ali encarando a mulher atraente e tendo a certeza absoluta de que era mais uma na qual meu pai seduzira, fazendo com que ambos acabassem em um quarto de hotel numa madrugada qualquer. Não ouvia nada além do barulho do relógio que parecia atormentar meu cérebro. A janela estava aberta, permitindo a entrada da luz do sol e deixando o lugar fresco.

- Senhor Campbell? — A mulher diz ainda encarando o computador e teclando com uma rapidez impressionante.

- Sim?

- Joe está te esperando no escritório. Tem permissão para entrar. — Arqueei a sobrancelha.

Ninguém jamais chama meu pai pelo nome, a não ser que tenha muita intimidade com o mesmo, mas aquilo não me admira muito. Levantei-me dali e entrei em seu escritório sem nem sequer bater a porta. Joe pareceu não se importar e fez sinal para que eu me sentasse. Fiz o que ele pedira e ficamos alguns minutos em silêncio até o mesmo me encarar.

- Fico feliz em saber que veio. — Ele comenta. Dei de ombros.

- Vá direto ao ponto. — Digo suspirando alto.

- Seu nome é Heather e ela é uma das mafiosas mais procuradas por nós, do FBI. Tem 17 anos, vende drogas, prostitutas e mata sem pudor. Quero que se infiltre na máfia até saber quem ela é. Fui claro?

- Espera. Vocês não sabem como ela é? — Ri fraco.

- Ela é muito esperta, jamais deixa pistas. — Ele continua sério apoiando os cotovelos na mesa.

- Certo. Quando começo? — Perguntei.

- Hoje.

O fitei estupefato, afinal mal havia me preparado para tudo aquilo. Levantei-me da cadeira e virei os calcanhares, pronto para sair dali sem dizer nenhuma palavra.

- Filho. — Paraliso no lugar onde estou fechando os olhos e suprimindo a sensação de ouvir aquela palavra pela primeira vez em anos, me recompondo logo em seguida. — Tome cuidado.

- Como se você se importasse com minha segurança. — Falei me virando para o mesmo, encarando-o como se quisesse repassar a mágoa na qual eu sentia, não só naquele momento, mas como em minha vida toda.

- Senhor Campbell. — Entra um homem careca em desespero. Joe bufa e se levanta furioso.

- Não está vendo que estou ocupado agora? — Ele grita.

- É a tal da Heather, de novo. O agente que enviamos para descobrir sua identidade foi morto. — Ele suspira alto e eu engulo em seco.

- Como é? — Perguntou Joe saindo com o homem que murmurava coisas que, agora, não tinham nexo algum.

A secretária reaparece me mandando sair dali, me levando para um treinamento especial no qual os agentes enviados eram submetidos. Treinei a tarde toda, tendo a certeza de que eu acabara de marcar a data da minha própria morte, mas não me importando tanto com as consequências com a qual tudo aquilo traria, afinal, pelo menos a morte me daria algo que nunca tive em vida desde que minha mãe morrera: Paz

Notas finais
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Beijooos!