A ROSA CELTA
6 Capítulo 5 - O TEMPO DE EROS...
Notas iniciais

“A urgência desta paixão abarca minha alma e meu corpo como uma febre a queimar-me incessante.
As sombras em teu rosto descortinam o proibido, teu hálito roça-me a face, tuas mãos me afastam, enquanto eu, sedento de amor, desejo percorrer teu corpo...
Não, o desejo não pode ser apenas, sordidez!
O proibido que arde em minha pele, pedindo passagem e gozo, também já foi vivenciado pelos deuses, então, como eu, um simples mortal, poderei resistir?
No suor, no sangue e em nossas sementes, eu pulso e conquisto. Inocentes, tuas mãos me afastam, enquanto as minhas tateiam sem pudores todos os caminhos possíveis do teu ventre, das tuas nádegas e das tuas coxas...
E quando nossos corpos, enfim se unem, o orgasmo varre, inclemente, tudo o que sou, enquanto as tuas lágrimas banham o meu pecado.”
Trecho do diário de Públio Escápula, 30 anos atrás.
Públio esvaziara outra ânfora com vinho e agora enxergava o rosto pálido do irmão, olhando-o com aqueles olhos inquisidores e frios.
— Você veio me recriminar, não é?— questionou ele em sua mente.
Silêncio.
— Vamos, diga que eu sou um depravado! Um animal doente e insano.— gritou para si mesmo, enquanto atirava a taça vazia contra a coluna, produzindo o som característico do metal.
Completamente bêbado, Públio era assombrado pelo passado permeado pela paixão incestuosa pelo irmão mais novo, Tiberius. Ainda estava vívido em sua memória o modo como ele se movia, seu gosto pelas rosas brancas, sua pele tão alva como elas...
Tiberius possuía uma pele extremamente clara e cabelos prateados com reflexos azulados. Ninguém sabia explicar aquilo, nem mesmo o oráculo, quando do seu nascimento. Alguns acharam que ele era abençoado, outros, o contrário. No entanto, Tiberius cresceu sendo mimado pelos escravos e isolado dos pais, mas não do irmão mais velho que sentia um estranho fascínio por ele.
Os anos passaram e ambos os irmãos cresceram. Tiberius tinha em Públio, um protetor e um amigo fiel. Faziam tudo juntos, gostavam das mesmas coisas. Então um dia, após beber demais e não suportando mais a intensidade de seus sentimentos para com o irmão, Públio segurou em concha o rosto de Tiberius e fitou seus olhos com extasiada agonia, dizendo: Eu te amo!
Tiberius congelou, seus olhos cinzentos se arregalaram e a voz morreu em sua garganta. Públio então moveu as palmas pelo peito do irmão até alcançar os mamilos e acariciá-los com os dedos e depois com a boca. Contraindo o rosto, pelo prazer do toque, mas resistindo, Tiberius rangeu os dentes, pedindo que o irmão parasse, mas ele não parou.
A partir dali, tudo aconteceu de modo vertiginoso. Os corpos foram ao chão frio e Públio pressionou o falo túrgido na entrada estreita, penetrando-o numa graduação excruciante, profunda e lenta. Um grito rouco emergiu das profundezas da garganta do irmão. Músculos ondularam e retesaram, a invasão do corpo alvo arrancando protestos, gemidos e lágrimas...
Totalmente fora de si, Públio saía de dentro de Tiberius para projetar-se mais forte e fundo, arrancando gemidos entrecortados e roucos, fazendo-o se contorcer sob o seu corpo. Ao olhar para baixo e ver seu falo movendo-se com força, enquanto Tiberius movia o rosto de um lado a outro, era de um erotismo visceral deliciosamente estarrecedor.
Resistindo o máximo que pode, Tiberius agora se movia junto, tomado por uma febre insuportável e uma sensação de que estava se dissolvendo em chamas... Ser possuído pelo irmão trazia a sensação de morte, prazer e dor... e quanto mais fundo o tinha dentro de si, mais forte se tornava aquele misto de tristeza e vergonha que insistia em alertá-lo que aquilo era errado.
Enlouquecido de prazer e sentindo o cavalgar do clímax, Públio abraçou-se a Tiberius, enquanto ele ofegava. Emaranhando os dedos nos cabelos e levando a boca aos lábios do irmão, Públio começou a se mover furiosamente dentro dele, tocando-o nas profundezas de seu corpo fazendo-o gritar, enquanto sentia o intenso prazer de ser aprisionado pela cavidade quente e apertada do irmão.
Ao gozar, Públio gemeu alto. Sentindo seu prazer quente se desfazer dentro de Tiberius e, sentindo as coxas dele tremendo junto ao seu corpo quando ele também gozou...
Quando os tremores cessaram, Públio continuou deitado sobre Tiberius por um longo tempo, ainda dentro dele. Saboreou a violenta fusão de seus corpos suados e dos corações que batiam acelerados... Então deslizou para o lado, enquanto Tiberius chorava. Fechou os olhos e sentiu culpa, mas também uma estranha paz... Seu desejo fora tão profundo e cortante como as escarpas de um abismo. Amava Tiberius e possuí-lo fora inevitável. Se, no final, aquilo fosse uma maldição, ela já se tornara parte de seu ser, desde sempre e ele não mais lutaria contra ela... Ele só não contara com o rompimento trágico entre eles...
— Você também me queria, Tiberius! Por que nunca admitiu?
Silêncio.
Entontecido e exausto, Públio se largou sobre a cama. Queria chorar, mas seus olhos estavam secos e irritados como se as areias do deserto se tivessem depositado dentro deles. Vira seu irmão no jovem druida, a mesma beleza e a mesma altivez e tentara retomar aquele momento único em que o possuíra. A diferença era que Tiberius nunca o agredira, mas o tinha castigado com uma crueldade, infinitamente, maior. Ele o abandonara, formara outra família e então, quando tornaram a se reencontrar, ele o acusara de fazê-lo infeliz e, semanas depois, tirou a própria vida.
— Você devia ter feito como ele, devia ter me matado, Tiberius... Devia ter me matado.
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As folhas farfalhavam com a brisa noturna, a lua crescente era, apenas, um risco no céu escuro. Insetos moviam-se pelas folhas secas e o orvalho se derramava como se fossem pequenos diamantes brilhando nos arbustos. A grama havia crescido e o altar de pedra jazia limpo.
Alanna abriu o cesto, tirando de dentro dele uma ave. Colocou-a sobre o altar e, inspirando, pediu a visão cortando o pescoço da ave e derramando o sangue que escorreu até a terra úmida.
Ela então se abaixou e colocou os dedos sobre o sangue que encharcava a terra e, em seguida, levando-os até o centro da testa, murmurou as palavras sagradas: “Tabhair dom an fhís, an mháthair go léir”(dai-me a visão, Mãe de todos).
A força com que a visão veio a derrubou, fazendo-a cair sobre a grama úmida e ofegar como se o ar lhe tivesse sido roubado. Imagens rápidas e confusas passaram em sua mente, assim como a mesma angústia do passado tomou-lhe o corpo de assalto.
Não! Murmurou ela ao ver Albafica ser assediado por Públio e, em seguida, preso em algum lugar escuro e fechado. Ela podia sentir-lhe as emoções contraditórias, assim como as suas tinham sido ao ser possuída à força.
Viu com horror, o rosto de sua mãe, os mesmos olhos ambiciosos e inquisidores, a forma com que ele entregava Albafica nas mãos daquele homem. Sentiu uma forte náusea e uma ira de igual tamanho. Sua mãe podia deixá-la sempre de lado, mesmo que estivesse em sua casa e não na dela. Podia agir como se fosse a dona de tudo, organizar os banquetes, atribuir-lhe um papel decorativo, fazê-la passar despercebida. Tudo isso, ela podia suportar, mas não isso, não o mal para o seu filho.
Aos tropeços, Alanna voltou para casa, a expressão de transtorno evidente no rosto delicado. Bridget estava dando ordens aos servos quando ela entrou. Acostumada a esconder seus sentimentos, a matriarca enfrentou o olhar da filha como se tudo estivesse bem consigo.
— O que houve, Alanna?
— O que houve? – falou Alanna entre dentes, como se estivesse mastigando as palavras. – Houve o fato que a senhora se excedeu, foi além dos seus limites comigo! Para a senhora eu sou a filha patética e fraca que aceita tudo e não posso tirar-lhe a razão. Mas, meu filho... Ele não é fraco! E não vou permitir que o destrua por causa da sua sede de poder! Saia da minha casa!
Por um momento, os servos presentes ficaram com a respiração em suspenso, crentes que a matriarca teria um temível acesso de cólera, tal era a expressão de surpresa e ira pela afronta que Alanna a fazia passar. Porém, aos poucos, a expressão dura foi se descontraindo e o olhar de raiva se transformou em preocupação.
— O que está dizendo, filha?
— Filha? Agora me chama de filha! – falou Alanna rindo e chorando, ao mesmo tempo.
— Alanna, acalme-se e diga o que aconteceu.
— Não preciso contar o que já sabe. Enviou Albafica para aquele homem cruel e devasso. Estava demorando com o oficial Minos, então a senhora engendrou outro plano! Não sei que trunfo tinha na mão para chegar perto do governador, mas...
— Ele é tio de Lucius! O que eu fiz foi contar tudo a ele e pedir uma reparação em forma de aliança. Apenas isso.
Os olhos claros de Alanna se fixaram no rosto da mãe.
— Uma reparação?! À custa da vida do seu neto? Mas o que eu esperava... A senhora me enganou quando me deu a infusão abortiva... E quando Albafica nasceu, evitou a mim e a ele como se tivéssemos uma doença terrível! A senhora não ama ninguém, além de si mesma! Fora da minha casa!Fora! – gritou ela.
Sem baixar a cabeça, Bridget nada disse. Sua filha estava fora de si e era difícil confrontá-la, naquele momento. Deixou o salão e foi em direção aos quartos da casa.
Enquanto isso, ainda transtornada, Alanna sentia o sangue ferver e o corpo tremer. Respirou fundo e ordenou que os servos lhe preparassem um banho e lhe trouxessem roupas elegantes. Não iria até seu filho como uma mendiga. Já fora uma sacerdotisa e agora era mãe. Para Epona e outros deuses, gerar uma vida a colocava no mesmo patamar deles. Inspirou, mais uma vez e seguiu para o quarto de banho.
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Albafica dormia um sono agitado. De repente, ele acordou com o som de vozes. Devem ser os guardas. Pensou. Uma voz se exaltou e ele reconheceu a voz do governador. Os guardas repetiam a mesma coisa: “Perdão, senhor, são ordens do oficial Minos.” Mas, o homem insistia e Albafica temeu que eles não resistissem àquela autoridade superior.
— O que está acontecendo aqui? – falou uma voz conhecida.
— Tribuno, eu desejo ver o jovem druida. Na verdade, eu exijo! – falou Públio, totalmente, embriagado.
Radamanthys franziu o cenho e suspirou. A autoridade do governador era soberana, porém os soldados de Minos jamais o desobedeciam e isso poderia causar um sério problema em sua casa.
— O oficial Minos foi claro, senhor. O prisioneiro só pode receber a visita dele ou do tribuno Radamanthys. Disse que é para a sua própria proteção, governador. – falou o soldado.
A voz calma e imponente, assim como o olhar profundo do soldado chamou a atenção de Radamanthys.
— Como é o seu nome, soldado?
— Valentine. Valentine de Harpia, senhor. – respondeu o jovem, com altivez.
O som da palavra “senhor” naquela voz aveludada fez Radamanthys sentir uma fisgada na virilha. Fazia tempo que não se sentia atraído por outro homem, desde que decidira tomar uma esposa e ter filhos. Mas, havia algo naquele jovem que o atiçava contra a sua vontade... Por Júpiter!
— Muito bem, Valentine. Eu vou conduzir o governador de volta aos seus aposentos.
O soldado assentiu e encarou o tribuno com visível interesse.
— Sempre às ordens, senhor.
Públio falou coisas desconexas e Radamanthys aproveitou para tirá-lo dali, convencendo-o a provar mais um vinho especial de sua adega.
Findado o barulho, Albafica tornou a fechar os olhos, mas não dormiu. Aquele ambiente já começava a oprimi-lo.
Próximo dali, Minos despiu a armadura, o manto e as sandálias. Banhou-se na água fria, mesmo estando exausto e com câimbras pelo dia exaustivo. Precisava pensar e chegar a uma solução rápida. Suspirou quando a água fria despertou seu corpo cansado.
— O que vou fazer agora? – perguntou a si mesmo e em voz alta.
— Acredito que há muito pouco a fazer! – respondeu Radamanthys que entrava sem se anunciar.
Minos olhou na direção da voz.
— Preciso pensar em alguma coisa. Albafica foi colocado nesta situação e não permitirei que seja prejudicado mais do que já foi. Tenho uma dívida com ele.
— Hummm... Albafica ao invés de druida. Sinto um tom estranho em sua voz quando pronuncia o nome dele.
— Guarde suas gracinhas para si mesmo e vá procurar a mulher que será mãe dos seus filhos. – respondeu Minos.
Radamanthys suspirou e sorriu. A imagem do soldado arrojado voltando-lhe à mente.
— Acho que demorarei um pouco até conseguir me casar. Não esperava esses reveses por aqui. Ao que parece, Públio não é diferente dos velhacos que gostam de ostentar poder em Roma.
Minos franziu o cenho. Falar, abertamente, de uma autoridade não era comum, ainda mais de um governador e seu amigo podia se complicar se aquilo fosse ouvido por um escravo buscando regalias em troca de informações.
— O que foi? – perguntou Radamanthys. – Acha estranho que eu fale a verdade sobre este homem?
— Sinceramente, sim. Sabe que isso é perigoso.
O tribuno gargalhou.
— Públio é fraco. Agora mesmo, estava tentando entrar no quarto onde você prendeu Albafica, mas até mesmo o soldado que deixou tomando conta o impediu por respeitar mais a sua autoridade do que a de um bêbado como ele. Convenci-o a beber mais vinho e ele aceitou. Duvido que lembre até mesmo do próprio nome.
A simples menção de Públio tentar entrar em contato com Albafica fez Minos levantar-se da banheira num rompante.
— Vou acabar tendo que me indispor seriamente com este cretino!
Foi a vez de Radamanthys franzir o cenho com uma expressão divertida.
— Sabe que chamar uma autoridade de cretino é tão ou mais perigoso que considerá-lo um velhaco, não acha?
Vestindo a túnica sem nem mesmo secar o corpo, Minos ignorou a provocação do amigo. Colocou o manto e foi até a mesa próxima à lareira acesa. Havia nela um saco de couro com vários objetos pessoais, entre eles um pergaminho, contendo uma novidade que ele não revelara a ninguém. Era uma indicação do próprio imperador para que ele assumisse um cargo político, ali, na Bretanha.
Deixou-se levar pelas lembranças do dia em que foi chamado para receber uma condecoração pelo desempenho da Fulminatta. Quem dera fosse você o líder das forças de Roma quando aquela mulher terrível, Boadicéia, nos causou sérias perdas! Dissera o imperador. Tome, isso é uma indicação para que se torne governador na Província de Coria. Reconstrua o lugar e se, aceitar o desafio, governe-a com punho de ferro.
Minos agradecera a indicação, mas não desejava tornar-se um político. Ser comandante da Décima Segunda Legião era viver como gostava e gozar de certa liberdade. Havia servido na África e na Germânia. Agora, na Bretanha, redescobria outra cultura e gostava disso, da novidade e do desafio. Mas, diante do que havia acontecido, a única forma de lidar com aquele conflito entre Públio e Albafica, era tornar-se tão influente quanto o governador. Faria isso por alguém que o considerava um inimigo?
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Alanna foi até o estábulo e ela mesma selou um cavalo branco e bem cuidado. Já era noite, se fosse a pé até a casa do tribuno demoraria mais e não estava disposta a perder mais tempo. Montou com a graciosidade que toda mulher celta possuía. Não era à toa que cultuavam Epona uma das poucas deusas personificadas que trazia fertilidade, abundância e era representada junto de um poderoso cavalo.
Quando já estava na pequena estrada, outro cavalo emparelhou com o seu e Alanna viu sua mãe, Bridget.
— Eu vou com você. Pode não acreditar em mim, mas eu jamais o teria enviado se soubesse que aquele homem faria algo tão indigno.
— Você sempre se orgulhou de ter a visão. Como não previu isso? – questionou Alanna com visível ressentimento.
— Às vezes, ela, simplesmente, não acontece.
— Sim, principalmente, quando a ambição é maior que o amor pelos seus. E como a senhora é incapaz de amar, não enxerga mais nada, além das suas convicções e necessidades. Não preciso do seu apoio, eu irei sozinha.
Bridget sentiu o impacto de todo aquele ressentimento, porém, havia algo de bom em tudo aquilo. Descobrira que sua filha frágil e obediente, possuía um espírito forte e desafiador. Acima de tudo, ela herdara algo seu e isso era reconfortante.
— Eu irei, mesmo que não queira. Eu comecei isso e vou terminar.
Vendo que não conseguiria dissuadir sua mãe, Alanna resignou-se a tê-la como companhia. Tocou de leve com os calcanhares na barriga do animal e seguiu em frente.
De repente, um relâmpago riscou os céus e outros cavalos juntaram-se às duas mulheres como se tivessem surgido do nada.
— O que é isto? – falou Bridget.
Alanna reconheceu um dos homens.
— É Algol. – murmurou ela, vendo-o com o rosto pintado metade de azul e metade vermelho.
— Venham comigo. – disse ele num tom seco.
Estranhando a ordem e vendo que o jovem picto estava com mais seis companheiros, Alanna pensou se devia falar sobre o que acontecera com Albafica.
— Não podemos acompanhá-lo, estamos indo ver Albafica, ele foi... – disse ela.
Algol não a deixou concluir a fala, ele se aproximou do cavalo branco tentando segurar-lhe as rédeas.
— As senhoras vêm comigo, não importa o que aconteceu!
Alanna tentou fugir, puxando as rédeas e batendo os calcanhares com força no ventre do animal. O cavalo disparou e foi seguido pela égua em que Bridget estava montada. As duas sentiam o impacto da velocidade, as ferraduras batendo com violência no solo rochoso.
Algol e os outros dispararam atrás e, embora Alanna e sua mãe dominassem a arte de cavalgar, os homens as cercaram.
— Por favor, não nos obriguem a feri-las. – disse o líder picto.
— Porque está fazendo isso? Você e Albafica são amigos! Vai trair seu juramento de defendê-lo? – gritou Alanna.
— Albafica recusou minha oferta quando salvou a vida daquele romano.
— E o que pretende fazer conosco? – interferiu Bridget.
— Vocês virão comigo para as montanhas. Haverá uma reunião e vocês duas apoiarão a revolta contra os romanos quando as outras tribos se juntarem a nós. – disse ele.
Bridget riu e Alanna olhou-a como se ela estivesse enlouquecida.
— Esqueça essa loucura, picto. Só o que vai conseguir é a morte! – disse a matriarca.
Irritado, Algol se aproximou de Bridget que não demonstrou temor ao ser observada com ira, pelo jovem.
— Mais uma palavra e vou oferecê-la aos deuses em troca da vitória!
A ameaça não desfez a expressão de escárnio da matriarca. Ela olhou para a filha, cujo rosto estava banhado em lágrimas.
— Acalme-se e fique atenta. Assim que a oportunidade surgir, galope o mais rápido que conseguir. Eu darei um sinal. – falou Bridget, baixinho.
Alanna assentiu e fingiu cooperar, enquanto Algol as desviava do caminho original e se embrenhava na floresta.
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Na penumbra, Albafica já estava cansado de permanecer naquele cubículo. Mais uma vez, sua intuição dizia que havia algo errado. Parecia ter ouvido a voz suave de sua mãe, como se fosse o sussurro do vento. Levantou-se da cama dura ao ouvir vozes, novamente. Inspirou fundo e foi até à porta no mesmo instante em que Minos entrou.
O oficial encarou-o, percebendo a expressão de cansaço no belo rosto.
— Não conseguiu descansar, pelo que vejo. – disse Minos.
— Nem você. – rebateu Albafica.
Minos se aproximou e o jovem druida perdeu-se naquele olhar hipnotizante que o fazia desejar o que não devia. Ainda tentou desviar, mas Minos chegou ainda mais perto e levou a mão aos fios de cabelo soltos em seu rosto.
— Você é lindo... E viciante. É impossível não admirá-lo, não desejá-lo...
— Pare com isso. – disse Albafica tentando desviar o olhar e sair de perto, porém Minos não permitiu.
— Não permitirei que o machuquem... – sussurrou o oficial ainda com fios de cabelo do jovem entre seus dedos.
— Insiste nisso, mas sabe bem qual o seu papel. Não minta para me consolar ou seduzir, romano.
— Já disse para não me chamar de romano. E para o seu governo, eu não minto. Se eu digo que ninguém irá machucá-lo é porque posso sustentar esta afirmação.
Albafica deu um meio sorriso.
— Não entendo você.
— Também não entendo, mas aceito que existe algo entre nós. Pode dizer que não sente o mesmo?
Albafica não sabia o que dizer. Não conseguiria mentir olhando dentro daqueles olhos.
Não, infelizmente, não! Não podia mentir para o romano e nem para si mesmo! Sua mente gritava e seu corpo cedia ao calor do corpo de Minos, querendo-o, buscando a satisfação de uma ânsia que parecia não ter fim.
Ele ainda tentou falar algo, seus lábios se abriram e Minos o puxou para perto de si, sem violência ou posse. Sentindo que Albafica não resistia, tocou-lhe os lábios gentilmente e não invadiu a boca entreaberta como no primeiro beijo. Ele olhou dentro dos olhos do jovem com paixão, mordiscou de leve os lábios rosados, roçou e lambeu-os até sentir que Albafica se entregava e se deixava envolver pela doce treva daquele beijo.
O tempo parou, enquanto Minos aprofundava o beijo, colando o corpo musculoso ao do jovem druida. Então as línguas se encontraram e o sangue de ambos se incendiou... Albafica estremeceu, sua mente lhe dizia para parar, mas seu corpo se entregava a um torpor sensual que o deixava consciente do corpo quente de Minos, aquela respiração ofegante próxima de seu pescoço, o membro viril e duro roçando em suas coxas... Tudo despertava em si uma febre de êxtase e desejo.
Minos gemia de satisfação, excitado, os beijos ficaram mais quentes, mais íntimos. As mãos vagaram pelo corpo esguio. O jovem druida o recebeu com a boca ávida pela língua voraz, sentiu a saliva dele misturar-se a sua e gemeu baixo ao sentir a ereção potente latejar pressionada contra o seu corpo também excitado.
O cheiro e o gosto de Albafica levaram Minos à loucura e ele o deitou na cama estreita sem parar de beijá-lo, bem devagar para que não deixasse de tocar um centímetro sequer do corpo dele. Quase cego pelo desejo, enfiou as mãos por baixo da túnica de Albafica e tocou a pele macia. Desceu a cabeça pelo pescoço alvo e com a boca roçou os mamilos que endureceram de imediato, fazendo o jovem gemer. Minos dominava-o, beijando-o de forma cada vez mais intensa, com o corpo firme, poderoso e rígido pressionando-o numa mensagem clara que lhe ensinaria tudo sobre prazer, o seduziria vertiginosamente como um amante ardente e apaixonado...
Albafica tremeu de prazer quando Minos mordeu de leve sua orelha e, em seguida, na volta do pescoço, acariciando-o com os dentes e com a língua. E tremeu ainda mais quando o romano levou a mão para dentro da sua calça até tocar-lhe a ereção. Tentou pará-lo, mas encontrou braços fortes, cujos músculos pareciam feitos de aço. Ao sentir-lhe o pulsar da carne rija, Minos começou a masturbá-lo devagar, tocando toda a extensão até chegar aos testículos e períneo. A resposta de Albafica, intensificou as carícias lentas e ritmadas e, os quadris do jovem druida foram de encontro à mão grande e forte num movimento involuntário e instintivo que o levava a patamares de prazer que ele desconhecia.
Os lábios de Albafica se abriram em gemidos profundos, entremeados pela respiração entrecortada. O romano intensificou os movimentos com a mão, enquanto começava a mordiscar um mamilo com os dentes, sugando-o por cima do tecido até parecer que o mesmo não existia.
O jovem druida sentiu no baixo ventre e na base da espinha um calor e um latejar crescente que o deixava cego para qualquer coisa que não fosse Minos. Os pensamentos desapareceram, as sensações eram tudo que existia e ele queimava, ofegava e se tornava líquido com o desejo.
A experiência com que Minos incendiava seu corpo, tornou Albafica quase um marionete em suas mãos e boca habilidosos. E, de repente, quando um dedo o penetrou, depois outro e as sensações aumentaram misturadas entre dor e prazer, uma contração forte e um choque prazeroso não permitiram que o jovem focalizasse nenhum pensamento coerente...
Então, a língua de Minos adentrou sua boca e se enroscou na sua no mesmo instante em que os dedos o atingiram em algum lugar dentro do seu corpo fazendo tudo explodir e se transformar em um borrão. Houve um grunhido rouco e Albafica sabia que saíra de sua garganta. Minos acolheu o ofego em seus lábios e sorriu ao senti-lo estremecer e gozar, molhando a sua mão.
O jovem druida sentiu seu corpo ficar pesado, assim como os seus olhos. Estava afogueado e constrangido. Ele virou o rosto, tentando se afastar, mas o romano não permitiu.
— Não tenha vergonha. Fica ainda mais lindo, assim... – disse Minos num tom rouco.
Albafica sentiu o rosto ficar mais quente. Ele franziu o cenho e fechou os olhos.
— Deixe-me... — murmurou colocando o braço sobre o rosto.
Minos suspirou.
— Não precisa se envergonhar por sentir prazer, Albafica.
Antes que o jovem respondesse, uma batida insistente na porta de madeira fez com que os dois voltassem à realidade. O oficial, apesar de ainda estar excitado, levantou rapidamente.
Assim que ele abriu parte da porta, Valentine falou:
— Desculpe, senhor, mas a mãe do prisioneiro se encontra aqui e está desesperada. Algo aconteceu no trajeto até aqui e ela insiste em falar com o filho e com o senhor.
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