A ROSA CELTA

4 Capítulo 3 - SOB O FIO DA ESPADA...


Notas iniciais
♥ Amadas e amados do meu core!! Mais um capítulo, espero que gostem.

Radamanthys impôs sua presença à Albafica com o olhar tenso.

— O que está dizendo? Você não...

— Não foi o caonach que coloquei nele. A arma com que foi atingido devia estar com veneno na lâmina. Ele precisa do drualus e rápido. – Falou Albafica.

— O que é isso? – retornou Radamanthys.

— Uma erva sagrada. Ela é capaz de cortar o efeito do veneno.

— E onde se consegue?

— Eu o trago comigo. — Albafica tocou o bracelete em forma de serpente e o tribuno franziu o cenho. E se o druida fosse o responsável pelo envenenamento e agora queria concluir seu trabalho? Como confiar em alguém que devia odiar os romanos? No entanto, ao encará-lo, o tribuno não enxergou hesitação ou falsidade. O olhar do jovem, intenso e firme, sobrepujou-se à desconfiança.

— Muito bem, faça o que sabe. –disse Radamanthys.

— Mande trazer água quente e um recipiente para que eu possa fazer uma infusão. Enquanto eu estiver preparando tudo, coloque-o na água fria. O veneno parecerá fogo correndo em suas veias e ele terá febre.

— Parece conhecer muito bem a ação deste veneno, em particular.

— As tribos selvagens do norte trituram o Cólquico, misturando o pó à gordura animal e banhando as lâminas de suas armas com ele. É uma prática ancestral. – respondeu Albafica com altivez.

Radamanthys se contentou com a resposta e chamou dois escravos para ajudá-lo a levar Minos para o frigidarium. Enquanto isso, Albafica abriu um pequeno orifício do seu bracelete e fechou os olhos, pedindo proteção e cura. O jovem druida trazia consigo o raro visco branco do carvalho que fora colhido na lua nova antes do solstício de inverno. A cerimônia tinha sido presidida por seu mestre que colhera a erva sagrada com uma foice de ouro, assegurando todo o seu poder.

Buscando a serenidade e abrindo-se à sabedoria do visco, Albafica foi até o jardim e, em meio à natureza, fez a infusão. Em seguida, mandou que retirassem Minos da água fria, notando que o oficial romano já havia recuperado a consciência e batia os dentes de frio, mesmo enrolado em um tecido de linho.

— D-Deixem-me, e-eu p-posso a-andar s-sozinho! – vociferava o oficial, ainda grogue, tentando escapar dos braços de quem o amparava.

Albafica tocou-lhe a fronte com o dedo indicador e Minos estancou.

— Fique calmo. Agitar-se só aumentará o mal-estar causado pelo veneno. Sente-se e beba.

O oficial não conseguia enxergar direito, sua cabeça e todo o seu corpo doía e latejava de forma excruciante. Porém, mesmo assim, sua força de vontade era admirável e Albafica não deixou de notar esse aspecto da personalidade daquele homem.

Resignado, Minos sentou-se, tremendo violentamente. Suas mãos não conseguiam pegar com firmeza a tigela que lhe foi estendida. Albafica, então, tomou o artefato nas mãos e levou-o à boca do oficial.

— Beba devagar...

Minos hesitou, tentando encarar Albafica e falar, mas sua língua parecia inchada e sua garganta se estreitava como se tivesse sendo estrangulado. O druida percebeu-lhe os lábios arroxeados e a pupila se expandindo. Rapidamente, fez com que o oficial bebesse a infusão, cuidando para que ele não se afogasse.

Minos fez uma careta ao ingerir o líquido. O visco era amargo e possuía um aroma forte e desagradável. Assim que a infusão chegou-lhe ao estômago, o oficial teve uma forte ânsia, mas não vomitou.

— I-Isso é pior que o v-veneno... – falou ele.

Albafica suspirou, exasperado.

—Coloquem-no em uma cama. A ação do visco não tardará a acontecer.

Radamanthys amparou o amigo, levando-o para o quarto. Minos ainda tremia e queria andar sem ajuda. O tribuno murmurou próximo ao ouvido do oficial e este deixou de resistir. Rumaram para um dos muitos quartos da casa, cujo piso de mármore escuro refletia os passos de ambos e também os de Albafica.

Logo, Minos estava na cama ampla e seus pensamentos oscilavam como se ele estivesse entre dormindo e acordado. Sua pele queimava e ele se sentia exalando calor. Também havia a dor, mas já estava acostumado a ela. Já sofrera dores muito piores... Tentou abrir os olhos, mas não pode. Sentiu um pano sendo passado em seu rosto, pescoço e deixado descansar um tempo em sua testa. Sua natureza guerreira o fazia lutar contra a vulnerabilidade e ele continuou resistindo, até ouvir um murmúrio e seu corpo relaxar. Não era do seu feitio desistir, porém deixou-se conduzir pela voz longínqua e serena, se entregando ao chamado da escuridão...

Albafica permaneceu ao lado de Minos o tempo todo, ato que deixou Radamanthys pensativo. O jovem murmurava algumas palavras em um dialeto que ele não entendia, mas que parecia acalmar Minos nos picos em que a febre parecia disputar com a ação curadora do tal visco.

— A febre parece não ceder. – disse o tribuno.

— O corpo tenta expulsar o veneno com a febre. O oficial Minos é forte, soube que outro soldado ferido com a lâmina envenenada acabou de morrer. – falou Albafica.

— Sim, infelizmente, perdemos um homem, mas dadas as circunstâncias, estamos bem. – falou Radamanthys servindo-se de uma taça de vinho e oferecendo uma à Albafica, que agradeceu e recusou.

— Tem medo que eu o envenene?

Pela primeira vez, ali, Albafica sorriu.

— Eu não costumo beber foras das festas ou comemorações.

O breve sorriso do jovem druida fez Radamanthys perceber-lhe ainda mais a beleza harmônica, tanto do corpo, quanto da alma simples. Se eu não tivesse decidido gerar um herdeiro e formar uma família, me sentiria tentado...

— Faz bem. Nós romanos, às vezes nos excedemos nos prazeres. – disse o tribuno sorvendo mais um gole de vinho.

Albafica tornou a olhar para Minos que dormia um sono agitado pela febre. Percebeu que ele parecia resistir ao ato de gemer e balançou a cabeça. Aquele homem era mesmo orgulhoso e forte!

— Se quiser descansar, deixarei um escravo vigiando Minos, já que tem certeza da recuperação dele. – falou Radamanthys.

O jovem se negou a deixar o oficial. Iria vigiá-lo até que ele voltasse a abrir os olhos. Não sabia o porquê de sentir a necessidade de cuidar de um homem detestável e arrogante como aquele romano. Disse a si mesmo que era a sua função como druida, salvar e proteger a vida, seja de quem fosse...

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A fogueira brilhava no centro da floresta escura. O ar estava frio e podia-se ouvir o som de alguns animais noturnos. O pio de uma coruja rompeu o silêncio, como se anunciasse a presença daquele que caminhava com desenvoltura por aquele cenário selvagem.

Aiacos cravou os olhos naquele rosto severo, agora pensativo. Sabia que iria encontrá-lo ali e essa certeza animou-o. Olhou o céu estrelado antes de dizer:

— Trouxe comida e vinho.

Sentado em uma pedra em frente a fogueira, Algol olhou para o homem a sua frente e sorriu.

— E o que mais? – perguntou o picto.

— Notícias sobre o ataque sofrido pelo oficial Minos. Mas, acho que não vai gostar do que eu vou contar.

Com o cenho franzido, Algol gesticulou para que Aiacos se aproximasse.

— Fale.

— O romano foi ferido, mas Albafica se prontificou a cuidar dele. – disse Aiacos olhando de lado e se sentando.

— O quê? – falou o picto mudando de expressão rapidamente.

— Isso mesmo. O druida salvou a vida do oficial e permanece ao lado dele.

Algol cerrou os punhos sentindo a ira aquecer-lhe o sangue. Porque Albafica o traíra salvando a vida do porco romano?

Aiacos se aproximou do picto, lentamente. Desatou-lhe o cinto e mergulhou as mãos sob a fenda da túnica, acariciando a pele firme e cheia de cicatrizes.

— Você terá a sua vingança, mas agora vamos tratar de outro assunto...

O picto desvencilhou-se do assédio de Aiacos, pisando duro na grama molhada de orvalho. Seu orgulho estava ferido e o ciúme o corroia por dentro.

— Entendo sua decepção, mas há de convir que os Brigantes traíram a nós todos aceitando uma aliança com os romanos. O druida não seria diferente, até porque corre sangue romano em suas veias.

Aquela frase teve um efeito devastador sobre Algol. O que Aiacos dizia era verdade, embora sempre acreditasse que Albafica o apoiaria.

O olhar raivoso do picto pousou sobre Aiacos e antes que ele fizesse um movimento de recuo, tomou-o, abruptamente nos braços e colou o corpo ao dele, beijando-o profundamente, enfiando a língua em sua boca de forma urgente e selvagem. As mãos grandes e calejadas percorreram-lhe as costas, as nádegas e Aiacos sentiu a ereção do picto, através do tecido grosso da calça que ele usava.

Havia certa violência no modo como o picto tocava-o, deixando Aiacos ainda mais excitado. Então o dhá biotáille, mordeu-lhe o lábio, com força, até fazer verter uma gota de sangue. Algol gemeu e recuou por um segundo, a imagem de Albafica teimando em tirar-lhe o sossego...

Com os cílios semicerrados e um brilho vitorioso no rosto, Aiacos encarou Algol e exultou com a luxúria explícita que se podia ver à luz dourada da fogueira. Algol interrompeu o olhar e puxou-o para perto de si, afundando a mão entre os seus cabelos e lambendo os lábios desenhados, apossando-se, novamente, da língua quente que agora se entrelaçava na sua com volúpia. Sangue e saliva se misturaram e as mãos vagaram pelos corpos em desespero.

Tocando-se e beijando-se com força e sofreguidão, ambos davam vazão ao bailado de dor e prazer que os conectava a um erotismo puro, sem reservas, nem sentimentalismo. Por um momento, pararam e se encararam e, quando as bocas tornaram a mordiscar-se, Aiacos sentiu seus pés serem erguidos do chão e gemeu quando as suas costas bateram com força no tronco de um velho salgueiro.

Preso, entre o áspero e o corpo largo e forte, Aiacos deixou-se despir da cintura para baixo e enroscou as pernas nos quadris de Algol, colando o corpo, ainda mais ao dele, fazendo-o sentir que estava muito excitado.

O contato íntimo incendiou o sangue do líder picto que apertou o pescoço de Aiacos e penetrou-o com força. O ato abrupto e profundo fez Aiacos levar a cabeça para trás e gritar estrangulado devido à pressão em seu pescoço... Transtornado, Algol ofegou ao sentir a resistência e saiu de dentro de Aiacos para mergulhar com mais força, atingindo-o nas profundezas do corpo e arrancando um gemido alto.

O dhá biotáille gritou e gemeu quando bateu, novamente, com as costas no tronco da árvore e mordeu o lábio ao sentir-se preenchido por completo por um homem viril como o líder dos Pictos... Prazer, furor e, até mesmo a dor rascante... O falo grosso e quente invadia-o com fúria, arrancando um prazer desmedido e fazendo com que os seus dedos se cravassem nas costas de Algol apertando-o contra si.

— M-Mais forte... — gemeu no ouvido do picto, fazendo-o investir com mais ímpeto.

Algol grunhia e arremetia com violência, sentindo os dedos de Aiacos ora, cravarem-se em suas costas, ora enroscarem-se, em seus cabelos, puxando-os com desvario. Por breves momentos se permitiu imaginar que era Albafica e seu membro latejou. Aiacos sentiu quando Algol retesou a musculatura do pescoço e do baixo-ventre, sentindo o orgasmo se aproximar, então continuou sussurrando palavras que aprendera com os clientes e que também o excitavam:

— Isso enfia esse pau bem fundo dentro de mim e me faz... gozar...!

Totalmente entregue ao calor e prazer de sentir-se engolfado por Aiacos e imaginando estar fodendo o druida, Algol estocou mais forte e rápido, afundando-se mais, enchendo-o com o seu prazer tão profunda e desesperadamente quanto podia. De sua garganta saiu um com gutural e ele sentiu seu tórax ser molhado pelo gozo de Aiacos que também chegava ao orgasmo.

Os dois tremeram, convulsos e se agarraram com força, as bocas se encontrando sem fôlego, o coração batendo violentamente por todos os poros. Algol levantou a cabeça enfiada na curvatura do ombro de Aiacos onde a pousara buscando recuperar o fôlego. Mexeu-se um pouco, sentindo a respiração ofegante e quente do jovem em seu pescoço.

— Quero... que me mantenha informado sobre todos os passos que Albafica der. — conseguiu dizer em meio ao efeito do orgasmo intenso.

— Certo... — falou Aiacos, com uma expressão sonolenta e ainda agarrado ao picto.

Algol o afastou do tronco e o pôs de pé, sentindo um tremor nas suas por ter fodido naquela posição.

— Agora vá. – disse friamente, enquanto procurava um tecido para limpar seu membro e seu tórax.

Aiacos não se surpreendeu com a mudança de Algol. O picto era ardente no sexo, mas jamais demonstrava suas emoções, a não ser quando o assunto era o druida!

— Está bem. – disse o jovem sentindo a semente de Algol escorrer por entre suas pernas.

O líder dos Pictos se despediu, embrenhando-se na floresta, enquanto Aiacos pegava a comida e vinho que trouxera, na esperança de ficar mais um pouco ao lado de Algol, e voltava para o casebre usado para a diversão dos soldados romanos. Ali continuaria a espionar e relatar ao homem que um dia, ainda seria seu.

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Alanna andava de um lado ao outro no grande salão. A movimentação para servir a janta já começara. Os fornos tornavam o ambiente quente e abafado, o aroma dos pães e carnes se misturava, as sopas fumegavam e seu filho ainda não havia voltado.

De repente, como se alguém houvesse lido sua mente e resolvido aplacar-lhe a ansiedade, um mensageiro se apresentou:

— Senhora, trago uma mensagem do tribuno Radamanthys. Ele mandou avisá-la que o seu filho se encontra em sua casa, cuidando do oficial Minos.

— O que aconteceu? – perguntou ela com uma expressão preocupada.

— Houve um ataque dos selvagens às tropas que voltavam de Coria. O oficial Minos foi ferido e seu filho está cuidando dele.

— Por Epona... – murmurou Alanna.

Neste momento, Bridget entrou no salão e, após analisar o mensageiro de cima a baixo, voltou sua atenção para Alanna. O olhar da velha senhora exibia um brilho de triunfo.

— Mande alguém preparar uma roupa para que meu neto possa trocar-se.

Com o cenho franzido, Alanna pareceu não entender a ordem dada por sua mãe. Então, Bridget completou:

— Albafica pertence à nobreza, não deve permanecer em uma casa trajando a mesma roupa com que saiu. Vamos, Alanna, mexa-se!

Mesmo incomodada com o autoritarismo de sua mãe, Alanna obedeceu. Não estava em posição de contrariar sua mãe, nem de irritá-la. Se obedecesse e deixasse Bridget satisfeita, logo era voltaria para sua casa e os deixaria em paz.

Instantes depois, o mensageiro deixou a casa com um embrulho, enquanto Bridget sorria satisfeita. A visão nunca falhava! O destino acabara de colocar seu neto no caminho e na vida do oficial romano. Tudo estava saindo como o planejado...

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Havia escuridão e mais escuridão em um longo túnel sem fim. Quando voltou a perceber que tinha um corpo, Minos abriu os olhos com dificuldade. O ardor no corpo tinha diminuído, mas a dor difusa persistia. O ombro e o braço pareciam moles, como se tivesse perdido a força. Olhou em volta reconhecendo o ambiente. Tentou levantar a cabeça, mas até isso era quase um suplício. Insistiu até conseguir elevar o corpo.

— Não faça esforço.

O oficial reconheceu aquela voz forte, porém serena. Quando Albafica se aproximou, Minos sentiu calor, mas não era febre. Tentou falar, mas as palavras ficaram presas na garganta seca e o fizeram tossir.

— Beba isto. – falou o druida levando o copo com água à boca do oficial.

O líquido fresco foi como um bálsamo para a garganta ressequida. Minos tentou pegar o copo, porém Albafica o impediu.

— Calma, vai se sentir mal se beber tudo de uma vez.

Impaciente, Minos forçou o corpo ainda mais, desobedecendo as instruções de Albafica. O esforço o deixou ofegante, mas ele continuou mesmo sob o olhar desconcertado do jovem druida.

— Não me olhe assim... Não sou homem de ficar deitado por qualquer coisa.

Albafica estava estarrecido. Minos conseguira se levantar da cama e se posicionara de tal forma que podia sentir-lhe o hálito quente. Os olhos violáceos do oficial romano o encararam de tal forma que agora era ele que sentia a boca secar. Minos estava nu, o corpo esguio e musculoso exibia algumas cicatrizes aqui e ali, mas no conjunto, o romano era belo, forte, tinha uma pele firme e as proporções do seu corpo fariam os deuses sentirem uma profunda inveja.

— Não esperava encontrá-lo aqui. – disse Minos com a voz enrouquecida.

O jovem druida estremeceu e a única coisa que conseguiu dizer foi:

— Você está nu...

Minos estendeu a mão em direção ao rosto de Albafica. Nenhum dos dois conseguia desviar o olhar um do outro, até o oficial descobrir que não estava tão bem como imaginava. Seu corpo oscilou e ele acabou sendo impedido de cair pelo jovem druida.

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Albafica deixou a casa de Radamanthys e rumou para a sua. Ao entrar, encontrou sua avó em plena movimentação, enquanto sua mãe permanecia atrás dela obedecendo-a, como sempre. A presença de sua avó drenava sua energia e sentia-se tentado a pedir aos deuses que ela os deixasse logo e demorasse a voltar...

— Ah, meu neto! Já está de volta. Creio, então, que o oficial Minos está fora de perigo.

— Sim, ele está. – respondeu lacônico. — E a senhora, o que está fazendo?

— O governador está chegando. Como nosso clã é um dos maiores e poderosos, resolvi ficar mais um tempo e organizar um grande jantar para recebê-lo.

Albafica revirou os olhos e suspirou.

— Já não bastou o jantar passado? Precisamos ostentar a nossa submissão, honrando os romanos a toda hora?

— Sim, precisamos! Ao conquistar-lhes a confiança, podemos traçar estratégias que nos ajudem a restaurar nossa autonomia. Você acabou de salvar a vida do oficial Minos. Este trunfo, aliado ao fato de nos colocarmos à disposição do governador será relevante para os nossos planos.

— Seus planos. Em nenhum momento a senhora discutiu isso comigo ou com os outros líderes. E se cada um tiver um plano? Já pensou nisso?

A velha senhora encarou o neto com um olhar de desdém.

— Os clãs menores não interessam.

— Os Pictos não são um clã menor.

— Não, mas a cabecinha do líder deles é! Enfrentar Minos como fez Algol, no mínimo, é uma estupidez grandiosa.

Albafica estava cansado, havia passado a noite em claro e, assim que Minos acordara, a cena envolvendo o oficial nu a sua frente o tinha desconsertado. Não que tivesse problemas relacionados à nudez, já que o seu povo via o corpo como algo natural e sagrado. O que o desestabilizou foi sentir um formigamento estranho em todo o corpo, quando da aproximação de Minos. Se o oficial não tivesse desmaiado, teria visto o resultado concreto da sua excitação.

— Com licença, estou cansado. – disse, por fim.

Bridget nem se deu ao trabalho de dispensá-lo, estava mais preocupada em selecionar as carnes e frutas que deveriam ser preparadas de antemão para o grande banquete.

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Quando Minos de Griffon abriu os olhos, novamente, estava na cama e já era de manhã. A luz do sol iluminou o quarto silencioso revelando a pequena mesa de mármore, uma ânfora e as cortinas balançando, levemente.

— Albafica?

— Não, sou eu. – respondeu Radamanthys.

— Onde está o druida? — questionou Minos.

— Foi para casa. Disse que você estava fora de perigo.

— Quanto tempo eu fiquei desacordado?

— Umas vinte horas a contar de ontem.

Minos franziu o cenho e se levantou, novamente. Ainda se sentia fraco, mas daria um jeito. Detestava qualquer estado que o deixasse vulnerável.

— Albafica disse que você só precisa de repouso.

— Chame-o de volta.

— Para que? Não se sente bem?

O oficial levou a mão aos cabelos desgrenhados.

— Eu quero falar com ele... Mande alguém trazê-lo.

O tribuno se aproximou do amigo, tocando-o no ombro que não estava ferido.

— É melhor que descanse, você precisa se recuperar bem. O governador está chegando depois de amanhã e ficará na capital apenas um dia, antes de vir para cá. Precisamos estar preparados para recebê-lo.

Um suspiro exasperado escapou dos lábios ressequidos de Minos.

— Já descansei demais.

Radamanthys estranhou a ansiedade de Minos, assim como estranhou a expressão de Albafica ao deixar sua casa. O jovem parecia estar fugindo, assim como agora, Minos parecia um predador em busca da caça perdida. Se não houvesse testemunhado a animosidade existente entre os dois, juraria que havia algo entre eles.

— O que houve entre você e o druida?

A pergunta fez Minos cair em si. Estava confuso, cansado e ferido. No entanto, a imagem de Albafica não saía da sua mente mesmo que ainda experimentasse os efeitos desagradáveis do veneno em seu corpo.

— Não houve nada, esqueça o que eu falei e mande trazer as minhas roupas. Como bem disse, o governador precisa ser recebido com toda a pompa e segurança que seu cargo exige. Os postos ao longo da Bretanha precisam ser avisados. – disse Minos desviando do assunto Albafica.

— Acredita que os selvagens terão coragem de tentar algo, mais uma vez?

— Esse ataque foi, apenas, uma forma de nos testar. Querem saber como reagimos e, talvez, resgatar alianças com outros clãs. Vou deixar o forte, ao leste, em prontidão. Qualquer movimentação deve ser informada.

Radamanthys sorriu. Sim, aquele era o Minos que conhecia, um homem capaz de engendrar estratégias rápidas e eficientes.

— Bem, já que não consigo convencê-lo a descansar, então vou acompanhá-lo.

Minos assentiu, tomando o copo que jazia sobre a mesa de mármore e vertendo o restante de água, contida nele, na boca. Lembrou-se da expressão de Albafica ao vê-lo nu e sorriu.

— O que foi? – perguntou o tribuno ao ver o sorriso do amigo.

— Nada. – respondeu Minos ficando sério.

De repente, uma escrava ruiva veio correndo com os olhos verdes arregalados.

— Meu senhor! – gritou ela para Radamanthys.

— O que foi Alea?

— O-O governador... Ele está vindo com sua comitiva! Trebellius os viu na rua principal.

O tribuno franziu o cenho, tentando compreender o significado daquela atitude.

— Públio Escápula é um homem vaidoso e desconfiado. Algo deve ter acontecido para que ele usasse o fator surpresa. – disse Minos.

Minutos depois, o governador chegava às escadarias da casa de Radamanthys. Com um ar aristocrático, cumprimentou o tribuno com um meio sorriso.

— Salve, Radamanthys de Wyern.

Descendo as escadas, Radamanthys foi ao encontro de Públio, estendendo-lhe a mão.

— Salve, governador Públio. Mas, que honra recebê-lo em minha casa. – disse o tribuno sem mencionar o fato que o esperava, somente daqui há dois dias.

— Sinto ter me adiantado, mas chegaram até mim algumas notícias preocupantes.

— Notícias preocupantes?

Neste momento, Minos surgiu e o governador sorriu largo.

— Ora, se não é o comandante da Fulminatta, uma das legiões mais famosas e aguerridas de Roma.

— Como vai, governador? Algum motivo forte para adiantar-se? – falou o oficial sem meias palavras.

Públio franziu o cenho, mas logo voltou a sorrir.

— Adoro sua ousadia, Minos de Griffon! Outro em seu lugar estaria me cerceando para saber o motivo, mas você pergunta de forma direta e sem nenhum temor. Gosto disso! Pois bem, sei que você está providenciando a reconstrução de Coria e também cuidando dos impostos devidos a Roma. Mas, chegou até mim a informação que descendentes da rainha Cartimandua do clã dos Brigantes possuem um herdeiro sendo preparado para ser um druida. Quero ver este rapaz.

— E por quê? – questionou Minos.

— Isso será revelado em seu devido tempo, oficial.

A resposta deixou Minos com uma sensação ruim na boca do estômago. Ao sentir o desconforto tentou convencer a si mesmo que era um efeito do veneno, mas mais tarde, quando deixou a mansão e rumou em direção à casa de Albafica, sabia que algo estava errado, muito errado...

Notas finais
♥ Agradecimentos, sempre, a todas e todos que, de alguma maneira, deixam sua energia aqui!!! Espero que tenham uma excelente semana!!! Vou responder a todos os reviews logo!!! Bjs, XD