A ROSA CELTA
15 Capítulo 14 - TEMPO DE PARTIR
Notas iniciais

Hades já havia ficado tempo suficiente. Quatro meses se passaram e ele devia voltar e reportar-se ao imperador. Ordenou que seus homens se aprontassem e aceitou alguns soldados da Décima Segunda legião que haviam sido dispensados e recomendados por Minos para que voltassem para suas famílias em Roma.
Esperou que Pandora se juntasse a ele, porém quando a viu conversando com o tribuno Radamanthys, percebeu algo diferente no semblante da jovem.
Pandora torcia as mãos, nervosamente. Era a primeira vez que se encontrava em uma situação como aquela, onde a decisão de um problema não cabia, somente a si mesma. Deveria dividir com a outra parte interessada, embora em seu íntimo soubesse que dizia muito mais respeito a si mesma que a outrem, afinal, o corpo de uma mulher pertencia, somente a ela.
— Eu pensei em tirar, mas...
— Tirar?! Nunca! – disse Radamanthys, após a revelação de Pandora sobre estar grávida. — Vou falar com Hades e vamos nos casar. – concluiu com seriedade.
— Não quero que case comigo por obrigação e nem sei se eu aguento viver uma vida normal com marido e filhos. – retrucou a jovem.
— Escute... Eu preciso de um herdeiro e você o tem em seu ventre... Eu tirei a sua virgindade e vou assumir essa criança.
— E o seu gosto por homens? E Valentine?
— Minhas preferências, agora, farão parte do passado. Valentine é um soldado valoroso e, certamente, deve voltar a Roma. Quanto a mim, vou fazer o que deve ser feito. Vamos falar com Hades. – disse o tribuno pegando Pandora pela mão.
O general intuiu bem antes da conversa ser iniciada. Ele olhou sério para Pandora e, em seguida para o tribuno. Não era difícil adivinhar o que havia acontecido entre os dois, então, ouviu o pedido de casamento e não fez nenhuma pergunta. As palavras que disse, a seguir, não continham nenhuma emoção.
— Sua vida pertence a este homem, agora. Portanto, eu lhe darei a baixa da legião.
— General H-Hades... Eu sinto muito. – murmurou Pandora com lágrimas nos olhos.
Os olhos azuis acinzentados pareceram suavizar. Hades tocou o ombro da jovem, fazendo-a encará-lo.
— Você lutou bem e serviu a Roma como um dos meus melhores soldados. Mas, é uma mulher e acabou sucumbindo à sua própria natureza. Case-se, obedeça ao homem que escolheu e crie seus filhos com a mesma fibra com que lutou ao meu lado.
A jovem ignorou a postura fria do general e o abraçou forte.
— Obrigada por tudo. – murmurou ela com as lágrimas escorrendo pelo rosto.
Hades não respondeu. Deixou-se abraçar e, em seguia desvencilhou-se do contato e chamou Radamanthys em particular. O tribuno estava constrangido, mas em nenhum momento desviou o olhar ou mostrou-se hesitante. Não era do tipo de homem que fugia de suas responsabilidades e deixava isso claro em sua postura diante do general.
— Mandarei um dos meus homens trazer o dote de Pandora. – disse Hades.
— General, isso não é necessário, eu...
— Não o estou consultando e sim, comunicando. Pandora terá seu dote e você cuidará dela e de seu filho. E tem mais uma coisa, se você for como Minos que tem queda por homens, aja com s discrição que se espera de um homem. Se eu souber que destratou ou envergonhou Pandora, eu mesmo vou castrá-lo.
Radamanthys quase sorriu, mas respeitou e admirou o general por estar agindo como um pai para Pandora. Se ele soubesse em que situação Pandora havia engravidado, não precisaria de todo aquele discurso.
— Eu cuidarei de ambos com a minha vida. – disse o tribuno.
Sem dizer uma só palavra, Hades virou as costas e foi na direção onde encontraria Minos. Sua presença ali estava encerrada.
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Valentine arrumava as suas coisas quando Radamanthys entrou.
— Pandora está grávida. – disse o tribuno, antes mesmo que o soldado voltasse na direção da sua voz.
— Então, case-se com ela. Terá seu herdeiro e ela será uma companheira a sua altura. – respondeu o soldado sem fitar Radamanthys.
O tribuno se aproximou, lenta e timidamente. Nunca havia falado sobre seus sentimentos, nem feito promessas à Valentine. No entanto, era com ele que se sentia inteiro e livre. O sexo era intenso e os momentos juntos, cheios de prazer e a leveza própria de dois homens cuja visão de mundo era a mesma. Agora tudo isso estava acabado e tinha de assumir uma vida normal como todo homem que chegava à idade de constituir família e deixar sua descendência. Sabia que esse dia chegaria e estava preparado para acolhê-lo. Pandora não lhe era indiferente, gostava dela, sentia prazer com ela e agora ela lhe daria um filho! Então, porque se sentia triste e ferido, como se tivesse sido golpeado direto no coração?
— Eu já falei com Hades.
— Ótimo. – disse Valentine virando-se para o tribuno, os olhos claros tentando esconder a dor... – Eu estou voltando para Roma, fui escolhido para integrar a legião do general Hades.
Radamanthys fitou-o com intensidade e Valentine sustentou o olhar. Ambos sabiam o que se passava em seus corações, mas nenhum dos dois ousou verbalizar. O soldado sempre o amara e sempre o amaria. Era quase uma devoção, uma parte de sua existência que só valia a pena quando estava nos braços do tribuno.
Olharam-se com a paixão angustiada dos amantes que precisam dizer adeus e seus lábios trêmulos se encontraram em um beijo desesperado. Valentine murmurou baixo:
— Uma última vez?
Radamanthys fez que sim, tomando-o nos braços levando-o de encontro à parede e fazendo-o bater com as costas nela, enquanto demonstrava uma incrível força ao erguê-lo e falava próximo aos lábios que se abriram com o impacto.
— Vou fazer com que se lembre de mim... – disse o tribuno, enquanto forçava o soldado abrir as pernas, ao insinuar suas coxas entre elas.
O jovem arquejou e quase sorriu, enquanto Radamanthys o acariciava com força, as mãos subindo pelas laterais do corpo, até chegar aos mamilos e tocá-los até sentir-lhes a turgidez.
Com um olhar carregado de luxúria, o tribuno virou-o de costas e cravou os dedos na bunda roliça que já exibia algumas marcas avermelhadas. Mordeu-o no ombro com voracidade, marcando-o e arrancando um gemido baixo.
Valentine arqueou a coluna, porém Radamanthys tornou a mantê-lo sob o seu jugo, colando seu corpo ao dele, a ereção pulsando entre as nádegas empinadas e as mãos buscando os pulsos para prender os braços do jovem ao lado do corpo.
— Seu corpo me enlouquece... Sempre me enlouqueceu. Jamais vou esquecê-lo, Valentine...
À frase sussurrada, seguiu-se a penetração. Radamanthys afundou-se com força dentro do corpo de Valentine, fazendo-o gemer alto e estremecer. Porém, em meio ao prazer e a dor do ato abrupto, o jovem continuou a desafiá-lo.
— Então faça forte, tribuno... Deixe sua marca em mim...
— Diga meu nome... Quero ouvi-lo chamar-me pelo meu nome. – insistiu Radamanthys.
Um sorriso e um ofego escaparam da boca do soldado. Ele gemeu enrouquecido e sua voz soou baixa, quase um murmúrio.
— Radamanthys...
O modo sensual da fala e a expressão de prazer fez o tribuno ficar ainda mais excitado. Ele estocou com força, seus quadris bateram nas nádegas e o som seco do encontro dos corpos encheu o aposento. Ofegante, Radamanthys buscou o queixo de Valentine, virando-o em direção ao seu rosto, usando os dedos longos para acariciar e mergulhar na boca arfante, enquanto murmurava:
— Valentine...
Dito o nome do amante, enfiou a língua em sua boca de um jeito quase animalesco, mordendo, sugando e apertando-se contra ele que recebia seu corpo sacudido pelas estocadas fortes e intensas.
Escorregou a mão até uma das coxas do soldado e a apertou, deixando mais marcas dos dedos na pele alva, enquanto se enfiava mais e mais dentro da cavidade estreita e gemia ao seu ouvido, deixando-o entontecido, ofegante...
A penetração ritmada e profunda atingia Valentine como um ferro abrasador e atravessava o seu corpo deixando um rastro de prazer cada vez mais ardente. Ele ofegava, sentindo o falo do tribuno mover-se cada vez mais rápido dentro de si, tomando-o com fúria, arrancando gemidos entrecortados e cada vez mais altos de sua garganta. Sentia as gotas de suor, formar-se em seu corpo, o calor exalado por ambos os corpos deixando-o afogueado, o ambiente ficando mais carregado... O gozo viria, novamente, tão forte quanto tinha sido a primeira vez...
Possuir Valentine daquele jeito excitava Radamanthys e ele percebia que jamais teria o mesmo prazer com qualquer outra pessoa, fosse homem ou mulher. Aspirou o ar próximo da pele dele e afundou mais do membro, movendo-se com mais velocidade. Os gemidos de Valentine eram longos, a mistura entre a dor e o prazer nunca lhe parecera tão exata, tão perfeita... Amava aquele homem!
Valentine ofegava e gemia, seu corpo parecia se dividir com as estocadas naquela posição, mas não importava, era bom, era a última vez que teria o homem que amava dentro de si. Abriu mais as pernas e inclinou-se ainda mais, aspirando o ar de forma entrecortada para dentro dos pulmões, enquanto era arremessado para frente e puxado para trás pela mão forte que prendia sua cintura.
Sentindo o gozo cavalgá-lo como a mais primitiva das forças, Radamanthys mordeu a nuca do jovem, os dentes cravando como se ele fosse uma fera no auge do orgasmo, sentiu seu falo derramar-se em longas pulsações dentro de Valentine e, enquanto sentia seu corpo ser sacudido por um intenso prazer, desejou que não acabasse, que ficasse ali, gozando e gozando para sempre...
Ainda sentia seu falo latejar e se movia apertado no corpo do soldado, enquanto seu corpo estremecia e seus dedos cravavam nos quadris do amante. Ele jogou a cabeça para trás, deleitando-se com o aperto delicioso e o calor que emanava do corpo do jovem quando o orgasmo o atingiu, mas fez questão de ficar com os olhos abertos, bebendo do prazer de Valentine, dos tremores do corpo jovem, os lábios se abrindo, os olhos fechados, o gozo explodindo em jatos...
Fechando os olhos e sentindo o clímax de Radamanthys, Valentine também gozou estremecendo e se contorcendo de um modo avassalador. Não precisara ser masturbado, bastara apenas a invasão profunda e tudo explodira em um orgasmo tão forte que lhe tirou o ar.
Ficaram trêmulos, junto um do outro, com Radamanthys segurando Valentine, os fios dourados e exóticos do jovem grudando no suor da testa e os de Radamanthys, igualmente despenteados. As mãos do mais velho se moveram para aquele rosto deliciosamente afogueado, segurando-o para então começar a mordiscar o seu maxilar e deslizar a língua até a orelha, mordendo o lóbulo, circundando toda a região, deixando a respiração pesada escapar por sua garganta, enquanto saía de dentro dele.
— Eu te amo... – confessou o tribuno.
Lágrimas escorreram pelo rosto afogueado de Valentine.
— Eu também te amo. – respondeu o soldado, permitindo que o tribuno lhe tomasse a boca num último e profundo beijo.
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As tropas de Hades se preparavam para deixar Coria sob gritos de alegria e agradecimentos. O general estancou quando Alanna surgiu junto com Albafica e Minos para despedir-se dele. Surpreendentemente, ela não mais se parecia com a mãe de seu filho. O semblante dela era mais doce e sereno, tão diferente da força desafiante de Norah. Então, porque ele vira o rosto da única mulher que amara em outra mulher?
— Saudações, general. Tenha uma boa viagem. – disse Alanna entregando-lhe uma guirlanda de flores.
O general franziu o cenho, tentando entender a razão daquele presente. Alanna sorriu, entendendo a confusão nos olhos azuis. Sua voz suave e melodiosa entoou uma antiga benção:
— Veio até nós como inimigo e retorna como amigo. Que o caminho venha ao teu encontro. Que o vento sempre sopre às tuas costas e a chuva caia suave sobre teus campos. E até que voltemos a nos encontrar, os deuses te sustentem suavemente na palma de suas mãos. Que vivas todo o tempo que quiseres e que sempre possas viver plenamente. Lembra sempre de esquecer as coisas que te entristeceram, porém nunca te esqueças de lembrar aquelas que te alegraram. Vá em paz, general Hades.
Hades sentiu uma comoção inexplicável, como se aquelas palavras tivessem o poder de varrer de dentro de si, sentimentos há muito guardados e negados. Alanna sorriu e se afastou, junto com Albafica. Minos permaneceu diante de seu pai, estendendo-lhe a mão. O general aceitou o cumprimento, olhando dentro dos olhos do filho e, pela primeira vez, havia um rastro de sentimento neste olhar.
— Sua mãe se chamava Norah e pertencia à tribo Suetidi na Escandinávia. Quando os exércitos de Roma tomaram a península, minhas tropas foram mandadas para preparar o caminho e mostrar o poder do império. Quando vencemos os guerreiros da tribo e tomamos a aldeia, ela foi corajosa ao oferecer a si mesma, em troca da liberdade de seu povo. Eu nunca havia encontrado uma mulher como ela e para ser sincero, não acreditava que podia existir alguém assim, alguém cuja força criasse em torno de si uma energia capaz de transformar tudo a sua volta. Eu a tive por uma única noite e jamais vivenciei algo igual com outra mulher. Tentei tirá-la dos meus pensamentos e do meu coração, mas não consegui. Então, nove meses depois, voltei à tribo, mas ela tinha morrido. Entretanto, você, fruto daquele momento singular, estava vivo e saudável e me foi entregue, porque essa era a vontade dela. Cada dia eu via um pouco de Norah em você, mesmo não tendo tempo suficiente para conhecê-la. Você era a presença constante que me fazia imaginar como teria sido entre eu e sua mãe, da família que poderíamos ter formado mesmo que fôssemos de culturas diferentes. Norah era selvagem e intensa, assim como você. Então eu o deixei com seu avô, porque era a única forma de me redimir com sua mãe. Ele iria torná-lo um guerreiro tão forte quanto ela e eu... E também, assim eu poderia esquecer o passado e seguir em frente. Mas, eu nunca a esqueci e fui covarde por não querer você por perto para me lembrar disso. Mas, agora, vendo a coragem que você tem para aceitar e mostrar que ama, abertamente, me faz ter a obrigação de dizer-lhe isso.
Minos ficou sem palavras e tinha a nítida sensação que via o pai pela primeira vez. Uma sensação de alívio tomou conta de si e ele abraçou Hades com força.
— Obrigado, meu pai. – respondeu baixo.
— Seja feliz e correto, meu... – o general hesitou e então completou: — Senhor governador.
— Antes de ser uma autoridade, eu sou seu filho e me orgulho disso. – rebateu Minos.
— Eu sei e sinto o mesmo, meu filho. Adeus. – respondeu Hades estreitando aquele abraço forte.
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"Vem..."
A voz enrouquecida ecoou na imensidão do quarto com um erotismo cru e, ao mesmo tempo, poético. Após a partida das tropas, Coria mergulhara no silêncio. Os Groves também já haviam voltado a sua floresta sagrada e tudo estava em paz.
Após dizer, apenas uma palavra, Albafica estendeu a mão na direção de Minos, os lábios se roçaram e, em seguida, as bocas se encontraram abertas, quentes e ávidas...
Minos deixou-se encantar pela luxúria explícita no olhar de Albafica, arrancando-lhe a túnica, mordendo os lábios do druida, sentindo-o entregar-se e puxá-lo para mais perto de si. O jovem sentiu as mãos de Minos tocar-lhe as costas com força e embrenhou as suas por baixo da túnica longa do governador. Músculos sólidos e carne quente... Pele macia e alva... Os corpos buscando, sentindo, incendiando...
Fechando a mão nos cabelos da nuca de Albafica, Minos aprofundava o beijo, enquanto o druida gemia contra os seus lábios e abria a boca como se estivesse sedento, deixando a língua ávida explorá-lo de forma urgente.
O braço forte de Minos cingiu a cintura do druida com o braço esquerdo, enquanto a mão direita em sua nuca controlava a profundidade do beijo a seu bel-prazer. Albafica estremeceu, deixando-se incendiar pela boca e pelos toques do romano em seu corpo. Como sentira falta daquela paixão desmedida, do corpo forte, do encaixe perfeito de seus corpos no ato de amor...
Minos beijava-o com paixão, chupando os lábios do druida entre os beijos, sentindo sua ereção avolumar-se a cada encontro das línguas e o som abafado dos gemidos de Albafica. Fechou a mão nas coxas macias, ainda cobertas e puxou-o, ainda mais para perto, deixando a boca pequena para roçar o pescoço alvo e mordiscar-lhe a orelha.
— Minos... — ele gemeu prazerosamente, a pele incendiando como se estivesse febril.
O som da voz do druida sempre o fazia estremecer e desejar tê-lo para sempre em seus braços. Ficaram um bom tempo, apenas se beijando e amassando, sentindo o corpo um do outro, as zonas erógenas, as urgências...
Albafica começou a demonstrar o que prometera, tocando o corpo de Minos de forma sensual e provocante. Suas mãos macias alcançaram o peito do romano, alisando-o demoradamente. Depois, foi descendo para a barriga, contornando a musculatura rija e, para o deleite do governador, continuaram descendo...
Minos gemeu quando a mão fria tocou o seu membro. O romano mordeu os lábios, encorajando-o. Gostando de ver a entrega de Minos, Albafica continuou os movimentos de forma lenta, sentindo o falo ficar cada vez mais duro em sua mão. Os toques do druida não eram mais tímidos e Minos sorriu por ser merecedor desta nova sensualidade.
Por um momento, aproveitou aquela carícia, mas logo reassumiu a postura dominante, fechando as mãos grandes sobre o tronco nu de Albafica apertando tudo que podia, marcando-o com seu e se deixando marcar por ele. Olhou com luxúria para os mamilos rosados e túrgidos que pareciam chamá-lo...
Curvou o tronco e fechou os lábios em um mamilo, enquanto acariciava o outro. Lambeu, vagarosamente, percebendo a cada toque as reações de prazer que fazia o druida gemer e entrelaçar os dedos em seus cabelos, puxando-o, trazendo-o cada vez mais para perto do seu corpo.
Gostando daquela entrega, Minos deslizou a língua sorrateiramente do peito para a barriga lisa e arfante, circundando o umbigo antes de mergulhar dentro dele e arrancar um ofego. O gemido que Albafica emitiu foi um som delicioso de ser ouvido e o romano parou, encontrando o rosto afogueado do druida. Ah, que bela visão era aquela...
Corado e despenteado, Albafica erguia os quadris, imerso no prazer de sentir Minos devassá-lo com a língua quente e úmida... As mãos ligeiras do romano tiraram sua calça de algodão, arranhando as coxas alvas e torneadas.
— M-Minos... – gemeu Albafica.
— Hum...? Estou te machucando? — Minos olhou-o com atenção, sem parar a carícia em suas coxas alvas e torneadas.
— N-Não... – disse Albafica tentando conter mais um gemido.
Minos olhou-o, sentindo amor e desejo dentro de si, uma necessidade e um sentimento que se deram as mãos em uma compreensão implícita que amaria Albafica por toda a vida.
— Você é lindo... Sei que já disse isso mil vezes, mas, não me canso de repetir... – falou o romano acariciando o rosto do druida antes de tomar-lhe a boca em mais um beijo profundo e quente.
Ainda com os lábios nos de Albafica, Minos sussurrou baixo e ofegante.
— Eu te amo e te quero para sempre...
Após aquela fala, Albafica sentiu a mão de Minos masturbá-lo devagar, as pontas calejadas dos dedos roçando seu falo, seus testículos e períneo em uma carícia gostosa e ritmada...
Os quadris do druida foram de encontro à mão grande e forte que o acariciava e seus lábios se abriram em gemidos profundos. Logo, Minos substituiu a mão pelo próprio corpo e Albafica arquejou, estremecendo com a fricção dos corpos, os músculos se retesando enquanto sua pele queimava pela forma prazerosa como Minos o tocava, e se movia contra ele...
— Abra as pernas para mim... – Minos disse baixo e com a voz ainda mais enrouquecida.
Ofegante, Albafica dobrou os joelhos e abriu as pernas. Com um gemido rouco, Minos rapidamente se aproveitou disso e o jovem druida sentiu o hálito quente e úmido na parte interna da coxa. Então, Minos alcançou o falo que já gotejava de excitação, lambendo-o, beijando-o e provocando-o com o nariz.
Albafica ergueu os quadris num movimento involuntário e instintivo, se oferecendo por completo. O romano sorriu e deslizou as mãos por baixo das nádegas do druida, suspendendo-o e levando a língua até a entrada que se contraía, arrancando gemidos angustiados.
O governador se deliciou com as reações de Albafica e o druida, por sua vez, descobriu que Minos podia ser completamente impiedoso quando queria ser. Ele usou a língua para obrigá-lo a implorar, os dedos para manipulá-lo prazerosamente, os dentes para fazê-lo arfar e se perguntar até quando suportaria tanto prazer...
Quando por fim, Minos sentiu Albafica desesperado para senti-lo, levantou-se da cama e tirou a túnica. O jovem druida apreciou a deslumbrante visão do corpo inteiramente nu de Minos e, embora seu corpo estivesse imóvel, seu coração disparou dentro do peito. Observou-o descer sobre o seu corpo com aquele olhar intenso e afiado que parecia devassá-lo.
— Posso sentir você por todo o meu corpo... – sussurrou Albafica num tom baixo. Sua pele parecia ter vida própria e seus sentidos tiniam deixando-o com a respiração entrecortada.
Minos segurou em concha o rosto de Albafica e fitou seus olhos. O jovem sentiu uma emoção tão forte e inexplicável que fechou os olhos, sentindo-os úmidos...
— Olhe para mim... – disse Minos com a voz baixa e rouca.
Albafica obedeceu e deixou que Minos visse as lágrimas escorrerem pelo seu rosto. O romano lambeu-as com uma intimidade silenciosa e franziu o rosto, embalando-se contra ele, abrindo suas pernas com suas coxas e penetrando-o numa graduação excruciantemente lenta. Albafica o abraçou, tomado de prazer e dor, enquanto Minos o preenchia.
Emaranhando os dedos nos cabelos e travando a boca nos lábios de Albafica, Minos começou a se mover furiosamente dentro dele, tocando-o tão fundo que o druida gemeu e gritou tomado por fortes ondas que se espalhavam por todo o seu ser, fazendo-o consciente do próprio corpo e o corpo de Minos com uma completude inexplicável.
O falo do jovem druida pulsava junto ao ventre de Minos, a fricção triplicando o prazer que sentia com as estocadas e com o calor da pele do amante...
Vigoroso e quase selvagem, Minos continuava adentrando as profundezas do corpo apertado, o falo buscando o ponto prazeroso, enquanto sua boca continuava a beijar e morder, deixando Albafica cada vez mais perto do orgasmo.
Músculos ondularam e retesaram, as bocas arfaram juntas e palavras roucas escaparam em meio ao suor. Os quadris se chocavam e as peles brilhavam, imersas em suor...
Albafica sentia o clímax chegando e seus dedos afundaram na carne rija de Minos. Suas mãos escorregaram pelo suor abundante da pele do amante e a presença viril entre as suas pernas o fez sentir-se parte do corpo do romano e também, parte de sua alma...
Minos sentiu os tremores abaixo de si, a força do corpo de Albafica engolindo-o, apertando-o... Em meio ao furor de todo aquele prazer, os dois se abraçaram tão forte que pareceram fundir-se em um só.
Tudo pareceu ficar rubro, feito fogo... Então, um grito abafado e rouco escapou da garganta de Albafica ao ser sacudido pelo orgasmo violento e Minos que ainda o beijava, engoliu o som, apertando-o junto a si, enquanto grunhia e também sentia seu corpo estremecer com o clímax.
O sêmen abundante de ambos molhou dentro e fora dos corpos, enquanto os lábios arfantes e trêmulos se buscavam, mais uma vez...
Minos deixou-se desabar sobre Albafica. Os batimentos do coração de ambos retumbavam, parecendo dois tambores batendo em sintonia. O rosto do druida estava afogueado e, incrivelmente, lindo e relaxado aos olhos do romano que agora retirava alguns fios azulados da testa suada e acariciava-o como se quisesse gravar aquela expressão para sempre.
O jovem sorriu, os olhos ficando pequenos... Minos também sorriu e ficou em silêncio por alguns segundos, sentindo aquela conexão profunda e admirando a beleza de Albafica que o comovera desde a primeira vez que o vira. Olhou para a ponta de seus dedos, lembrando os filamentos luminosos que vira na floresta sagrada e, por alguns instantes, enxergou-os, novamente, até sumirem no ar.
— Minha mãe não era romana, mas, mesmo assim, meu pai a amou. – murmurou Minos.
— Eu sei... – disse Albafica acariciando-o no rosto. – Somos ambos o produto de dois mundos e nos tornamos mais fortes por isso.
Sorrindo, Minos beijou Albafica, mais uma vez. O ar tornou-se mágico, preenchendo o aposento com um forte perfume de rosas... Os dois se abraçaram, riram e retomaram o longo e prazeroso ritual da paixão. Afinal, o amor construíra sua casa no coração dois e ambos haviam se tornado senhores do seu destino...
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Nove meses depois...
Coria prosperava a olhos vistos. A paz, conseguida com o governo forte e justo de Minos e a presença sábia e serena de Albafica foi celebrada pelo imperador Nero que enviou emissários com prêmios e regalias para os clãs aliados. Moedas de ouro e provisões suficientes para passar o inverno rigoroso foram distribuídas entre todos e houve uma grande festa.
Em meio às comemorações, Pandora sentiu as dores do parto e após oito horas longas e exaustivas, ela deu a luz a uma menina. Radamanthys tomou a filha nos braços, os olhos brilhando de emoção.
— Ela é tão pequena, tão perfeita... As unhas dela são minúsculas! Como podem ser tão pequenas e tão perfeitas?
— Ela é linda... – falou Pandora com o rosto suado e um sorriso de orgulho.
Radamanthys tocou, carinhosamente, o rosto do bebê e olhou para a esposa. Pandora ainda sorria, mas, de repente, o sorriso morreu e ela encarou o tribuno com seriedade.
— Eu sei que é o pai quem decide o nome, mas... Eu gostaria de chamá-la de Valentina.
O tribuno sentiu as lágrimas acorrerem aos seus olhos. Um dia antes, recebera a notícia que Valentine havia morrido em combate e a dor que sentira fora imensa. Não deixara de amá-lo e nunca o esquecera. E agora, Pandora fazia aquela homenagem de forma tão sincera.
— Sim, vamos chamá-la Valentina. – disse Radamanthys beijando a testa da esposa.
O bebê fechou a mãozinha sobre o dedo do tribuno e Pandora soube que o marido amaria aquela criança mais que qualquer coisa do mundo, até mesmo ela. Porém, não se importou, sabia que dispunha de parte do coração do tribuno e que a outra parte havia partido com Valentine. Sua filha seria sempre, a lembrança do que ficara de bom e ela seria sempre grata por isso.
— Nero enviou uma mensagem onde recebi o título de senador. Ao aceitar, além de fazer parte do Senado, receberei terras e duas casas em meu nome, além das que já possuo. Nossa família estará amparada com um grande patrimônio.– disse o tribuno.
— Você fez por merecer. Quando partimos?
— Assim que pudermos viajar.
Pandora sorriu feliz.
— Hades conhecerá nossa filha.
— Achei que gostaria da notícia e também pensei nisso. Minos está mantendo tudo sob controle em Coria e creio que pode tomar conta do resto também.
— Verdade.
Radamanthys sentou-se na cama ao lado de Pandora e o bebê.
Os três permaneceram juntos em uma estreita cumplicidade, enquanto Coria recebia o clã dos Pictos. Os guerreiros mais ferozes da Bretanha estavam de luto. Seu líder, Algol de Perseu, havia travado uma batalha sangrenta contra os selgovaes que ameaçavam um golpe contra a liderança de Minos e perecido por conta de um grave ferimento. No entanto, ele havia decepado a cabeça do líder sélgova e acabado com a rebelião antes de cair ferido. Albafica o tratara, mas a hora do picto havia chegado. Com um sorriso, Algol partiu sem sofrimento e o jovem druida viu sua avó dar-lhe a mão e ambos partirem juntos para o “Outro Mundo”.
O próprio Minos acendeu a pira onde o corpo de Algol foi cremado e, em seu discurso, disse com sinceridade, palavras que, um ano atrás, jamais pensaria ser possível:
— Algol foi um inimigo terrível, mas um aliado formidável. Seu nome permanecerá vivo entre nós e um busto seu será colocado em praça pública. Honra ao líder dos Pictos, guerreiro valente e um amigo inestimável!
Gritos emocionados romperam o ar. Algol passava para a história como um dos líderes celtas mais importantes na construção da paz.
Aiacos olhou para o anel que Algol lhe dera. Lágrimas teimosas e quentes lhe vieram aos olhos, mas ele não as derramou. Vivera a felicidade completa ao lado do companheiro e sentira o verdadeiro amor povoar-lhe o cotidiano. Não derramaria lágrimas de tristeza! Um dia o reencontraria no “Outro Mundo” e retomariam seu relacionamento.
Albafica se aproximou de Aiacos e tocou-lhe o ombro.
— O amor nunca morre. — disse o druida.
— Eu sei e farei o possível para que ele seja lembrado por todos. – respondeu Aiacos.
Quando a cerimônia terminou, todos foram convidados a comer e beber em honra a todos os guerreiros mortos em combate.
Albafica olhou para Minos que conduzia tudo com uma postura séria e respeitosa. Todos o amavam e, no fim, até mesmo Algol reconhecera que o governo do general romano trouxera paz e prosperidade onde antes só existia morte e desolação.
Por um momento, o druida ficou observando a todos. Cada homem, mulher e criança se sentiam parte do que haviam construído em Coria. Já não havia a distinção entre celtas e romanos e todos coexistiam em uma perfeita sincronia. Haveria um tempo em que tudo isso mudaria, ele podia sentir. Porém, um druida sabia que o momento presente devia ser vivido com plenitude e era isso que ele faria. Seus olhos encontraram os de Minos e o governador sorriu.
Eu te amo! A frase não dita, mas pensada ecoou em sua mente e Albafica caminhou com firmeza e alegria na direção do homem que amava, abençoando a todos pelo caminho...
FIM
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