A ROSA CELTA

14 Capítulo 13 - O PODER DE UM DRUIDA


Notas iniciais
♥Olá, galerinha amada do bem!!!! Espero que tenham tido um bom Natal! * Oficialmente em férias, agora posso dedicar-me a escrever com mais tempo! Obrigada pela paciência e pelo carinho e vamos ao penúltimo capítulo!♥ *Capa trocada pelo desenho maravilhoso da Druidess (Damyris) que me deu sua arte de presente!! Amada, muito obrigada mesmo!!!

Diodoro da Sicília escreveu:

“Por várias vezes, quando exércitos se aproximavam mutuamente no campo de batalha, com as suas espadas desembainhadas e as suas lanças erguidas para o ataque, estes homens [os Druidas] avançavam entre eles e cessavam o conflito como se tivessem encantado alguma espécie de animais selvagens. Assim, mesmo entre os mais selvagens bárbaros, a fúria rendia-se ante a sabedoria, e Ares prestava homenagem às Musas…

Albafica cavalgou a frente de homens e mulheres vindos dos pequenos clãs que coexistiam junto aos Lopocares. Sua expressão era serena e firme e ele sabia que o momento havia chegado. Findara o tempo de aprendizado e iniciara seu tempo de poder.

Um druida possuía a função de esclarecer e findar conflitos desnecessários, mesmo que, em muitos momentos da história celta, fosse ele a convocar uma batalha. Sua palavra e suas ações falavam por toda a tribo e sua voz deveria ser tão potente quanto o ressoar do trovão, embora falasse com suavidade e cuidado.

O jovem Albafica trazia a lâmina da sua iniciação, o objeto que lhe daria a visibilidade necessária para que todos soubessem que ele se tornara o que nascera para ser. Era uma espada inútil para um guerreiro, mas perfeita para um pacificador. A relação entre dominador e dominado exigia equilíbrio ou ambos enfrentariam o extermínio de suas possibilidades. Roma exigira a Bretanha e colocara nela homens capazes de fincar a bandeira romana tão fundo que os corações celtas perderiam sua identidade e sua honra. Porém, havia uma única chance de coexistir e aprender, mesmo na adversidade. Essa chance era o seu destino e o amor, a única arma que usaria para convencer a todos dessa possibilidade.

Minos estava paralisado, sua mente dava voltas e seus olhos se recusavam a acreditar na cena que se descortinava à sua frente. Albafica postara-se ao lado dos Pictos. E não só isso, trouxera reforços!

Hades já havia perfilado a sua tropa, o olhar agudo centrado na cena insólita. Logo, ele elevaria a mão e comandaria o massacre... Pensou Minos. Era preciso agir, mas a única coisa que vinha a mente de Minos, era a frase dita por sua mãe: — Confie no amor, permita que a beleza que amamos seja o que fazemos. Existem centenas de maneiras de ajoelhar e beijar o chão...

A voz melodiosa ecoou, novamente, dentro da sua cabeça. Confiança e amor. Duas palavras que se destacavam e que, por muito tempo, estiveram ausentes do seu vocabulário e de sua ação. Um romano era ensinado a desconfiar e evitar o amor. A conquista se fazia pela força, pelo sangue e pela superioridade bélica. O amor era uma fraqueza dispensável, capaz de destruir até mesmo os deuses.

Entretanto, Minos tinha em si o sangue de dois povos e não, somente, de um. Ele e Albafica encerravam em si o potencial da união entre estes mundos distintos entre si, porém obrigados a coexistir. Então, em meio ao turbilhão de pensamentos e sensações, ele compreendeu.

— Décima Segunda legião, formação falange!— gritou alto e forte.

De imediato, soldados da infantaria se posicionaram à frente criando uma barreira fechada com seus escudos e lanças. Hades encarou seu filho com o cenho franzido, como que se estivesse se perguntando quais as intenções por trás daquela atitude. Minos devolveu o olhar com tanta confiança que o general mais velho elevou a mão e ordenou o mesmo para a sua tropa.

Minos bateu com os calcanhares na barriga do cavalo e, com Hades ao seu lado, cavalgou devagar, indo ao encontro das tropas inimigas e de Albafica.

Enquanto os dois generais vinham ao seu encontro, Algol estava confuso e não compreendia o porquê da hesitação dos seus homens e da sua própria. Sentia-se amarrado, as emoções que o haviam guiado no calor da batalha estavam, estranhamente, apaziguadas. E, por mais que lutasse para impedir a aproximação de Albafica, havia no druida uma aura de poder que o obrigava a permanecer quieto e até mesmo, baixar os olhos!

— O que faz aqui? – conseguiu falar, porém sua voz tremeu como a de uma criança diante de um pai severo.

Dia duit, Algol, líder dos Pictos! – disse Albafica fitando-o nos olhos. – Venho até você e seus homens com o coração aberto e a mente livre de julgamentos. Chegou o momento de desfazermos as diferenças entre nós para que possamos enfrentar o inimigo com o máximo da nossa força e união. Trago homens e mulheres de outros clãs, todos dispostos a somar esforços para que Roma compreenda a importância de um acordo onde ambos os lados possam ganhar.

— Não vejo armas nas mãos deles. Como espera vencer o exército romano de mãos vazias?

Albafica sorriu e pareceu que o sol havia descido dos céus e pousado nos lábios desenhados.

— A arma mais letal está aqui e aqui. – respondeu o druida tocando a testa e, em seguida, o lado esquerdo do peito. – Não em nossas mãos.

Algol olhou no rosto de cada homem e mulher. Até mesmo os seus guerreiros pareciam calmos, como se tivessem saído de suas casas e não batalhado, instantes atrás, até a exaustão. Mas o que mais o deixava atônito era o olhar de Albafica... Em nenhum momento percebeu julgamento ou dúvida. Havia uma certeza estranha, quase sobrenatural no modo que ele olhava e falava. Sentiu cair sobre si a culpa por ter sacrificado Bridget, porém, ainda assim, Albafica não parecia condená-lo.

— Eu fiz coisas terríveis... Não me resta alternativa, senão ir até o fim com o que comecei. – disse o líder picto.

Com o olhar sereno, Albafica ficou frente ao líder picto.

— A matriarca dos Brigantes tornou-se o sacrifício, porque era o seu destino e também a sua escolha. Você foi o instrumento usado para desencadear o que já estava predestinado.

— Ela me amaldiçoou... Ainda posso ouvi-la gritar. – falou Algol.

Liom na logh, Algol. Através de mim, o perdão recai sobre ti e a maldição é desfeita. Minha vó sorri e o reconhece como parte do destino dela, assim como eu o reconheço como parte do meu.

Algol arregalou os olhos. Seu corpo estremeceu e ele viu-se sem palavras. Estava sendo perdoado! E mais que isso, sentia que um peso lhe era tirado dos ombros e do coração.

— Fique ao meu lado. – continuou Albafica. — A verdadeira batalha começa agora e eu preciso de você comigo.

Houve um instante de comoção entre todos. Guerreiros, homens e mulheres voltaram os olhos para Albafica e o líder picto. O ar pareceu eletrificar como acontecia antes de uma tempestade, o vento surgiu misterioso e agitando os cabelos azulados do jovem druida. Um sorriso confiante brincou nos lábios de Albafica, enquanto os lábios de Algol estremeciam, imperceptivelmente.

— Estou com você. – falou o picto.

— Então vamos!

Minos cavalgava sem tirar os olhos do grupo que também se aproximava. Tensionou a mandíbula ao ver o líder picto ao lado de Albafica e sua mão, instintivamente apertou o punho da espada. No entanto, sentia uma calma fria e profunda, capaz de isolar qualquer atitude impulsiva.

Quando estavam chegando perto, Albafica e Algol foram ao seu encontro. Hades falou baixo para Minos:

— Qualquer movimento em falso e eu acabo com o picto. Esteja preparado para fazer o mesmo com o druida.

Minos permaneceu olhando para frente, a voz imponente e calma ao responder:

— Deixe que eu cuido de tudo.

Hades não percebeu hesitação, raiva ou até mesmo a arrogância, sempre presentes, na voz de seu filho. Minos estava calmo, o olhar profundo e inflexível. Ali, ao seu lado, estava o homem destemido que seu filho se tornara. Não costumava mostrar-se orgulhoso dos seus feitos, mas naquele momento, sentiu uma grande satisfação em reconhecer Minos como um eficiente general.

— Faça o que tem que fazer. – falou, simplesmente.

Os quatro se encontraram e um silêncio espantoso abateu-se sobre o lugar cobrindo tudo e todos com um manto invisível de tensão. Por rápidos instantes, tudo ficou estático, como se todas as coisas tivessem paralisado, ao mesmo tempo. O vento parou de soprar, os animais da floresta silenciaram, os olhos dos protagonistas estavam fixos, uns nos outros, como se estivessem sob algum encantamento.

De repente, um relâmpago cortou o céu sem nuvens com uma fúria ímpar, seguido por um trovão igualmente poderoso. Esta manifestação natural libertou a todos do estado passivo em que se encontravam.

— Salve general Minos e general Hades. Eu, Algol e demais representantes dos clãs, desejamos findar este conflito e construir outras bases de relacionamento. – falou Albafica.

— E quais bases são essas? – indagou Minos sem tirar os olhos de Albafica e Algol.

Lentamente, Albafica retirou o broche de prata em formato de rosa e estendeu-o na direção de Minos.

— Possuo sangue celta e sangue romano. Que esta união seja um ponto de encontro entre nós e nossas necessidades. Esta rosa simboliza a força do nosso povo e a beleza existente em todas as formas de vida. Ela representa a aceitação do amor e do respeito, seja de quem for.

Hades olhou para Minos que tomou o broche na mão, olhando-o com uma atenção reverente. Ficou tenso à espera da fala do filho, pois ainda não compreendia o que estava acontecendo.

— Eu represento Roma, não possuo nenhum símbolo para oferecer, a não ser eu mesmo. – falou Minos.

Albafica sorriu e levou a mão ao cabo da espada, fazendo com que Hades fizesse o mesmo. Porém, Minos continuou sereno e esperando.

Retirando a espada da bainha, Albafica tomou-a nas duas mãos e fitou o oficial romano nos olhos.

— Então aceite este símbolo e seja a prova viva que nossa união é possível, general Minos de Griffon. Roma vive pela espada, mas entre nós, a espada torna-se um instrumento de paz e a prova que tudo o que eu disse é possível. Em nome dos Brigantes, dos Pictos, dos Carvécios, dos Lopocares e dos Caledônios, eu, Albafica o escolho para governar e unir nossos clãs.

Hades franziu o cenho, surpreso. Um lado seu temia que tudo aquilo fosse uma encenação, enquanto o outro ficava admirado com o poder persuasivo daquele rapaz. Tinha a nítida impressão que Albafica poderia encantar até mesmo os seus soldados, pois todos o observavam com uma atenção respeitosa.

Após prender o broche em sua túnica, Minos desceu do cavalo e Albafica fez o mesmo. De cada lado, os outros mantiveram uma expressão atenta e cautelosa. Então, como se tudo já tivesse sido combinado, o general romano dobrou o joelho frente ao druida e este se aproximou com a espada segurada na mão direita, encostando-a no topo da cabeça do general e dizendo:

— Eu, Albafica de Peixes dos Brigantes e mestre druida, o consagro, Minos de Griffon para ser o governador destas terras e lutar pela paz e pela abundância entre nós.

— Eu, Minos de Griffon, general comandante da Décima Segunda Legião e representante do imperador Nero aceito a honra e o desafio de governar estas terras, trazendo paz, abundância e unidade a todos.

Mais uma vez, um trovão ressoou e um raio riscou os céus tocando em algum lugar das terras férteis. O odor de rosas espalhou-se como se houvesse ali, um campo cheio delas. Não houve barulho de comemoração e sim uma profunda comoção traduzida em silêncio.

Os dois lados se separaram e Minos olhou para trás, encontrando o olhar orgulhoso e sorridente de Albafica.

Eu te amo! Ouviu o general romano em sua mente, enquanto pensava o mesmo e sabia que o druida podia ouvi-lo também.

Ambos os grupos deixaram o campo de batalha e retornaram, em silêncio, para os locais de onde tinham vindo.

Nos dias que se seguiram, Minos passou a conhecer os anseios e necessidades daquele povo. Aprendeu sobre os ritos e celebrações, compreendendo que, mesmo tendo ordens para coibir os rituais dos druidas e sacerdotisas, deveria ter o cuidado de respeitar alguns momentos que, certamente, o destacaria como o líder que desejava ser.

Em cada aldeia que passava, ouvia os problemas e usava seus soldados como mão de obra para reconstruir habitações, planejar pontes, erguer torres de vigilância e ajudar os mais velhos na difícil rotina diária para conseguir água e alimentos.

Até mesmo os homens de Hades se comprometeram em deixar Coria pronta para as comemorações da posse do novo governador e também, para a celebração das Festas da Roda do Ano, uma data importante para os celtas e que coincidia com o solstício de inverno. A data fora proibida pelos outros governadores, mas Minos reconhecera que devia permitir a celebração, ainda mais que ela se uniria ao seu momento especial como escolhido para liderar e unificar duas culturas.

Durante todo esse tempo, o general não viu Albafica, mas sentia-se observado por cada homem e mulher como eles fossem os olhos do druida. Às vezes, permanecia em silêncio, apenas observando a rotina daquela gente que agora seria a sua gente. Havia neles um profundo respeito e integração pela natureza, algo que era desconhecido pelos romanos. Em Roma, se uma estrada ou ponte precisava ser construída, embora a natureza ao redor fosse respeitada, não havia a mesma reverência que os celtas prestavam às árvores e rios. Para eles, a natureza era uma entidade viva e tão importante quanto à vida de um homem. Não raro, uma obra era abandonada, porque sua continuidade poderia implicar na derrubada de um carvalho ou outra árvore antiga.

Finalmente, após três longos meses, onde sentiu, enormemente, a falta de Albafica, mas ocupou-se dia e noite de todas as tarefas que seu cargo exigia, Minos preparou-se para o grande dia, a comemoração de sua posse como governador.

Radamanthys olhou para o amigo e sorriu. Minos estava vestido com esmero, a túnica branca bordada em ouro nas mangas e bainha, caia sobre o corpo esguio e musculoso com perfeição. Um cinturão de ouro cingia-lhe a cintura e o manto vermelho preso por broches de ouro e também pelo broche de prata dado por Albafica, finalizavam e compunham a vestimenta do novo governador.

— Está muito elegante, meu amigo. – disse o tribuno.

— Eu bem que prefiro a vestimenta de soldado, mas... fazer o quê. – respondeu Minos.

— É governador, agora. Muitas coisas irão mudar.

— Eu sei.

— Então sorria, pois hoje é um grande dia.

Minos deu um meio sorriso.

— Não vejo Albafica há meses. Ele já chegou?

— Ainda não, mas creio que já está chegando.

Minos inspirou fundo, já ouvia a música e o som característico das grandes festas e banquetes romanos. Estava ansioso, embora não demonstrasse. Ao aceitar aquela posição havia estabelecido novas bases de relacionamento entre Roma e a Bretanha. Mas, qual seria o custo de tudo isso? Como ficaria sua relação com Albafica?

— Governador!

Imerso em seus questionamentos, Minos custou a atender o chamado. Ainda lhe era estranho aquele título, “governador”.

— Sim? – indagou um tanto sem vontade.

— Eles chegaram!

— Eles quem?

— Os Groves!— respondeu o servo com as faces avermelhadas pela excitação.

Sem entender o que o servo dizia, Minos franziu o cenho, confrontando-o:

— Quem são estes... Groves?

— São os mais respeitados e poderosos druidas da Bretanha. Eles vivem nas florestas sagradas e só as deixam para abençoar ou interferir nos acontecimentos pertinentes ao nosso povo.

Ao ouvir a palavra druida, o tribuno elevou uma sobrancelha e Minos o acompanhou. Porém, nenhum dos dois estava preparado para a visão que se descortinava frente aos seus olhos. Um grupo de cinco homens com vestes brancas e barbas, também brancas e longas se aproximava com serenidade e imponência. Não era arrogância ou orgulho, mas a personificação da sabedoria, do poder pessoal e da benevolência. Homens e mulheres o saudavam com respeito e alegria, recebendo as bênçãos que lhes eram distribuídas com gestos e olhares profundos.

Assim que os cinco chegaram próximos a casa, Albafica surgiu, dentre eles, abrindo caminho até posicionar-se frente à Minos.

— Saudações, governador. – disse ele fazendo uma reverência. – Aqui estamos para colocar-nos a sua disposição e para abençoar esta nova cidade

Os demais o acompanharam e Minos viu-se tomado de contentamento. Não pela reverência, mas pela presença daquele que amava. Sentiu seu sangue correr rápido nas veias e o coração descompassar. Sabia que todos aqueles passos faziam parte da cerimônia com que seria tratado, a partir de então. Mas, mesmo assim, se recusava a manter-se frio quando a vontade de tomar Albafica em seus braços era tão forte que nada mais parecia ter importância.

— Saudações, druida... – disse Minos, abraçando-o e cobrindo os lábios dele com os seus sem se importar com os olhares admirados e os murmúrios que se espalharam por toda Coria.

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Algol não gostava de Minos e jamais iria gostar. Mas, dera a sua palavra à Albafica e honraria o acordo de paz. Os pictos aceitariam o romano como governador e contribuiriam com as cotas, agora justas, exigidas pelo novo governador.

Olhou para Aiacos que afiava a faca, enquanto cantarolava uma música maliciosa e sorriu. Ultimamente, andavam sempre juntos e à noite partilhavam a cama. Não permitira que ele voltasse ao prostíbulo e tomara-o como companheiro sob as vistas de todos. Amava-o, mas nunca dissera uma só palavra. Talvez hoje, quando os druidas estivessem todos juntos em Coria ele pedisse uma benção para a sua união com Aiacos e isso selaria aquele amor que deixara tomar conta do seu coração.

— As celebrações já devem ter começado. – disse ele para o amante.

Aiacos se virou e fitou-o com um sorriso cínico.

— Você quer mesmo ir?

O líder picto sentiu a malícia naquele sorriso.

— Não, mas... Somos aliados, agora, e Albafica conta comigo. – respondeu abraçando Aiacos por trás e encostando aos lábios em seu pescoço.

O jovem fechou os olhos e usufruiu do hálito quente em sua pele.

— Se deseja mesmo ir, tem que ser agora ou chegaremos somente amanhã.

Algol puxou-o pelo rosto, fazendo-o entreabrir os lábios e aceitar o beijo desejoso. Aiacos sorriu e gemeu, ao mesmo tempo. Ainda se surpreendia com as sensações despertadas pelo amante e correspondia com a mesma intensidade.

— Então vamos. – disse o líder picto.

A alegria dos olhos do amante fez arrefecer a de Aiacos. Mesmo que Algol o tivesse assumido, ainda achava que ele sentia algo por Albafica. Em silêncio, guardou a faca e o seguiu.

Os pictos seguiram o seu líder e deixaram a aldeia, antes do por do sol. Quando chegaram a Coria, foram recebidos pelos outros clãs com sorrisos de boas vindas e generosas canecas de hidromel. Algol sorriu, ao perceber que os Groves estavam presentes. Ele tomou a mão de Aiacos na sua e, mesmo antes de prestar sua homenagem ao governador, postou-se frente aos druidas e fez uma genuflexão respeitosa, dizendo:

Beannachtaí, uaisle! A iarr mé onóir a bheith acu do bheannacht do mo aontas le Aiacos.( Saudações, meus senhores! Peço a honra de ter a vossa benção para a minha união com Aiacos.)

Aiacos arregalou os olhos, surpreso com aquele pedido e também com o brilho amoroso que percebeu nos olhos de Algol. Sabia que o agradava na cama e que eram companheiros de luta. Mas, jamais percebera que ele o... amava!

Algol sorriu ao perceber a confusão nos olhos do amante. E sorriu, mais ainda, quando os druidas impuseram as mãos em uma benção coletiva, unindo-os física e espiritualmente.

Minos percebeu a movimentação e olhou para Albafica que também observava e sorria.

— Pode mesmo perdoar o que ele fez? – perguntou o governador tocando a mão do druida.

Albafica virou o rosto lentamente e seus olhos estavam serenos.

— Minha vó quis assim. Você mesmo disse que a ouviu pedir para deixá-la ir. Ela se sacrificou em nome de algo que acreditava e, no final, este sacrifício abriu caminho para as nossas escolhas.

— E quanto a nós? Você faz parte dos... Groves, agora e, pelo que me disseram, eles vivem nas florestas sagradas. Vamos nos ver, somente nas celebrações?

— Isso incomodaria você? – devolveu Albafica num tom casual.

— Se isso me incomodaria? Mas é claro que sim! Você não? – falou Minos, alterado.

Radamanthys que estava sentado ao lado de Pandora, olhou na direção do amigo e percebeu-lhe a irritação. Elevou a taça com vinho em uma cumplicidade muda, enquanto os demais estavam entretidos em conversas e risadas.

Minos esperou a resposta de Albafica com o corpo tenso e o coração angustiado. Já tinha demonstrado seus sentimentos em público, ignorado o olhar de reprovação de seu pai e os rumores baixos que inundaram o ar no momento em que tomara Albafica em sues braços. Não temia a opinião alheia, era homem o suficiente para arcar com suas escolhas e decisões. No entanto, perder Albafica causaria um dano irreparável!

Com o rosto corado, Albafica aproximou os lábios dos de Minos. Tinha sido surpreendido pela manifestação explícita de amor, naquele beijo de boas vindas. E, mais ainda, quando Minos preocupou-se com a situação entre os dois. A paixão ardente que os unia não dava sinais de arrefecer mesmo diante de tantos obstáculos. Olhou bem dentro daqueles olhos afiados que tinham o poder de devassar a alma de um homem com sua intensidade.

— Eu não pertenço aos Groves, pertenço a este lugar. Fiquei um tempo com eles e os trouxe para abençoar você e a todos os que se aliaram em nome da paz. Amo você, Minos de Griffon. E, se me aceitar ao seu lado, eu o ajudarei a conhecer e liderar o nosso povo.

Um sorriso de alívio distendeu os lábios do governador.

— Você me ama e quer ficar ao meu lado!

— Você tinha dúvidas?

— O jeito como chegou aqui e forma como falou há pouco, cheguei a pensar que...

Albafica colocou os dedos nos lábios de Minos e sorriu se afastando e retornando a postura serena que era característica de um druida.

— Quando estivermos em nossa intimidade, vou fazer com que não tenha mais dúvidas, senhor governador.

Minos franziu o cenho, totalmente seduzido por aquele homem que sabia como ninguém, fazê-lo se sentir vivo e poderoso.

Notas finais
♥ Agradecimentos, sempre, a todas e todos que, de alguma maneira, deixam sua energia aqui, seja comentando, lendo no celular, recomendando, favoritando!!! Espero que tenham uma excelente semana!!! Bjs, XD