A Quinta Estação
1 Camadas Cristalinas
Acordo.
Vejo que estou dentro de grandes muralhas de cristal, e em algumas paredes há grandes e extensos espelhos, eu me aproximo de um deles.
"Caramba" penso comigo mesmo, "Eu simplesmente fui sequestrado, por onde eu andava mesmo? E outra, porque me sequestraram?", Mas isso é assunto pra outra hora... Nossa, estou uma bagunça, parece que acabei de ser sequestrado de sopetão... Não, pera...
Uma porta está se abrindo, do outro lado da sala onde estou, sigo por ela em corredores extensos e não sei onde eles vão dar, só continuo andando por eles. E chego em uma outra grande sala de cristal, a uma mesa e uma cadeira com um Notebook em cima da mesa, e parece que a tela do Notebook está sendo exibida em um telão na parede também, mas o mais estranho de tudo é que... Todas essas coisas, desde a mesa até o Notebook, são feitos de cristal, o mesmo das paredes, e isso me deixa ainda mais perplexo. Sento e vejo uma mensagem na tela:
RESOLVA OS SEGUINTES TESTES
E começou uma série de testes, e parece que são vários... Tem umas perguntas tolas, "Como citar o alfabeto na ordem?", "Qual a distancia de um quilômetro?"... Bem, vou fazer, talvez eu chegue ao fundo desse mistério aterrorizador.
Bom, faz um tempo que estou fazendo, e o mais incrível de tudo é que quanto mais eu faço mais perguntas surgem, como se gerasse mais perguntas automaticamente, ainda estou confuso... É isso? Acabou?... Ah, outra mensagem:
DADOS ACUMULADOS, ASSIMILAÇÃO ACABADA, DESCANSO MENTAL.
Outra porta se abriu... Ora, mas que sala é essa?... EI!
— Não! — Eu grito
Mas a porta se fecha, e eu estou trancado em outro comodo estranho, tem uma mesa, ou cadeira, uma coisa que parece com uma cama, tudo de cristal novamente, eu estou me deitando, melhor descansar e pensar bem a respeito do que está acontecendo...
O QUE? Por quanto tempo dormi? Droga, estou aqui ainda, não foi um pesadelo estranho. Outra porta está se abrindo, deixe me ver... Mas o que? Que tipo de display de vidro é esse não muito longe dessa sacada onde estou?... Hmm, ainda tudo feito de cristal... Olhe, um painel, um botão verde com os escritos "Poupar" e um vermelho com os escritos... "Exterminar". O que está acontecendo, pelo amor de Deus! O que, uma garra de vidro surgiu por trás daquele display de vidro... Ela está pegando alguma coisa...
MEU DEUS, É O SUPER-HOMEM
— Mas o que está acontecendo?! — Grito
— Fique calmo! — Brava o Super-Homem — Só faça o que acha sensato e tudo ficará bem!
Uma outra garra está agarrando algo... É um homem, aparentemente comum... O que está surgindo debaixo do Super-Homem? Algum tipo de estalagmites verdes... AH, já ouvi falar disso! São Kriptonitas! Pedaços do Planeta Natal do Super-Homem! Já li teorias da conspiração a respeito delas, nunca achei que fossem de verdade... Ele parece estar ficando mais fraco... Espere, tem algo aparecendo por cima de tudo isso... É um letreiro...
...... Super-Homem e Repassar/Manter Criminoso
Os botões estão brilhando agora... Ah, entendi! Eu tenho que preencher a lacuna no letreiro! É claro que eu vou poupar O Super-Homem! Pronto, apertei, olhe, parece que o "Repassar" do letreiro brilhou! A Garra está jogando o tal criminoso para fora do Display...
Olhe, ela está agarrando mais alguma coisa... Um Cachorro? Beleza, Poupar novamente... O Super-Homem parece estar muito cansado, preciso tirar ele de lá logo.
Faz um tempo que estou fazendo isso, será que vai demorar pra acabar... Beleza, a Garra está pegando alguma outra coisa... É um saco transparente... Cheio de Barras de ouro! Não posso, o Super-Homem vale muito mais do que Ouro... Pronto, apertei o poupar tantas vezes que acho que está até desgastado, A Garra está levando O Super-Homem para outro lugar... Abriu outra porta, parece que vai dar aonde ele está. Lá está ele!
— Super-Homem! Super-Homem! — Grito, ajudo ele a se levantar — Você está bem...
— Melhor agora, longe daquela Kriptonita... — Ele está tossindo, coloco ele encostado na parede da sala vazia
— Melhor agora? — Pergunto
— Sim... Bom, você já me conhece... — Diz ele, estendendo a mão — E Você?
— Ah... Sou Rupert Grant, Um Professor de Harvard...
— Prazer Rupert... Você é meu herói! — Ele está soando um pouco angustiado...
— O que foi?
— Você não sabe o que aconteceu com aquelas pessoas e criaturas e tudo mais né?
— Não... Porque?
Super-Homem está apontando para algo do outro lado da cela, tem um pedestal com uma tela nele... Ah... Que Horror! Estão todos mortos! Todos eles, e os objetos destruídos!
— Entende agora...
— MEU DEUS! Super-Homem... — Me sinto horrível
— Não foi sua culpa.
— Você sabe o que está acontecendo?
Uma Garra está saindo da parede... Está me entregando algo... Uma arma, uma arma futurística, parece um rifle super-tecnológico, Porquê?
— Eu sei...
— Então o que é?! — Coloco o Rifle no chão
— Isto é Bzarflokonyskein, o parasita de mundos. E, literalmente, funciona como um parasita, mas como ele absorve mundos, ele simplesmente não suga apenas os nutrientes de vida necessários para ele... Ele suga...
— Tudo — Completo o pensamento do Super-Homem — Entendi, mas... O que foi tudo aquilo?
— Ele... Captura seres-chave para se adquirir o poder do conhecimento e o absorver da Terra, antes de sua aniquilação, mas os seres-chave que não cooperarem... Bom, você está vendo meu estado.
— E os que cooperarem... — Olho para a arma com desgosto — Como saímos daqui...
— Ainda não sei...
Eu sento ao lado dele...
O que?! Adormeci de novo! Onde está o Super-Homem? Ah, lá está ele, olhando-se no espelho, ele parece melhor.
— Super-Homem...
— Sim...
— Eu... — Não consigo completar a frase
— Está com Medo Rupert, muito assustado.
— Sim... Porque? Digo... Porque EU?
— Você é uma pessoa mais especial do que imagina Rupert, eu sei disso... Não é qualquer coisa você ter sido escolhido por este ser celestial... Mesmo com suas intenções sujas... Me diga, o que você faz da vida?
— Eu já disse, sou Professor em Harvard.
— Digo, além disso... Qual é o verdadeiro Rupert Grant?
— Eu... Não tenho vida, sinceramente Kal, Posso te chamar de Kal? Sabe, é assim que o presidente te chama e tals... Ou você tem um nome civil?
Ele ficou quieto, acho que foi o que eu disse.
— Pode sim.
— Enfim, eu não tenho vida Kal, sou sozinho, minha família perdeu o contato comigo a tempos e não sou exatamente cheio de amigos...
— Me fale de seus amigos...
— Bom, tem o Grant, o que é engraçado, os outros sempre tiram sarro disso, ter dois Grants sabe... Ele é um cara legal, batalhador, sabe, por ele ser de cor, batalhou muito pra chegar onde está em Harvard. E então tem A Betty, ela é legal e leal com todos nós, tem esposa e dois filhos...
A pausa durou demais.
— Parece um testamento incompleto
— Bom, tem a Beatrice... Bom, ela é muito legal, simpática e nunca nos deixou na mão, além de ser muito inteligente e...
— Bonita?
— Sim... Bonita — Acho que corei
— E então? Preciso perguntar?
— Ela é solteira e tudo mais, mas... Eu ocupo minha cabeça com outras coisas sabe...
— Tipo...
— Minha tese, tenho trabalhado nela a anos, e então... Ele apareceu... — Super-Homem está me olhando daquele jeito de novo — O Nome dele é Joey, sim, parece nome de um caminhoneiro mas é um conceituado professor de Harvard, e ele apareceu com uma tese que é, basicamente a mesma coisa que a minha... E você sabe, estou lutando pelo meu lugar, mas fica mais difícil a cada dia.
— Você, meu caro Rupert, é um homem em crise...
— Isso já aconteceu outras vezes, e parece que sempre perco!
— Rupert...
— Não consigo, Eu Nunca Consigo!
— Rupert!
Ok, parei... Silencio amedrontador...
— Clark — Ele diz
— Como?
— Clark, meu nome de civil, Clark.
Caramba, será que ele está falando a verdade...
— Sabe Rupert... Tem uma coisa a respeito do parasita de mundos, eles são muito fortes, muito, muito, muito, muito...
— Já entendi
— Muito, Muito fortes. Mas tem uma coisa... Eles são um pouco mais fracos que o seu hospedeiro...
— Então?
— Já temos nossa saída daqui! Você Rupert, acima de muita gente que conheci, é a encarnação viva da vontade de viver da humanidade! Você, é um dos mais Humanos de todos os Humanos! Juntos, nós podemos!
— Super-Homem, eu não consigo! Você que tem o poder de mover edifícios, grandes construções e deter ameaças alienígenas! Eu por outro lado...
— É um homem extraordinário! Vamos! Você já tem a sua arma! — Ele está apontando pra aquele rifle que essa coisa me deu...
— Mas como eu posso ajudar?
Ele ta batendo na parede de cristal! Ta fazendo a estrutura inteira desse verme tremer a cada soco!
— Você tem que me defender! Juntos, iremos derrubar esse verme com a força da Humanidade! Ele a quer? NÓS DAREMOS PARA ELE!
As garras! Estão saindo da parede para pegar o Super-Homem! Aqui, como funciona essa coisa?
— AAAAAAHHHH — O Puxo do tiro desse rifle é horrível
Quanto mais eu atiro, parece que mais garras saem de dentro das que eu quebro, mas não estou deixando nenhuma garra alcançar o Super-Homem, espero que a munição disso seja infinita. Ah não! Uma garra agarrou meu braço!
— AAAAAAAAAAAHHHHH
— Rupert! Esmague essa garra que te segura!
— Eu não consigo! Dói muito!
— Força Rupert! A única coisa que te falta é perseverança! Força! Esmague essa sua insegurança! Esmague seu ressentimento, esqueça tudo o que te segura nos seus erros, sonhe!
É isso, de repente, estou sentindo algo que eu deveria ter sentido a tempos, vejo a cara de Joey, e de repente minha vontade em derruba-lo do meu caminho vem a tona, eu consigo! É! Consegui quebrar a garra que me segurava! Então é agora! Acho que seu eu usar a coronha do rifle para destruir as garras mais perto de mim eu consigo ser mais efetivo! É uma, e mais uma, e... É isso! Eu consigo ver, minhas correntes, o que me amarrava e me deixava para trás não me pesa novamente!
Estou livre!
Ah não, as garras estão começando a ficar verdes! Ah, o Super-Homem não está conseguindo, ele está ficando mais fraco
— Não!
Coloco o Super-Homem de pé, as garras estão se aproximando! É isso, hora de atirar no que restou dessa rachadura e forçar o buraco, é a nossa única esperança!
Mas o que?!
...
Ah, meu corpo dói, parece que... Ah... Estou debaixo de vários destroços desse verme nojento... As luzes do lugar, tudo parece morto... Onde está o Super-Homem? Olhe! A parede que ele estava batendo, tem um buraco aberto nela!
— Rupert — A voz está saindo do buraco... — Venha comigo...
Uma mão está saindo da luz do buraco, só vejo uma mistura de cores primarias no borrão de luz, vermelho e azul, e a mão, saindo do buraco para me salvar...
Eu agarro a mão.
Acordei. Acordei para vida.
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