A Questão de Delfos

7 Capítulo 6 - Mamãe Empresta um Carro


Notas iniciais
O capítulo ficou um pouco pequeno para os padrões, vou compensar com um capítulo a mais no meio da semana. Espero que gostem :)

–William! William querido... – uma mulher de meia-idade usando um vestido florido, óculos escuros enormes que tampavam metade da cara e um chapéu maior ainda, se aproximou do grupo de semideuses aos pulinhos.

Will ficou branco que nem cera e virou lentamente na direção da mulher. Ela o abraçou forte, beijou todo o rosto do garoto deixando ele encabulado.

–Para. Para mãe! – falou ele afastando a Sra. Solace. Ela pareceu um pouco magoada, mas soltou o filho e abriu um sorriso enorme.

–Olha meu garotão! – ela tirou os óculos escuros e segurou Will pelos ombros. O rosto do garoto de branco foi para vermelho em um salto. – Como você cresceu durante o verão! Estava preocupada, toda aquela história que você tinha me contado... Pelo menos você está vivo.

Sra. Solace não parava de falar, até que Will a interrompeu.

–Mãe... Jogo das perguntas! – ela parou e olhou para o filho. O jogo das perguntas era uma forma que os dois tinham para conseguirem conversar, já que às vezes, “somente às vezes”, Sra. Solace podia ser um pouco expansiva demais.

–Eu começo! – gritou ela, levantando a mão.

–Mas mãe...

–Sem mais. O que você está fazendo em Atenas, mocinho?

–Estou em uma missão...

–EM UMA MISSÃO! Pelos Deuses finalmente aquele Acampamento está reconhecendo suas habilidades. Você nasceu para os holofotes... Mas nããããooo, Percy Jackson isso, Percy Jackson aquilo. Só porque ele derrotou não sei quem, ele é o maioral, só porque salvou o mundo...

–Duas vezes – interrompeu Will.

–Não importa quantas vezes! – ralhou a mãe e depois continuou com um tom calmo:

–Você é o grande herói William, sempre soube.

–Minha vez. O que você está fazendo em Atenas? – perguntou Will ignorando o comportamento da mãe.

–A Orquestra está em turnê mundial. – respondeu. – Vamos tocar no Parthenon Museum hoje de noite. Quer ir assistir? Farei um solo de Chopin no violino que irá arrancar lágrimas da plateia.

–A senhora toca em uma orquestra? – perguntou Nico, com cuidado, mas também muito interessado, já que apreciava a música clássica por causa de seu pai, que fazia tocar músicas clássicas o dia inteiro no seu castelo subterrâneo.

–Sim, e não é em qualquer orquestra. Toco na Orquestra Sinfônica de Chicago, a melhor dos Estados Unidos. Sou uma das violinistas solistas. – ela então falou para Will:

–Quem são seus amigos?

–Esse é Nico e essa é Reyna.

–Evelyn Solace, mãe de William. – se apresentou para os dois, com uma leve reverencia, como se tivesse acabado de fazer uma apresentação e tivesse agradecendo ao público. – São filhos de quem?

–Sou filha de Belona, a deusa romana das batalhas e Pretora do Acampamento Júpiter.

Sra. Solace olhou surpresa.

–Pensava que você tinha dito que os romanos e gregos eram inimigos...

–Éramos mãe. Reyna está aqui para ajudar.

Ela balançou os ombros e então se virou para Nico.

–E você, garoto?

–E-eu sou filho de Hades. – respondeu, um pouco nervoso, sem saber o motivo. A mãe de Will abriu um sorriso e então colocou os óculos novamente dizendo:

–Foi um prazer conhecê-los. Cuidem bem do meu filho e o ajudem a ser um grande herói. – Reyna levantou as sobrancelhas enquanto ela abraçava mais uma vez Will.

–Cuidado filho. Preciso ir, a orquestra vai começar a se arrumar agora.

Sra. Solace já estava do outro lado da praça quando Will teve uma ideia.

–Mãe! Espera um pouco. – ele correu para alcançá-la – Você pode arrumar um carro para a gente?

–Um carro?

–Precisamos nos deslocar rápido para Corinto e estamos sem dinheiro. Temos um prazo. Papai está com sérios problemas...

–Apolo com problemas? – perguntou preocupada.

–Não posso explicar agora, mas estamos em uma missão muito importante.

–Eu aluguei um carro, posso emprestar para vocês. Mas acho que sua habilitação não vale aqui na Grécia.

–Não sou eu quem vai dirigir.

Ela olhou para os dois semideuses, que observavam de longe.

–A garota romana vai?

–Não mãe. Nico tem um chofer-zumbi...

–Zumbi? – Sra. Solace arregalou os olhos.

–Sim mãe, Jules-Albert.

–Sim, sim, claro... Por que não um chofer zumbi? – falou com ela mesma em voz alta. Ela voltou a olhar para os semideuses, porém dessa vez com atenção especial para Nico.

–Ele é normal? – perguntou ela – Sei lá. Achei ele meio esquisito. Tome cuidado com ele, vai saber.

–Sim mãe ele é normal. – falou irritado – Nico é uma pessoa muito legal, ele só passou por muita coisa difícil, viu coisas que você nem pode imaginar. E é por causa de pessoas como você que ele sofre tanto. Todos ficam tirando julgamentos precipitados antes de conhecê-lo e ficam com medo dele, sendo que a única coisa que ele precisa é de amigos.

–Desculpa filho, eu não queria...

–Queria sim. Acho melhor você ir embora agora.

Ela tirou a chave do carro de dentro da bolsa e entregou para Will.

–O carro está parado perto do hotel, que fica quatro quadras para lá. É uma caminhonete prata. – falou, um pouco envergonhada. – William, me desculpe, por favor.

Will pegou a chave.

–Você precisa aprender a conhecer as pessoas antes de tirar conclusões sobre elas mãe. Percy Jackson é uma das pessoas mais legais que eu já conheci e não me importo de ele ser o herói do século, porque ao contrário do que você quer, eu não desejo ser o centro das atenções. Reyna veio até o outro lado do mundo para salvar a Oráculo do nosso Acampamento, acho que isso já revela que tipo de pessoa ela é, não a conheço muito, mas pelo que já ouvi ela é uma pessoa justa e confiável. Nico eu já falei, mas posso falar muito mais, ele pode ser um pouco misterioso, mas nesses últimos dias que eu passei com ele na enfermaria, ele mostrou um pouco da personalidade maravilhosa que ele tem. Não parece, mas ele é sensível, é amigável e tem um senso de humor incrível, porém tem a terrível mania de afastar as pessoas que gostam dele por achar que só causa mal para elas...

–E você gosta dele William? – perguntou a Sra. Solace, levantando uma das sobrancelhas. Will engoliu seco antes de responder:

–Ele é um ótimo amigo. Mas não tente mudar de assunto mãe, você precisa parar de julgar as pessoas. Você sempre faz isso.

Ela percebeu o desconforto do filho, mas não voltou ao assunto, somente acrescentou:

–Eu só acho que você se desmerece Will. Você nasceu para ser grande, para...

–Chega mãe. Eu não quero isso. E você diminuindo as pessoas não vai fazer com que eu seja o maioral. Agora para, não quero mais discutir com você. Vai se preparar para o concerto, que eu tenho uma Oráculo para resgatar.

–Boa sorte! E se cuide! – falou ela, enquanto Will voltava para perto dos amigos. Quando chegou, ainda um pouco desconcertado pela conversa com a mãe, Nico perguntou:

–Você está bem?

–Não quero falar sobre isso. Vamos o carro está perto daqui.

Nico e Reyna se entreolharam e seguiram o semideus. Demoraram um pouco para achar o carro, assim que acharam Nico colocou a mão no chão e chamou por Jules-Albert. Um buraco escuro se abriu e de lá saiu o chofer, ele estendeu a mão para Nico.

–As chaves estão com Will. – avisou. Jules-Albert então se arrastou até Will e estendeu a mão para ele que depositou as chaves nos dedos meio apodrecidos do motorista.

–Jules-Albert, vamos para Corinto. – ordenou Nico. O zumbi entrou na caminhonete e a retirou da vaga com uma habilidade incrível, parando o carro no meio da rua para os semideuses embarcarem. Reyna sentou no banco da frente e os dois garotos atrás.

–Pode arrancar, mas vá com calma, não queremos ser parados pela Polícia.

Jules emitiu uns estalos com o maxilar e pisou fundo no acelerador, fazendo os semideuses serem jogados para trás.

–Com calma eu disse. – reiterou Nico se ajeitando no banco. O chofer diminuiu a velocidade e passou a dirigiu normalmente. Somente aumentou a velocidade quando entrou na autoestrada que levava a Corinto.

–Devemos chegar em Corinto perto das 17h. – anunciou Reyna, olhando o relógio do painel. Ela olhou para trás, Nico olhava o caminho à frente, atento, enquanto Will olhava a paisagem que corria veloz ao lado da autoestrada.

–O sol vai se por às 17h26. – falou Will.

–Não sei se é uma boa ideia procurarmos de noite uma das flechas. Talvez ela esteja sendo vigiada por algum monstro. – disse a Pretora.

–Herófila disse que essa flecha tinha sido movida pelos mortais, onde ela estava originalmente? – perguntou Nico para Will.

–Não sei. Mas os maiores templos para Apolo são o de Delfos e Delos, se tivermos que ir até a ilha Jules-Albert não vai ser muito útil.

O zumbi freou o carro bruscamente, um veículo que vinha atrás quase bateu na traseira da caminhonete, o motorista passou xingando em grego. Jules-Albert olhou para Will, estalando a mandíbula diversas vezes em protesto.

–A não ser que você saiba pilotar uma lancha, aí você vai ser muito útil – acrescentou o filho de Apolo rapidamente. O carro voltou a andar e os semideuses ficaram quietos. Nico se aproximou de Will.

–Ele é muito sensível quando se trata das habilidades dele. – sussurrou Nico – Peça desculpas mais tarde.

Will revirou os olhos e Reyna virou para trás novamente.

–Quando chegarmos, podemos procurar um lugar para passar a noite e de manhã podemos procurar a flecha. – sugeriu ela.

–Nós vamos ter somente cinco dias para achar três flechas. – lembrou Will.

–Percy teve cinco dias para chegar em Roma e me salvar. – soltou Nico, que se repreendeu internamente logo em seguida, por ter dito aquilo em voz alta.

Will se lembrou da história que Nico havia contado quando estava na enfermaria, uma semente de romã por dia e só isso. O curandeiro tinha reclamado com Nico que ele estava subnutrido, com as costelas aparecendo e Nico então contou toda a história do Tártaro e de como tinha sido capturado pelos gigantes e sido preso em um jarro. Naquela noite Will não tinha conseguido dormir e ficou pensando em como Nico conseguiu suportar todo aquele horror sozinho. Annabeth tinha falado com ele em como tinha sido difícil passar por tudo aquilo, mas ao contrário de Nico, ela tinha Percy ao lado dela o tempo todo.

O que Nico tinha acabado de dizer no carro deixou Will desconfortável. As frases da Sra. Solace ecoavam na mente dele. “Percy Jackson isso, Percy Jackson aquilo”. Um gosto amargo preencheu a boca do filho de Apolo, deixando ele enjoado.

–O que você acha disso Solace? Solace? – chamou Nico – Will você está bem?

–Ahn? Oi? Desculpa... Eu estava pensando em umas coisas aqui.

–Sobre a missão? – perguntou Reyna.

–Sim. – mentiu ele.

–Eu estava falando com a Reyna que podíamos mandar uma M.I. para Annabeth, ela ofereceu ajuda antes de nós sairmos.

–Pode ser... É uma ótima ideia. Só cheque o fuso horário, não queremos acordar ela.

–São sete horas a menos Solace, vai estar perto da hora do almoço lá.

Nico abriu a mochila e contou os Dracmas.

–Será que Íris vai cobrar a mais por ser uma ligação internacional? – perguntou para ele mesmo.

O carro seguiu pela autoestrada grega que atingiu a costa depois de vinte minutos de viagem e passou a contorná-la. Jules-Albert estalou a mandíbula falando alguma coisa para Nico.

–E qual é a cidade mais próxima? – perguntou para o chofer. – Já que não temos escolha...

–Você entende o que ele fala? – Will estava surpreso.

–Não entendo os estalos, mas consigo entender os pensamentos.

–Você lê pensamentos? – O filho de Apolo pareceu nervoso.

–Só de gente morta Solace, pode ficar tranquilo que não descobri nenhum dos seus segredos. – Nico falou brincando.

–Vamos ao que interessa à missão? O que ele falou? – questionou Reyna.

–Jules falou que o combustível está acabando e que vamos precisar reabastecer. A cidade mais próxima é Mégara, deve ter um posto lá.

Notas finais
E aí, gostaram? bjs e até o próximo capítulo.