A Questão de Delfos
1 Prólogo
Notas iniciais
Passos rápidos ecoaram no branco e reluzente corredor de mármore. Era tão cedo e tudo estava tão silencioso que o som dos passos parecia ser um estrondo. Os causadores de tanto barulho eram dois sapatos simples com um pequeno salto. A dona desses pés estava com uma cara nervosa e preocupada, os olhos cinzas, normalmente claros, estavam escuros como uma forte tempestade. Com a rapidez de seus passos os cacheados cabelos loiros e o leve vestido branco esvoaçavam, fazendo com que ela parecesse estar voando.
No Salão do Conselho uma figura a esperava em frente a um dos tronos. A deusa se aproximou rapidamente e falou baixo:
–Obrigada por ter vindo.
–Me deixou surpreso o seu convite. Qual o problema?
Os olhos cinzas e os verdes se encontraram por um segundo, antes da deusa desviar o olhar.
–Preciso de sua ajuda. Eu não sei em quem confiar.
–Tem certeza que chamou o deus certo? – brincou Poseidon, recebendo um olhar severo de desaprovação da deusa.
–A ajuda não é para mim seu idiota. É para Apolo. Eu sei que vocês dois tem uma boa relação.
–O que tem Apolo?
–Você sabe muito bem... Papai vai expulsá-lo do Olimpo por tempo indeterminado. Ele colocou a culpa do retorno de Gaia toda em cima do coitado.
–Ele não pode fazer isso! – falou o deus do mar levantando a voz.
–Shiu! Fale baixo Poseidon. E sim, senhor Zeus pode fazer isso. Ele é o nosso rei, a palavra dele é sagrada.
–Você pode fazer alguma coisa por Apolo?
–Podemos fazer. Mas eu preciso da sua ajuda.
Poseidon olhou desconfiado para Athena, temendo que fosse alguma armadilha da rival.
–Como eu posso ajudar? – perguntou cauteloso.
–Nós precisamos resolver a Questão de Delfos. O espírito do Oráculo deve ser devolvido a Rachel Elisabeth Dare para restaurar o equilíbrio do Olimpo.
–E como isso ajuda o Apolo?
–Papai colocou na cabeça que a queda de Delfos para os Gigantes, com o auxílio da grande serpente Píton, foi determinante para o retorno de Gaia. Se Apolo retomar o controle da cidade, ou melhor, um filho dele libertar a cidade do julgo da serpente, Apolo pode se redimir com o Senhor Zeus, eu mesma posso sair em defesa dele se a cidade estiver em posse do Olimpo até o julgamento de Apolo.
Poseidon pensou seriamente. Apolo era, sem dúvida, o seu sobrinho favorito. Os planos de Atena normalmente eram infalíveis. Por que ele estava com o presentimento de que algo estava errado?
–O julgamento de Apolo é nas Idas de Agosto, temos poucos dias. – completou Atena.
–Idas de Agosto? Ninguém mais fala assim Atena, dia 15 você quis dizer...
–Não, no mês de Agosto as Idas caem no dia 13. – corrigiu a deusa, um pouco impaciente.
–Hoje é dia 4, estou certo?
–Sim, temos 9 dias. E a primeira parte do plano deve ser executada logo. Você precisa ir pedir uma orientação para as Parcas.
–O quê?! Eu não vou falar com elas.
–Está com medo, senhor “Três-Grandes-Todo-Poderoso”? – perguntou Atena, fazendo chacota.
–Por que não vai você então?
–Simples. Somente os Três Grandes podem pedir orientações para as Parcas. E precisamos dessa orientação, porque os Semideuses só resolvem problemas se forem guiados por uma profecia. Eles nunca que irão até as terras antigas libertar Delfos sem o “GPS cifrado/rimado”.
–Você sabe muito bem que as Parcas não fazem profecias...
–Sim, mas é necessário para que possamos indicar os Semideuses certos para essa missão. Vá logo Poseidon, eu irei colocar a segunda parte do plano em ação.
–Oh, Estige! Por que será que eu estou achando que vou me arrepender de participar dessa loucura?
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Um comboio de SUV’s pretas seguia em alta velocidade em direção ao Oeste. Rachel Elisabeth Dare conversava animadamente com Ella, a Harpia e com a pretora Reyna, que se encontrava no mesmo carro. Rachel não se lembra como aconteceu, mas o carro parou bruscamente no meio da estrada, o teto da SUV foi arrancado e ela foi pega por um ser alado, armado com uma espada. A Legião rapidamente pegou em armas, mas nada pode fazer.
Rachel Elisabeth Dare acabava de ser sequestrada.
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