Notas iniciais
Oi oi oi, galerinha! O/ Chisana na área mais uma vez :3 Como sempre, eu gostaria de pedir miiiil desculpas pela demora, mas é que esse ENEM não foi brincadeira >.< Espero que vocês entendam kkkk Enfim, vou parar de enrolar e deixar o capítulo para vocês ♥ Boa leitura!

Michi

— Ei, Michi! — sussurrou Nanami da cadeira ao lado.

— An...? — murmurei de volta.

— Finalmente me respondeu — suspirou a minha amiga de cabelos castanhos. — Você simplesmente some por dois dias e depois simplesmente volta completamente distraída...

— Kurai-san, Aohono-san — o professor de história japonesa, Bourou-sensei, nos chamou a atenção com uma voz terrivelmente fria —, por acaso as duas preferem conversar na sala da diretora ou irão respeitar o momento da aula?

A sala permaneceu em silêncio total por alguns segundos. Foi assustador. Nanami ficou tão constrangida que suas bochechas ficaram carmesim e a sua postura mudou para uma contraída e curvada. Assim que o Bourou-sensei se sentiu no comando da aula novamente, voltou a escrever no quadro sobre a Era Meiji. E eu, por incrível que pareça, não fiquei nem um pouco incomodada com a situação.

Nanami tinha razão, eu estava com a cabeça nas nuvens... Talvez não nas nuvens, mas com certeza em outro mundo. Faz dois dias que eu não venho à escola — por ordens de minha mãe — e, mesmo passando todo esse tempo em casa, eu não consegui botar ordem na bagunça em minha cabeça.

Assim que o ritual de “cura” do Iwako-san terminou, Yue-san fez um interrogatório minucioso, mas, percebendo que eu não sabia de nada, ela acabou preferindo usar magia para arrancar informações de mim. Resultado: descobrimos, por fim, que a Kasai no Hana estava mesmo dentro de mim. Mais especificamente, selada em minha alma.

O que mais me deixou tensa não foi nem essa descoberta, mas sim a expressão que Yue-san fez assim que soube. Não sabia se era raiva, pesar ou surpresa — talvez tenha uma pitada de desgosto também —, mas ela parecia estar irritada, tanto quanto estava quando conversamos em meu quarto. Depois de anunciar a nova descoberta, ela foi embora sem dizer uma palavra.

Nem mesmo o Hiyato, que ainda estava em sua forma youkai, aparentava estar muito satisfeito com a descoberta da Kasai. Lembro-me de acompanhá-lo enquanto carregava o Iwako-san para uma casinha simples não muito longe do templo, na qual morava um simpático casal. Eu pensava que o Iwako-san era um cara bem reservado, que não gostasse muito de proximidade ou coisa do tipo, mas a forma como os donos da casa o receberam deixava a entender que eles eram um tanto íntimos. Engraçado... Um casal de humanos cuidando de um youkai como o Iwako-san.

Apenas no caminho para minha casa, quando o Hiyato voltou à sua forma humana, foi que nós conversamos. Ele me alertou dos riscos que eu provavelmente viria a enfrentar se a informação sobre a Kasai vazasse, como ataques de youkais e essas coisas. “Não que eu conheça muitos youkais para sair fofocando”, respondi. Ele se limitou a rir e concordar comigo. “Mas, ainda assim, deve tomar cuidado”, advertiu.

Hiyato é tão cuidadoso...

Ah, não, não e não! Tire esses pensamentos bestas da cabeça, Michi, esse garoto não é para você. Sem falar que ele é um youkai — um completo, por sinal — e com certeza não quer nada comigo. Quero dizer, ele deve ter o quê? Uns trezentos anos? Enquanto isso, eu tenho meros dezesseis. Ao lado dele, eu devo parecer uma criança...

Mesmo com todo o meu trabalho mental, não pude esquecer de quando chegamos à minha casa, quando eu disse que estava preocupada por não ser forte o suficiente para proteger a Kasai de outros youkais e ele... me deu um beijo na testa. E disse que estaria lá caso eu precisasse.

Aaaah, pare de pensar nessas besteiras!, tentava gritar comigo mentalmente, mas não adiantou. O sorriso bobo não deixava o meu rosto.

Um papelzinho branco bem dobrado pousou do nada em minha mesa, e eu já tinha ideia de quem o tinha jogado. Olhei para o lado e Nanami estava sorrindo maliciosamente para mim. Retribuí o sorriso e abri o bilhete escrito numa caligrafia impecável:

Não acredito que você some por dois dias e nem tem a consideração de falar com a sua melhor amiga!

Além do mais, o que foi aquele telefonema que a sua mãe me fez?

E o que é esse sorrisinho bobo?

Você me deve explicações!”

Não pude deixar de rir do bilhete. Eu quase podia ouvi-la dizer tudo aquilo para mim, como se fosse uma mensagem de voz. Oh, Nanami, se eu pudesse te contar... Tenho certeza de que se eu tentasse explicar, iria dar tudo errado e ela nunca mais falaria comigo, ou por medo ou por... É, por medo mesmo. Ou pior, ela poderia achar que eu fiquei louca e falar com a minha mãe.

Não, não, não! Eu não posso contar para ela!, pensava enquanto balançava a cabeça. E agora? Que desculpa eu uso?

Para ganhar mais tempo, respondi que estava tudo bem e que conversava com ela e com a Subaru-chan no próximo horário, que era o intervalo. Assim que me virei para entregar o bilhete de volta, uma sombra do tamanho de um homem apareceu na janela atrás da Nanami. Somente quando aqueles olhos âmbar alaranjados fixaram nos meus foi que a ficha caiu: o que diabos o Iwako-san está fazendo aqui?! Sem falar que estamos no terceiro andar, então como… Ah, sim, sempre me esqueço que youkais podem fazer o que bem entendem.

Nanami percebeu o meu estado de choque quando pegou o bilhete e movimentou os lábios como se dissesse “Está tudo bem?”, mas eu sequer fui capaz de responder. Enquanto isso, o Iwako-san — que estava coberto por uma tênue camada de sombra mesmo estando exposto ao sol — apontou o indicador para mim e para ele repetidas vezes, como se dissesse que queria falar comigo. Eu não perdi tempo.

— Sensei — disse enquanto me levantava da cadeira. Bourou-sensei se virou lentamente para me olhar com irritação. — Desculpe interromper a sua aula, mas eu não me sinto bem — tentei fazer uma voz de “doente”. Aparentemente deu certo. — Posso ir para a enfermaria?

Dei uma rápida espiada para o lado. Pude ver a expressão confusa e preocupada da Nanami, e — o mais importante — a confirmação do Iwako-san com a cabeça, como se dissesse que entendia o que era para fazer. Não demorou nem cinco segundos para que ele desse um salto e saísse de vista.

Bourou-sensei não pareceu muito satisfeito, mas revirou os olhos e assentiu, virando-se para o quadro mais uma vez.

Curvei-me em agradecimento e segui em direção à porta. No caminho, passei por Subaru-san, Nishiki-kun e Kawada, que me olhavam tão preocupados quanto Nanami. Apenas devolvi um sorriso meio tímido de “depois eu explico” e saí da sala.

Assim que cheguei ao corredor, fiz questão de deixar a minha expressão o mais séria possível. A minha vida normal, a minha forma de ver o mundo, a minha casa... tudo isso já foi completamente invadido por esse “mundo youkai”, mas o meu colégio não. Ah, não, não mesmo. Esse é o único lugar em que eu posso verdadeiramente ser quem eu sou: uma garota normal com amigos e preocupações com as notas. E eu faço questão de deixar as coisas como estão.

A passos largos, dirijo-me até a enfermaria já esperando ter uma conversa longa com o Iwako-san. Ele não vai desistir tão fácil de me seguir, principalmente se... Se souber que a Kasai no Hana está comigo. Com um suspiro profundo, chego à porta da enfermaria e a abro determinada a acabar tudo rapidamente. A figura alta e exótica me esperava encostada a uma das macas. Uma coisa inegável era a que Iwako-san, da forma que estava, parecia um tanto... atraente. Estava vestindo uma calça jeans escura, uma camisa cinza e uma jaqueta preta. Para completar, o cabelo acinzentado estava levemente bagunçado, o que sugeria que ele veio com pressa.

— Bela encenação, a que você fez para o seu professor — ele disse com ironia.

Levantei uma das sobrancelhas em resposta. Iwako-san, você certamente começou essa conversa da forma errada. Dei dois passos para frente e o encarei bem séria.

— O que pensa que está fazendo aqui? — fiz questão de falar pausadamente, para que entendesse o meu desconforto em tê-lo ali.

Iwako-san pareceu surpreso com a minha reação, mas não deixou que isso transparecesse por mais do que um segundo. Ele desencostou da maca e cruzou os braços, como se dissesse “a discussão começa agora”.

— E o que pensa que é ao falar assim, pirralha? — retrucou.

— Penso que sou uma estudante preocupada em manter possíveis problemas longe do meu colégio.

Iwako-san me analisou rapidamente e depois desviou o olhar para a janela da enfermaria, dando um sorriso de deboche. Ah, você não sabe com que está lidando!

— Se quer manter o seu colégio longe de problemas — ele disse tranquilo enquanto virava o seu rosto em minha direção — então seria melhor você sumir daqui.

Seus olhos estavam fixos nos meus, o que fez com que aquela frase soasse muito mais como uma ameaça do que como um aviso. Um calafrio percorreu a minha coluna.

— Sinceramente, eu acho que você não tem o direito de entrar aqui e...

— Eu falo sério.

Ele estava com uma expressão bem profunda. Eu logo mudei a minha postura, deixando de lado a minha irritação e cedendo à ansiedade. Iwako-san provavelmente percebeu, e por isso colocou as mãos nos bolsos e deu dois passos em minha direção.

— Acha que você é capaz de esconder a Kasai? — Seu rosto ainda estava indecifrável, mas a sua voz deixava escapar um pouco de preocupação.

— Bem, eu fiz isso durante 16 anos, então...

— Lembre-se que aquela bruxa da feira descobriu isso rapidamente — advertiu.

— Sim, mas somente porque eu toquei naquela bola de cristal.

Ele deu um suspiro alto e apertou a ponte do nariz, indicando impaciência.

— Você é realmente descuidada... — murmurou.

— Então me diga, no que eu estou errada? — falei, aparentando estar mais irritada do que eu realmente estava.

Ele me olhou como se a resposta para a minha pergunta fosse bem óbvia.

— Quer em ordem alfabética ou em nível de absurdo? — perguntou com ironia. Eu me limitei a arquear as sobrancelhas. — Sério mesmo, às vezes eu esqueço que você viveu a sua vida inteira dentro dessa bolha que vocês, humanos, chamam de mundo real.

— Verdade, deve ser muito diferente de viver séculos preso a um templo — retruquei. Ele me fulminou com os olhos, mas eu ignorei. — Você ainda não me respondeu.

— Primeiro que, se alguém te atacar, você não será capaz nem de se defender, muito menos de proteger a Kasai.

— Isso não acontecerá se ninguém souber, o que, por sinal, é o caso.

— Por enquanto.

Eu o encarei meio confusa.

— Não entendi, você planeja sair por aí anunciando que eu tenho a Kasai?

Ele deu uma risada falsa, como se o que eu disse fosse piada.

— Garota, acho que nem em um século você perceberia o que eu estou tentando te falar.

— Então seja claro, se sabe que eu não tenho tanto tempo.

Ele parou de rir no mesmo segundo. Revirou os olhos e continuou.

— Quem está anunciando é você. — Continuei a encará-lo sem entender, então ele prosseguiu: — Você nunca tinha estado em sua forma youkai, então nunca precisou lidar com a experiência de ter que controlar a sua energia espiritual.

— Mas isso não tem nada a ver!

— Como não? — Iwako-san continuou, sem perder a calma. — Quando você libera seu youki, a parte youkai da sua energia, você também libera um pouco da energia da Kasai. — Ele fez uma pequena pausa para ver a minha reação, mas eu permaneci calada. — Não percebe isso, mesmo sabendo que ela está selada na sua alma?

— Quantas vezes eu vou ter que repetir que sou nova nisso? — resmunguei.

Ele revirou os olhos de novo.

— E é por ser nova que eu estou aqui.

Por um segundo, eu o encarei com plena surpresa. É impressão minha ou ele está sendo realmente gentil...?

— Não posso deixar ninguém por as mãos em você...

— Iwako-san... — sussurrei.

—... Afinal de contas, isso significaria perder a minha preciosa Kasai — ele completou.

Ok, Michi, você deveria estar esperando por algo do tipo.

— Ah, você é tão diferente do Hiyato... — sussurrei.

Iwako-san arqueou as sobrancelhas em surpresa.

— O que foi que disse?

— N-nada não — respondi. — Mas, sinceramente, não acho que você seja necessário aqui, Iwako-san.

— Não relaxe só porque está no colégio, pirralha, esse daqui não é nenhum terreno sagrado — desdenhou.

— E o que espera fazer? Se tornar meu professor?

— Bom, eu sei muito sobre religião...

— Nós nem temos essa matéria aqui! — deixei a irritação subir um pouco à cabeça.

Iwako-san recuou um passo.

— Nossa, é tão ruim assim me ter por perto? — Ele colocou a mão sobre o peito, fingindo estar sentido.

— Iwako-san... — suspirei. — Esse é o único lugar no qual eu posso ser a boa e velha garota humana, sem me preocupar em ser morta por um oni, louva-deus gigante ou qualquer outro youkai...

Louva-deus gigante? — perguntou a si baixinho.

— Por favor, deixe-me ser normal pelo menos aqui... — implorei.

Esse não era o meu plano original. Na verdade, eu estava me sentindo bem idiota nesse momento, mas sabia que o Iwako-san não iria ceder de forma alguma.

Iwako-san passou a mão no cabelo, e parecia bastante confuso.

— Você nunca conversou com outro youkai?

— Hã?

— Já conversou? — insistiu.

Franzi o cenho.

— N-não... Não que eu me lembre, claro.

Ele pareceu ainda mais confuso com a minha resposta.

— Então... Você me odeia?

Arregalei os olhos. Pelos deuses, no que ele está pensando?!

— N-não, eu não... te odeio... — disse, meio desconfiada.

— Então por que odeia tanto o mundo youkai?

Ele estava bem sério, e aquilo me deixava mais nervosa ainda. Até porque eu não tinha uma resposta para a sua pergunta. Por que eu odeio tanto o mundo youkai...? Talvez seja medo dos youkais, medo de ser atacada por um deles. Não, é muito mais do que isso...

— Tenho medo das coisas que eu tenho que abrir mão para fazer parte desse mundo.

A resposta saiu sem que eu pudesse pensar mais sobre isso. Mas valeu a pena dizê-la: a feição de surpresa do Iwako-san foi impagável.

— Sendo assim — Ele, pela primeira vez, parecia estar realmente nervoso, olhando para todos os cantos menos para mim —, não é muito melhor para você que eu esteja por perto?

— O que você quer dizer?

— Se eu estiver aqui para protegê-la... — Finalmente ele me olhou nos olhos. — Não precisaria se preocupar com youkais ou coisas do tipo.

— Mas...

— Michi...? — a voz da Nanami me fez dar um pulo.

Virei-me para encará-la, e tomei outro susto: Subaru-san, Nishiki-kun e Kawada também estavam lá. Céus, o que eu faço com eles?! Eu não posso deixar que eles vejam o Iwako-san de jeito nenhum!

— A-ah, Nana-chan... Eu... — Eu não tenho desculpa nenhuma!

— Não se preocupe — Iwako-san parecia estar muito tranquilo. — Nenhum deles pode me ver, eu fiz um feitiço que impede que humanos normais me vejam.

— Oh, isso é extremamente útil... — suspirei em alívio.

— O que é útil? — perguntou Kawada.

— U-Útil? É o... o...

— Michi-chan, está tudo bem com você? — perguntou a Subaru-san.

— Está até falando sozinha, Ichigo-chan. — Claro que o Nishiki tinha que tirar sarro de mim.

Ichigo? — Iwako-san não aguentou e começou a rir freneticamente.

— Ah, fica quieto! — Não aguentei e, novamente, deixei me levar pela irritação.

— C-calma... eu fiz alguma coisa de errado? — disse o Nishiki-kun, meio acuado.

Eu suspirei e tentei por a cabeça no lugar.

— Não, você não fez — falei calmamente. — Eu só estou de cabeça quente... Por favor, ignorem o que eu disse até agora. Eu estou bem.

Aparentemente, nenhum deles acreditou no que eu disse. Uma coisa de cada vez, Michi.

— Hm, sei que vocês vieram aqui só para me ver, mas será que vocês podem esperar um pouco? Ainda me sinto... tonta.

— Tonta você sempre foi, não sei por que isso é um problema agora — disse o Iwako-san, ainda extremamente entretido na minha conversa. Usei todas as minhas forças para não o socar naquele segundo.

— Claro, Chibi-chin — disse Nanami amavelmente, sempre compreensiva.

Chibi?! Ah, esse agora é o meu favorito! — Iwako-san caiu na risada mais uma vez.

Fechei os olhos e respirei fundo.

— Obrigada por virem — disse, forçando um sorriso. — Vejo vocês daqui a pouco.

Com isso, eu fechei a porta da enfermaria e me virei para fuzilar o Iwako-san com os olhos, mas ele estava ocupado demais... rindo.

— Fala sério, o que você achou tão engraçado?! — Mesmo irritada, tive o cuidado de não elevar demais a voz para que ninguém me escutasse “falando sozinha”.

— Seus amigos — disse quando finalmente tomou fôlego e parou de rir — são muito engraçados.

Revirei os olhos.

— E por que não me disse logo que estava invisível para os humanos?

— Porque não tinha motivo para te contar... Chibi — mais uma vez, ele deixou um risinho escapar.

— Ei, isso não é engraçado, pare de agir como um besta — tentei repreendê-lo para ver se assim ele parava...

— Diga isso por você.

... Mas foi inútil.

— Já vi que vai ser impossível ter uma conversa normal com você agora — suspirei. — Vamos conversar em outra hora. E vê se não fica invisível! — alertei.

— Por que isso te incomoda?

— Porque eu fico parecendo uma louca, falando sozinha.

Ele me encarou por alguns segundos e depois sorriu como um menino travesso.

— Tudo bem, me parece justo — disse com as mãos levantadas, como se estivesse se rendendo. — Vamos nos encontrar quando sua aula acabar, no restaurante do Hiyato.

— Hiyato tem um restaurante? — Por algum motivo, aquilo me deixou incrivelmente surpresa.

— Claro que sim, o Neko Ga Nobasa. Ele disse que você vai muito lá.

Não acredito... o Nobasa?! Como eu nunca o vi lá?

— Mas o dono é um homem baixinho e gordo... Não tem como...

— Claro que tem. — Ele deu de ombros. — Magia, esqueceu? O Hiyato é um dos melhores quando se trata de disfarces, mesmo que aquele só funcione para humanos.

— Mas eu não sou humana... Por que eu nunca fui capaz de notar o disfarce?

Iwako-san se aproximou bastante de mim e me olhou nos olhos enquanto sorria.

— Porque antes você não tinha esses olhos. — Inconscientemente, dei um passo para trás. Podia sentir as bochechas esquentarem. — Agora, você já foi “sensibilizada” pelo seu sangue youkai.

Estava sem palavras. A menos de cinco minutos atrás, ele estava todo sério e repreensivo, mas bastou ver os meus amigos que seu humor melhorou consideravelmente.

Iwako-san olhou para a porta, sorriu e olhou para mim de novo. Não precisava conhecê-lo tão bem para saber que ele estava tramando alguma coisa.

— Já que te incomoda tanto que eu esteja invisível, vamos dar um jeito nisso. — Ele deu um passo para trás e fechou os olhos. — Liberar.

Assim que ele pronunciou a palavra, a fina fumaça que o envolvia esvaiu-se. Ele abriu os olhos e me deu um último sorriso, como se estivesse rindo de uma piada particular. Aquilo estava me incomodando um pouco, já que não era muito seu estilo.

— Vejo que já está na hora de ir. — Ele simplesmente passou por mim, abriu a porta e saiu.

— Ei, espera! — Corri para a porta na esperança de alcançá-lo, mas acabei percebendo que, aparentemente, meus amigos ainda me esperavam do outro lado do corredor.

Iwako-san sabia que eles estavam ali. Esse... esse filho de uma... Arg, Iwako-san!

— Não se esqueça de me encontrar no restaurante depois da aula, Chibi — disse enquanto andava, com as mãos nos bolsos. — Ah, é. — Ele fez uma rápida pausa para olhar para mim e sorrir o mesmo sorriso de escárnio. — Parece que seu corpo vai continuar mudando. Caso tenha alguma dúvida, não hesite em me perguntar.

E com isso, ele se foi.

Eu estava imóvel. Não precisava nem olhar para o lado para saber qual a expressão dos meus amigos. Meu rosto estava fervendo, e morrer de vergonha não parecia algo impossível. Ok, agora é oficial. Não importa o quanto eu deva a ele por salvar a minha vida, a minha resposta mudou...

...Iwako-san, eu te odeio!

Notas finais
Gente, desculpa, eu ainda estou rindo dessa cena final xD (Aposto que a Akira-senpai vai ter muito o que falar comigo kkkk) Bem, galerinha, isso é tudo O/ Qualquer opinião ou detalhe que queiram sinalizar, sintam-se à vontade para comentar! Até o próximo capítulo ;3