A Protetora
7 Pegamos um carro emprestado
Notas iniciais
Pegamos um carro emprestado
P.O.V. Jenn
Eu observava o lugar enquanto seguia Nico entre as árvores brancas sem vida, plantas luminosas e estranhas plantas douradas e pedras preciosas num canteiro. Mais à frente estava o palácio.
Bem, era basicamente um palácio negro com guerreiros mortos com diversos uniformes em volta. Subimos os degraus e adentramos a casa de Hades. Lá dentro havia mais esqueletos, em todas as possíveis saídas.
Os guardas pareciam desviar o olhar quando Nico passava mas me encaravam como se eu fosse de algum modo devolver a vida a eles. Continuamos a andar pelo salão e pude ver um trono. Lá estava sentado um homem pálido de cabelos negros como petróleo. Com um susto percebi que ele era o homem com que sonhei duas vezes, a primeira apenas dizendo para achar algo ou alguém e na segunda discutindo com Perséfone. Nesse mesmo salão.
–Hades – disse Nico quando nos aproximamos do trono.
Parei ao lado dele.
–Nico – disse Hades sem olhar-nos – vejo que trouxe alguém.
Isso era meio óbvio. O que eu não sabia era o eu estava fazendo ali.
–Não me disse para tomar conta dela? Foi o que fiz.
–Espera aí... o que? – perguntei confusa.
Hades levantou o rosto lentamente e me olhou nos olhos por alguns minutos em completo silêncio.
–Você parece sua mãe – falou por fim.
–Como vai Perséfone? – perguntei tentando tirar da cabeça a ideia de que aquele cara no trono era meu pai.
A expressão de Hades endureceu ainda mais.
–Um pouco irritada eu diria – ele se virou para Nico – E então?
–Zeus já sabe. Mandou algumas águias atrás de nós.
–Entendo – Hades disse pensativo, então olhou alguém atrás de nós e assentiu – Nico, não gostaria de mostrar o lugar para nossa convidada?
Nico revirou os olhos.
–Claro – e acenou para que eu o seguisse.
O palácio de Hades era um tanto mal iluminado em alguns lugares. Nico me levou por corredores – a maioria iguais – até um local em que água jorrava de uma fonte.
Nico tirou a lanterna do bolso e mexeu em algumas alavancas apontando o flash de luz para a água até formar um arco-íris. Ele jogou uma moeda dourada estranha no arco-íris e disse algumas palavras que não consegui ouvir. Apenas uma delas consegui distinguir: Alexia.
Antes que pudesse perguntar o que ele estava fazendo a imagem de Alex apareceu na minha frente.
–Mensagem de Íris – disse ele chamando a atenção de Alexia e saiu.
Eu poderia ter brigado com ele por isso mas Alex chamou minha atenção, gritando comigo pelo menos por uns quinze minutos antes de perceber que as pessoas estavam ouvindo.
–Você tem ideia do que fez? Um monstro poderia ter te matado ou qualquer coisa assim!
Expliquei a ela tudo que havia acontecido, contei sobre quando Nico apareceu e por fim sobre as águias de Zeus.
–Jenn, fale com Hades. Pergunte o que fazer – disse ela depois de alguns segundos encarando o nada.
–Não sei, não... não fui com a cara dele.
– Jennifer Edwards, eu cuidei de você desde que nasceu e te protejo desde os três anos. Matei monstros, acabei com suas ideias de que algo estranho havia acontecido. Fui parar no hospital várias vezes, mas isso não importa, Jenn, porque você é minha família. E a família é o bem mais precioso que tenho. Hades me mandou cuidar de você mas eu faria isso de qualquer forma – disse com lágrimas escorrendo pelo rosto.
Hades havia mandado ela me proteger?
Eu não sabia o que dizer. Depois de tudo que Alex disse fiquei com medo dela sentir raiva de mim e encerrar a mensagem.
–Des... desculpa – gaguejei.
–Jenn – falou secando o rosto. – Fale com Hades. Faça o que ele disser – sua expressão era séria.
–Mas, Alex... – não terminei a frase pois a mensagem de Íris desapareceu.
–Jenn?
Me virei e Nico estava parado na porta.
–Hum? Ah, sim?
–Falou com a Alex? O que ela disse?
–Disse que devo falar com Hades.
Andamos de volta pelos corredores. Hades estava em pé andando de um lado pro outro com uma expressão preocupada.
–Vocês têm que partir agora – disse Hades ainda andando pelo salão.
–Partir... pra onde? – perguntei parando de andar.
–Já falei com Quíron. Vocês dois, Alexia e um outro campista sairão numa espécie demissão, para provar ao meu irmão que são dignos de confiança...
–Que eu sou digna de confiança – interrompi.
–... e poderem voltar pro acampamento.
–Qual é a missão? – perguntou Nico.
–Vocês terão encontrar algo relacionado a Zeus. Depois levá-lo até ele no Olimpo. Então Zeus decidirá o que vai acontecer.
–Ótimo. E procuramos onde?
–Isso terão de descobrir – respondeu Hades e saiu.
–Mas como vamos achar algo que não sabemos o que é nem onde procurar? – perguntei a Nico que encarrava o chão pensativo.
–Não sei. Vamos – ele pegou a minha mão e com o frio na barriga que senti sabia que estávamos viajando nas sombras.
–Poderia avisar antes – falei descendo a colina depois de alguns minutos sentada na grama.
–Que seja, tente não ser vista.
Fomos andando até a casa grande num silêncio absoluto até que resolvi rompê-lo.
–Por que a Alex tem que ir junto?
–Quando Hades a tornou sua protetora um vínculo entre vocês foi criado. Enquanto ela desejar te proteger assim o fará. Você não iria muito longe sem o consentimento dela, ou seja, se ela não vir conosco não tem missão.
Enquanto aquilo entrava na minha cabeça entramos na casa grande. Quíron tinha uma expressão preocupada e falava com dois garotos que deduzi serem irmãos.
–Olá – disse pousando os olhos que pareciam tem mil anos em mim.
–Hades nos mandou aqui – falou Nico.
–De fato. Esses são Travis – apontou o que tinha cabelo maior — e Connor Stoll, conselheiros do chalé de Hermes. Os dois se voluntariaram para a missão.
Ambos eram altos e magros, com os cabelos castanhos e tinham expressões sarcásticas.
Olhei para Nico que encarava os dois.
–Não temos tempo, decidam logo.
Os irmãos discutiram entre si e por fim Travis falou:
–Ok, o Connor vai.
Connor pegou uma mochila e se despediu do irmão dando dicas de como sobreviver ser ele.
Descemos a colina e andamos até onde os carros estacionados era mais frequentes.
–Não aguento mais andar – falei me encostando num carro.
–Pelas sombras é que não vamos – disse Nico impaciente.
–Eu tenho uma ideia –disse Connor com o sorriso sarcástico aumentando ao olhar o carro.
–Nem pense nisso – disse Nico.
–Ah, qual é? Se pretendem andar até onde dizem que vamos, só vamos encontrar Alex amanhã! – disse Connor.
Eu com toda certeza não tinha o nome da minha prima. E muito menos Nico.
Abri a boca para perguntar mas ouvi ou movimento à direita. Me virei rapidamente e vi três harpias voando em nossa direção.
–Connor... que tal aquela ideia agora? – falei puxando o colar do pescoço.
–Beleza, vocês cuidam das harpias e eu tiro a gente daqui – disse indo até a frente do carro.
As harpias se aproximaram e Nico e eu nos colocamos entre Connor e elas. A pratica noturna de esgrima ajudou muito. Bloqueei o caminho da primeira com a espada e depois dela desviar várias vezes escorreu no chão em um pó dourado.
Com um sorriso no rosto me voltei para o carro. Havíamos nos esquecido da terceira harpia, olhei Nico lutando contra a segunda delas e corri em direção a Connor. A harpia tentava atacá-lo por trás.
Enfim ele conseguiu fazer ligação direta e gritou comemorando no exato momento em que me joguei na frente e afundei a espada na barriga do monstro caindo logo em seguida.
–Ai – gritei.
Nico e Connor vieram até mim.
–Tudo ok? – perguntou Nico me puxando pelo braço.
Analisei o braço esquerdo e estava apenas ralado, apesar de dolorido.
–Não vou morrer – falei.
–Antes um braço ralado que meu lindo rosto – disse Connor. – Que?! – exclamou depois de receber um olhar irritado de Nico.
–Vamos antes que apareça alguém – falou ele caminhando até o carro.
–Sabe dirigir? – Perguntei a Connor.
–Tanto quanto fazer piadas. E olha que sou muito bom nisso – sorriu e deu partida.
Nico disse a Connor para estacionar numa rua um pouco mais afastada. Caminhamos até o prédio olhando para os lados.
–Disfarcem, todo mundo está olhando pra gente – disse Connor avançando à frente.
–Connor? – chamei.
–Sim?
–Como sabia o nome da Alex?
Ele parou de andar por um segundo mas logo disfarçou com um sorriso.
–Você disse.
–Não disse não! – falei ao entrarmos pela portaria.
–Andando com seguranças agora, Jenn? – perguntou o porteiro.
Coloquei um sorriso falso no rosto e passei por ele.
–Trabalho de escola, Jack.
Subimos e toquei a campainha.
Mais rápido do que eu julgava possível a porta se abriu revelando Alex com sua blusa roxa favorita e calças jeans.
–Jenn! – disse me sufocando num abraço. – Se fizer isso outra vez... – ela ergueu o rosto e viu os garotos atrás de mim e interrompeu a frase. – Connor?! – disse numa voz aguda.
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