A Protetora

2 Jennifer descobre seu meio-irmão


Jennifer descobre seu meio-irmão

P.O.V. Alexia

–Por que não mãe? – ouvi Jennifer gritar da cozinha.

–Você é muito nova, querida – respondeu minha tia Martina com a voz doce que usava com Jenn quando estava irritada.

–Mãe eu já fiz doze anos!

–Jennifer, isso foi semana passada. Assunto encerrado.

–Mas mãe, você prometeu!

–Jennifer, já falamos sobre isso. Você correria muito perigo, chega, vá pro quarto!

Ouvir o modo como minha tia falou me lembrou da primeira vez que Jennifer realmente correu perigo.

Foi quando voltávamos pra casa na tarde após o encontro com Hades. Eu estava tão atônita que só percebi que Jenn havia parado de andar quando ela gritou meu nome.

–Hein?? – falei me encurvando para olhá-la.

–Compra pipoca pra mim? – disse ela com os olhinhos brilhando.

–Claro, só preciso achar... – então percebi o carrinho de pipocas na calçada – esquece.

Comecei a procurar o dinheiro no bolso.

–Você quer doce ou salg... – levantei a cabeça e vi que o homem não era mais um homem.

Ele tinha o rosto de um homem, mas era só. Tinha presas enormes, o corpo de leão, uma cauda com espinhos e grandes asas de dragão.

Por instinto empurrei Jenn atrás de mim e não sei bem porque, puxei o colar de Hades do bolso.

–Alex, o que é isso? – ouvi-a perguntar com voz de choro.

–Não tem importância agora, quando eu der o sinal, corra pra casa.

–Mas...

O monstro atacou, tentando passar por mim.

–Agora! – gritei e pulei em direção a ele.

Eu sei, foi idiotice, mas pelo menos deu tempo de Jenn correr, mesmo sem entender nada.

Tentei golpear o leão, que mais tarde descobri ser um manticore, no rosto mas ele desviou. Fiz um corte em sua cara, o que tirou sua atenção da minha pequena prima, mas infelizmente ele se virou pra mim.

–Droga! – corri pro outro lado da rua e subi em um carro.

O monstro veio em minha direção. E mexeu a calda. Percebi tarde demais o que ele faria. Me esquivei dos primeiros espinhos correndo entre os carros e com a espada, que finalmente teve alguma utilidade em minhas mãos. Felizmente isso não entortou o bronze da lâmina.

Senti algo em minha perna. No mesmo instante uma dor paralisante me atingiu e eu caí de cima de um carro, batendo a cabeça no chão.

O manticore avançou em minha direção rapidamente, como se não tivesse presa em me matar. Ele era até esperto, apenas aquele espinho envenenado me mataria.

Esses pensamentos me trouxeram uma lembrança.

Não o use se não tiver certeza de que não sobreviveria sem isso.

Bom, tenho certeza absoluta disso agora, pensei.

Com muita dificuldade e o lado esquerdo do corpo amortecido tateei os bolsos até achar uma das sementes. Atirei-a no chão. Por favor funcione, pensei.

O manticore se aproximava, mas eu via tudo duplicado.

De repente o chão tremeu e um soldado saiu dele. Sim, saiu do chão. Mas ele não era normal, sua pele era transparente, se é que se pode chamar de pele, seus olhos exalavam ódio. Minha cabeça latejava e eu não sentia metade do meu corpo. O soldado-esqueleto olhou pra mim como se em buscar de ordens, mas eu mal conseguia me mexer.

–Mat... Mate o monstro! – gritei com a força que restava.

O que aconteceu em seguida é um grande borrão em minha mente, o soldado-esqueleto tirando partes de si e atacando o manticore, espinhos voando e eu caída no chão.

A próxima coisa de que me lembro é de acordar no hospital, com a perna enfaixada e com minha tia me explicando como eu havia ido parar ali.

–Jenn foi muito corajosa – disse tia Martina que a pegava no colo – ela correu para nos avisar. Se não fosse isso você poderia ter morrido Alexia! – ela passava a mão no meu cabelo.

–Tem certeza que está bem? – perguntou Jenn apertando minha mão esquerda.

–Tenho sim – sorri.

–Alexia, o que você tem na cabeça? – disse minha delicada mãe entrando no quarto – Sair assim sem avisar aonde ia? Aquele bandido poderia ter te matado, você entende isso? Eu... eu fiquei tão preocupada, meu amor.

Aparentemente foi isso que a polícia contou a elas. Um homem tinha surpreendido a mim e Jenn, que correu seguindo minhas ordens, enquanto ele tentou me acertar com uma faca, eu corri e caí de cabeça, desmaiando. Ele foi embora ao ouvir as sirenes de polícia, mas antes sem cravar a faca em minha perna.

Claro, que sorte a minha, pensei.

Aquela foi a apenas a primeira vez de muitas em que ataques como esse aconteceram, com o tempo aprendi a manusear a espada e que alguns monstros são mais difíceis de matar que outros, a última parte em pesquisas na biblioteca.

–Que saco!

Voltei ao presente com o som da porta batendo e Jenn reclamando.

–O que foi? – falei colocando o notebook em que trabalhava em cima da cama e indo em direção a ela.

–Minha mãe! Eu preciso de dinheiro, me sinto como um peso pra vocês, sou a única que não faz nada...

–Jennifer Edwards, você tem 12 anos! Por favor, você é muito nova pra se quer pensar nisso!

–Até você, Alex? – ela disse jogando a cara contra o travesseiro.

–Sim, até eu. Chega de falar disso, – falei me sentando do seu lado e acariciando seus cabelos negros – suas coisas estão prontas pra amanhã?

–Ah, nem me fale! Tenho mesmo que ir pra escola?

–Claro, parece até criança reclamando assim!

Ela jogou um travesseiro na minha cara.

–Tenho certeza de que vai gostar da escola.

–Não – ela se virou pra mim – não vou, eu nunca gostei da escola e nunca gostarei. As pessoas são idiotas. Entende porque sempre me expulsam?

–Mais do que você imagina... – suspirei.

–O que?

–Nada! – falei me levantando – Vai conferir sua mochila Jenn. De novo.

–Pela sexta fez hoje? Não senhorita Alexia, muito obrigada, mas chega pra mim.

–Você é quem sabe, mas vai esquecer alguma coisa, estou te falando.

–Para, dá azar.

Fui conferir a mochila dela e de fato faltavam coisas. Um caderno e o mais importante...

–Toma – falei entendendo-lhe o colar que ganhara de Hades, o pai dela.

–O que?

–O colar, pra dar sorte – sorri.

–Obrigada Alex! — ela disse me abraçando – Não sabe o quanto vou precisar disso...

–Como?

–Sorte, ora.

–Ah.

–Você está estranha...

–E você chata, vá tomar banho, vou pedir pizza.

–Falou pizza, falou meu nome.

Ela saiu do quarto sorrindo e deixou o colar em cima de sua cama.

Por uns minutos fiquei encarando o teto. Sentei-me no chão, junto às coisas de Jenn e comecei a vê-las. Encontrei um álbum de fotos e comecei a folhear. Fotos nossas brincando, ela na maternidade com a mãe, nós quatro no natal. Porém havia uma foto solta. Deixei o álbum cair na cama.

Não podia ser possível. O garoto era... ele era... Ele era Nico di Angelo.

–Jennifer, onde conseguiu isso? – gritei.

Notas finais
Espero que tenham gostado do capítulo, o próximo será com ponto de vista da Jenn. Os capítulos serão postados semanalmente. Espero vocês nos comentários...