A Protetora

10 Antigos amores


Notas iniciais
Eu e minha mania de postar o capítulo cinco minutos antes do prazo... Antes de tudo: Feliz aniversário Rony Weasley o/ Sei que não tem nada a ver mas tinha que dizer Boa leitura

Antigos amores

P.O.V. Alex

Connor parou o carro na frente de uma loja. Havíamos entrado numa parte bem movimentada da cidade.

–Se vamos para as montanhas vamos precisar de equipamentos – foi o argumento de Jenn para nos convencer a correr tanto risco.

Levei a mão aos ombros antes de sair do carro e senti o arco aparecer ali. Havia sido assim desde que o coloquei ali, como não precisava dele sumiu, mas no segundo em que o procurava ele aparecia. Com certeza graças a Ártemis.

Nos dividimos para pegar as coisas – Jenn com Connor e Nico comigo – e combinamos de nos encontrar em meia hora.

–Temos que pegar corda, lanternas e arrumar uma bússola – falei entrando na loja.

–Pra que vamos usar uma bússola? – perguntou Nico e eu apenas o encarrei por algum tempo antes de abrir a boca para falar mas ele interrompeu – Não me olha com essa cara. Não vá dar crise de chalé de Atena agora, ok?

–Que cara? E não estou tendo crise alguma – falei entrando na loja.

–Cara de quem vai começar um discurso, aliás você levanta a sobrancelha e faz isso sempre.

Minha sobrancelha levantou automaticamente.

–Não assim – continuando passando à frente – essa é a cara que as pessoas fazem quando não entendem algo.

–Quem está dando crise de filho de Athena agora? Você encontra a bússola.

Sorri e entrei mais para o fundo da loja.

Enquanto pegava as coisas me lembrava da primeira vez em que encontrei o garoto.

–Alexia Young – eu havia escutado uma voz chamando enquanto passava pelo corredor de um shopping.

Um calafrio me subiu pela espinha ao ouvir aquele nome. O sobrenome do meu pai.

–Não uso esse sobrenome – falei ao me virar para procurar a fonte da voz.

–Desculpe então. Precisamos conversar.

Minha primeira impressão do garoto encostado na parede que conheci há pouco mais de quatro meses atrás não foi, digamos, boa. Ele me lembrava logicamente Hades, com a pele tão clara e a roupa preta, mas ignorei o pensamento. Excluindo a primeira impressão ele lembrava os garotos da escola que passavam toda a aula dormindo e ninguém reparava.

–Quem é você? – foi a primeira, e idiota, pergunta em que pensei.

Ele deu um passo em minha direção.

–Nico di Angelo – estendeu a mão, — filho de Hades – essa última parte num sussurro.

Assim que chegamos no estacionamento ele começou a falar.

–Hades me mandou aqui.

–Por que?

–Jennifer.

Eu estava simplesmente odiando o fato de ele não ir direto ao ponto.

–Poderia ir direto ao ponto? – falei calmamente.

–Ela corre perigo. Segundo Hades você já sabe disso mas os monstros vão vir cada vez mais e você tem sua própria vida. Por isso meu amado pai – Nico deixou o sarcasmo evidente – me pediu para ficar de olho nela enquanto estiver na escola. Não pense que aceitei isso por ele, foi pela garota.

Pude notar uma ponta de dor em sua frase mas não quis comentar.

–Eu jamais pensaria isso – sorri.

–Só achei certo avisar – ele disse sério e sumiu nas sombras da parede.

Me perguntei se Jenn seria capaz de fazer isso.

Claro que eu não esperava que no primeiro dia na escola os monstros aparecessem. Tinha certas dúvidas quanto a isso e havia visto Nico algumas vezes desde então mas... bom, deu no que deu. Aqui estamos nós.

Peguei o que precisava e reprimi um grito quando senti uma mão no meu ombro. Virei rapidamente e segurei a mão no ar.

–Calma, sou eu – disse Nico em voz baixa e eu o soltei. – Acho melhor darmos o fora daqui, não gosto do lugar.

–Ok – falei.

Fomos até o caixa e a mulher sorriu. Ela usava um lenço sobre a cabeça e sorria demais pra uma pessoa normal.

–Vão explorar, crianças? – perguntou com uma risadinha aguda.

–Oh, não... é um trabalho de escola – falei.

–Entendo. Obrigada, crianças.

Andamos até o carro e ficamos esperando Connor e Jenn voltarem.

P.O.V. Jenn

–Então quer dizer que você namorou a Alex? – comentei enquanto entrávamos no mercado, loja, seja lá o que aquilo fosse.

Ele me olhou como se tivesse visto um fantasma mas tentou disfarçar com um sorriso. Era estranho ter que ficar olhando pra cima para ver o rosto dele. Eu me considerava um pouco mais alta que o normal mas Connor era maior e se tornava cansativo olhar pra ele. Acho que tem a ver com minha preguiça.

–Ela te contou, foi? Achei que não tivesse dito a ninguém – falou corando.

–Connor Stoll envergonhado? – eu ri – Não tinha, fiz ela falar ontem. Vocês disfarçam extremamente mal.

–Então, não tínhamos que procurar comida?

–Não muda de assunto! Por que mantiveram tudo em segredo? – falei jogando um pacote de bolacha pra ele.

Connor examinou o alimento antes de responder.

–Ela não quis dizer nada. Não entendi a princípio mas agora... – ele vacilou por alguns segundos antes de responder mas pareceu mudar de ideia – agora temos que pegar essas coisas e dar o fora daqui.

Ele começou a andar feliz pelas prateleiras e jogando coisas nos próprios braços e pra mim. Ia argumentar mas havia um casal de adolescentes se agarrando no corredor seguinte. Empurrei Connor mais rápido antes de continuar.

–E então, vocês voltaram? Alex não quis dizer.

–Não... prefere chocolate ou morango?

–Stoll! Para de desviar do assunto! Qual o lance entre vocês então?

Ele se virou pra mim e me encarou como se julgasse se deveria ou não usar a espada para me esquartejar e jogar os restos na prateleira.

Por fim suspirou.

–Não tem lance nenhum. Não por que eu não queira. Eu... eu amo a Alex.

Por um segundo pensei em dizer que ele estava mentindo, mas em seus olhos vi que falava a verdade. Não sei, mas de alguma forma eu sabia. Um sorriso escapou involuntariamente.

–Por mais que você seja irritante, Connor Stoll, acabei de decidir que não te odeio — joguei as embalagens pra ele e fui pegar as outras coisas.

Ele arranjou um carrinho e jogou as coisas lá.

–Como é que é? – falou.

–Isso aí – revirei os olhos – talvez eu até te dê uma forcinha – soltei uma gargalhada.

Ele me encarou por alguns segundos e então sorriu. Pegamos as outras coisas que tínhamos que comprar e fui pagar as coisas, já que Connor disse que esse negócio de pagar não é com ele.

Discutimos um pouco na volta, mas nada demais. Consegui fazê-lo carregar tudo.

Quando estávamos a apenas duas ruas de distância do carro vi uma águia no céu azul ensolarado.

–Corra – falei o mais controladamente que pude para não chamar atenção dos mortais.

Connor não esperou uma segunda vez e me acompanhou na corrida. Por rápido que fôssemos – Connor na frente, já que correr não é o meu forte – a águia se aproximava cada vez mais.

Eu não tinha escolha. Agarrei o braço de Connor, fechei os olhos e mentalizei a rua em que havíamos nos separado. A escuridão me engoliu e subitamente o calor do verão foi substituído por um frio um tanto desagradável.

No segundo seguinte, quando abri os olhos Alex me encarava espantada e Nico tinha uma expressão engraçada. Talvez orgulho? Não entendi mas vendo que Connor continuava parado olhando pros lados resolvi fazer algo.

–Anda logo! – eu o empurrei. Nenhum de nós conseguiria abrir a porta porque obviamente não éramos filhos de Hermes.

Ele puxou a portas de trás e depois a de Alex, então foi até o banco do motorista e jogou as sacolas pra trás antes de acelerar.

–O que aconteceu – perguntou Alex encarando Connor.

Ele não respondeu. Respirei fundo.

–Águia... mercado... vindo...

Deixei a cabeça pender pra trás, cansada. Uns dois minutos depois juntei coragem para perguntar.

–Algum sinal dela?

–Nenhum. Acho que vi alguma coisa, mas ficou pra trás – Alex respondeu.

–Ganhamos um bom tempo quando saiu das sombras, maninha – Nico falou sorrindo e me deu um tapa no braço.

–Já falei para parar de me chamar assim...

Um ruído de atrito contra o metal do teto do carro assustou a todos.

Connor soltou um palavrão.

–Eu acabei de conseguir esse carro, tá?! – gritou. – Se segurem.

Foi uma dica útil. O carro começou a se mover em zig-zag e bati contra Nico antes de agarrar o banco da frente. Fomos pra trás e o carro fez quase meia volta antes de Connor acelerar pelo caminho de volta. Pude ver um flash escuro que devia ser a águia.

A águia se chocou contra o carro algumas vezes. Umas atacando, outras atingida por Connor. Ele riu como se estivesse amando a brincadeira e foi em direção ao primeiro poste que viu.

Iríamos bater, eu tinha certeza. A águia a todo vapor em nosso encalço. Alex gritou e no último segundo Connor desviou mas o animal não. Bateu com tudo no poste enquanto abandonávamos o lugar em alta velocidade.

–Por Hermes! – gritou Connor e começou a rir que nem um retardado.

Por alguns minutos o único som foi Nico bufando.

–Seu psicopata – disse Alex e bateu no braço dele.

–Salvei nossas vidas do todo poderoso do Olimpo – ele sorriu convencido – pelo menos por enquanto.

Nico disse algo não muito educado. Ignorei e encarei a estrada pela hora seguinte até cair no sono. Viajar me dá um sono digno de Hipnos.

Abri os olhos lentamente e não conseguia ver direito. O sol já devia estar se pondo. Sem mexer a cabeça olhei pra frente. Não pude conter o sorriso, isso começava a me irritar. Mas de um jeito bom.

Alex e Connor e estavam se beijando. Pelo visto não vou precisar dar nenhum empurrãozinho.

Notas finais
Não vou prometer comida porque já estou endividada demais, mas comentem mesmo assim :3 Bjos ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.