A Prometida
11 Thinking out loud
Notas iniciais
Três anos depois
O tempo foi sim o melhor remédio para todos nós.
Soluço passou a ser respeitado por toda a Tribo Berkiana e também por praticamente todas ao outras Tribos do Arquipélago Barbárico.
Afinal, ele havia acabado com uma guerra de milênios. E esse fim de guerra beneficiou todo mundo.
Durante esse tempo, muitas coisas ocorreram. Afinal, infelizmente não foram todas as Tribos que aceitariam isso.
Principalmente a dos Exilados de Berk e a dos Beserkers. Os Exilados nunca aceitariam nada que viesse de nós. E o Beserkers, bom, eles são insanos até demais.
Passamos por batalhas imensas e batalhas pequenas e no fim de cada uma saímos fortalecidos. E no final, pudemos ser livres.
No final estávamos em paz. Pelo menos com os Beserkers e com os Exilados tudo se resolveu. Na medida do possível.
Passamos por alegrias que não tenho como enumerar. E alguns momentos estranhos também.
O primeiro Snoggeltog com os dragões? Diferente.
Naquele dia descobrimos que as datas das festas coincidiam com a data de reprodução dos dragões. E bom, após isso tivemos que fazer ninhos em Berk, afinal eles iam para Ilha do Dragão se reproduzir. E então Berk virou A Ilha dos Dragões.
Corridas de Dragões? Sim, foram criadas pelo Cabeça Dura.
É. Pode acreditar. De um jeito ou de outro, ele mudou o Dia da Regata. Aquele dia que assistíamos corridas de barcos. Não dava para aguentar.
Corridas de Dragões é emocionante. Afinal, pilotos atrás de ovelhas em lugares inusitados são coisas impressionantes de se ver.
Eu e Soluço? Assunto bem delicado.
Continuávamos grandes amigos. Mas depois do incidente do beijo, algo mudou a nossa maneira de ver o outro.
E depois da morte da minha mãe, eu não tinha mais com quem falar sobre os meus sentimentos contraditórios.
E por incrível que pareça após aquela ocasião eu finalmente descobri o que eu sentia de verdade por ele. Eu amava Soluço.
Aquele sentimento de amizade foi se fortalecendo dentro de mim. Treze anos de amizade não era pouca coisa. Eu conhecia o Soluço mais do que ninguém.
Mas eu nunca assumiria isso. E correr o risco de acabar com essa amizade? Nunca. Eu não sabia sobre os seus sentimentos em relação a mim.
Ou pelo menos não tinha certeza.
Soluço mudou. Como se ele pudesse ficar mais bonito. Mas os seus olhos ainda continuavam os mesmos.
Porém ele estava mais forte. A sua amizade com Banguela fortaleceu-se. E ele era finalmente o viking que ele queria ser. Ele era ele mesmo.
Ele estava mais alto do que eu, o que era realmente estressante. Mas eu crescera, continuava forte. Era a única Hofferson. E honrava a minha família.
Aquele dia, aquela travessura, mudou as nossas vidas. Afinal, os gêmeos entregaram suas vidas à Loki. As travessuras deles passaram um pouco dos limites depois disso.
Para ter uma ideia, uma dessas travessuras é o motivo de eu contar esses fatos a você hoje. É estranho, mas graças aos gêmeos isso tudo aqui foi possível.
Soluço fez algo com a ajuda deles. E aquela travessura me fez a pessoa mais feliz do mundo. E com certeza os meus sonhos se tornaram realidade.
Como todo o dia, nossa tradição se manteve. Não passávamos um dia sem se ver. Naquele dia, eu dava aulas na Academia de Dragões, para algumas crianças da Vila que se interessavam pelos dragões.
A aula havia acabado e Soluço entrara com Banguela na Arena. Eu guardava os equipamentos e ele me ajudou na tarefa.
–Será que podemos conversar? – ele perguntou seriamente depois de termos terminado tudo.
–É claro, diga – eu respondi receosa.
–Não aqui. Num lugar mais reservado. Que tal na clareira? – ele perguntou. Vi um papel em suas mãos, que tremiam um pouco.
–Está bem, vamos lá.
Por incrível que pareça, ele deixou Banguela em Berk. Normalmente eles andavam de um lado para o outro e nunca se separavam. Eu estava nervosa. Muito nervosa.
Adentramos a Clareira. O nosso local de treinamento. O local de treinamento de Banguela. O local das nossas melhores lembranças juntos.
–O que está havendo Soluço? Você está muito estranho – eu lhe disse.
–É que eu recebi uma carta – ele disse meio trêmulo. – De uma filha de um líder de outra Tribo.
Eu arqueei a sobrancelha e ele me deu a carta para que eu pudesse lê-la. Não reconheci o Brasão. Consistia em um sol com uma lua entrelaçada. Abri o envelope e a carta, vi as runas vikings e então comecei a ler.
Caro Soluço, filho do líder de Berk,
Sou a herdeira do trono de minha Ilha, uma parceira comercial muito importante de Berk. Acho que podemos ser ainda mais unidos. Melhorar ainda mais as nossas relações.
Já te vi uma vez, na competição anual entre todas as Tribos Vikings. É forte e poderoso. E o herói de quem todos falam.
Mando-lhe essa carta com um único propósito: um Acordo. Uma aliança eterna.
Proponho um casamento. Um casamento entre os filhos dos líderes de nossas Tribos. E aliança estará feita. Entre você e eu.
A escolha é sua caro Soluço. Não há nenhuma ameaça nem nada. Porém, devo pensar que você não deva ter ninguém.
Afinal, muitos me contaram que você era o pior viking de Berk. Devo pensar que ninguém cogitou estar com você.
Aguardo respostas.
Minhas mãos tremiam ao terminar a carta. Eu não acreditava no que lia. Não acreditava no que havia lido. Não queria acreditar.
–Quem é ela e de onde ela é? – eu pergunto, tentando estar com a voz mais calma possível.
–Não sei quem é ela. Mas é filha do líder da Tribo do Sol.
–Tribo do Sol? – eu perguntei. Eu não costumava me lembrar de todas as Ilhas e Tribos, afinal eu não seria líder mesmo.
–Sim, ao leste de Berk. Dizem que é um dos extremos do território. Onde o Sol nasce pela primeira vez.
–Já foi até lá?
–Nunca.
Um silêncio se estalou. Eu estava com raiva dela, sem nem ao menos conhecê-la. Pode dizer que era ciúme. Eu acreditava que era isso realmente.
–Berk precisa desse casamento para fortalecer o Acordo? – eu perguntei, passando-lhe a carta antes que a rasgasse em mil pedaços.
–Não, o acordo está mais do que fortalecido. Eles precisam realmente de nós. Mas não vejo problema nenhum quanto ao casamento.
–Você não vê nenhum problema? Eu vejo muitos problemas.
–Que problemas você vê? – ele pergunta, arqueando uma das sobrancelhas.
–Problemas como... – eu fico em silêncio por um instante tentando raciocinar. – Para começar você nem conhece essa menina.
–Isso não é um problema – ele diz irônico.
Eu o encaro com raiva. Eu não sabia o que dizer para me justificar. Estava realmente com raiva. Não dele, mas daquela carta.
Bom, eu estava com ciúmes. Já que quando você ama alguém, você realmente sente ciúmes. Principalmente quando se trata de uma Hofferson como eu.
–Você não pode fazer isso – eu digo por fim.
–Eu não estou entendendo você Astrid. Isso é apenas uma carta, de alguém que eu nem ao menos conheço. E, além disso, o que teria demais se eu aceitasse? Eu realmente não tenho ninguém. E você sabe do que eu estou falando, não se ofenda por isso – ele diz.
Eu olhei para ele incrédula. Eu realmente havia pensado aqueles anos todos que ele gostava de mim? Que sentia o mesmo que eu sentia por ele? E ele estava ali. Cogitando a ideia de se casar com alguém que nem ao menos conhecia.
–Certo, então é isso. Seja muito feliz então – eu disse.
Virei de costas para ele e saí andando. Talvez fosse uma atitude infantil. Mas eu não me importava. Ele não me veria chorar por causa disso.
–Astrid! – ele chamou. Eu não parei de andar. Ele agarrou o meu braço e me segurou.
–Me solta – eu disse friamente.
–Eu não vou te soltar – ele disse, virando-me de frente para ele.
O movimento foi brusco demais, de modo que ficamos cara a cara um com o outro. Minha boca estava próxima da dele. Ele me soltou, mas eu não me afastei. Eu encarava os seus olhos.
Nossos olhos se fecharam automaticamente. E então sinto os seus lábios contra os meus.
Eu não sei como explicar as sensações que eu senti. Foi como se estivéssemos dentro de uma bolha. Eu não conseguia ouvir nada além. Eu só conseguia sentir.
Talvez aquela tenha sido a única vez em minha vida que eu realmente me sentia segura. A primeira vez. Estava com quem eu amava. Nada podia ser melhor do que aquilo. Não havia nenhum lugar que fosse melhor do que estar com ele.
Não sei explicar. Sentir suas mãos em minha cintura. Sentir minhas mãos em seus ombros. Sentir seus lábios doces. Sentir a calmaria. Sentir o amor.
Era muito mais do que eu havia sentido em outras ocasiões. Pois a vez em que nos beijamos, três anos antes, fora apenas um acidente. Embora tenha ficado marcado em minha memória.
Quando separamos nossos lábios, continuamos com nossos rostos colados. Eu continuava com os olhos fechados. Eu não queria me separar dele. E ele também não parecia querer se separar de mim.
Minha respiração estava ofegante. Minhas mãos caíram de seus ombros e as suas por um instante soltaram a minha cintura.
Eu abri os olhos. Mas fui surpreendida pelos seus braços em volta de mim. Eu retribuí o abraço. Novamente eu estava naquele Universo paralelo. Onde descobri que só poderia acontecer se eu estivesse com ele.
Ele me afastou gentilmente, mas suas mãos continuavam em meus ombros. Nos encaramos por um instante. Eu não conseguia dizer nada. Simplesmente não conseguia. Os seus olhos verdes me hipnotizavam.
–Desculpa – ele diz. Eu olho para ele confusa.
–Por que está me pedindo desculpas Soluço? A culpa não é sua. Ou pelo menos não é só sua.
–É que... Bom eu não devia ter feito isso. Afinal, esse talvez não fosse o seu desejo. Talvez você não sinta por mim o mesmo que eu sinto por você.
E então eu começo a rir. Acho que você também iria rir numa situação dessas. Porque simplesmente isso era o que eu havia pensado um pouco antes.
Um sorriso surge em seus lábios, mas eu sabia que ele ainda estava confuso.
–Sabe o que eu pensei Soluço? – eu pergunto e ele assente negativamente. – Que eu havia sido tola esses anos todos. Que eu havia alimentado algo impossível. Que nesses treze anos você só me viu como uma amiga, o que era para ser. Pensei que você simplesmente não me amava como eu te amo.
Bom, aquelas últimas palavras não eram para ter saído. Decididamente não eram para terem sido ditas. Não daquele jeito.
Eu coloco uma das minhas mãos em minha boca. Sinto minhas bochechas corarem. Vou andando para trás, com a intenção de correr para bem longe daquela Clareira.
Mas ele me conhece há treze anos de modo que me impede de fazer isso, puxando a minha cintura antes que eu me afastasse demais.
–Espera um instante – ele diz. Eu fecho os olhos. Para começar, eu estava próxima demais dele novamente. – Quer dizer que nós somos amigos há treze anos. Nos conhecemos mais do que ninguém. E simplesmente não nos abrimos? Simplesmente não revelamos o que sentíamos um para o outro? – ele levanta meu queixo suavemente para que eu o encarasse. – Senhorita Hofferson. Você não deve pensar nunca mais tudo o que pensou. Você é a pessoa mais importante em minha vida. Você é a pessoa que eu mais amo no mundo. E isso não é coisa somente de amigos.
Eu sorri. Realmente eu talvez tivesse escutado aquilo. Meus olhos ficaram de repente marejados. E simplesmente eu não conseguia acreditar.
Realmente Soluço havia me mudado. Astrid Hofferson, aquela que tentara fazer com que Soluço fosse igual aos outros, não era aquela que se emocionava com qualquer coisa.
E realmente Soluço havia mudado. Já que anos antes ele não diria aquelas palavras verdadeiras tão firmemente.
Pousei minha mão direita em seu rosto e ele fechou os olhos com o meu toque.
–Eu te amo Soluço. E isso não é somente coisa de amigos – ele sorri.
–Eu te amo Astrid Hofferson – ele enxuga uma lágrima solitária que eu não consegui impedir que caísse. – E talvez, possamos ser mais do que melhores amigos.
Eu sorrio feito boba e me aproximo para beijá-lo. Porém ele impede essa ação. Olho para ele confusa e ele parece se divertir com essa confusão.
–Você não quer saber sobre a carta? – ele pergunta.
O pensamento me atinge. Ainda havia aquela garota que queria se casar com ele. Talvez eu devesse afiar o meu machado.
–Talvez. Mas acho que apenas para rasgá-la em mil pedaços, ou quem a mandou – eu digo estreitando os olhos.
–Acho que isso não será necessário – ele diz rindo.
–O que quer dizer exatamente com isso?
Ele se afastou de mim, o que me deixou um pouco chateada. Mas não demonstrei esse sentimento.
–Bom, não existe uma Ilha do Sol. Não existe uma parceira econômica e muito menos alguém que queira se casar comigo em uma Ilha imaginária. Os gêmeos inventaram essa história e escreveram a carta.
Eu olhei para ele incrédula. Incapaz de afirmar que havia escutado aquilo. Era mentira. Ele havia feito aquilo.
–Quer dizer que você mentiu para mim? Que você pediu ajuda aos gêmeos, que entregaram a vida ao Loki e inventou toda essa história? – eu perguntei com um pouco de raiva na voz.
–Sim? – ele disse em dúvida. Em dúvida se morreria ali ou em outro lugar. – Mas a ideia foi dos gêmeos.
–Não importa, a troco de quê você fez isso? – eu perguntei, me aproximando dele. Ele se afastou mais um pouco.
–Com o objetivo de ver se você ficaria com ciúme. Saber o que você sentia por mim. Deu certo não?
Irônico, não é mesmo Soluço?
Nunca brinquem com uma Hofferson. Ele sabia disso, de modo que se afastou ainda mais. Porém nada tirava o sorriso do seu rosto. E incrivelmente do meu também não.
Corri atrás dele que deixou ser pego por mim. Puxei-o para trás e ele se virou, novamente puxando a minha cintura. Eu balancei negativamente a cabeça, encarando os seus olhos.
–Sabia que o que você fez foi muito perigoso? Eu sou uma Hofferson, e uma Hofferson com ciúme é mais letal do que um exército inteiro.
–Então admite que você estava com ciúme? – ele diz próximo a minha boca.
Eu sorrio.
–Pode apostar que sim. Afinal, ninguém pode tirar você de mim – eu digo.
–Ninguém se atreverá a fazer isso.
Ele sorri. Aquele era o sorriso mais lindo de todo o mundo.
Quando eu o beijo nada mais parecia existir. Eu preferia pensar assim. Que eu estava num mundo perfeito. Onde só havia Soluço e eu.
Sim, esse foi o momento mais feliz da minha vida inteira.
Sim, aquilo ainda não havia acabado.
Sim, poderia estar resolvido.
Mas ainda havia acordos. Explicações a serem feitas. Mas vou deixá-los com esse momento de felicidade. Afinal isso sim pode durar.
Darlin' I will be lovin' you
Till we're seventy
Baby my heart could still fall as hard
At twenty three
I'm thinkin' bout how
People fall in love in mysterious ways
Maybe just the touch of a hand
Me, I fall in love with you every single day
I just wanna tell you I am
So honey now
Take me into your lovin' arms
Kiss me under the light of a thousand stars
Place your head on my beating heart
I'm thinking out loud
Maybe we found love right where we are
Q uerida, eu te amarei
Até que tenhamos 70 anos
Amor, meu coração ainda se apaixonará tão fácil
Quanto quando tínhamos 23
Estou pensando em como
As pessoas se apaixonam de maneiras misteriosas
Talvez apenas o toque de uma mão
Eu, me apaixono por você a cada dia
Eu só quero te dizer que eu estou
Então, querida, agora
Me abrace com seus braços de amor
Beije-me sob a luz de mil estrelas
Coloque sua cabeça em meu coração que bate
Estou pensando alto
Talvez tenhamos achado o amor bem aqui, onde estamos
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