Notas iniciais
Olá queridos. Preparados para mais um capítulo eu espero... Ah, vocês são muito fofos! Amei cada um dos comentários, muito obrigada por estarem comigo. E agradecendo à Overland X por ter favoritado a fanfic. Vejam!! A primeira música que não é do Imagine Dragons. É do Bastille. Link nas notas finais também. E olha, é bem relativa a letra. Espero que aproveitem. Até as notas finais queridos...

Três anos depois...

Está é Berk. Fica doze dias ao norte de desânimo e alguns graus ao sul de morrendo de frio. Ela é enraizada no meridiano da tristeza.

Minha aldeia. Em uma palavra? Sólida. Ela existe há sete gerações, mas todas as casas são novinhas em folha. Nós temos pesca, caça e um pôr do sol encantador.

O único problema são as pragas. Sabe, a maioria dos lugares costumam ter ratos, mosquitos, mas nós temos dragões.

Nem todos aguentariam. Mas nós sim, nós somos vikings. Nós temos teimosia crônica.

Soluço S.S. III

Nem todos aguentariam viver como nós vivíamos naqueles tempos. Todos os dias os vikings sofriam com os ataques por parte dos dragões.

Todos os dias a Vila era destruída e a comida era roubada. A não ser se chovesse, pois aí eles não atacavam. O que não é muito encorajador para viver essa vida.

Os vikings passaram a procurar com mais vontade o Ninho dos Dragões. Passaram a procurar como se a vida deles dependesse disso. Matar o mal pela raiz era o que eles diziam.

Mas talvez isso só piorasse as coisas.

Conforme fomos crescendo, a maioria de nós recebeu tarefas mais importantes. A minha, juntamente com Melequento (o que não me deixou feliz), os gêmeos Cabeça Dura e Cabeça Quente e Perna de Peixe era apagar os incêndios nos ataques. O que era interessante de se fazer.

Já o Soluço... Ninguém confiou nele. Nunca. Por isso ele continuou sendo ajudante do Bocão, o nosso ferreiro e fabricante de armas.

E bom, ele apenas afiava as espadas que os outros usavam na luta diária. Eu nunca faria isso. Iria me deixar deprimida não poder estar lá fora. Poder observar apenas da janela.

Ele aprendeu tudo. Até a construir coisas. Ele me mostrava tudo o que ele inventava. Eu achava incrível cada coisa. Mas às vezes a invenção dele sumia com algumas ovelhas.

Mesmo assim, ele observava tudo de dentro da Ferraria. Quando o seu desejo era estar conosco (talvez não com o Melequento). E sempre que podia falava com ele da janela.

Era mais um ataque e o dia nem havia amanhecido ainda. Apagávamos os incêndios e mesmo assim outros se iniciavam quase que imediatamente.

–Bom dia para você, ou melhor, boa madrugada – eu falo com Soluço rapidamente.

–Eu ainda estou dormindo – ele diz e eu rio.

–Até mais – eu digo, correndo atrás dos outros.

Eu e os outros fomos para o outro lado da Vila. Por sorte os dragões pareciam já estar indo embora. Porém, o Fúria da Noite apareceu. O que não era nada bom.

O Fúria da Noite era o que nós vikings chamávamos de a cria diabólica do raio e da própria morte. Ele nunca pegava comida, nunca atacava diretamente a nós. Parecia apenas ajudar os demais dragões.

Ele apareceu e aquilo foi o motivo de tudo que se sucedeu. Pois Soluço inventou de sair. De tentar usar uma das suas invenções e capturar o Fúria da Noite.

Eu saí correndo ao vê-lo subir até o penhasco. Ele tentaria. Ele nunca desistiria. Ele pareceu soltar algo, mas não notei o que houve no céu. Apenas o Pesadelo Monstruoso que subia até o penhasco atrás dele.

–Soluço! – eu gritei o mais alto que eu podia para alertá-lo.

Eu o vi virar-se e correr. Estava demorando para que algo do tipo acontecesse. O de sempre. Ele saiu correndo e o dragão o seguiu. Como sempre ele não conseguiria enfrenta-lo e Stoico o salvaria. E como sempre metade da Vila era queimada por acidente.

É claro que eu estava do lado dele. De modo que corri para encontra-lo. Porém Stoico chegou mais rápido e eles começaram a sua discursão de todo dia.

Stoico recusava-se a deixar Soluço entrar no Treino para matar dragões. Eu às vezes entrava na discursão. Eu achava que ele ficaria mais forte no treino. Se ele não treinasse não teria como aprender a se defender sozinho.

Mas daquela vez eu preferi ficar de fora. Não adiantava argumentar com o líder. Já havia percebido isso.

–Você não entende que tenho que alimentar toda a Ilha? O inverno está chegando – Stoico disse, após argumentar mais uma vez com Soluço que ele não podia matar dragões.

–Cá entre nós, bem que esse povo podia comer um pouquinho menos, não acha? – eu bati com a mão na testa. Soluço tinha que aprender que às vezes ele tinha que ficar calado.

–Leve-o daqui Bocão – Stoico disse ao final, suspirando.

Eu bufei de raiva. Ele sempre fazia isso. Mandava outra pessoa resolver a situação com o filho dele.

Corri até Soluço e despachei o Bocão. Eu podia ser persuasiva armada de um machado. Muito persuasiva. Ele foi embora, alegando precisar afiar algumas armas.

–Você foi bem hoje. Conseguiu acertar algo? – eu perguntei, tentando animá-lo.

–Não sei – ele respondeu desanimado.

–Vamos lá, você vai conseguir um dia – dei um empurrão nele, como sempre fazia para tentar animá-lo. Chegamos à porta da casa dele.

–Ele nunca me escuta. Ele sempre discute comigo. Ele sempre olha para mim como se eu não fosse bastante. Como se não quisesse que eu tivesse nascido. Ou pelo menos que não tivesse nascido desse jeito, uma espinha de peixe falante. E nem que eu fosse assim. Diferente de todos.

–Você é muito melhor do que muito viking brutamonte por aí. Ele não gosta que você seja como é no seu interior. Aventureiro. E que nunca desiste.

–Talvez. Mas dos dois modos, ele nunca estará feliz comigo.

Ficamos em silêncio por um instante. O sol havia acabado de nascer.

–Você vai reconstruir o que eu acabei de destruir? – ele diz.

–Sem maiores dramas – eu digo. — Eu vou sim, é a minha função, não é?

–Quem dera que eu tivesse uma função. Meu pai me fritaria se me visse caminhando pela Vila hoje – ele suspira.

–Já disse que você vai dar orgulho a ele – eu digo. – Até amanhã então?

–Até – ele me diz.

Eu vou até ele e o abraço. Ele corresponde e entra em sua casa. Fico um minuto observando a sua porta fechada e viro de costas, indo cumprir minhas tarefas.

Aqueles abraços não eram mais como os de anos antes. Não eram meros abraços inocentes de crianças de cinco anos.

Eu tentava não misturar nossa amizade com as minhas dúvidas. E preferia mergulhar no trabalho a pensar nisso. Eu não queria estragar tudo o que tínhamos.

*****

Quando entrei em casa com o meu machado no final do dia, eu suspirei cansada. Tivemos que ajudar a reconstruir a Ilha o dia inteiro depois do ataque. E também depois do que Soluço acidentalmente causou.

E eu esperava que Soluço tivesse ficado bem. Eu não o vi o dia inteiro e nem pude procura-lo. Eu esperava que pelo menos tivesse ficado em casa e não tivesse se metido em mais encrenca naquele dia.

Olhei para minha casa. Qualquer um diria que estava vazia. Mas ainda havia a minha mãe. Que estava provavelmente deitada no quarto entregue a sua tristeza.

Subo até o segundo andar e comprovo as minhas suspeitas. Minha mãe estava lá. Deitada na cama e provavelmente dormindo, de costas para porta. Não me aproximo imediatamente, fico na porta por um instante.

Desde a morte do meu pai ela desistiu de ser feliz. De viver. E simplesmente não se importou comigo. Com a sua filha que só tinha 12 anos na época. E não se importou em perguntar como eu me sentia com aquilo tudo.

Ela não se cuidava. Ela ficava deitada no quarto o dia e a noite inteira. Eu tentava alimentá-la, mas havia ficado cada vez mais difícil. A Anciã dissera que ela havia desistido de lutar a guerra da vida.

Suspirei fundo e me aproximei de sua cama.

–Oi mãe. Não vai acreditar no que aconteceu hoje. O Soluço fez mais uma besteira. E mais uma vez Stoico brigou com ele – eu sempre lhe contava as novidades do meu dia.

Sentei na minha habitual cadeira, ao lado de sua cama e larguei meu machado no chão. Suspirei pedindo forças para continuar e não desistir de minha mãe.

– Tenho pena do Soluço. Na verdade sinto algo que não sei explicar por ele. É mais do que pena eu acho. Mas talvez eu pense mais sobre isso depois. E você, como passou o seu dia? – ela não me respondeu. Nem ao menos se mexeu.

Olhei preocupada e com maior atenção para ela. Seu rosto estava mais pálido do que o normal, pelo o que eu poderia ver em sua posição. E eu não conseguia notar a sua respiração.

Arregalei os olhos e a minha respiração ficou ofegante. Eu comecei a me desesperar.

–Mãe! – eu chamei me levantando. – Mãe!

Eu levantei o cobertor que a cobria e vi suas mãos na barriga. Ela estava de costas para mim e virei-a para que ficasse de bruços.

–Mãe! – exclamei com as mãos na boca e me afastando da sua cama.

Havia uma faca em sua barriga. E duas mãos paralisadas a seguravam com força. Eu respirava com dificuldade e olhava para os seus olhos mortos.

Eu não conseguia acreditar no que eu via. Minha mãe estava morta.

I was left to my own devices

Many days fell away with nothing to show

And the walls kept tumbling down

In the city that we love

Great clouds roll over the hills

Bringing darkness from above

Fui abandonado à própria sorte

Muitos dias passaram devagar sem nada para mostrar

E as paredes continuaram a ruir

Na cidade que amamos

Grandes nuvens passam sobre as colinas

Trazendo escuridão de cima

Notas finais
Pois é, eu realmente acabei com vocês nesse capítulo. Ah, não me odeiem por favor. Eu tinha que fazer isso. Na realidade vocês vão entender que isso vai fortalecer o vínculo entre Astrid-Soluço e Astrid-Stoico. Tá, vocês devem estar querendo me matar, vou desviar das flechas, adagas, espadas, e tudo que vocês querem lançar em mim. De todo o caso, espero que tenham visto que a Astrid já está revelando os seus pensamentos... O link da música: https://www.youtube.com/watch?v=F90Cw4l-8NY&spfreload=10 Então, até o próximo capítulo que é muito importante. Um personagem muito fofo entrará em cena. É esse mesmo que vocês estão pensando. Beijos, Temp