A Promessa

1 Eu pertenço a você agora.


Notas iniciais
"Acho que aprendi muita coisa nesses últimos anos. Mas nunca pensei que minha vida ficaria nas mãos de uma pessoa, muito menos ela. É estranho pensar nisso, mas é a verdade."

Hoje era um dia importante, estava usando um traje de festa bege simples com meu cabelo preso em um coque imperfeito. Eu estava radiante. Com certeza chamaria atenção de todos naquela noite e estremeci com a idéia, odiava ser o centro das atenções, o que é uma ironia já que minha família é uma das que mais chama a atenção.

- Vamos? – perguntou uma voz familiar.

- Não, eu tenho minha carona. Podem indo, vejo vocês lá. – depositei um beijo calmo na testa do meu irmão, ele sorriu e acenou saindo do quarto.

Estava pensativa, era como se algo de ruim fosse acontecer. E sempre acontecia.

- Oh céus... – ouvi passos.

- O que houve?

Olhei para ela rapidamente e voltei ao espelho para ver minha expressão.

- Nada, por enquanto. Mas temo que aconteça.

- Chega, hoje é meu dia. Nada vai acontecer.

Eu a abracei com toda força e soltei a rapidamente e procurei por um pacote ao lado da minha cama e entreguei a ela.

- Presente? Eu disse...

- Abra – a interrompi.

Ela bufou e abriu com cuidado. Era um bracelete dourado com uma pedrinha azul enfeitando.

- Lembra disso? – apontei para a pedrinha.

- Como esquecer? – ela sorriu. – Mas eu disse que não queria nada.

- É ser aniversario larga de ser chata, por favor.

- Tá bom – ela bufou colocando o bracelete no pulso. – Agora vamos?

Ela estava fazendo 24 anos era estranho saber que eu a conheço desde... Sempre. Crescemos juntas, éramos praticamente irmãs, uma não conseguia viver sem a outra. Era incrível como nunca brigávamos, não seriamente.

Não demoraríamos até chegar ao salão que a família dela havia alugado, mas todos teimavam em ir de carro, então tivemos que ir também. E segundos depois me peguei pensando em como conseguimos aquela pedrinha.

“– Ei Emma, pegue essa aqui – ela gritava ao longe – e essa também. São todas lindas, não vou conseguir escolher uma só.

- Eu te ajudo a escolher. – disse impaciente

- Não, você tem um péssimo gosto. Vai acabar escolhendo a mais feia – mostrei a língua pra ela e ela fez o mesmo e nós rimos.

- Acabe logo com isso, por favor.

Me sentei em um banco de madeira que tinha ali e fiquei olhando Emma catando mil e uma pedrinhas para presentear sua mãe. Emma era dois anos mais nova que eu, por isso talvez fosse tão teimosa. Ela saltitava de um canto ao outro no meio de grande pedras procurando algo que sua mãe gostasse, mas ela não se decidia e eu cansei de esperá-la.

- Emma, saia dessas pedras, se algo te acontecer sua mãe... – ela escorregou e a ultima coisa que ouvi foi seu grito.

Eu corri até ela o mais rápido possível, lagrimas caiam do meu rosto tão rápido que eu mal conseguia enxergar.

- Vamos Nath, corra. – eu disse para mim.

Quando cheguei perto dela meu coração se quebrou. Ela estava caída e saia muito sangue, segurei o grito e puxei teu pequeno corpo com cuidado e o segurei no colo levando para alguém lugar para que alguém nos visse. Até que finalmente um moço nos viu e a levou até o hospital mais próximo e as únicas coisas que eu conseguia dizer era “Oh céus” e “Obrigada” para o moço que havia nós levado.

- Onde estão seus pais? – ele me perguntou depois de um tempo

- Em casa, provavelmente.

- Vou levá-las até depois, tudo bem?

Balancei a cabeça positivamente. Lembrei da minha dizendo “não aceite nada de estranho”, mas eu ignorei aquele pensamento rapidamente. Uma enfermeira nós chamou para vê-la e eu corri até seu quarto. Ela estava dormindo.

- Ela está bem, não é? – segurei o choro.

- Não. Ela bateu a cabeça com muita força...

- Salve a vida dela, eu te imploro.

- Não posso fazer nada querida, eu sinto muito – ela disse em pausas.

Caminhei até próximo a cama e chamei por ela.

- Emma, acorde. Se algo acontecer com você eu vou... Como eu vou ficar? Eu vou sentir sua falta. Você é a única pessoa que eu tenho Emma. Por favor, acorde. – comecei a chorar. – Emma, se você acordar eu te prometo que... Eu te prometo tudo, até viver eternamente só para você não passar pelo o que eu estou passando.

Todos se retiraram da sala pouco tempo depois e eu fiquei ali por horas. Fiquei pedindo para que ela acordasse, mas ela nem se mexia.

Nossos pais apareceram pouco tempo depois e me fizeram explicar o que havia acontecido e eu o fiz. A mãe estava em prantos e o pai sempre tentando lhe acalmar.

“Droga, isso é culpa minha” eu pensei. Eu vou arrumar isso. Eu devo.

Eu acabei adormecendo e repetindo a frase “Emma, se você acordar eu te prometo que... Eu te prometo tudo, até viver eternamente só para você não passar pelo o que eu estou passando.”

E acordei pouco tempo depois com alguém me cutucando.

- Ei Nath, sabia que você dorme de mais? – ela sorriu.

- Emma? – pulei do sofá e a abracei com toda minha força. – Eu não consigo acreditar.

- Não se preocupe, ele disse que tudo vai ficar bem agora.

- Ele? – ela apontou para um canto onde havia um garoto loiro com olhos perfeitamente azuis, ele sorriu e desapareceu. – O que acabou de acontecer? Eu ainda estou sonhando, claro.

- Não tola, está acordada. Ela é um anjo. – ela sussurrou a ultima frase – Mas o mais importante é isso, ele me deu e disse que isso vai ser importante depois. Vai entender.

Ela mostrou uma pedrinha azul e nós rimos.”

- Você está bem?

- Estou. Estava lembrando do acidente. – eu disse

- Oh, então pare. – ela se irritou

Ficamos em silencio por um tempo até que eu disse:

- Emma, não acha estranho aquele “anjo” ter te dado a pedra? É só estranho pensar que “ele te acordou, te deu uma pedra e foi embora. Fim”

- Nunca parei para pensar nisso. Olhe estamos quase chegando.

E de fato estávamos, faltava algumas curvas e estaríamos no salão. Emma virou se para mim e examinou meu rosto por completo e quando virou se novamente para a pista tinha um homem parado no meio. Ela jogou o carro para o lado com muita força, eu vi que o pior aconteceria então joguei meu corpo em cima do dela a fim de protegê-la. E o carro deslizou pelo gelo e começou a capotar. Uma, duas, três vezes. Até que eu não vi mais nada.

Ouvia choros altos e conversas, mas não conseguia reconhecer todas as vozes. Eu abri os olhos lentamente e vi meus parentes e vi meu irmão vindo até mim.

- Oi pequeno.

Ele sorriu.

- Eu vou sentir sua falta.

- Minha falta? Eu estou bem. Olhe para mim.

Ele ignorou as palavras e foi encontrar com a mamãe que estava aos prantos. Eu notei certa luz no canto daquela sala e vi o garoto novamente.

- Pode me ouvir agora? – assenti. – Otimo. Esperei tanto por esse momento.

- Pelo meu acidente? – ele estremeceu.

- Não por isso. Esperei que pudesse me ouvir, precisava ouvi-la e também queria ser ouvido.

- O que? – perguntei confusa – Não entendo.

- Você prometeu sua vida a ela. – ele olhou para Emma e só naquele momento eu a vi ali chorando – Então você vai ficar aqui, mas apenas ela poderá te ver.

- Espera, como assim?

- Você está morta.

Era por isso que todos estavam me ignorando. Eles não estavam me vendo. Eu engoli em seco esperando ser uma brincadeira e corri até minha mãe e tentei sacudi-la mas minha mão atravessou ela. Eu sou um fantasma. Eu estou morta.

- Fique calma. Ela poderá te ouvir, te ver e pensara que você ainda está aqui porque você prometeu.

- Mas, e se eu não quiser ficar?

- Você por enquanto não tem outra escolha. Você prometeu sua vida a ela.

Ele sumiu.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.