A Profecia Rafma
4 Aniquel
Notas iniciais
Eu demorei muito para postar, eu sei... Só que ultimamente anda difícil... Parece que ninguém quer ler uma história que tem 27 capítulos e uma outra continuação com agora quatro capítulos. Cada vez anda mais árduo achar inspiração e motivação para continuar, mas vou tentando e continuando, pois eu adoro essa história, por que os personagens e roteiro são meus. Não sou os mais fodas, mas são meus.
Enfim, é isso aí, fiz o melhor que eu pude.
Boa Leitura
- Eu conto se vocês prometerem que irão me libertar. – A mulher, agora em forma humana, trocava ajuda com um grupo.
O que parecia ser o líder deles, chegou bem perto da bolha e olhou fixamente para os olhos roxos da aranha. Ele tinha maquiagem em volta dos olhos e uma capa rosa que cobria todo seu corpo. A aranha até estranhou se ele não tivesse usando algum tipo de batom de cor fraca. Na capa, havia aberturas para suas mãos, onde suas unhas eram pintadas de verdes. Seu cabelo era tão indescritível, que a única coisa que lembrava eram rabiscos em um papel.
- Você é aquela coisa que nos atacou alguns dias atrás, né? — Uma segunda pessoa, logo atrás do líder, perguntou.
Ele estava encostado em uma das várias árvores ali espalhadas. A aranha se impressionou a ver que no final do seu antebraço, invés de uma mão, ele tinha uma gigante lâmina. Outra coisa que surpreendeu em ver o cara é como o braço e antebraço direito eram musculosos, enquanto seu corpo inteiro era magro. Seu braço esquerdo não chegava nem aos “pés” do direito. Tirando isso, ele usava uma regata de cor preta e uma calça jeans desgastada. O topete de seu cabelo era tão grande que chegava a ser do mesmo tamanho ou talvez maior que a lâmina que ele mantinha em seu braço.
- Sou sim. Mas vocês querem encontrar eles, não? Eu sei como esse lugar é imenso... Vocês podem demorar um longo tempo até o acharem. Se vocês prometerem me libertar, eu conto. – Após terminar o que tinha pra falar, ela olhou e percebeu que existiam mais duas pessoas atrás deles... Mas eles estavam mais longe do que o “cara da lâmina”.
- Ok. Iremos te libertar. – O líder sorriu.
O “cara da lâmina” não ficou muito contente com a ideia, mas mesmo assim, andou para frente até a bolha e a atacou com uma extrema velocidade. A aranha ficou impressionada com a velocidade que ele conseguia botar em seu braço tão pesado, sendo que ele tinha um corpo tão magro. Após o corte, a bolha continuava intacta. O “cara da lâmina” ficou impressionado. Dificilmente, algo resistia a um corte de sua lâmina.
- Vontz! Seu idiota! – O líder “infiltrou” uma de suas mãos na abertura da capa e deu um tapa nele – Nada corta uma bolha dessa. Quem fez isso com ela não estava muito a fim que ela escapasse rapidamente. Para sua sorte, eu aprendi Desleme com o maior mestre dos mestres.
O líder passou sua mão em volta da bolha e fez com que essa estourasse.
- Agora me diga: onde eles estão? – O líder puxou a moça aranha pelos cabelos.
- A cidade é diferente do que vocês imaginaram, né? – Fabio se divertia sabendo que todos pensavam nela de modo contrário.
- Eu imaginei a cidade, como se as casas fossem de frutas, o chão também... Imaginei como se fosse naquela fábrica de chocolate de Willy Wonka, só que no lugar dos chocolates, estariam as frutas. – Lucas deu mais algumas olhadas – Mas o lugar parece ser uma vila qualquer, apesar de eu não ter visto muitas vilas na minha vida.
- Ela é uma vila normal sim, mas aqui tem grande safra de frutas. É um pouco inexplicável, pois se encontra qualquer tipo de fruta por aqui. Dificilmente as árvores dão frutos iguais. Pelo que eu saiba, aqui existem até frutas diferentes. – Fabio olhou para trás, enquanto caminhava, sorrindo, parecendo ser um guia turístico.
- Tudo bem! Tudo bem! Só que o problema é que já estou cansado de ficar comendo frutas. Eu comi frutas a viagem inteira. Quero comida de verdade!
- Lembro que Salquetren e o bando dele deram uma parada nesse restaurante. – Fabio parou de andar e apontou para o estabelecimento.
- A comida daqui é boa? – Fredo perguntou o mais rápido que pode.
- Nossa, Fredo! Tenha modos! – Riu Sandra.
Fredo ficou um pouco corado, se envergonhando, e deu um sorriso constrangido.
- É... – Fabio foi interrompido por Trevor.
- Não precisas se preocupar, Fredo. Apesar do Salquetren ser quem é, estranhamente, meu pai tem um paladar muito refinado, muito... Eu não sei como explicar. Só sei que, antes, ele sempre nos dava os melhores pratos, até que matou a minha mãe e ele virou quem ele é hoje.
- Que poder estranho... Isso ajuda em alguma coisa? – Vanessa perguntou tentando entrar no assunto.
- Talvez... Em algumas ocasiões, Salquetren, quando precisava, conseguia identificar alguma coisa, degustando ela.
- Identificar algo degustando ela? – Ryan perguntou estranhando.
- É... Pedaços de objetos, por exemplo. Ele conseguia reconhecer um objeto só lambendo ele. Podia ser um fragmento pequeno, muito, muito pequeno, mas ele sempre conseguia saber o que era só lambendo. Depois de ter provado tanta coisa, deve ter criado um paladar bem refinado.
- Ainda não consigo entender como um poder desses pode ajudar em algo, mas vamos entrar? – Disse Fredo, deixando sua gula invadi-lo novamente.
Depois de algum tempo, todos enceravam a sua refeição. Todos estavam numa mesa imensa e redonda. Ryan e Hikari se curtiam um pouco, mas sem muita exibição. Erica e Fabio conversavam um com o outro, deixando Lucas totalmente irritado e desfalcado. Tentou conversar com Trevor, mas viu que Fredo conversava com ele. Desde o dia em que eles tiveram que enfrentar Laura e Nilton na Área Florestal, eles ficaram mais amigos, mais juntos. É estranho, mas era a verdade.
Sandra e Vanessa também conversavam entre si. Quer dizer, Lucas era mais próximo de Erica, mas essa dava atenção para Fabio. Era próxima da irmã, mas essa falava com a mãe. Poderia ter algum papo com Fredo ou Trevor, mas ambos se conversavam e por último um casal que trocavam palavras românticas e selinhos.
“Se for pra me matar, essa hora é perfeita!” – Olhou pra cima frustrado – Vocês não se frustram um pouco?
- “Frustram”? Com o que? – Erica desviou a atenção para Lucas.
- Não tem mais nenhum mistério a ser resolvido. Mas nada... Já ligamos todas as peças. – Nem Lucas sabia o que ele estava fazendo, mas ele queria parar de ser o único sozinho. Ele era o escolhido, caramba! Como ninguém poderia se preocupar em falar com ele.
- Do que você está falando? — Trevor também foi pra prestar atenção.
- Tudo! Descobrimos o que temos que fazer e agora já estamos aqui, procurando o amuleto.
- Mas isso é bom, bobinho! – Erica acariciou o cabelo castanho de Lucas – Já resolvemos tudo. Agora só falta irmos pra ação. Achar o amuleto e salvar o mundo. E se estamos aqui foi graças a cada um de nós. Estamos perto de acabar com tudo isso.
- Mas temos que ser rápidos, não? – Trevor se debruçou na mesa – Kulan já deve ter encontrado Salquetren a tempo. Salquetren pode até ter perdido tempo com a fuga de Fabio, mas já devem estar longe, até por que eles sabem quais são as outras cidades que devem seguir e as que não sabem, Kulan se transformará em Fabio e verá onde eles devem continuar.
- Concordo com Trevor. Devemos descansar por uma hora e continuar a caminhar de novo. – Ryan concluiu
- Isso que fizemos foi um jantar, não? – Sandra olhou para seu relógio que parecia confuso naquela realidade alternativa – Depois vai ficar de noite. Não será perigoso?
- Bom, a gente pode ir caminhando até ficar muito escuro. Aí pegamos as nossas barracas e paramos para dormir. Que tal? – Sugeriu Fredo.
- Por mim, tudo bem. – Respondeu Erica e logo todos concordaram.
- A gente vai achar esse amuleto antes de Salquetren! Somos um excelente grupo! A gente irá conseguir! – Lucas se levantou da mesa pegando seu copo e o levantou até a altura da sua cabeça – A gente fará disso o melhor que pudermos.
- Boas palavras, escolhido. – Fabio demonstrou orgulhoso com a convicção de Lucas.
“Estranho... Pareceu que ele fez uma ironia, mas demonstrou que ele está mesmo achando que estou certo a dar esse apoio ao grupo. Será que ele...” – Pensou o observando – “O jeito como ele fugiu, prevendo que isso traria atrasos para Salquetren, ele até roubou um mapa. E o jeito como ele ficou sabendo de tanta coisa, o jeito como ele nos levou até aqui... Ele... Ele ficou maduro! Muito mais que eu ou a Vanessa... Talvez até mais que o Fredo. Ele está tão maduro quanto Trevor ou Ryan.”
Então, Lucas se pôs a observar Ryan e logo após Trevor.
“Eles sempre parecem saber o que fazer, sempre parece ser tão... Isso lembra o jeito que Trevor não teve medo de enfrentar Salquetren no SSMM ou como Ryan perdeu quatro anos numa floresta treinando. Ele é incrível usando aquela Tringin. E Fabio está virando um deles. Ele parece ter se esquecido completamente da nossa rivalidade sobre a Erica. E a Erica também é muito maduro, apesar de estar confusa... Acho que ela está ficando a fim do Fabio. Não! Espera! Eu que estou confuso! Isso tudo está me afetando! O Trevor é lógico, Ryan é lógico, Fabio está ficando lógico... Eu sou inferior a eles. Aquela aranha poderia ter consumido toda a minha energia, só pelo fato de eu ter corrido atrás da minha mãe e irmã, e me distraído. Eu ando inseguro a cada situação que isso acontece. Eu estou sendo muito emocional e menos... menos lógico.” – Lucas olhou para todos em pé e terminou olhando fixamente para Fabio. Esse notou Lucas o olhando – Que bom que temos você de volta, cara. – Lucas deu a mão para Fabio e esse o cumprimentou.
- Obrigado, “líder”!
Todos brindam com seus copos.
- Até o amuleto! — Erica sorriu para todos, terminando de olhar para Lucas e piscou para ele.
Lucas sorriu e também retribuiu a piscada.
Um garçom velho, de barba branca e um pouco baixinho, andou pelos corredores de madeiras até chegar à mesa deles. O restaurante era todo de madeira e com alguns quadros com os pratos que aquele estabelecimento fazia.
- Desculpe, eu não pude deixar de ouvir. Vocês estavam falando do amuleto do Nian? – Perguntou franzindo a testa.
Vanessa sentiu repulsa pelo cheiro do velho que tinha parado perto da sua cadeira.
- Ah... Sim. – Respondeu Fredo – Desculpe se a gente falou muito alto. Prometemos não fazer mais nenhum barulho.
- Não é por isso que eu vim aqui. – O velho deu uma olhada para cada um – Vocês estão resolvendo roubar o amuleto do museu?
- Não... Não é isso. Quer dizer, a gente precisa do amuleto por necessidade e não por vontade de roubar pra conseguir algum dinheiro sobre ele.
- Vou contar algo pra vocês: desde que esse amuleto veio pra cá, no museu Stephen Catarine, muitos quiseram roubar o objeto, mas ninguém até hoje conseguiu. E essas pessoas que tentaram, não queriam o amuleto pra dinheiro... Pra que dinheiro se pode se ter o poder dele? Até hoje, ninguém sabe mesmo o verdadeiro poder que o amuleto possui. Talvez, os únicos que soubessem era Nian e Salquetren.
- Você sabe sobre Salquetren usar o amuleto? – Trevor ficou surpreso.
- Sim. Foi uma história que passou de geração a geração por minha família e muitos conhecidos meus.
- Então, quando Salquetren tinha o amuleto ele também aterrorizou esse mundo. Eu pensei que tinha sido só no planeta Terra. – Trevor ligava os “pontos” da história.
- Salquetren dizia que o Mundo Paralelo era o único “lugar” que teria mais recursos pra enfrentar ele de igual pra igual. Por exemplo, vocês devem ter vindo do planeta Terra. Os humanos têm uma boa inteligência e conseguiram ser dominantes, mesmo existindo criaturas mais fortes e selvagens como os da savana. Mas isso tudo foi conquistado com “força VS força”. O homem sabia que numa luta contra um leão, por exemplo, ele não teria chance. Mas usando outras formas, ele acabou juntando força de outro jeito. Como um muro por exemplo. Dificilmente, um leão vai conseguir ultrapassar um muro de concreto, mesmo sabendo que o humano está logo após ele. Essa foi à força que o ser humano conseguiu criar pra ser dominante. Uma força física. Agora de onde Salquetren veio, era algo muito maior. Muito maior que só a força física. Existia a magia, algo que nenhum ser humano teve que se preocupar em ser inteligente o suficiente pra deter, digamos assim. Já o Mundo Paralelo, desde o seu nascimento e criação de sua história, a magia sempre esteve presente. Coisas anormais, magia negra, poderes com golpes simples, força física extremamente fora do comum... São algumas poucas coisas que esse mundo sempre teve. A um ataque de Salquetren, aqui seria o mundo mais preparado que o planeta Terra.
- Salquetren pode ter descoberto sobre o Mundo Paralelo, na época em que dominou a Terra, aí veio pra cá pra também dominar todo esse território. Minha irmã deve ter derrotado ele por aqui. E também explica o fato do amuleto estar guardado em um museu desse mundo e não na Terra. – Erica ficou impressionada em como as coisas tinham se ligado mais ainda.
- Voltando só um pouquinho, o que o senhor quis dizer com muitos tentaram, mas não conseguiram roubar o amuleto? – Ryan perguntou agora dando mais interesse na história e Hikari também se colocou a presta atenção.
- Em todos os casos o museu Stephen Catarine é um museu comum, com obras-primas, quadros, estátuas, esculturas... Existem até mais coisas do planeta Terra do que do nosso próprio mundo. Estudamos bastante a sua cultura e seus modos. Não gosto muito da raça humana, mas vocês são legais.
- Que bom que pensa assim, eu acho. – Vanessa deu um sorriso forçado e bebeu um pouco do suco de abacaxi misturado com laranja pra ver se esquecia do odor do velho.
- Enfim, o museu é todo organizado em setores. Ao total são três. Existe o setor paralelo que é de base no nosso planeta, o setor humano ou Terra que é em base em vocês e existe um terceiro setor que poucos conhecem: O setor inexistente.
- “Setor inexistente”? – Perguntou Lucas, raciocinando – É lá que fica o amuleto?
- Exato! E os acessos para esse setor nem os próprios funcionários têm. O único que pode entrar lá é o dono do museu e em caso de ausência do tal, o gerente, a única pessoa que também tem o acesso consegue entrar.
- Mas se o nome dele é inexistente é por que ele... Sei lá! Não existe?
- Não é que ele não exista. É um setor que não é encontrado facilmente. O museu não chega a ser tão grande, apesar de ter dois andares. Mas esse setor é tão bem escondido que fica difícil tentar achá-lo... Muitos que vieram a tentar roubar o amuleto, demoraram quase um mês tentando descobrir onde ficava localizado o setor.
- Mas se o amuleto fica nesse setor que só duas pessoas têm acesso, como o amuleto está em exibição? – Ryan perguntou intrigado.
- Holograma. Eles não iriam correr o risco de perder algo tão importante.
- E como você sabe da existência do setor inexistente? Reparando, a frase ficou estranha. – Sandra ignorou a observação e se concentrou. Ela não ia com a cara do velho.
- Eu já tentei roubá-lo. Na época, eu era bem infantil. Colocaram uma pilha em mim sobre roubar o amuleto e ter poder, ter dinheiro e não sei mais o quê! A gente demorou duas semanas para descobrir onde ficava localizado o setor. Aliás, a gente teve conhecimento do setor por causa de um integrante do nosso grupo. Ele era da raça Iandi. Os seres da raça Iandi tinham um grande alcance de escuta. Era tão impressionante esse poder que às vezes ele conseguia escutar conversas que aconteciam da Terra. Uma vez, ele conseguiu ouvir a conversa que o dono na época, que é o mesmo atualmente, tinha falado sobre o setor com o gerente. Aí bolamos todo um plano para tentar achar o setor inexistente, invadi-lo e roubar o amuleto.
- Mas e quando acharam o setor? O que vocês fizeram?
- Quando entramos no local, ele era divido em várias alas. Fomos procurando em todas as alas e quanto mais procurávamos, mais coisas estranhas aconteciam. Até que vimos que aquilo tudo era uma armadilha. Foi aí que notamos que, o dono e o gerente não tinham o acesso único ao setor, mas eram os únicos protegido contra armadilhas do lugar. Não era o mesmo que a gente. Não sei até hoje o que o dono e o gerente fazem para estarem completamente escondido naquele local, só sei que eles nunca tiveram problemas ali. Todos os outros do grupo morreram, mas eu consegui me salvar, já que não fui tão longe assim da saída do setor. Até hoje, faço a mínima ideia de como morreram.
- Sinto muito. – Lucas encarou os olhos cansados do velho – Obrigado por todo o aviso, mas precisamos ir até lá. Tudo necessita disso.
- Você... – Saiu de perto de Vanessa que agradeceu a Deus e chegou mais perto de Lucas e esse teve a impressão de que o velho estaria o cheirando – És o escolhido! – Disse impressionado.
- Como você sabe? – Erica perguntou se surpreendendo.
- Na história que eu ouvi, a escolhida, a que deteu Salquetren, tempos atrás, também teve uma conversa assim com uma pessoa, tentando a fazer desistir de impedir algo que era dito impossível. Após ouvir toda a história dessa pessoa, ela se virou e disse pra ele: “Obrigada por todo o aviso, mas irei até lá. Tudo necessita disso.” E na história, ela cheirava a aquinel.
- “Aquinel”? – Agora foi à vez de Fabio perguntar surpreso.
- É um cheiro adquirido por pessoas muito fortes e corajosas. A última vez que senti isso foi de Salquetren.
- Que estranho... – Lucas cheirou seu braço e sua camisa – E é um cheiro ruim? “Eu não pareço estar fedendo...”
- Não. Pelo contrário, é um cheiro de vitória, de bondade, de astúcia... São poucas as pessoas que conseguem sentir esse cheiro. Geralmente, quem consegue sentir esse cheiro são privilegiadas. Diz à lenda que quem conseguir sentir o aniquel em alguém terá uma morte tranquila e uma vida melhor depois dessa. Mas é claro que é só uma lenda. Não sei se é verdade.
- “Vitória, bondade, astúcia”? Tem certeza que Salquetren também cheira a isso? – Fredo perguntou, tentando juntar essas virtudes ao vilão.
- Tem sim, mas parece que ele foge do que ele devia ser.
- Como assim? – Trevor perguntou se lembrando de alguma vez alguém ter falado sobre seu pai ter o aniquel.
- Todos que possuem esse cheiro são boas pessoas, guerreiros astutos e sempre com fins bons... Enfim, parece que Salquetren não optou esse lado. – Olhou para o chão, parecendo triste.
- Só voltando ao assunto de antes – Ryan mudou a conversa para não ficar muito dramática – Onde vocês encontraram o setor inexistente? Seria legal puder nos falar. Seria de grande ajuda.
- Não adianta. O setor inexistente se desloca para outro lugar no museu com a escolha do dono. E como chegaram a existir vários roubos, então o setor deve ter mudado de lugar várias e várias vezes.
- Entendo. – Ryan concordou um pouco frustrado.
- Mas então, gente, vamos indo? Agora que já comemos e descansamos, seria melhor andar, não? Daqui a pouco começa aquela chuva e irá nos atrapalhar por uma hora inteira e não podemos deixar Salquetren chegar mais perto. – Erica se levantou determinada.
Todos concordaram, colocaram suas mochilas nas costas novamente e foram pra fora do restaurante, menos Lucas. O velho quis falar com o escolhido pessoalmente.
Erica até se preocupou em ficar junto, mas foi Lucas mesmo que pediu para ela ficar fora.
- Olha, meu jovem, eu sei que com onze anos a responsabilidade que você tem é grande e sei que parece tudo tão assustador e difícil. A pressão... – Suspirou — Ter que mostrar para todos que você irá conseguir. Só não esconda suas fraquezas. Por que é mostrando elas que você conseguirá respostas para se tornar mais forte.
- Obrigado, Sr...?
- Sr. Rastheim.
- Ah... Ok. Eu darei o melhor de...
Antes de Lucas terminar a frase, ele se sentiu tonto e se segurou numa cadeira para não cair.
- O que está acontecendo? Você está bem? – O velho o apoiou, ajudando ele a sentar na cadeira.
Os clientes dos lugares ficaram olhando para Lucas com curiosidade. Parecia que ali não era tão diferente que os humanos. Quer dizer, pelo menos em relação à curiosidade.
- Escolhido? Liguem para a emergência! Acho que ele irá desmaiar!
- Não! Não precisam chamar! Eu só tive uma mensagem!
- “Mensagem”?
- É! Isso me dá informações de coisas que irão acontecer ou de coisas que podem me ajudar, enfim... Eu sempre fico tonto quando isso acontece.
- E que mensagem é essa?
- Eles estão vindo! – Lucas limpou seu suor com a manga da camisa – Eles estão perto! Eu tenho que avisar os outros!
Notas finais
Prometo não demorar mais tanto na próxima vez @.@"
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