Notas iniciais
Espero que gostem!

– Está decidido, John Campbell ganha à guarda de Sophia. Caso encerrado!

Meu mundo pareceu desabar, e eu realmente não soube como reagir. Não é que eu odeie meu pai, mas minha vó é a única lembrança boa que ainda me resta dos dias felizes que passei ao lado da minha mãe. Talvez ela seja a única coisa boa que ainda me reste. Nunca tive com quem desabafar a não ser ela, já que meu pai foi embora de casa logo que nasci, alegando que fora traído e que eu não era filha dele. Contraditório, não? Anos depois de me abandonar, faz de tudo para me tirar da minha vó. Enfim, nunca imaginei que iria morar com ele depois de tanto tempo, para falar a verdade, a única vez que o vi é quando ele veio me visitar, cinco anos atrás.

– Vamos Sophia, você vai perder o voo. – Aé, esqueci de mencionar que meu pai mora do outro lado do país.

– Já estou indo. – Desci as escadas, onde encontrei minha vó me esperando. Irei sentir tanta falta daquela velhinha.

Assim que me despedi dela e dos poucos amigos que eu tinha, fui para o aeroporto. Já viajei inúmeras vezes, mas nunca me senti tão emocionada ao entrar em um avião. Eu sei, estou sendo um pouco dramática, mas vai saber quando vou voltar àquela cidade de novo. Quando vou poder abraçar a mulher que me criou e que eu tanto amo mais uma vez.

Devo ter dormido assim que o avião decolou, até porque se eu ficasse acordada, provavelmente acabaria vomitando e desmaiando depois. Vamos dizer que eu não me dou muito bem com altura

Após seis horas de voo, e de sono também, desci na sala de embarque e me lembrei que meu pai havia dito que um dos meus irmão postiços iria me buscar. Agora só me falta saber quem é a criatura.

– Sophia? – Uma mulher que aparentava ter uns quarenta e poucos anos segurava uma plaquinha com meu nome.

– Sou eu. – Abri um sorriso, por educação. – Você é?

– Meu nome é Clara, sou a babá dos seus irmãos.

– Opa, opa! Eles não são meus irmãos! Nem filhos do meu pai eles são, e, pelo que eu saiba, eles são maior de idade.

– Ah, me desculpe, e só um deles é. O outro tem apenas dez anos. – Só agora fui ver que um corpinho magricelo se escondia atrás do dela. – Venha Pedro.

– Então você é o Pedro? – Ri, ele realmente é muito fofo.

Conversamos um pouco sobre minha nova cidade, minha nova “família”, que por sinal não parecia mais ser tão ruim assim. Clara tinha seu próprio carro, então não precisamos pegar um taxi. Fiquei boquiaberta ao chegar a minha futura casa, ou melhor, mansão.

– Ninguém mencionou que meu pai tinha virado um milionário de uma hora para outra. – Ironizei.

– As coisas mudam queridinha. – Tive vontade de vomitar tudo o que havia ingerido durante toda minha vida ao ouvir aquela voz repugnante.

– Menos essa sua cara de vadia, não é Joanna? – AHA, um a zero para Sophia.

Joanna, minha madrasta, é a pessoa mais nojenta de quem já ouvi falar.

Dei de ombros para a piolho de cobra e entrei na casa. Pedro me levou até meu quarto, e nossa, ele era realmente perfeito. A parede onde uma enorme cama ficava encostada era preta, enquanto as outras três eram de um branco fosco, perolado. Em um dos cantos do quarto ficava uma mesa de vidro repleta de livros e um computador. Do outro, três portas com quase o dobro do meu tamanho davam lugar ao closet, banheiro e uma sacada.

– Impressionada? – Uma voz rouca surgiu em meio minha mente fascinada.

– Ah, oi pai. Como anda? — Tentei parecer simpática.

– Bem, e você? – Acho que aquilo foi uma pergunta retórica, já que ele sabia muito bem que eu não queria me mudar para cá.

– É, vou indo. – Forcei um sorriso torto. – Tudo isso é para mim?

– Sim, quero que fique à vontade. E em relação à Joanna, espero que faça o possível para se dar bem com ela.

– Ah, claro. Desde quando posso me dar bem com vadias? Qual é!

– SOPHIA! Olha, e- eu não quero brigar com você. Qualquer coisa estou no escritório. – Ele saiu batendo a porta. Bufei.

Ajeitei uma parte das minhas roupas no closet que estava mais para outro quarto, de tão grande que era. Devido à exaustão da viajem, mesmo que eu tenha dormido o tempo inteiro, decidi me embolar naqueles lençóis de seda e terminar a arrumação no dia seguinte.

***

Acordei com o barulho de alguém colocando fogo na casa. Desci as escadas correndo, mal me importando com o pijama super curto e apertado. Quando entrei na cozinha vi que Pedro estava praticamente surtando, enquanto outro ser tentava apagar o fogo da pia. Quem é que consegue colocar fogo numa pia?

– Mas que porra ta acontecendo aqui? – Berrei.

– A GENTE VAI MORRER NECROFIADO! – Pedro só sabia piorar a situação.

– Necrofiado Pedro? Que diabos significa isso? – O ‘ser’ que estava tentando resolver o pequeno incidente se virou, me olhando de cima em baixo.

– Significa que vocês são dois imbecis que não sabem usar um extintor de incêndio. – Retruquei, mas antes de poder agir as chamas já tinham sumido. Aqueles olhos azuis, acompanhados daquele belo par de braços ficaram me encarando.

– Então, o que vai ser do meu café da manhã? – Só mesmo Pedro para quebrar o silêncio.

– A- an – Gaguejei, aquele ser estava tirando meu fôlego. – Se quiser posso fazer ovos mexidos pra você. Prometo que vai ficar bem gostoso.

– Se for melhor do que os do Leo, ta de bom tamanho.

– Quem é Leo? – Sim, eu sou muito lerda.

– Eu sou Leo. – O deus grego em pessoa sem pronunciou, abrindo um sorriso magnifico. – Sou irmão do Pedro.

– Ata. É, eu vou me trocar e já venho já venho fazer o café. – Disse sem graça, lembrando do meu pijama indecente.

Subi nervosa. O que era aquilo lá em baixo? Nunca vi homem tão bonito fora da televisão. Troquei-me rapidamente e fui fazer os benditos ovos.

– E ai, o que acharam? – Perguntei quando já estávamos todos sentados na mesa, saboreando minha gororoba.

– Ficou muito bom. – Comemorou Pedro. – Muito melhor do que as comidas dessa inutilidade.

Leo ergueu as mãos em sinal de rendição, rindo.

– Já que eu fiz o que comer, você ficam com a louça.

Os dois pigarrearam, mas no final aceitaram. Senti no sofá e fui brincar de trocar de canais. Peguei no sono.

– Você só sabe dormir, é? — Leo sentou-se, me acordando.

– E você, só sabe encher o saco? — Brinquei.

– GENTE! — Pedro veio correndo do quintal. — Eu estava brincando no chão, e do nada um diamante saiu da terra! Olhem, olhem! — Ele esticou a pedra reluzente para nós.

– Além de uma mansão, uma mina de diamantes. Ow!

– Pedro, posso falar com você um pouquinho?

– Claro Leonardo Mandão.

Os dois subiram, e eu fiquei lá, olhando para o nada.

****

P.O.V Leonardo

– Pedro! Já expliquei umas mil vezes garoto!

– Desculpa Leo, mas que saco! Tenho poderes, sou filho do deus do submundo e não posso mostrar para ninguém?

– Eu sei que é difícil, mas você tem ideia do quanto você pode ter assustado Sophia?

– Vou falar para ela que foi uma brincadeira...

– Acho bom, logo logo vou te levar para o acampamento, mesmo contra a vontade da mamãe. — Já estava com o pé na escada quando ouvi Pedro resmungar.

– Leo... Se você é filho do- an- de

– Poseidon. — Continuei.

– E eu de Hades, nós não somo irmãos, somos?

– Somos sim, nossa mãe é a mesma, então somos.

– Ele namorou os dois?!

– Por incrível que pareça, sim, namorou.

– Hm, bom, tanto faz. E tem mais uma coi... — Pedro foi interrompido pelos gritos de desesperados que vinham do andar de baixo. Arregalei os olhos e corri para ver do que se tratava.

****

P.O.V Sophia

– SOCORRO! — Desviei de mais uma das centenas de pedras que a criatura arremessava.

– Não adianta gritar, semideusa idiota!

Vamos recapitular, eu estava sentada no sofá enquanto os dois irmãos conversavam sobre o mais novo achado de Pedro, quando, do nada, ouço uma das portas se estilhaçar no chão.

Notas finais
Comentemm, deixem a opnião de vocês!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.