A Prisioneira

1 O Diário de Campo - Cap. 1


Jamais imaginei que levaria tão a serio um dos meus trabalhos como pesquisador.

Na verdade, estava prestes a conhecer o lugar mais distante e pacato te toda terra. Pela aparência do lugar, se era mistério que queria era o que iria ter por muito tempo.

Não esperava morrer tão cedo, mas logo na chegada dormi ao volante e já estava saindo da estrada quando acordei. O ambiente era completamente diferente do que estava acostumado, não era possível ver o sol pela janela do carro, ate o ar me dava sono. Quando sai da rodovia principal passei por um caminho longo e cinzento (o que explica o nome da cidade), mas fui desperto pelo monumento na entrada da cidade que dizia: “Grayville a cidade dos seus sonhos” num tom de preto e cinza com vários desenhos estranhos por todo o arco.

O centro da cidade era repleto de casas velhas, bem parecidas com cabanas do século XVIII, uma casa grande que com toda certeza era do homem mais rico da região, próximo a ela havia uma igreja simples e bonita. Deveria ser bem difícil morar ali, mas as pessoas pareciam acostumadas com os dias frios e as noites mais iluminadas pela luz do luar.

Fui recebido pelo Xerife mais ranzinza e arrogante que já conheci, embora nunca tivesse conversado um com antes. A única vez que vi um xerife foi num filme de faroeste, quando era adolescente. Nem tive tempo suficiente para descer do carro quando ele perguntou:

– O que trás você aqui, meu rapaz? — Com um tom ameaçador.

– Estou viajando a trabalho. — Respondi depressa para não parecer mentiroso.

Não me recordo de ter feito algo errado para ser preso, ainda mais por alguém como ele. Só teve aquela vez que peguei uma laranja na barraca da Srª Vanda. Eram as melhores que já comi, mas só tinha 13 anos, então aquela vez não contava como roubo. Acho que foi a ultima pelo que me lembro.

Ele continuou a dizer:

– Trabalho? – Ele cuspiu um bolo de fumo. – Então seja bem vindo a minha cidade, me chamo Estácio e mantenho a ordem por essa região. –me advertiu com um sorriso irônico. – Vou estar de olho em você!

– Prazer, Jonathan ao seu dispor! – Responde sorrindo, imaginado como seria engraçado fugir dele com a laranja na mão.

Percebi que Sr. Eustácio não tinha muito que fazer, então procuraria um criminoso em todos os forasteiros que passassem pela cidade, mas no fundo ele só queria viver uma aventura, e nem se dera conta que já estava em uma. Sr. Eustacio estava acompanhado por suas filhas, as trigêmeas mais estranhas que já havia encontrado. Então me disse que seus nomes eram: Margarida, Rosa e Violeta. Moças bonitas que me olhavam como se nunca tivessem visto um homem antes, não um como eu; estava um pouco queimado do sol (parecia um bife mal passado) e nunca fui tão alto quanto os ingleses. Deixaram-me envergonhado.

As meninas eram engraçadas, a primeira que se chamava Margarida, tinha cabelos loiros de olhos azuis, parecia tímida e um pouco desajeitada; pois deixo cair duas vezes a toalha de suas mãos e na terceira vez a toalha estava molhada. A segunda era Rosa, uma ruiva que da forma como se movimentava, lembrava-me uma cobra saltando beijos por trás de seu pai parecendo bem assanhada. Violeta era a terceira irmã, segurava um livro do “Moby Dick” e usava óculos bifocais, mas o engraçado eram seus cabelos azuis.

– Olá, Jonathan! – Elas disseram ao mesmo tempo.

Então acenei com um sorriso, sem graça e me afastei. Já fazia três anos que não sorria de verdade, após a morte da minha esposa. Emily era o nome da única mulher que amei em toda minha vida, ela me deixo num acidente de carro, mas seu corpo nunca foi encontrado. Sonho com ela todas as noites e às vezes quero acreditar que ainda esta comigo de alguma forma.

Não sei quais historias essa cidade trás, mas a igreja parecia vazia, o padre deveria ter ido à outra cidade, pois beatas rezavam sozinhas lá dentro. Decidi parar para investigar, mas quando cheguei à porta vi plantado no chão da casa ao lado uma linha de cogumelos. Lembrei-me da lenda sobre os círculos de cogumelos servirem para proteger as casas de coisas ruins.

Continuei andando e na entrada da igreja havia uma placa dizendo: “Em paz me deitarei e dormirei, porque só tu, Senhor, me fazes repousar tranquilo” Salmos 4-8. Duas beatas vieram ate mim, e perguntaram se eu seguia os mandamentos de Deus, mas tudo que fiz foi questionar:

– Onde estava o padre? Elas responderam com os olhos arregalados.

– Ave Maria, nem queria saber! – Ofegou.

– Ele foi exorcizar uma menina, na cidade vizinha, coitada uma pobre pecadora. – A outra se benzeu.

As mulheres pareciam com personagens de filmes chatos, aonde as fofoqueiras sempre vem em dose dupla, uma gorda e há outra muito magra.

Observavam-me quando o Xerife se aproximou, então de repente começaram a discutir como se não estivesse presente. Elas Conversavam sobre a esposa do Xerife, mas tudo que ouvi foi uma afirmar que a mulher morreu e a outra que teria fugido com outro homem. Sai devagar enquanto estavam distraídas.

Na saída da igreja avistei no meio da cidade uma arvore solitária que me deixou deslumbrado. Espero que nunca cortem aquela arvore, porque é a única coisa que ainda deixa aquela praça viva. Não parecia inverno, pois a arvore continuava com suas folhas resistindo ao frio.