A Princesa e a Demônio
10 Capítulo 9: Eu estou atrás de você
Notas iniciais
Capítulo 9: Eu estou atrás de você
Kokoro estava em seus aposentos quando a porta foi aberta sem ninguém bater, por ali passou Nozomi com suas cartas de tarô em mãos, a morena observou a bruxa fechar a porta com cuidado.
– Acho que você pode enganar a Umi e a Elichi, mas a mim não, Nococchi. – Nozomi murmurou fazendo Kokoro a olhar assustada.
– Não sei do que você está falando! – A morena respondeu na defensiva
– Claro que sabe, e sabe também que não pode enganar as minhas cartas e nem a mim, Nicocchi. – Nozomi declarou ainda sorrindo.
– Eu não sei do que você está falando... – Kokoro respondeu na defensiva. – Eu não sou essa tal de Nico, ou Nicocchi que todos acham que eu sou, me chamo Sasahara Kokoro. – A garota afirmou olhando para seu reflexo no espelho.
– Sasahara Kokoro né... – Nozomi deu um leve sorriso. – Essa é a carta dela. – A bruxa então puxou a carta de uma caveira com um manto e capuz negros segurando uma foice.
– O que quer dizer com isso? – Kokoro perguntou.
– Pode dizer a verdade para mim. – Nozomi disse por fim.
– Não há nenhuma verdade há ser dita, agora, por favor, se retire. – E então a morena começou a empurrar a outra para fora de seu quarto.
Kokoro fechou a porta de madeira e girou a chave para trancá-la, se encostou na madeira e deixou seu corpo escorregar, soltou um longo e pesado suspiro, teria que se acostumar com isso.
– Pelo menos estou de volta... – A morena murmurou para si mesma. – Nozomi e suas cartas de tarot... Isso não tenho como enganar. – Então a garota se levantou e caminhou para frente do espelho. – Kokoro né... – Ela murmurou cansada.
~*~
– Kokoro, o que aconteceu com seu rosto? – O rei perguntou, estavam tomando café da manhã e Maki tinha pedido que a acompanhasse.
– Eu me cortei com alguns cacos, mas não é nada. – A garota respondeu colocando a mão sobre o curativo na bochecha.
– É lastimável que tenha machucado um rosto tão bonito. – Anju disse olhando para Kokoro, Maki apertou com força o garfo em sua mão.
– Kokoro precisa cuidar melhor de si mesma. – A rainha sorriu para a empregada.
Também reparei que suas mãos não são de alguém que só faz os afazeres domésticos, é como se tivesse segurado uma espada por anos a fio. – Anju mais uma vez provocou.
– Eu nunca tive um trabalho tão fácil como o de agora, senhorita. – Kokoro respondeu.
– Pode começar a me chamar de senhora, pois logo eu serei uma senhora, quando me casar com a Maki chan. – Maki então se levantou de sua cadeira batendo com força com as palmas da mão na mesa
– Maki? – A rainha olhou assustada para a ruiva.
– Perdi o apetite. – A garota resmungou. – Kokoro quero dar um volta pelo castelo, você me acompanha? – Pediu para a morena.
– Se for sair do castelo seria melhor eu te acompanhar. – Anju disse se levantando.
– Melhor é eu ir estudar no MEU quarto então. – A princesa frisou bem o pronome possessivo antes de começar a andar.
– Ainda quer que eu te acompanhe Hime Sama? – Kokoro perguntou.
– Claro, sua companhia me deixa mais calma. – Maki respondeu.
– Com licença. – Kokoro ergueu sutilmente seu vestido antes de ir atrás da princesa.
Kokoro abriu a porta do quarto para Maki poder entrar, deu passagem para ruiva antes de entrar em seguida pedindo licença.
– Nozomi me disse uma coisa, Kokoro. – Maki murmurou. – Venha aqui. – Pediu estendendo a mão, relutante a morena segurou a mão que lhe fora estendida.
– O que a Nozomi san te disse? – Kokoro perguntou se aproximando da princesa.
– Nico chan... – Maki murmurou antes de selar os lábios da morena. Os olhos vermelhos se arregalaram pela surpresa. – Eu sei que é você, não minta para mim, seu corpo, seu cheiro, seu calor, seus toques... – A princesa murmurou puxando a outra para perto.
– Deve estar havendo um engano, princesa. – Kokoro murmurou, Maki olhou para a face da morena, ela estava chorando. – Eu não sou Nico, pelo menos não mais. – A princesa deu um sorriso amargo. – Não mais... – Murmurou novamente.
– Por que? – Maki perguntou franzindo o cenho.
– Nico prometeu que nunca mais voltaria, mas não pode ficar longe de você, Maki chan, então um casal encontrou a Nico e lhe deu o nome da falecida filha. – Explicou em um sussurro.
– Não fala mais nada... – Maki pediu beijando os lábios da menor. – Mesmo que sejam frases bonitas de se ouvir, não quero escutar. – Murmurou.
– Mas você me pediu um porque. – A morena afirmou.
– Só me interessa que você está aqui comigo. – A princesa abraçou o corpo da morena com mais força. – Apenas isso. – E então selou mais uma vez os seus lábios.
– Maki chan... – A morena respirou fundo para tomar coragem. – Não sei o que aconteceu comigo, mas certamente eu te amo. – Afirmou beijando rapidamente o pescoço da princesa.
Então os ouvidos aguçados de Nico ouviram passos, com gentileza escapou dos braços de Maki se afastando rapidamente, a ruiva notando as ações da morena sentou se rapidamente em sua cama.
– Os livros estão na minha mesa. – Maki apontou para a mobília.
Quando a porta foi aberta era Anju, ela viu a empregada pegando alguns livros na mesa para trazer para Maki, seus olhos vagaram de uma à outra tentando achar algum vestígio, algo que indicasse que elas estavam tendo algum tipo de relacionamento proibido, e assim poder destruir aquele odioso reino.
– Ainda acho que é melhor a Hime Sama estudar na mesa. – A empregada murmurou.
– Você! Se a Maki chan quer estudar na cama ela vai estudar, não tem que ficar falando o que acha ou deixa de achar. – Anju ralhou. – Agora dê o fora daqui. – Apontou em direção do corredor.
– Kokoro está aqui para me servir, então a única que pode dizer para ela o que deve ou não fazer sou eu. – Maki disse claramente desafiando as ordens de Anju e sua autoridade.
– Eu fui contratada para servir e Hime sama então... – Nico murmurou.
– Não! Você foi contratada como camareira e cozinheira, e não como servente única e exclusivamente da Maki chan. – A cavaleira disse irritada.
– Eu sou a princesa desse reino, acha que pode mandar nos meus empregados? – Maki perguntou cruzando os braços na frente do peito.
– Eu sou sua noiva, e isso me dá o direito. – Anju respondeu.
– Mas não dá o direito de passar por cima das minhas ordens, Kokoro vai ficar aqui comigo até segunda ordem. – Maki disse batendo o pé no chão.
– Sua! – Anju então ergueu a mão para socar Maki, Nico então empurrou a princesa se colocando na zona de ataque e recebendo o golpe no outro lado do rosto, sangue espirrou no vestido de Maki pelo segundo golpe que atingiu o rosto de Kokoro.
– Kokoro! – Maki gritou se aproximando da garota que estava caída. – Hey, você está bem? – Perguntou vendo a abrir os olhos vermelhos.
– Seu vestido, Hime sama. – Nico apontou para a mancha de sangue nas vestes caras da princesa.
– Não se preocupe com isso. – Maki disse calmamente. – E você Anju, saia do meu quarto imediatamente! – Ordenou.
– O que está acontecendo aqui? – O rei se aproximou com Tsubasa, a rainha e Erena.
– Anju tentou me bater e a Kokoro entrou na frente. – Não tinha como Anju escapar dessa agora, suas mãos estavam sujas de sangue e Nico estava caída.
– Tsubasa hime... – O rei murmurou irritado. – Pegue as suas duas cavaleiras e saia desse país imediatamente! – O homem ordenou.
– O que...? – Tsubasa olhou assustada para o rei.
– O senhor sabe o que pode acontecer com essa sua escolha. – Erena o lembrou.
– Karin, chame a Eli e a Umi! – O rei ordenou a uma empregada que estava com eles.
– O que quer chamando elas? – Anju perguntou com um sorriso debochado nos lábios.
– Vocês disseram que se não aceitarmos esse noivado iriam dizimar o Vale das Flores de Cerejeira não é? Pois bem! Voltem correndo para o reino de você e tentem se quiserem! – O homem respondeu assustando Maki.
– Não precisa fazer isso, meu senhor. – Nico disse se sentando no chão. – Há pessoas demais que pagariam sem ter culpa. – A morena disse preocupada. – Além disso eu não vou morrer por esses socos, e eles não tingiram a Maki Hime. – Apontou.
– Quieta, Kokoro! Não a atingiram porque você a protegeu. Eu agradeço por isso, mas peço que não se meta nas minhas decisões! – O homem foi duro.
– Papai, os moradores do reino! – Maki disse preocupada. – Eles não podem sofrer por minha causa! – A princesa argumentou.
– Eles amam sua princesa e certamente não aceitariam que ela se casasse com alguém que teve a ousadia de tentar machuca-la. – O rei respondeu serio.
– Você só pode estar brincando. – Tsubasa afirmou assustada. Achava que o rei fosse mais prudente, mas não era isso que estava parecendo.
– O senhor nos chamou? – A capitã perguntou tentando recuperar o folego, logo atrás de si estava Umi, estava com seu arco e flecha em mãos, estava treinando quando fora chamada.
– Escolte essas senhoritas para fora do nosso reino. – Ele pediu sem olhar.
– Mas o que foi que aconteceu? – Eli perguntou sem entender o que estava acontecendo ali. Então seus olhos se prenderam na figura de Nico com o rosto ensanguentado, provavelmente fora obra de Anju.
– Kokoro... – Umi murmurou vendo a garota.
– Vamos! Ouviram a ordem do rei! – Eli disse seriamente. – Tem meia hora para arrumar suas coisas e partirem, mas terão que voltar andando, não há veículos para traidores ou então agressores reais. – A loira estava visivelmente irritada.
– Não estou ligando para essas ordens! – Anju respondeu e caminhou em direção de Maki. – A princesa vai ser minha! – Tinha um sorriso maníaco nos lábios de Anju.
– Anju! Não! – Erena gritou vedo a amiga agarrar a princesa em seus braços antes de a fazer desmaiar, Nico se levantou rapidamente, mas Anju a acertou com um soco no estomago, fazendo a se curvar pela dor.
Então rapidamente ela correu até a varanda, um par de asas de dragão rasgaram sua roupa e armadura antes de sair voando pela varando com Maki em seus braços.
– Droga! Maldito selo! – Nico praguejou, e então rapidamente arrebentou um colar que estava usando jogando o no chão. – Espera ai sua maldita! – A morena gritou antes de correr até a varanda e também abrir as suas asas.
– Nico? – Eli e Umi disseram juntas. Então esse tempo todo, era a Nico.
– Um colar de selamento de poder! – Erena Observou a pedra de cor violeta que era o pingente. – Asgar. – Murmurou. — Não é a toa que ela conseguiu nos enganar esse tempo todo, se passando por uma mera empregada. – A cavaleira estava irritada.
– Eli você avisa todos, eu vou atrás delas! – Umi disse correndo em direção da varanda, ela assoviou e segundos depois um grifo aparecer a sua frente.
– Sonoda Umi... – Erena murmurou. – A pontaria perfeita. – A cavaleira observou.
– Isso quer dizer que a Honoka san também... – Tsubasa não terminou de falar.
– Eli, eu vou com você! – O rei disse correndo atrás da jovem capitã.
– Ayase Eli, O demônio do gelo... Certamente as outras são Pássaro Dourado, a Flor de Lotus, a Besta Gata, a Bruxa, a Brilho do Sol. – Erena murmurou seria. – Todas estavam bem debaixo do meu nariz. – Apertou com força a mão em punho.
– Então quem matou meus pais foi a Honoka... – Tsubasa murmurou visivelmente abatida.
– Tsubasa Hime... – Erena abraçou a outra pelos ombros para tentar confortá-la. – E provavelmente Anju esta fazendo tudo isso porque a Nico matou os pais dela. – Erena era um demônio também, mas seus pais não sofreram com a guerra, foi a piedade de Eli que os deixara vivos.
~*~
– Maki Hime sama sendo sequestrada por aquela miserável era a ultima coisa que Rin ia pensar, nya! – Rin exclamou montada em seu cavalo marrom.
– Alguém me salve dessa situação! – Hanayo gritou em desespero.
– Se seguirmos o rastro que a Umi chan deixou vamos encontra-las. – Kotori se referia as flechas de energia afincadas no chão.
– As minhas previsões disseram algo assim, mas achei que a Nicocchi iria conseguir impedir! – Nozomi disse montada em um cavalo negro.
– Não vamos ficar reclamando, vamos nos concentrar em achar a Maki Hime! – Eli disse em tom de ordem.
– Nico chan está armada? – Kotori perguntou preocupada.
– Eu estou levando a espada dela. – Eli respondeu.
– E eu a armadura! – Nozomi disse.
Honoka estava estranhamente quieta, talvez decepcionada com Tsubasa, a garota parecia tão boa e sincera, mas estavam fazendo uma maldade tão grande com a princesa. Isso não poderia perdoar, definitivamente não perdoaria.
– Espero que todas estejam bem...- Finalmente a líder idiota se pronunciou.
– Elas vão estar, Honoka chan! – Rin respondeu sendo positiva.
– Você tem razão, Nico chan e Umi chan vão ficar bem e conseguir impedir a Anju. – A mais velha disse positivamente.
O desejo de todas as Muses naquele momento era apenas um, que todas pudessem voltar inteiras e bem para casa.
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