A Princesa Prometida

2 • Uma Dança a Três


Notas iniciais
Hellou, pessoal! Tentarei postar no máximo a cada 3 dias, nessa regularidade mesmo! Eu espero que gostem desse capítulo ♥

Me aproximei mais lentamente do lugar onde eles estavam, meu pai tinha um sorriso largo estampado em seu rosto. Ares me olhava incrédulo e ao mesmo tempo petrificado, sem demonstrar maiores expressões aos outros.

— Finalmente, achei que tinha fugido. – meu pai me recepcionou pegando em minha mão e me conduzindo até os dois homens, demonstrei resistência quase que automaticamente e impensadamente.

— Por favor, Ophelia, conheça-o! – meu pai segurou gentilmente meu braço para me conduzir até eles.

Quanto mais me aproximava, mais sentia que uma pedra de gelo descia pela minha garganta.

— Bom, tenho enorme prazer em apresentar, oficialmente, minha filha Ophelia. – meu pai disse e eu fiz uma breve reverência, tentava a todo custo não encarar o homem a minha frente, mas estava terrivelmente envergonhada pela minha atitude com o rei e amigo de meu pai, ele falaria algo?

— Tinha razão, princesa Ophelia é mesmo linda! É um enorme prazer conhece-la, sou Hadel. – o rapaz ao lado de Ares me cumprimentou, ele era bonito, jovem, não ficava em nada atrás da elegância de seu pai.

— É um prazer te conhecer também, príncipe Hadel. – falei sorrindo para ele, que beijou minha mão.

— E este é o rei de Aloïs, pai do Hadel e meu grande amigo, Ares. – me virei tentando a todo custo manter a postura, ele agora trajava roupas nobres de linho azul escuro, os cabelos bem penteados e a barba contrastava com a pele branca e os cabelos escuros, era um homem digno da majestade que possuía.

— Encantado em conhecê-la, princesa Ophelia! – sorriu e fez o mesmo gesto que o filho, beijando minha mão. Ao sentir seu toque, a lembrança do beijo, de suas mãos sobre mim vieram a cabeça, me fazendo dar um leve suspiro.

— Então você é o melhor amigo do meu pai. – afirmei, tentando manter uma conversa normal.

— E você a tão comentada Ophelia.

— Comentada? – arqueei a sobrancelha.

— Seu pai fez sua fama e os que a viram sempre falaram que era uma rosa do reino.

— Não é só por ser minha amada filha, mas Ophelia é tão bela, forte e gentil quanto sua mãe foi, Anne ficaria orgulhosa de sua filha. – meu pai afirmou com um leve sorriso.

— Se a rainha Anne tivesse metade da beleza que vejo agora, ela realmente foi a rainha mais bela de todas.

Hadel disse gentilmente e meu pai sorriu em resposta, Ares apenas olhava tudo sem passar muitas expressões.

— Agora chega de conversa, estou ansioso por dançar, espero que a senhorita também goste de dançar tanto quanto eu. – Hadel disse descontraído.

— Eu amo dançar. – disse sincera. Hadel me parecia ótimo, mas minha energia ainda se concentrava em seu pai, o universo tinha um jeito estranho de me colocar em enrascadas, bem que as mulheres que cuidavam de mim no vilarejo diziam: “Você ainda vai passar por um dobrado com esse jeito”.

Caminhamos até o salão, não sem que antes eu desse uma olhada para trás, torcendo para que Ares estivesse olhando, precisava falar com ele, pedir desculpas ou entender porque ele mentiu, apesar de ter mentido também. Seu olhar sob os ombros de meu pai em mim eram fixos, intenso.

— Então, como se sente? Decepcionada? – Hadel disse me trazendo de volta para ele.

— Decepcionada? – perguntei enquanto começamos a dançar.

— Com seu noivo. – meu noivo. Senti aquele arrepio.

– Ainda não tenho opinião formada. – falei sincera, ele riu da resposta.

— Teremos tempo para nos conhecer, pelo primeiro encontro, só posso dizer que é a mulher mais bela que conheço.

— Diz isso para me agradar, deve ter namorado várias mocinhas por aí, tão bonitas ou mais que eu. – sorri de lado.

— Sou um homem sério, um príncipe comprometido. – ele tentava manter o semblante sério, apesar de ver que queria rir.

– Não estamos noivos ainda. – falei dando um giro e ficando de frente pra ele.

— Mas minha lealdade já caminha junto à ti.

— É tão amável quanto aparenta, príncipe? Parece conformado demais pelo casamento arranjado, não se sentiu obrigado? – perguntei realmente curiosa.

— Bom, quando soube que teria que casar, me senti coagido, discuti com meu pai e sim, me senti obrigado. Mas aí comecei ouvir coisas á seu respeito, da beleza, inteligência, vigor.

— Vigor? – perguntei rindo.

— Que tem muita energia, é muito espontânea, percebi que tem qualidades que me encantam, então, por que não dar uma chance?

Encarei o rapaz, ele era bonito, simpático, sentia sinceridade em suas palavras, ele parecia alguém encantador, mas não sentia atração física nenhuma por ele. E sabia bem de quem era a culpa.

— É um bom jeito de ver a situação, e fico feliz pelos elogios. – falei francamente e a música cessou. Batemos palma para a banda, desviei o olhar por algum tempo, sabendo bem á quem procurava.

— Posso conhecer minha futura nora? – ouvi aquela voz rouca e inconfundível bem próxima de mim. Me virei para encará-lo, tinha um sorriso convidativo no rosto.

— Claro, fique a vontade, falarei com Richard. Mas não a deixe cansada, quero passar mais um tempo com minha futura esposa.

Ele me lançou um sorriso amplo, permaneci parada enquanto via o homem se afastar.

Até que tomei coragem e olhei nos olhos de Ares, não sabia dizer o que poderia passar pela sua cabeça. Ele se aproximou quando a música começou e assim fomos dançando.

— Estou intrigado pra saber mais sobre as cortesãs desse reino, aparentemente, princesas também ocupam esse cargo. – Ele falou me conduzindo pela pista.

— Meu rei? – falei imitando sua voz quando disse que seu rei precisava dele.

— Por que mentiu pra mim?

— Porque queria ficar na presença de um homem sem amarras do meu noivo, tendo a liberdade de ser apenas uma mulher sem grandes títulos. Você é um rei, sabe que as mulheres mesmo que rainhas não tem liberdade nenhuma. – respondi claramente o que veio na cabeça e era a verdade.

— O que fizemos foi extremamente errado, jamais deveria tê-la beijado, mesmo que fosse de fato uma cortesã e ainda mais sabendo que é filha do Richard.

— Foi uma loucura, um momento de insanidade. – falei conduzindo os passos da dança agora.

— Ao qual me senti muito vivo, admito que não me sentia assim em tempos. – um silêncio breve se fez entre nós, ele soltou as palavras com honestidade. A música era bem vinda ou ficaria um silêncio constrangedor.

— Sinto muito pelo que aconteceu, me deixei levar por um desejo maior, talvez a pressão do noivado tenha me feito perder o juízo. – dei um sorriso, estava nervosa e ao mesmo tempo sentia aquela atração com ele tão próximo. Isso era errado.

— Se não fosse minha futura nora, sua falta de juízo seria bem vinda. A sua fama realmente faz jus a você.

— Estou me sentindo exposta, Hadel falou a mesma coisa sobre a minha fama.

— Bem, digamos que muitos falam que é impetuosa, intensa, fora do comum, além de ter uma beleza excepcional.

— Sou tão comum quanto qualquer mulher, cheia de sentimentos, desejos, vontades, necessidades... – senti sua mão em minha cintura mais firme, ao passo que ele aproximou mais ainda meu corpo do seu, como se controlasse algum impulso.

Ares deu um sorriso de lado muito bem alinhado, seus cabelos caiam por seu rosto, emoldurando perfeitamente sua beleza.

— Isso eu discordo. Não é como qualquer mulher. – num giro, fiquei de costas para ele, enquanto sua mão permanecia em minha cintura e a outra segurava minha mão sobre a cabeça.

— Por que te beijei tão facilmente ao te conhecer? – perguntei ainda de costas, a pergunta saiu mais como um desabafo.

— Por que apesar de ter mentido sobre quem era, não mentiu sobre o que sentia, se entregando aos seus sentimentos.

Voltei a ficar de frente pra ele, estava séria agora, observei atentamente suas feições que também ficaram sérias.

— Espero que não ache que faço isso com qualquer um, foi a primeira vez que tomei atitude semelhante.

— Eu tenho certeza disso, vejo que é uma menina tão perdida quanto qualquer outra, mas que age de maneira diferente.

— Menina? – arqueei a sobrancelha.

— Você tem apenas dezessete anos, Ophelia.

— O corpo que você tocou há pouco era de uma menina, Ares? – perguntei quase sussurrando, ele tinha mexido com o meu ego e queria muito ver sua reação diante da minha provocação.

Ele respirou fundo e sorriu abertamente, olhando para os lados, como quem buscasse distração e logo depois se voltou para mim.

— Essa conversa deveria ter tomado um rumo diferente.

— Não respondeu minha pergunta... – sorri para ele.

— Nem o corpo, nem as mãos, diga-se de passagem que sabe conduzi-las muito bem, mulher. – ele frisou a última palavra, me fazendo estremecer.

— Tem razão, essa conversa deveria ter tomado outro rumo. – engoli em seco, subi minha mão pelo seu peito ao mandar da música. Ares me olhava com desejo, suas mãos faziam pressão na cintura, arfei com a vontade irresistível de beijá-lo.

— A conversa está boa, hein? – meu pai e Hadel apareceram do nosso lado e me dei conta que a música havia acabado e estávamos parados de frente um para o outro.

— O que tanto conversam? – Hadel disse me entregando um licor, virei-me completamente pra ele, sorrindo e tirando meu foco de Ares.

— Seu pai me falava sobre os encantos de Aloïs, não viajo muito e não tenho tantas experiências, fiquei fascinada. – menti.

— É realmente uma terra encantadora, podemos ir até ela qualquer dia.

— Eu adoraria.

— Será um prazer recebê-la em nossa casa, princesa. – Ares falou sorrindo, mantendo uma postura bem natural.

Passei algum tempo mais no baile, a conversa fluiu bem, não fiquei mais sozinha com Ares, o que me deixou com uma sensação que a conversa tinha ficado suspensa, nas entrelinhas, o pedido de desculpas se tornou uma provocação.

— Bem, vou me retirar, estou exausta e preciso dormir. – falei tirando o cabelo do rosto.

— Tudo bem, minha filha. Descanse bem, tenha uma boa noite de sono. – meu pai me deu um beijo na testa, me fazendo sorrir com o ato.

— Boa noite, Ophelia. Foi um enorme prazer te conhecer formalmente, espero que possamos nos dar bem. – Hadel disse dando um beijo na minha mão.

— Também foi um prazer te conhecer, príncipe.

— Só Hadel.

— Eu sei, o príncipe foi pra fazer um charme. – abri um largo sorriso, brincando com ele.

Me virei para Ares, que estava um pouco mais afastado, mas me observava com discrição.

— Foi um prazer te conhecer também, rei Ares. – falei me aproximando dele, que mantinha o olhar fixo aos meus.

— O prazer foi meu, princesa.

Fiz uma reverência longa, deixando o pescoço e os seios fartos pelo corpete á mostra, queria ver sua reação. Como esperava, ele demorou o olhar ali e logo voltou-se para mim, dando um singelo suspiro, que não passou despercebido.

Então sai em companhia das minhas damas, indo para o quarto e tirando as longas vestes assim que cheguei, meus pés doíam de tanto dançar, meu corpo clamava por uma cama.

Me deitei e permaneci acordada por longas horas, os acontecimentos do dia foram agitados, não sabia assimilar bem o que sentia com os meus deveres, de um momento á outro dois homens haviam entrado na minha vivência, tirando-me do sossego. Hadel era belo, jovem, gentil, de espírito leve o oposto de seu pai, que demonstrava experiência, sabedoria, firmeza, intensidade, e seus olhos azuis não saiam da minha mente. Sinceramente eu sempre provocava os rapazes mas nunca chegava a trocar um beijo com eles, com exceção de um jovem que realmente gostava, mas que a paixão não durou muito tempo, ele foi embora com seu pai para longe e nunca mais nos vimos.

Por mais que tentasse encontrar uma razão para meus sentimentos e impulsos em relação á ele, mais meus desejos se intensificavam, mas tinha que me manter sã na realidade e fugir totalmente de Ares.

Em meio á muitos sentimentos e pensamentos, acabei pegando no sono, que foi muito bem-vindo e acolhedor.

Notas finais
Me contem o que acharam e o que esperam dos próximos capítulos, até o próximo :)