Notas iniciais
Olá pessoal, peço mil perdões mas estava na faze final das aulas. Agora sim... Fériassss o/ Me perdoem se eu não comentei o comentário de alguém, mas se eu o fizesse ia demorar mais para postar. Acho chato essas demoras, acreditem eu também não gosto, mas foi por falta de tempo. Finalmente a conversa das duas como tanto esperavam, espero que gostem do capítulo. Bjoos ;*

POV BELLA

Finalmente depois de tantos anos recuperei minha memória, a sensação de vazio e não conhecer ninguém é totalmente aterrorizador, o pior é que eu ainda não acreditava até hoje que foi minha própria filha quem fez isso.

Ela merecia umas boas palmadas isso sim! Mas isso um dia quem sabe, agora ela não está acostumada comigo ainda.

Por fora eu transparecia calma, mas por dentro eu estava surtando, agora finalmente tendo consciência dos meus atos, não que eu já não soubesse o que fazia antes, nada disso! Mas o fato de saber que fiquei vazia por dentro como no meu primeiro ano de transformação me fez muito mais mal do que eu imaginava.

Por dentro eu tremia de medo e de raiva de mim mesmo. Esse monstro que me tornei fez quase eu matar Nessie. Conti, um grito de ódio para mim mesma.

Não podia surtar agora, deixaria isso para quando eu estivesse sozinha, sem ninguém ao meu lado. O pior é que eu não era de surtar, mas era muita coisa até para um imortal. Eu teria que mantar a calma por hora.

Durante esse tempo só cometi erro atrás de erros, na verdade tem coisas que não me arrependo como matar Tanya. Aquela desgraçada conseguiu me enganar por anos, tudo bem que eu não gostava dela mesmo assim e sempre via ela me encarando silenciosamente. Eu sei que tinha algo errado, mas como provar isso? Meu maior erro foi não ter matado a anos atrás. Mas isso era bom para eu aprender, não irei cometer esse erro com nenhum outro vampiro.

O que eu não me conformava é como não percebi meus sentimentos pelo Edward antes. Como fui tola, esses anos que me deixaram fechada não me fez conhecer outros sentimentos além de ódio, tédio, raiva e principalmente não sentir nada a maior parte de tempo. Ele me fez apaixonar por ele mais uma vez, lutou por mim e não desistiu depois de tantas vezes que fugi.

Sorri internamente me lembrando das suas investidas de se aproximar de mim, e no fim conseguiu me conquistar mais uma vez, se não fosse por esse meu bloqueio sentimental eu já teria percebido que o amava, e não ficaria achando que tinha algo de errado comigo quando tinha aquelas sensações estranhas pelo corpo sempre que o via.

Eu com toda certeza assim que o ver a primeira coisa que eu faria era te beijar e dizer que o amava. Edward era tudo para mim e depois de resolver tudo finalmente ficaríamos em paz e curtiríamos um ao outro como fazíamos.

Claro que eu teria que me desculpar com todos pelo que eu fiz. Vou me desprezar por bom tempo, mas espero que eu consiga me perdoar, em partes sei que nem tudo conseguirei me perdoar, mas outras é questão de tempo.

Observei Vanessa que ainda estava abraçada com Dionísio. Não podia negar era difícil de ver sua filha ser amparado por outra pessoa que não seja você.

Doía, pode apostar, mas eu sei que a reconquistaria depois que dizer toda a verdade.

James fez uma lavagem cerebral na cabeça dela e iria se arrepender amargamente por isso e por escondê-la tanto tempo.

– Então você está querendo me dizer que tio James me sequestrou e forjou minha morte? — Ela interrogou depois de longos minutos em silêncio.

Assenti com a cabeça.

– Por pouco levaram Nessie também, mas cheguei a tempo antes disso acontecer.

É claro que eu não seria idiota de falar qualquer coisa e piorar a situação, então eu estava constantemente atenta na sua mente para saber o que passava por ela.

Ela ainda estava desconfiada, mas sua mente trabalhava revisando a história se tinha algum erro.

– E depois?

– Eu quis morrer, mas meu irmão apareceu e disse que eu tinha que viver pela Nessie.

– Além de David, quem mais faz parte da sua família. — Não gostei quando ela frisou a palavra sua.

– Você quer dizer nossa família. — Pontuei firme e seria. Vanessa que não ousasse me contrariar. – Tem uma vampira creio que você conheça.

– Quem? – Questionou visivelmente curiosa.

– Didyme. – Vanessa ficou quieta pensativa.

– Desculpe, mas acho que está enganada. A única Didyme que conheço é uma prisioneira do tio James.

Ela nem ao menos cogitou que essa Didyme é a mesma que eu estou falando. Maldito James, ele fez um estrago grande nela. Ah, assim que eu encontra-lo ele vai desejar nunca ter se tornado imortal.

Sem dizer nenhuma palavra arqueei a sobrancelha e incentivei com apenas um acenar para que ela entendesse.

Ela parou para processar meu gesto. Fixou o olhar no meu como se procurasse resposta neles. E parece que encontrou, pois ela arregalou os olhos e apertou os dedos da mão com força nos braços de Dionísio.

Seu olhar assustado fez meu peito doer.

– Aquela Didyme faz parte da sua família?

Revirei os olhos mais uma vez, mas eu não desistiria. Vanessa precisa entender desde já que somos família.

– Sim, ela é da nossa família desde sempre.

– Mas ela é uma Volturi. – Exclamou possessa.

– Exatamente, assim como Aro, Caius, Sulpucia, Ariadne, Jane, Alec, Felix, Chelsea e Marcus compnheiro de Didyme. Todos os principais Volturis fazem parte da nossa família.

– Então vocês estão todos juntos? — Dionísio interferiu agora espantado com a nova descoberta.

– Nos encontramos de tempos em tempos, mas ainda assim somos unidos.

– Então você é família dos nossos inimigos. — Vanessa disse acusadora.

– Primeiro, você também faz parte dessa família e por que eles são seus inimigos? – Agora eu queria que Vanessa expusesse sua resposta.

– Porque eles manipulam nosso mundo, obrigam os vampiros poderosos fazerem parte do seu exército. Eles adoram brincar de reis e mandar você obedecê-los.

– Eu concordo que Aro pode exagerar quando quer algum vampiro com poderes surpreendentes na guarda, mas ele nunca obrigou algum vampiro fazer parte dos Volturis. Agora o resto que disse são mentira criadas por muitos que odeiam os reis. Eles são severos e bravos sim, mas não porque realmente são o que são e sim porque é necessário ser. Como você acha que eles comandariam o mundo se passasse a mão na cabeça de cada vampiro que se exponha ao mundo, por exemplo. — Parei brevemente. – E eu o que você pensa de mim já que sabe que sou a primeira da nossa espécie? Por que não me acusa?

– Eu não sei, talvez porque eu nunca ouvi falar de você sendo alguém que tem poder sobre esse mundo além do tio James ter me dito.

Eu quase não consegui conter o sorriso de satisfação. Vanessa não me acusava de agir contra a vontade de todos mesmo com meu poder mesmo inconscientemente ela está cedendo aos poucos.

Olhou para cima pensativa.

– Você não vê o que esta na sua frente? — Disse me levantando da cama e indo na sua direção. – James quer tomar o lugar dos Volturis, certo?

Ela me fitou e assentiu.

– Mas antes de roubar o lugar dos Volturis ele teria que dar um jeito em mim, porque ele sabe desde sempre quem eu sou e também sabe que não é qualquer capaz de me derrotar.

A duvida começou a surgir nos olhos dela.

Era só o que eu precisava agora mais do que nunca eu tive a certeza que a reconquistaria.

– Você quer dizer que tio James, só ficou comigo porque eu era a única que podia te impedir?

Balancei a cabeça confirmando.

– E como sou capaz? Você é muito mais forte que eu... eu só tive sorte de te pegar desprevenida. – Ela disse meio gaguejando.

– Olhe para mim Vanessa. – Pedi fitando intensamente seus olhos. – Depois de tudo que eu contei, você acha mesmo que eu seria capaz de te fazer algum mal?

Respondi com toda sinceridade.

Seus olhos demonstraram dor finalmente caindo em si. Li sua mente e vi o quanto ela estava sofrendo com tudo isso e aceitando tudo que eu contei.

Dei um sorriso triste.

Eu entendia o porquê dela estar aceitando mais rápido a situação, apesar da mesma não saber. Se não tivéssemos passado por tudo que passamos com minha morte ela provavelmente seria irredutível com o que acreditava. Ela não teria a mente mais aberta, depois de descontar sua raiva.

Acho que minha quase morte deveria acontecer, senão provavelmente nunca teríamos essa conversa.

Observei Dionísio ficando de frente para ela. Colocando delicadamente suas mãos em volta do pequeno rosto dela chamando sua totalmente para si.

Não deixei de observar as expressões de Dionísio, como ele fitava Vanessa.

Reparando melhor nele, fiquei pensando como alguém como ele me atraiu. Eu amava Edward não tinha dúvidas, ele era meu companheiro, mas não posso negar que a beleza e o jeito misterioso desse vampiro me chamou atenção. Me senti culpada é claro, nunca devia ter olhado para alguém dessa maneira, mas o fato que eu tinha perdido a memória e era tudo novo para mim ainda não ajudava nada.

Agora as coisas eram diferentes eu lembrava de tudo e sei como é a vida e mais do que nunca tenho certeza que amo Edward.

Fechei os olhos num breve milésimo de segundo xingando a mim mesma. Ao abrir os olhos, os dois se encaravam e percebi que Dionísio procurava as palavras certas para fazer minha filha entender a situação.

– Ela está certa Vanessa. Eu a conheci a pouco tempo e vi que ela não é nada do que James contou. Ele inventou mentiras e mais mentiras para te manipular todos esses anos, ele sabia que você ou Renesmee seriam as únicas que conseguiriam derrotar você, por isso ele nunca fez mal a ti.

Vanessa fechou os olhos com força e tentou ignorar as palavras de Dionísio, mas era impossível a verdade estava penetrando sua mente mesmo ela não querendo aceita-la.

– Você mesma percebeu como James ficou distante e frio depois que conseguiu com a morte da Bella. Ele finalmente acredita que conseguiu o que tanto queria, por isso não se importa mais com você. É por isso que foi ele quem mandou aqueles dois vampiros até você para mata-la. – Trinquei os dentes de raiva e tentando conter todo o ódio que estava sentindo.

Por pouco James não mata Vanessa, se eu demorasse para encontrar os Cullens, se não interrogasse Laurent e tivesse o matado sem querer informações, se eu descartasse a ideia de ter calma quando Dionísio pediu, se eu não fizesse todas essas coisas Vanessa não estaria mais entre nós e James teria descartado um fardo que era para ele.

Maldito e miserável! Achei que não conseguiria ter mais ódio por ele, mas depois do que eu acabei descobri percebi que sim, era possível. James conseguia superar sua monstruosidade e eu faria questão de fazê-lo pagar por tudo.

Perdi um pouco o foco dos meus sentimentos quando vi Dionísio dando um beijo na testa dela quando minha filha se encolheu. Eu queria fazer isso, eu queria poder estar ali e abraça-la quando precisasse e não ele, mas não podia negar que Dionísio estava ajudando e muito.

– Eu sei que é horrível e você sendo essa menina especial jamais mereceria isso. James mentiu e te manipulou todos esses anos para fazer exatamente o que queria, ninguém te jugará porque você foi a maior vítima da história, acreditando em algo que não existe, mas agora Vanessa está na hora de você perder essa ingenuidade que acredita que James é o único que sempre se importou com você. Você precisa aceitar a verdade senão continuará sofrendo pelo resto da eternidade... Olhe para mim. – Ele pediu com gentileza. – Olhe para mim querida Vanessa.

Ela lentamente abriu os olhos o encarando com tristeza.

– Eu conheço sua mãe há pouco tempo, mas sei quão maravilhosa ela é. – Ele me elogiou me deixando desconfortável. – Sei que ela nunca seria capaz de encostar um dedo em você para causar qualquer mal. Eu não tenho provas para dizer que estou certo, porém é o que eu sinto. – Ele deu um riso baixo. – Lembra quando eu disse que não temos coração, mas você bateu o pé dizendo que temos sim, porque temos sentimentos, então Vanessa olhe para sua mãe e não deixe isso. – Ele apontou o dedo para sua cabeça. – Fazer as escolhas por isso. – Ele apontou o dedo para seu coração.

Ele deu mais um beijo na testa dela, antes de se afastar. Dionísio se virou na minha direção me olhando intensamente.

– Acho que já me intrometi muito. – Ele sorriu com um pedido de desculpas. – Vou dar uma volta.

Assenti com a cabeça. Agradeço muito o que ele fez, no entanto eu precisava resolver isso sozinha com Vanessa.

– Você vai me deixar? – Ele a observou. Vanessa sussurrou quase inaudível até mesmo para um vampiro.

– Jamais. E assim que você tomar sua decisão estarei com você independente de qual for.

Ele voltou a me olhar e deu um leve acenar com a cabeça antes de ficar invisível e ir embora.

Seu dom era muito peculiar, ele se tornava invisível por completo nem sua mente era possível de se ler, parecia um fantasma. Mas meus sentidos são muitos apurados inclusive meus sexto sentidos, então mesmo eu não enxergando ou ouvindo nada eu de certo modo conseguia senti-lo no lugar. Como assim que ele ficou invisível, durou cerca de dois segundos que eu o senti nos observando antes de ir embora.

Franzi o cenho. Não era a primeira vez que eu sentia isso.

Deixei isso de lado quando senti Vanessa me observando. A olhei pelo canto do olho e assim ficamos por muito tempo até ela finalmente suspirar e sentar no chão encostada na parede.

Ela se encolheu colocando a cabeça nos joelhos.

A partir de agora eu não leria mais sua mente, sei que não era o certo, mas eu que não iria arriscar perder minha filha de uma vez se eu tinha uma chance de conquista-la. Então fiz o necessário o que qualquer mãe faria, mas agora a escolha era dela se me queria perto da sua vida ou não, assim não tem mais motivos para ler sua mente.

Caminhei até ela e sentei ao seu lado. Deixei-a ficar sozinha com seus pensamentos sem incomodá-la.

Pareceram horas intermináveis que ela estava assim, mas não se passaram muitos minutos. Fiquei pacientemente esperando-a.

– James me usou. – Ela não perguntou e sim afirmou.

– Vanessa, olhe para mim. – Pedi.

Achei que ela não o faria, mas fez. Me fitou com os olhos cheio de dor e culpa.

– Deixa eu... – Não consegui terminar de dizer, pois ela me interrompeu.

– Eu fiz o que ele queria, eu te matei.

– Ainda estou aqui...

– Acreditei em uma mentira e matei minha própria mãe. – Sua voz saiu estrangulada. – Eu sempre criei uma imagem que você era o monstro, mas o verdadeiro monstro sou eu.

Suas palavras me machucavam e seus sentimentos mais ainda, não conseguia ver minha filha sofrer.

Estiquei minha mão até tocar no seu braço que envolvia seus joelhos.

– Shiii, não diga nunca mais isso, você nunca foi e nunca será um monstro.

Ela fechou os olhos com força.

– Como consegue ser assim depois do que te fiz? – Ela abriu os olhos. – Como consegue olhar para mim.

Abri um sorriso feliz.

– Porque é minha filha, amo-a do mesmo jeito que amo sua irmã Nessie, vocês duas são tudo para mim.

Ela abaixou o olhar envergonhada e culpada.

– Sei que não tenho direito de pedir isso, mas por favor eu imploro. – Ela me olhou com suplica e para minha surpresa e desespero se ajoelhou na minha frente encostando sua testa nos meus pés. Os cabelos caindo na frente do rosto. – Me perdoa, por favor. Me perdoa, pelo que te fiz, por te odiar. Eu fui tão tola e ingênua acreditando no tio James e fui fraca. Por favor, eu sei que não mereço seu perdão, mas nunca estarei em paz se não ao menos tentar.

Suas palavras cortaram meu coração e sua atitude mais ainda, ver minha filha nesse estado machucou mais do que eu imaginaria.

– Vanessa. – Chamei puxando-a seus braços. Odiei vê-la encurvada pedindo perdão para mim como se eu fosse sua rainha.

Por um momento um pensamento desagradável invadiu minha mente. Será que era assim que Vanessa se submetia a James.

Aquele maldito!

O ódio que senti se esvaziou assim que escutei o baixo gemido escapar pelos lábios de Vanessa. Arregalei os olhos dando conta que usei força demais apertando seus braços.

– Oh, me perdoa. – Pedi desesperada. – Não quis machucá-la.

Minha boca encheu de veneno, enfurecida por mim mesma por saber que fui eu quem causei essa dor nela.

– Não machucou mais do que a machuquei. – Disse cabisbaixa.

– Vanessa olhe para mim. – Ela me olhou. – Não precisa se desculpa, como disse antes e vou dizer novamente você foi tão vítima quanto qualquer um nessa teia de mentira do James. Você não tem culpa de nada.

Tentei explicar.

– Mas se te faz sentir melhor eu te perdoo. – Brinquei.

Antes eu ficasse com a boca fechada ou Vanessa poderia ter um humor melhor. Sua cara fechou e ela se ergueu ficando de joelhos afastada de mim.

– Por que está brincando com uma coisa dessas? Não tem como você entender o que eu sinto. – Se exaltou.

– Na verdade, eu sei exatamente o que sente. – Eu disse trazendo surpresa para ela. – E não foi há muito tempo. Alguns meses atrás antes de reencontrar Nessie eu era fria, não tinha sentimentos e isso me cegou quando revi sua irmã. Ela tem um jeito espontânea. – Sorri ao lembrar da minha filha. – E isso não a impediu de vir correndo e se jogar contra mim, mas sem memórias eu não sabia quem era e o que me tornei quase fez mata-la naquele instante no qual para ela era a esperança que não acreditava existir.

Fui me lembrando daquele pior momento da minha existência.

– Desejei matar sua irmã, minha própria filha! – Exclamei. – Se Dydime não tivesse me dito quem era nem posso imaginar no pior erro da minha vida. Senti a culpa e jamais esquecerei disso, e sei que nunca vou esquecer do mesmo modo que sei que você não esquecerá. Mas entenda Vanessa, eu sei exatamente o que está sentindo, e sei também que você pode conviver com isso em paz e se perdoar. Sabe por quê?

Balançou a cabeça negando.

– Porque eu estarei com você, ao seu lado mostrando que te amo todos os dias e que não é um momento ruim que aconteceu que vi deixar de ser feliz. Te respeitarei e te deixarei fazer as escolhas que desejar, mas jamais nunca me peça para ficar longe de você. E posso te prometer, você não passará por isso sozinha.

Um brilho emocionado surgiu no fundo dos seus olhos, mas a tristeza falava mais alto. Precisando de um amparo, mas com vergonha de pedir para mim ela se abraçou procurando algum refugio.

Crispei os lábios descontente. Se ela não viria até mim eu iria até ela.

Com um leve movimento me ajoelhei aproximando de si e sem dar nenhuma chance de reagir a abracei com todo meu amor.

Ela estremeceu e se encolheu no lugar, porém aos poucos foi se deixando levar pelos sentimentos e acabou cedendo retribuindo o abraço apoiando a cabeça no meu ombro.

– Obrigada. — Ela sussurrou no meu ouvido.

– Não há o que agradecer. Só o simples fato de tê-la novamente nos meus braços muda tudo. Sinto que finalmente posso ser feliz e o buraco no meu coração finalmente se fechou.

Nada disse para mim, apenas me abraçou com mais força. Ficamos assim por incontáveis minutos eu e tão pouco ela queria se afastar e esse silêncio era agradável e preciso.

– E como serão as coisas a partir de agora? – Ela quebrou o silêncio.

Suspirei sabendo que nem tudo ela aceitaria tão fácil.

– Primeiro quero pedir para que você venha morar comigo. – Exigi nos separando para que eu pudesse segurar suas mãos.

Vanessa se afastou de mim com os olhos arregalados.

– O que?

– Exatamente o que você me ouviu. – Disse sorrindo. – Acho que já ficamos tempo suficiente afastadas para meu próprio azar. Não vou mais ficar longe de você.

Ela abriu a boca, porém não sabia o que dizer.

– Você irá amar a nossa família. Eles são incríveis!

– Os Volturis?

– Eles também, mas não é deles que estou me referindo e sim daqueles que eu convivo diariamente.

– Há mais vampiros?

Com essa eu tive que gargalhar.

– O que foi?

– Nossa família não é composta somente de vampiros. Tem seu tio que você sabe que é um lobisomem e há também o filho dele e a esposa Nate e Claire, todos lobisomens. Há também um bando de transmorfos que agora fazem parte da família, embora somente o alfa deles vivem com a gente. Jacob é o companheiro de Nessie.

– Um transmorfo? Eles existem? – Disse espantada.

– Sim e coitado aquele garoto sofre nas mãos da sua irmã. – Ri me lembrando de quantas vezes Jacob sofreu com Nessie, mas quem mandou ele ter imprinting com ela. Agora o cachorro que aguente.

– E há também a família Cullen que também são nossa nova família, não biológica, mas de coração.

– Cullen? – Ela questionou como se já os conhecesse.

Franzi o cenho.

– Sim, já ouviu falar?

– Brevemente, mais ou menos um mês atrás lembro de ter ouvido uma conversa do tio James sobre eles e quando perguntei quem eram ele disse que era alguns vampiros que ele estava recrutando para o seu exército.

Trinquei os dentes e soltei minhas mãos a tempo das suas para fecha-las em punhos de aço.

Vanessa entendeu a situação e colocou a mão na boca assustada e desapontada.

– Outra mentira. – Ela disse.

Confirmei com a cabeça.

– A última coisa que James faria era recrutar minha família para lutar ao seu lado. – Disse debochada.

Suspirei tentando me acalmar e finalmente fitei seriamente os olhos de Vanessa.

– Vanessa eu preciso ser sincera com você. – Ela só me olhou. – Quero que saiba que James quebrou muitas regras do nosso mundo e quer tomar o lugar dos Volturis, mas acima de tudo ele traiu e me tirou o meu bem mais precioso a força.

A encarei intensamente sem hesitar em dizer.

– James pagará por todos os seus erros e principalmente na dor que me causou.

– Não, você não pode. – Ela pediu desesperada.

Eu não mudaria minha opinião nem mesmo por ela. Um verme como James devia ser morto antes de instalar sua praga no mundo. Igual a uma erva daninha onde está estraga tudo.

– Sim. Eu irei matar James.

[...]

Dois dias seguintes naquela mesma hora estava terminando de planejar um ataque surpresa ao James e claro que eu não seria tola em matar só ele e dar oportunidade ao seu exército de escapar. Eu tive um plano para minha falta de sorte alguns vampiros de James estavam pelo mundo então eu precisava reunir todos para ataca-los uma única vez.

Já sabia como fazer isso, mas precisava da ajuda de Dionísio para obter sucesso e como eu precisava dele e não podia deixar Vanessa sozinha aqui então chamei alguém para tomar conta dela.

– Ah sobrinha você é muito mais inteligente que aquela pirralha da Nessie, mas nunca conte isso a ela. — Pois é, a baba da Vanessa era meu irmão David.

Ela deu um sorriso sem graça.

– Ela não irá dizer nada, mas nada me impeça de eu contar a Nessie. — Sorri presunçosa.

Meu irmão estreitou os olhos e me olhou irritado.

– Vanessa que tal usar seu dom na Bells e faze-la esquecer isso.

– Desculpe David, mas acho que terá de se virar sozinho.

Arqueei uma sobrancelha e sorri debochada. Minha filha está do meu lado.

– Muito obrigada filha. — Disse olhando-a feliz eu ainda não acreditava que ela estava aqui, agora só precisava das minhas duas filhas nos meus braços para ter certeza que tudo ficaria bem.

– Vai fica do lado da sua mãe, mas saiba que serei eu que vou cuidar de você enquanto ela estiver fora. – Ele deu um sorriso perverso e levantou duas vezes a sobrancelha.

– Não se preocupe com seu tio. Ele late, mas não morde.

– Isso é o que você pensa. – Ele mordeu o ar e logo após piscou com um olho.

– Ok, já chega você está assustando ela. – Disse a ele severa assim que vi minha filha com um certo receio olhando para ele.

Ele sorriu com um pedido de desculpas.

– Eu não posso ir com vocês? – Minha filha me implorou com os olhos.

– Não vou arriscá-la perto de James por segundo sequer. – Disse irredutível. – Mas prometo que voltaremos o mais rápido possível.

Ela suspirou olhando para o lado.

O fato dela ainda não aceitar minha escolha em matar James me preocupava muito. Eu não sabia como ela reagiria depois que dissesse que o matei, nesse momento ela ainda era contra eu mata-lo, mas James não podia mais viver. Era perigoso demais deixa-lo partir.

Eu espero que ela me perdoasse pelo que iria fazer, mas não podia dar o gosto da vontade dela, descobri que Vanessa é ingênua demais, pois sempre viveu presa com James, nunca teve a oportunidade de especular o mundo afora. Conhece tão poucas coisas e nem ao menos sabe lutar. Apesar da sua idade, era uma presa fácil para qualquer um e com sua ingenuidade é possível ser facilmente manipulada, no entanto agora que viverá comigo eu a tornarei mais esperta para o nosso mundo e não será um alvo fácil para ninguém.

Olhei pelo canto do olho assim que senti a presença de Dionísio próximo da casa. Ainda estávamos na mesma casa quase na saída da periferia. Era irônico ver aqueles garotos carregando armamentos pesados que era maior que seus próprios tamanhos e bancando os donos das áreas. Eu quem sai na vantagem, não tinha lugar melhor que esse para se alimentar.

Pensando nisso me fez lembrar como foi perceptível de como Vanessa é receosa para se alimentar, percebi ali que ela não gostava de se alimentar de humanos. Seu coração e alma é tão pura para seres da nossa espécie. Porém mostrarei quando tiver oportunidade uma alimentação alternativa.

– E então tudo certo? – Perguntei ao Dionísio e diante das minhas palavras ele surgiu ao meu lado.

– Sim, podemos ir agora se desejar. – Ele se pronunciou.

Senti o olhar de David em mim, mas o ignorei. Ele já tinha percebido a forma que Dionísio me olhava. Ignorei-o e tive o visualização dele dando de ombros.

Dionísio por sua vez ainda não havia se acostumado com a presença de David, afinal somos inimigos naturais, mas meu irmão consegue viver tranquilamente no meio dos vampiros assim como eu no meio dos lobisomens e parece que com Vanessa não é diferente.

Como algum poder do destino o celular de David começa a tocar. O fitei seria, um aviso claro para não atender, mas me ignorando por completo e dando um sorriso de lado, ele atendeu no segundo toque.

– Olá.

Onde está a Bella? – Meu coração se apertou no mesmo instante que ouvi a voz exasperada de Edward.

– O que faz pensar que estou com ela? – Ele disse zombeteiro.

– Não teste minha paciência.

Antes que eu deixasse David abrir a boca para dizer qualquer idiotice a mais usei meu dom para tirar o celular dele que em um milésimo de segundo já estava na minha mão.

– Edward. – Sussurrei quase inaudível.

Bella, oh meu Deus Bella, onde você está? Está tudo bem? Se machucou? Eu juro que mato Laurent se ele encostou um dedo sequer em você. – Sua voz soou desesperada do outro lado da linha.

– Eu estou bem. – Disse sorrindo. – Se acalme não aconteceu nada e ele não machucará mais ninguém. – Eu falava com naturalidade, todos aqui já estavam cientes que matei Laurent. – E pode dizer como me encontrou?

Ninguém da família Cullen ou Swan sabiam de nada, todos estavam no escuro. O único que sabia de toda a situação era David.

– Na verdade não foi difícil. Alice não conseguiu controlar suas visões quando viu você e David no mesmo lugar.

Alice! Revirei os olhos.

– Era de se imaginar.

– Agora você pode me dizer onde está? Não quero que ninguém te faça mal. Não suportarei perdê-la novamente.

– Ninguém me fará mal. Confie em mim Edward.

Bella, por favor...

– Eu lhe prometo que logo nos veremos.

Ele suspirou do outro lado da linha derrotado.

Não vai demorar?

– Não. – Eu ri. – Eu juro.

Só... Não suma novamente, tudo bem?

– Pode deixar comigo. – Olhei em volta e todos olhavam fixamente para mim. – Hum... Edward, querido eu preciso ir agora.

Ele ficou mudo no outro lado da linha.

– Até mais. – Eu estava prestes a deligar quando sua voz soou baixa no último segundo.

Bella. Eu te amo.

Sorri e fechei os olhos emocionada. Edward era único e todo meu.

– Eu também te amo. – Disse no mesmo tom e em seguida desliguei.

– Hum... Vai deixar a cabeça daquele garoto soltando fumaças. Depois dessa declaração.

Dei de ombros abrindo novamente os olhos e voltando a ficar séria.

– Logo nos veremos e tudo voltará ao seu lugar. – Disse jogando o celular para ele. – Agora se me der licença tenho mais o que fazer.

Olhei para Vanessa que me observava com curiosidade.

– Se cuide e logo eu volto.

Quando tinha virado para ir embora me lembrei de algo.

– Ligue para nossos tios e digam para se preparar. – E assim sai pela porta.

Olhei em volta vendo se tinha alguém, mas como nada encontrei me pus a correr junto com Dionísio. Por quase todo o caminho ele não disse nenhuma palavra e eu sabia exatamente porque. Ele não fazia ideia que eu tinha alguém na minha vida, só nunca disse nada a ele, pois ele nunca me perguntou.

Minha vida pertencia a Edward e a dele pertencia a mim. Ninguém mudaria isso, era fato.

– A casa fica ali. – David apontou para a enorme mansão. Nós já estávamos invisíveis desde a hora que saímos da casa. – E onde Maria treina o exército fica a 2Km para aquele lado. – Ele indicou o lado direito.

– Ela está lá agora?

– Com certeza.

– Então vamos. – Sugeri e logo ele foi pela frente.

Eu tinha vontade de voltar e entrar naquela mansão para acabar de vez com James. A sede de sangue era intensa, mas se eu fizesse isso muitos fugiriam e eu não podia permitir. Vai que algum deles queiram assumir o lugar de James.

A melhor coisa a se fazer é seguir o plano.

As densas árvores e folhagem foram sumindo dando a entrada para um campo enorme que se estendia colina baixa hectares e hectares de espaço aberto, ia embora passando entre as montanhas e sumia pelo horizonte em linha reta. Sua volta tinha a continuação da floresta, mas só até um ponto e a partir de então abria o campo por completo.

Caminhei até a ponta do penhasco e olhei para baixo. Não parecia uma casa, mas um celeiro. Estava de fato longe alguns metros que dava a impressão de ser quilómetros.

Agucei meus sentidos e consegui escutar conversas e rosnados.

A porta da frente foi aberta e por ela passou Maria. Não consegui conter o sorriso. Depois de tantos séculos finalmente nos esbarramos novamente.

Se ela soubesse que sua morte estava chegando, tenho certeza que ela daria um jeito de fugir enquanto tinha tempo. Ela continuava a mesma de sempre, não mudara nada.

Sua pele brilhava por conta do sol forte que estava aqui.

Avaliei todos seus movimentos, vi-a erguendo a cabeça olhando para o sol e um barulho de briga entre os vampiros dentro do celeiro chamou sua atenção.

– Parem idiotas. – Ela grunhiu. – Malditos recém-criados.

Dei um passo para frente caindo do penhasco. Com uma leveza meus pés tocaram a grama. Olhei mais uma vez em volta e vi que aqui seria um bom lugar para a luta. Nas laterais ainda tinha um pouco da floresta onde poderia cercar os vampiros com meus aliados. E entre as montanhas deixaria mais vampiros escondidos para caso algum consiga fugir por esse caminho.

Dionísio logo pulou ao meu lado.

– Vamos até lá? – Ele perguntou.

– Oh não. Ela virá até nós.

Senti ele me olhando.

– Como?

Só indiquei com a cabeça para Maria e logo ele acompanhou com o olhar.

Maria que estava séria com os braços cruzados mudou as expressões. Seus olhos ficaram fora de foco e seus braços ficaram ao lado do corpo.

Assim iniciou uma caminhada mecânica na nossa direção, mas na sua velocidade normal.

– Torne-a invisível para os outros também. – Pedi a ele. Vi seu dom se envolver nela e cobri-la assim como estava nos cobrindo.

Ela fechou os olhos brevemente como se estivesse acordando e quando finalmente os abriu estava com sua própria consciência.

A primeira coisa que ela fez foi resmungar. E ofegar logo em seguida dando um passo apavorada para trás.

– Isabella. – Ela sussurrou em pavor. – Você estava morta.

– Não graças a sua ajuda. – Sorri sínica, no entanto logo se desfez assim que a peguei pelo braço e pescoço girando-nos e a prendendo contra a lateral do penhasco.

– Socorro. – Ela gritou por ajuda.

– Achei que era mais esperta que isso. – Eu disse.

Ela olhou para os lados procurando por ajuda quando deu de cara com Dionísio.

– Você. – Ela arregalou os olhos. – Está nos traindo! – Acusou-o.

– Nunca estive do lado de vocês para ser um traidor.

Ela rosnou e se debateu tentando se soltar.

– Me soltem.

– E por que acha que eu faria isso? – Questionei-a.

– Porque eu faço o que quiser.

Maria podia ser fraca, mas sabia reconhecer que eu era a mais forte. E agora que sabe que eu estou viva, sabia também que não teria chances de ganhar essa guerra.

– Oh com certeza você fará, mas será do meu jeito. – Disse e com a mão que segurava seu pescoço a prendi segurando seu maxilar fazendo assim ela me olhar sem desviar.

Busquei na sua mente todas as informações que eu precisasse. De todos os vampiros que estavam do lado deles. Onde cada um estava, seus dons e seus planos.

Ela não sabia tanto, mas já estava treinando mais um grupo de recém-criados e tão pouco demoraria para atacar os Volturis.

Eu tinha pressa e queria logo voltar. Resolvi rapidamente o que vim fazer e controlei Maria por completo. Mandei que conseguisse encontrar todos os vampiros que estavam por ai pelo mundo fazendo algum serviço para eles e que os trouxesse exatamente aqui até o terceiro dia.

Nem precisaria controlar James assim que ele visse a movimentação ele e seus vampiros mais próximos iriam vir para ver qual era o problema.

Mandei-a embora e avaliei mais uma vez o lugar guardando todos os mínimos detalhes.

– E o que acontecerá agora? – Dionísio perguntou me chamando a atenção.

– Fácil. A guerra começará e terminará.

Ele arregalou os olhos surpreso.

– Haverá uma guerra então?

Balancei a cabeça assentindo.

– Claro que você não é obrigado a participar e se deseja partir terá suas escolhas.

– E perder a chance de matar Victória? – Ele deu um pequeno sorriso. – De jeito nenhum.

– Victória? – Arqueei uma sobrancelha.

– Ela é tão ardilosa ou mais que James. Temos que tomar cuidado com ela, mas a quero porque vi ela destruir muitos vampiros e inclusive... – Ele comprimiu os lábios.

– Inclusive. – Incentivei-o.

– Uma vez ela bateu na Vanessa. – Suas palavras me atingiram em cheio.

– Ela teve essa audácia?

Não podia ser verdade.

– Eu não acredito. – Rosnei furiosa. – Eu vou mata-la.

– Não Bella. Eu sei que você quer muito isso, mas você terá o James. Deixa-a para mim. Se tem alguém que merece mata-la além de você esse alguém sou eu. — Ele argumentou convicto.

A vontade que eu tinha era matar os dois agora, porém Dionísio queria muito a Victoria. Eu a deixaria para ele, sabia que se tinha alguém capaz de detê-la era ele, pois vi nas memórias tanto dele quanto de Maria que não devia subestimar Victória. Ela pode até não ser tão forte quanto James, mas era muito esperta o que a tornava mais perigosa.

– Tudo bem.

Ele me olhou e sorriu.

– Obrigado.

Dei um pequeno sorriso e me virei em direção ao penhasco. Era melhor ir, pois a situação entre nós estava ficando diferente, contudo antes que eu pudesse pular Dionísio segurou minha mão.

Estremeci com seu toque. Eu não o queria perto de mim não nesse sentido. Ele era um vampiro incrível e seria eternamente grata por ele cuidar da minha filha, mas era só isso. O único que ocupou o espaço no meu coração foi e é Edward.

– Sim? – Me virei com a aparência tranquila.

– Bella. — Ele começou inserto. – Você se tornou muito especial para mim em tão pouco tempo e tenho certeza que não consegui esconder esse sentimento de você. É algo novo e diferente do qual nunca senti.

– Dionísio...

Ele silenciou meus lábios com o seu dedo

– Me deixa terminar sim? — Ele delicadamente após ver meu silêncio colocou a mão no meu rosto e tirou o dedo dos meus lábios.

– A verdade é que vez ou outra eu lhe encontrava pelo mundo e via como você era. Apesar de sentir raiva de você acreditando que abandonou Vanessa, eu também sentia uma curiosidade por conhece-la. – Essa afirmação era nova para mim. – Eu podia muitas vezes ter contado ao James onde estava, mas nunca quis me meter que apesar de tudo. Não me agradava a ideia de traí-la.

Suas palavras me pegaram de surpresa. Jamais nunca imaginei que Dionísio me seguia, no entanto agora faz sentido porque aquela sensação é familiar quando ele estava invisível próximo a mim.

– Eu ouvi você conversando com aquele rapaz, Edward e não sou tolo de não ter percebido que há algo entre vocês. – O vampiro na minha frente começou a dizer. — Mas não posso negar meus sentimentos e eu quero que saiba que não seria um obstáculo na vida de vocês, mas que fique ciente que estou aqui por você e pela Vanessa. E se algum dia pensar na possibilidade de existir um nós, eu lutarei pela gente.

Dionísio se abriu para mim de um jeito surpreendente.

Esses malditos anos me deixou vulnerável, se nada disso tivesse acontecido eu já teria mandado ele para aquele lugar ou até mesmo o matado, porém nunca teria feito o que vou fazer.

Eu sorri levemente e dei um passo encurtando o espaço entre nós. Levantei-me nas pontas do pé dando um beijo no seu rosto.

Afastei-me lentamente e o observei com os olhos fechados.

– Você é um homem especial Dionísio. — Ao ouvir minha voz ele abriu os olhos brilhando. – E serei eternamente grata por você cuidar da minha filha. – Disse em voz alta meus pensamentos de minuto atrás. — Não terei como lhe recompensar isso, então estou em divida com você. Se precisar de qualquer coisa não hesite me chamar, mas é só isso. Eu já amo Edward e ele é meu companheiro. É com ele que dividirei minha eternidade.

Não quis ser cruel, eu só quero deixar bem claro a situação sem nenhuma esperança em vão.

– Eu entendo. – Sorriu fraco.

Dei um pequeno sorriso de volta.

– Será que podemos ir?

– Claro. – Assentiu. – Mas... Antes... Você disse que tinha uma divida comigo. – Eu não sabia se foi uma pergunta ou uma afirmação por isso decidi permanecer em silêncio. — Há um jeito que eu gostaria que me pagasse.

Oh não! Pela primeira vez o vi nervoso, mas olhando dentro dos meus olhos ele parece ter buscado alguma força, pois vi seus olhos se tornarem determinados.

– Me de um beijo?

Era isso que eu temia.

– Só um beijo. Eu não quero mais nada.

– Dionísio...

– Só... Por favor... Um beijo.

Fechei os olhos suspirando lentamente. Eu não podia fazer isso com Edward, mas ao mesmo tempo estava em divida com o vampiro na minha frente.

Se ele pedisse qualquer outra coisa seria tão mais fácil.

Senti ele na minha frente quase colando em mim.

– Bella. — Ele sussurrou meu nome tão suave e perto que consegui sentir o hálito da sua boca em meu rosto.

Eu podia beija-lo aqui mesmo e dar o assunto por encerrado ou poderia ficar com ele por uma noite, porém esta era a antiga eu. Antes de conhecer o amor, antes daqueles olhos dourados se encontrarem pela primeira vez com os meus. Agora tudo mudou e eu tinha olhos somente para Edward.

Pensar nele me fez abrir um sorriso. Só de pronunciar seu nome nos meus pensamentos faz uma agitação no meu estômago algo que eu nunca imaginei ser possível.

– Me desculpe. — Disse ainda sorrindo e abri os olhos. Dionísio me olhava com a testa franzida. – Mas isso é a única coisa que eu não posso te oferecer. Trair a Edward é a mesma coisa que trair a mim. E da forma que eu sinto algo poderoso por ele não existe nenhuma possibilidade de magoa-lo.

Ele olhou para baixo chateado e apertou os lábios antes de um pequeno sorrio triste surgir neles. Suas mãos seguram as minhas e ele as ergueu até a altura dos seus lábios depositando um beijo ali.

Por fim, finalmente ergueu a cabeça e me olhou.

– Esse Edward é um homem de muito sorte.

– Não. – Neguei com a cabeça sorrindo. – Eu quem tenho sorte por tê-lo ao meu lado.

Dionísio fez uma pequena careta e deu uma risada baixa.

– Acho melhor não pensar como você, afinal não gosto de homens.

– Certamente não. — Disse antes de soltar minhas mãos da sua e dar um passo para trás.

– Bella, me perdoa pelo que pedi. — Balancei a cabeça para mostrar a ele que o assunto seria por esquecido. – E espero que a amizade que construímos não morra aqui.

– Não se preocupe, não irá.

– Obrigado.

Ficamos num silêncio constrangedor. Não era fácil ignorar, também depois desses últimos minutos.

– Acho melhor nós irmos embora, temos muito o que fazer. — Disse por fim.

– Primeiro as damas. – Ele apontou para cima do penhasco.

– Quanta gentileza. – Ironizei e rimos juntos antes de eu dar as costas para ele e pular até o topo.

Ao virar para trás ele me observava fixamente.

– O que foi? Muito alto para você?

Ele riu antes de dar um impulso e pular até parar ao meu lado.

– Muito bom. — Zombei e pisquei com um olho antes de me virar e sair correndo pela floresta.