A Primeira Eterna
49 Nem tudo está perdido
Notas iniciais
POV EDWARD
– Vamos, Edward! Não custa nada. – Nate irritantemente insistiu mais uma vez.
– Já disse que não vou para La Push com você.
– Ah tio, por favor. Leah vai me dar uma presente.
– Então faça como todo mundo e espere que ela lhe dê.
Ele bufou.
– Você não entende ela só vai me dar no meu aniversário. Daqui há 2 meses!
– Por que você veio mesmo?
Nate arrumou sua jaqueta de couro.
– Para ver a tia linda, por que mais seria?
– Agora que já viu, você já pode voltar para Leah.
– Já te disseram que depois que você voltou a ser o mesmo de antes ficou extremamente chato.
– Eu disse. – Nessie falou enquanto passava pulando por nós.
Essa por sua vez o humor mudou completamente desde que voltou ontem.
Parece que ela e Bella tinham se acertado, pelo menos alguém aqui conseguiu se aproximar da Bella, mas eu sentia que minha falta de sorte estava para mudar.
Ontem pela manhã quando as duas chegaram David, sua esposa e seu filho já se encontravam aqui. Surpreendendo a todos. Nessie apareceu sendo carregada por Bella em suas costas, as duas entre risos.
Exatamente, Bella estava sorrindo pela primeira vez. Não sei qual a mágica ou o que Nessie falou para ela que mudou o comportamento dela. Desde o dia que nós tivemos nossa última conversa, acabei sendo o culpado pelo seu afastamento com todos principalmente com sua filha. Esse foi meu pior erro, fiquei terrivelmente mal por ver a tristeza nos olhos de Nessie cada vez que tentava falar com a mãe e a mesma sempre fugia.
Pensei no que podia fazer e com a ajuda de Jasper achamos o melhor meio que encontramos para juntá-las novamente e com sorte desse tudo certo. E pelo visto tinha dado, bom pelo menos com Nessie, já que quando Nessie desceu das costas Bella não teve nem tempo de ter uma reação quanto ao Nate se jogou contra ela gritando “Tia Gataaaaa!”. Todos trancaram a respiração todos esperávamos a reação da Bella quanto a isso e como imaginávamos ela não teve uma reação boa.
Bella tão rapidamente quanto foi pega de surpresa foi extremamente rápida ao pegar pelo pescoço de Nate e começar a enforcá-lo. Todos gritávamos para ela parar, mas ela só se deu conta quando Nessie tocou no seu braço pedindo silenciosamente para que parasse. Pude ver nos olhos de Bella a vergonha que sentiu quando descobriu que quase tentou matar o próprio sobrinho. Sinceramente, pensei que ela fugiria como sempre tem feito ultimamente para se livrar de algo, mas para minha surpresa. Ela ergueu a cabeça e pediu desculpas.
Como Didyme tinha dito e eu já havia percebendo. Bella mudou muito desde tudo que aconteceu há cinco anos até os dias de hoje. O olhar vazio ou raivoso tem se tornado menos frequente sendo substituídos por curiosos e principalmente pelo novo brilho de felicidade contidos neles a partir de ontem.
O incrível disso tudo. Foi como Claire se aproximou facilmente de Bella. Não sei se ela teve essa facilidade por Bella tê-la conhecido depois que estava de bem com Nessie ou porque ela simplesmente foi com a cara da cunhada.
Nem mesmo David teve a mesma chance que sua esposa.
Alice sentiu uma pontada de magoa vendo Bella conversar tranquilamente com Claire do que com ela. Confesso que me senti mal por minha irmã. Ela realmente ama Bella, tenho certeza que Bella também a ama, mas o fato dela e Claire passarem séculos juntos da a vantagem para sua cunhada conhecê-la muito bem.
– Vai continuar a me ignorar mesmo? – Nate disse me dando um soco no ombro.
– O que quer agora?
– Estou aqui dizendo mil motivos para você ir comigo e você fingi nem ao menos me ouvir.
Ah se ele soubesse que eu nem sequer prestei tenção em nenhuma palavra sua.
– Desista. – Disse simplesmente.
Ele bufou.
– Otário. – Ele me xingou saindo bufando.
– Hey. – Gritei. – Idiota. – Sussurrei baixinho.
– Eu ouvi isso. – Ele gritou de volta enquanto abria a geladeira da cozinha.
Era para ouvir mesmo.
Abri um sorriso enorme ao ouvir os passos de Bella se aproximando de casa. Como eu sabia? Simples. Bella era a única que tinha uma leveza incrível para correr, seus pés quase não tocavam ao chão e tinham uma sincronia perfeita de um passo para outro.
No entanto, franzi o cenho ao ouvir mais um passo acompanhando o seu. Quem era? Olhei a mente da pessoa e era Jasper? O que eles estavam fazendo juntos?
Parei para pensar se eles tinham se encontrado no meio do caminho, mas pensando direito desde que Bella saiu de casa eu não tinha visto Jasper.
Eles estavam esse tempo todo um na companhia do outro?
Senti o ciúme me corroer por dentro. Eu sei que ele é meu irmão e jamais trairia Alice e Bella tenho certeza que não se envolveria com ele, mas não pude evitar o ciúme que senti ao descobrir que eles estavam sozinhos em algum lugar por ai.
Como meu irmão conseguiu passar mais tempo com Bella do que eu?
Quando os dois adentraram pela porta da sala. Fuzilei Jasper com meu olhar.
“Se acalme irmãozinho. Eu não fiz nada demais.” ele pensou.
Eu sei que ele não tinha feito nada.
Ignorei-o observando Bella caminhar em direção a escada desde a nossa última conversa ela nunca mais me olhou. E a cada rejeição sua, fazia meu coração doer.
Mais eu estava confiante que talvez isso mudaria. Eu estava tentando armar um jeito de tentar me reaproximar de Bella e depois das pazes que teve com sua filha sinto que minhas chances aumentaram gradativamente.
Era só esperar a hora certa pelo sinal de Alice.
[...]
Dois dias se passaram desde Nate enchendo meu saco, mas finalmente ele compreendeu o meu não.
– É só isso que eu te peço tio e prometo nunca pedir mais nada. – Ou ele quase entendeu.
– Você compreende o que significa a palavra não. – Fui curto e grosso.
– Eu sei, mas você poderia pelo menos...
– Já chega Nate Swan. – Claire brigou com ele. – Você já está enchendo Edward há dias isso já passou dos limites.
– Mas...
– Sem mais. Eu juro que se você pedir mais uma vez para ele vou contar a Leah que está trapaceando. – Assim que sua mãe disse ele arregalou os olhos apavorados.
– Não. Tudo menos isso mãe, ela vai me matar se souber.
– Então chega. Deixe Edward em paz.
Ele bufou me olhando carrancudo. Sorri cinicamente.
Sai dali e encontrei Emmett de braços cruzados com um enorme beiço na boca.
– Ainda fazendo birra? – Provoquei-o.
– Aquilo foi trapaça. – Ele disse bravo.
Eu e David que estava sentado na sua frente gargalhamos alto.
– Você perdeu de David que por cima de tudo estava bêbado.
Nate e meu irmão lutaram hoje pela manhã e meu irmão perdeu uma luta em menos de um minuto por três vezes. E além de tudo David tinha tomado um grande estoque de Whisky antes da luta.
– Tem alguma coisa dentro dessa bebida que ele está tomando. – Ele disse encarando severamente David. – Me da um gole.
– O que? – Arregalei os olhos incrédulos.
– Vai logo me da um gole dessa porra. – Ele pediu.
– Com certeza. – David riu esticando a garrafa de Whisky que estava do seu lado.
– Emmett isso é bebida humana. – Relembrei-o.
– Não ouça seu irmão, é provável que isso tenha mesmo me deixado muito mais forte. – David o incentivou a tomar.
Bom, eu avisei. Jasper no instante seguinte apareceu do meu lado se divertindo com a cena.
Meu irmão tirou a garrafa com tudo da mão do lobisomem e deu um enorme gole na bebida humana.
Pouco menos de dois segundos a bebida ficou na boca de Emmett. Ele não suportou e cuspiu toda a bebida no carpete de dona Esme.
– Argh! Que troço mais horrível. – Meu irmão colocou a garrafa na mesinha do lado do sofá e esfregou a mão na língua tentando tirar o sabor detestável da boca.
Jasper caiu na gargalhada ao meu lado e eu me juntei a ele.
– EMMETT! – Ouvimos o grito da nossa mãe na entrada da sala. – O que você fez?
Ela olhava horrorizada para seu carpete todo molhado.
– Experimentando Whisky. – Ele falou todo enrolado porque segurava sua língua com uma das mãos.
– Você vai limpar essa bagunça agora.
– É só deixar ai que seca.
Esme lançou um olhar mortal para Emmett. Nossa mãe era extremamente calma e tranquila desde que não quebrasse ou sujasse nenhum dos seus móveis.
Meu irmão imediatamente se levantou do chão e começou a retirar o tapete.
Ri novamente.
Esme ficou mais calma ao ver meu irmão juntando o tapete para lavar.
Emmett planejava colocar dentro da maquina de lavar. Idiota não se lava tapete na maquina de lavar e como se dona Esme já previsse o que meu irmão iria fazer. Alertou-o:
– Só um aviso filho. – Nossa mãe chamou sua atenção. – Não coloque na maquina de lavar. Não é lá que se lava.
Nem parecia eu o leitor de mentes aqui.
Emmett ficou emburrado e se levantou colocando o tapete sobre o ombro.
Pelo mesmo caminho que ele estava saindo Alice passou dançando.
– E esfregue com a escovinha de dentes. – Cantarolou ela animada.
Ele virou para trás mostrando a língua para ela.
– Que felicidade é essa? – Jasper perguntou todo sorridente ao ver a alegria da fadinha.
– Chegou a hora. – Disse animada.
Abri um largo sorriso ao saber do que ela falava.
– Se me derem licença vou caçar agora. – Disse saindo de casa.
Jasper me olhou estudando milimétricamente e sorriu ao saber do que se tratava.
“Vai dar tudo certo” ele torceu por mim e enviou uma onda de confiança.
Agradeci internamente por isso. Eu precisava de toda confiança e apoio possível.
Corri para dentro da floresta atrás de casa e por algumas horas cacei animais que tinham por lá.
Quando terminava de sugar o sangue de um lobo. Senti o meu celular vibrar.
Prontamente joguei-o de lado e peguei para ler a mensagem que tinha recebido.
Ela está saindo agora. Vá!
Guardei o celular de volta e corri para o lado da floresta que Alice disse que Bella iria passar.
Tínhamos combinado de eu ter mais uma chance de conversar a sós com Bella sem que ela achasse que era alguma armação como descobriu na primeira vez. Dessa vez faríamos com que ela me encontrasse “casualmente” no meio de uma caçada.
Eu podia ficar aqui parado e esperar que ela passasse por mim, mas talvez assim ela me evitaria e fosse para o outro lado. Então a única coisa que me restava era fingir que estava caçando e me encontrar com Bella no meio do caminho, mas para isso eu precisava ser um bom ator e fingir que estava mesmo em modo de caça, ou seja, quando estamos caçando nos tornávamos egoísta pela comida e brigávamos se fosse preciso pela nossa refeição como algumas vezes aconteceu quando um e outro da família descuidadamente brigavam pelo mesmo animal.
Eu não usaria completamente meus instintos, mas respiraria um pouco do sangue e deixaria o sangue animal me guiar parcialmente assim minha reação seria mais verdadeira. Bella era inteligente demais e sabia quando era enganada. Eu não podia correr o risco dela desconfiar que estava armando para conversar com ela.
Eu nem analisei o local como sempre fazia antes de caçar, temendo por um humano estar por perto.
Então, inalei profundamente sentindo os cheiros por aqui e corri em direção ao lado que ela viria e tinha um urso para minha sorte. Contudo fez a cede aumentar.
Corri bastante e no meio do caminho o vento mudou trazendo um cheiro delicioso que há muito tempo abdicava, mas como deixei parcialmente meus instintos me guiarem com esse cheiro qualquer resquício de racionalidade minha foi por água abaixo.
Meu único desejo no instante era unicamente aquele doce e suculento sangue que exalava de um humano pela floresta.
O monstro dentro de mim rugiu por esse liquido e minha garganta queimava e implorava pelo alivio que precisava.
Eu sentia ele próximo cada vez mais próximo e a intensidade do cheiro só aumentava me levando a loucura.
Não pensei em ninguém, na decepção que minha família ficaria ao descobrir que tinha cometido esse deslize.
Nada vinha na minha mente a não ser o sangue.
Eu já podia sentir a batida do coração do humano alguns metros à frente. Era só uma mordida e pronto. Tudo estaria perfeitamente bem.
Senti o veneno se acumular na minha boca.
Inesperadamente senti algo se chocando contra mim me jogando alguns metros de distância. Caí no chão arrastando a neve por onde passava.
Rapidamente me levantei e rosnei para o quem quer que fosse.
Alguém estava ali para brigar pelo sangue que era meu, mas eu não deixaria. Eu acabaria com quem quer que fosse. Ninguém tiraria meu alimento de mim.
Meus instintos me alertaram que o indivíduo estava a minha esquerda. Avancei sobre ele, mas o maldito desviou no último instante e chutou minhas costas me derrubando.
Um rugido bestial saiu pela minha garganta.
As batidas do coração ficaram instantemente mais rápidas fazendo o sangue bombear mais rápido chamando por mim.
Virei o rosto em direção ao cheiro e inalei profundamente. A minha presa estava ferida e agora o sangue exposto parecia estar mais forte.
Esqueci que eu estava brigando com alguém e tentei avançar em direção ao humano, mas antes que eu pudesse dar uma boa aproximada de onde ele estava. Mais uma vez senti algo se chocando contra mim, mas dessa vez esse vampiro foi para o chão comigo.
Nós rolamos alguns metros para o lado, para mais longe do sangue.
O vampiro parou por cima de mim. Me debati tentando me soltar de qualquer jeito, mas ele era forte demais. Me prendendo contra suas mãos de ferro incapacitando qualquer movimento meu.
Eu precisava sair dali, matar ele e depois ter minha merecida recompensa.
– Edward. – Ao longe escutei uma bela e suave voz.
Uma voz que parecia de um anjo. Meu anjo particular.
– Edward. – Eu sabia de quem era aquela voz. Era da minha amada e doce Bella. Ela estava aqui? – Edward, foco. Tranque a respiração.
– Bella? – Pisquei algumas vezes finalmente voltando a ter minha racionalidade e finalmente enxergando a figura do vampiro que estava em cima de mim.
Não pude conter a surpresa ao ver que quem estava por cima de mim era Bella.
Abri a boca chocado, mas ela tampou tão rapidamente quanto meu nariz.
– Pare de respirar. – Ela pediu olhando para o lado. – Temos que sair daqui.
Fiquei a encarando por longo tempo até finalmente ela voltar a me olhar e prender seus graciosos olhos chocolates nos meus.
Ficamos assim até ela quebrar o contato.
– Vamos. – Ela me puxou para cima e me tirou dali. Meio confuso com o que aconteceu e o que estava acontecendo deixei-a me guiar.
Corremos distante de onde o humano estava, distante de qualquer resquício do cheiro dele.
Nós paramos em frente a um lago congelado. Na verdade eu parei bruscamente me dando conta do que tinha acabado de fazer.
Eu quase me alimentei de um humano. Como eu fui me descuidar de tal forma? Depois de tantas décadas sem me alimentar de humanos pela primeira vez eu quase cometi um deslize deixando o monstro dentro de mim surgir. Ah se não fosse por Bella eu não sei o estrago que teria feito.
Espera!
Eu quase tentei matá-la. Olhei aterrorizado na sua direção e ela não me olhava e sim para o lago na nossa frente.
Quase a matei. Eu desejei mata-la. Como pude pensar em algo do tipo?
A dor da culpa e a vergonha que cometi cresceu dentro do meu peito. Sentei no chão e olhei desolado para o lago.
Se Bella não fosse mais forte que eu, provavelmente eu teria... Um nó na minha garganta se formou.
Eu não podia acreditar.
Agora eu compreendia que não era digno do amor dela. Eu jamais seria bom o suficiente para ela. Eu sou um fraco quem tenta matar a própria companheira?
Somente um monstro como eu.
Senti ela tocando a mão no meu rosto e virando-o na sua direção.
Ela tinha as sobrancelhas franzidas me estudando cuidadosamente.
Como eu pude pensar em mata-la? Será que um dia merecerei pelo menos o seu perdão?
– Bella... – Sussurrei angustiado.
– Shiiiiii. – Ela me silenciou. – Está tudo bem Edward. Você não matou o humano.
Fiquei furioso. Ela achava que eu estava assim por causa do humano.
– Que se dane o humano. – Explodi fazendo-a arregalar os olhos. – Bella. Eu quase te matei.
Após o susto, ela riu sarcástica.
– Você nunca conseguiria me matar.
– Você não entende, não é mesmo? – Falei ríspido tirando sua mão de mim e olhando para frente. – Eu posso mesmo não chegar perto nem de encostar um dedo em você, mas saber que eu desejei te matar por causa de um pouco de sangue é a pior coisa que pode existir.
– Edward, está exagerando.
– Estou? – Fitei agora eu rindo debochado pela situação. – Como se sentiria ao perceber que tentou matar a pessoa que ama por nada?
Pelo visto ela percebeu finalmente sobre o que eu estava querendo dizer, pois ficou silenciosa.
Nós dois não dissemos nenhuma palavra durante muito tempo, parecia que horas havia se passado. A cor do céu tinha deixado para trás o azul claro dando o inicio da tonalidade do azul escuro no seu lugar. A cor alaranjada e meio arroxeada predominavam grande parte do céu impedindo essas duas cores se tocarem.
Depois desse tempo eu podia finalmente pensar racionalmente.
Eu precisa do perdão dela. Pelo menos disso eu precisava e eu prometo a mim mesmo que jamais ficaria ao seu lado se tivesse a possibilidade de tentar machucá-la mais uma vez.
– Bella. – Chamei-a, mas ela não olhou na minha direção. – Me desculpa?
Ela revirou os olhos.
– Está mais calmo agora?
Foi a minha vez de revirar os olhos como se eu pudesse ficar calmo num momento desses.
Ela me encarou.
– O que quero dizer é que você não ia me matar e foi exatamente o que aconteceu. Você sozinho parou.
– Claro que não. – Bufei. – Só parei porque ouvi você me chamando.
Ela arqueou uma sobrancelha me fitando.
Arregalei os olhos.
– Cedo ou tarde você iria ver que sou eu ou alguém que conhecia, e sozinho como fez iria parar de atacar.
Será que eu conseguiria mesmo se fosse outra pessoa? Mas foi Bella que me fez enxergar que estava na minha frente.
Estreitei os olhos na sua direção.
– Como tem certeza? – Perguntei duvidoso.
Ela deu de ombros.
– Eu simplesmente sei.
Tentei questioná-la e dizer que estava completamente enganada, porém ao olhar em seus olhos senti que não era certo dizer isso. Tinha um brilho diferente em seus olhos demonstrando que ela realmente acreditava veemente no que estava dizendo.
Eu não podia contrariá-la, não quando ela estava depositando toda sua confiança em mim.
– Tudo bem, mas eu preciso pelo menos do seu perdão por ter tentado ataca-la.
– Se fará você se sentir melhor está perdoado.
Ela sorriu verdadeira. Era a primeira vez que eu a via sorrir para mim.
Meu coração parecia que podia voltar a bater a qualquer momento. Me perdi na beleza de seu rosto.
– Edward. – Ouvi ela me chamando com a voz um pouco mais alta que o normal.
– Seu sorriso é lindo. – Disse sorrindo como um bobo, só que arregalei os olhos ao me dar conta do que tinha dito.
Bella franziu o cenho e parecia confusa com algo.
Estranhei sua reação.
Ela piscou algumas vezes e balançou levemente a cabeça.
O que aconteceu?
– Está tudo bem? – Perguntei chamando sua atenção novamente para mim.
– Está. – Ela respondeu incerta. – Eu acho melhor eu ir.
Ela tentou se levantar para sair, mas eu não podia deixar ela ir. Agora que eu finalmente consegui um tempo a sós com ela. Segurei seu pulso num gesto desesperador.
– Por favor, fique mais um pouco. – Implorei.
Ela olhou para mim e depois em volta, antes de suspirar e se acomodar novamente no mesmo lugar.
Não pude evitar o sorriso vitorioso que surgiu no meu rosto. Bella aceitou ficar aqui comigo.
Ficamos os dois quietos até ela quebrar o silêncio.
– O que aconteceu hoje?
– Sobre?
– O humano.
Ah isso. Eu podia dizer parcialmente a verdade e não toda ela. Não estaria mentindo só omitindo uma parte dela.
– Bom, eu estava caçando e descuidadamente deixei que o sangue humano me controlasse.
Fiz careta.
– Não é tão ruim assim se alimentar de humano. – Bella tentou se defender.
– E eu realmente não me importo que você se alimenta deles. Só que eu não consigo.
– Por que?
– Porque não quero ser um monstro.
Bella se mexeu inquieta e por fim disse num tom quase inaudível para mim mesmo.
– Eu sou um monstro?
Arregalei os olhos e virei desesperado para sua direção.
Ela tinha os olhos fechados, mas as expressões do rosto eram torturadas.
Levantei-me apressadamente e agachei ficando de frente para ela e colocando minhas mãos em volta do seu delicado rosto.
– Bella, por favor, olhe para mim. – Implorei desejando arduamente que ela me obedecesse. Para minha sorte, ela fez o que eu pedi e abriu-os.
Gemi internamente por ver a magoa contidos neles.
– Preste atenção. Eu só falei de mim isso, porque eu posso ler a mente dos outros e sempre que me alimentava dos humanos eu via minha própria expressão causar-lhes o medo que jamais sentiram antes. – Comecei a explicar.
Esfreguei meu polegar nas maças do seu rosto.
– Bella, você jamais poderia ser comparado com um monstro. Você é o mais belo anjo que veio me salvar. Me salvar de mim mesmo e principalmente me mostrar e me ensinar o que é o amor. – Sorri. Talvez fosse demais dizer pra ela tudo de uma vez meus sentimentos, mas sentia que esse era o momento certo. – Mesmo com o passar desses anos que passei longe de você meu amor não diminuiu por nenhum segundo. Sempre me mantive ali acreditando que um dia eu a reencontraria mesmo que não fosse nessa vida. Eu sabia que uma hora ou outra eu te encontraria. E alguém lá em cima deve ter ouvido minhas preces, o meu desespero, pois me trouxe você de volta. Te amei desde a primeira vez que te conheci há quase seis anos atrás e te amei a primeira vez que a te reencontrei dias atrás. Não importa o que você faça, pode até tentar me afastar, me ignorar, me bater. – Ri. – Ou até dizer que me odeia, mas eu nunca desistirei de você e farei o que for preciso para tentar te reconquistar mais uma vez.
Abri meu coração para ela. Disse tudo o que estava guardado dentro de mim. Eu não esperava que ela me beijasse e dissesse que me amasse, eu só esperava que ela acreditasse nas minhas palavras.
Bella nada disse. Apenas ficou ali parada me olhando.
Eu precisava tentar, pode ser que eu esteja precipitado por tentar dar um passo a mais que eu devia, porém eu precisava arriscar só assim eu saberia que pelo menos tentei e não desisti como um covarde.
Talvez ela me bateria pelo que eu estava planejando fazer as chances disso acontecer eram altas, mas quer saber: Que se foda.
Segurei Bella pela nuca e a beijei.
Senti seu corpo travar na hora, no entanto em nenhum momento pensei em me afastar deixaria isso para decisão dela.
Sentir a macies dos seus lábios nos meus depois de tanto tempo era a melhor coisa do mundo.
Nunca imaginei que conseguiria isso, pelo menos não tão cedo. Parecia que a qualquer momento eu iria acordar de um sonho e ver que nada era verdade.
Mas se fosse um sonho eu lutaria para nunca mais acordar.
Bella não se afastou de mim, mas também não correspondeu. Ela parecia uma estatua, então decidi que eu devia continuar.
Lentamente fiz movimentos suaves na boca ditando um ritmo para o nosso beijo. Bella estava hesitante no beijo e essa percepção me fez perceber algo. Pela sua maneira e sua atitude eu achava, achava não eu tive certeza que durante esses anos ela nunca beijou outro vampiro.
Ela não teve ninguém assim como eu não tive.
Tive vontade de gargalhar de felicidade, mas me controlei. Bella provavelmente acreditaria que eu estava rindo dela.
Com a felicidade e a euforia que estava sentindo dentro de mim a beijei com todo amor que podia demonstrar. Era como se ela nunca tivesse beijado ninguém, porém ela aprendia muito rápido. E assim, seus lábios habilidosos se moviam em sincronia com os meus.
Num beijo perfeito.
Ela me beijou de volta!
Fui terminando o beijo aos poucos. Eu não podia continuar por muito tempo eu ainda sentia desejo enorme por ela, não podia me arriscar e avançar a situação. Os sentimentos dela era mais importante que tudo para mim.
Quando tentei me afastar. Surpreendentemente Bella me puxou para si. Beijando-me ferozmente.
Sorri da sua atitude. Era ela quem estava me beijando desse jeito e não eu, então nada mais justo que eu corresponde-lo.
Puxei Bella para cima de mim nos deitando no chão. Eu não poderia ficar com ela até o final quando nossas roupas estivessem jogadas pelo chão e nossos corpos enroscado um ao outro. O que ela pensaria?
Merda! Gemi só de imaginar a cena que costumávamos a fazer repetidamente anos atrás.
Eu tinha que me controlar antes que fizesse uma burrice.
Aos poucos eu fui cessando o nosso beijo. Eu olhei para seus olhos assim que ela os abriu. Acho que ambos estávamos com os olhos escurecidos pelo desejo, porque tenho certeza que meus olhos estavam tão negros quanto os dela.
Bella imediatamente arregalou os olhos como se finalmente desse conta do que estava acontecendo e saiu de cima de mim apressadamente.
– O que foi isso? – Ela perguntou meio aturdida.
– Um beijo.
– Eu sei, mas por que me beijou?
Depois dessa eu tive que rir.
– Você me agarrou logo em seguida.
– Eu não. – Ela fechou a cara. – Você me pegou de surpresa.
Gargalhei. Eu posso ter agarrado, mas quem não quis interromper o beijo foi ela.
Senti a neve sendo jogada na minha cara antes delas se levantar e sair pisando duro.
– Aonde você vai? – Gritei mesmo desnecessário.
– Para longe de você. – Ela gritou irritada de volta.
Como nos velhos tempos.
– E vai ignorar o que aconteceu aqui? – Falei enquanto me levantava e seguia ela.
– Não aconteceu nada.
– Claro que sim.
Ela se virou para mim irritada, mas dentro do seus olhos pude ver o medo que estava sentindo.
– O que aconteceu?
– Nós nos beijamos. – Eu disse lentamente mostrando o obvio.
– E daí?
Bella não demonstrou nenhum interesse. Seu desprezo me machucou, mas conhecendo ela, sabia que estava na defensiva. Então eu não desistiria dela.
– Vai dizer que não sentiu nada aqui dentro? – Apontei para o meu coração enquanto me aproximava lentamente dela. – Pois eu senti, senti como se estivesse vivo novamente. Você me faz sentir algo que nunca senti antes. O carinho e o amor por você não tem limites e eu sei Bella... – Parei na sua frente seu rosto a centímetros do meu. Seus olhos se encontravam profundamente com os meus. – Que no fundo, lá no fundo você sente algo por mim também. Por isso sempre foge quando ficamos sozinhos.
– Você não sabe o que eu sinto. – Ela sussurrou.
– Não? – Puxei-a pela cintura mais próxima de mim. – Pois acho que eu sei, não sente como se seu coração pudesse voltar a bater novamente a qualquer instante? A vontade de me ver o tempo todo mesmo me evitando? As reações estranhas no seu corpo quando estou perto assim de você? O sentimento de medo por sentir o desconhecido? E a sensação boa quando está perto de mim? – Ela me olhou levemente surpresa. – Sabe como eu sei disso tudo? É porque eu sinto exatamente o mesmo.
Bella me observava atentamente sem dizer uma palavra.
– Você, Bella, é minha companheira.
– Não. – Ela sussurrou dando um passo para trás.
Senti meu peito doer com sua rejeição.
– Não faça isso comigo Bella. Com nós. – Implorei. – Você não se lembra agora, mas ouça seu coração você vai saber a verdade.
– Eu preciso... Eu preciso de um tempo para entender tudo isso.
– Você me prometeu uma vez que lutaria sempre por nosso amor.
Bella olhou para o céu pensativa. Se pensou em dizer algo, desistiu dando as costas para mim mais uma vez.
Ela ainda ia fugir depois de tudo que eu disse? Minhas palavras não significaram nada?
Bella parou no lugar.
– Edward. – Ela me chamou virando levemente na minha direção. Bella levou sua mão até o pescoço e de lá puxou seu colar. Não entendi o que ela estava querendo fazer, mas a compreensão tomou lugar quando vi o objeto circular cintilando preso na corrente. – Eu estou lutando. – Ela disse abrindo um pequeno sorriso no rosto e guardando novamente a aliança que lhe dei um dia.
Ela se virou indo embora, mas diferente das outras vezes. Ela não me deixou com uma sensação de vazio, mas de esperança.
Sorri ao perceber que nem tudo estava perdido.
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