Notas iniciais
Gente, esse capítulo é o pov de Vanessa, para entender ela um pouco e suas atitudes. Agora pensem com calma e reflitam: Imagina você conviver mais de três mil anos com alguém na sua cabeça dizendo que sua mãe é um monstro e você é a única que pode acabar com esse mal. É isso que Vanessa passa. Acho que é só isso e espero que gostem do capítulo.

POV VANESSA

Estava mais uma vez trancada no meu ateliê fazendo mais um quadro. No início era uma paisagem um campo grande coberto pela grama e composto por diversas árvores abrindo um espaço ao ar livre com uma casa ao final da vista. Os tons começaram claros, porém conforme fui pintando as cores começaram a escurecer e um tom sombrio começou a se destacar o lugar sobre as outras cores que foram sumindo aos poucos.

Afastei-me da tela e arregalei os olhos, mais uma vez eu desenhava sem perceber o lugar que tudo era para ser o fim de toda a minha raiva.

Deixei o pincel com as tintas sobre a mesinha e peguei o quadro jogando contra parede quebrando-o em pedaços.

Era sempre assim que meus quadros ficavam depois que tudo aconteceu.

Caminhei até uma parede e deslizei minhas costas por ela até sentar-me no chão apoiando minha cabeça em meus joelhos. Permanecendo mais uma vez sozinha nesse lugar.

Cenas do acontecimento de há cinco anos invadiram minha mente mais uma vez.

Tio James me disse que assim que eu me vingasse de Isabella as coisas melhorariam que eu não me perturbaria mais por ter uma mãe que tentou me matar, que eu principalmente estaria livre depois que acertasse as contas com ela.

Se era para ter a sensação de paz depois que matei Isabella, por que eu não me sentia assim?

Ergui a cabeça olhando a chuva que caia do lado de fora da janela me lembrando da história que tio James sempre me contou desde que eu era uma criança.

FLASH BACK ON

– Assopre as velas querida e faças-te um pedido. – Tio James do outro lado da mesa de jantar.

Olhei para o bolo na minha frente e o grande número indicando meus 16 anos em cima dela estava aceso.

Fechei os olhos pensando no meu pedido antes de assoprar a vela.

– Parabéns querida. – Ele olhou para um homem que parecia mais um mordomo do que um vampiro.

O vampiro veio até mim e cortou um pedaço de bolo pondo num pratinho na minha frente.

– Senhorita. – O vampiro estendeu o bolo.

– Obrigada. – Sorri tímida e peguei o pedaço do bolo apreciando o sabor maravilhoso que tinha.

– Está bom? – Tio James perguntou.

– Está uma delicia. Muito obrigada. – Agradeci a ele. Bolos de morango eram meus favoritos.

– Que bom. – Ele abriu um pequeno sorriso e se levantou vindo na minha direção. – Qual foi o seu pedido?

– Hum. – Talvez eu não devesse contar a ele. Ele provavelmente ficaria chateado, mas era o único que me conhecia e me entendia. – Pedi para que eu conhecesse minha mãe.

Ele suspirou fechando brevemente os olhos.

– Vanessa já falamos sobre isso.

– Eu sei. – Me encolhi na cadeira. – Desculpe-me. Eu queria apenas saber por que ela tentou... – Engoli em seco.

Ele abriu os olhos voltando a me fitar.

– Eu sei. Eu sei. – Tio James acariciou meus cabelos. – Mais já te contaste essa história varias vezes.

– Eu sei, mas como ela podia gostar mais de uma filha do que a outra em tão pouco tempo?

– Sua mãe era uma desequilibrada quando humana. O poder a deixou assim. Olha o que ela trouxe para o mundo: Os vampiros.

Balancei a cabeça assentindo.

– Hey. Preciso lembrar o que sua mãe fizeste contigo?

Neguei sem dizer nenhuma palavra.

Tio James me contou há alguns anos a verdade sobre a mulher que me trouxe a esse mundo que devia ser minha mãe e não uma assassina.

Descobri que mamãe era uma bruxa antes de se tornar vampira. Quando ainda humana, melhor dizendo bruxa. Mamãe era obcecada pelo poder que tinha nas mãos. Ela podia fazer o que bem entendesse e essa obsessão que trouxe o pior dela.

Tio James contou como ela era boa, mas que depois que minha vó morreu e ela adquiriu os poderes ela se tornou uma mulher má e cruel.

Pela história que eu ouvi descobri que Isabella seduziu um rei, meu pai, que passava pelo vilarejo onde ela morava. Com sua beleza incomum conseguiu fazê-lo se apaixonar por ela para se casar com ele e adquirir toda a sua riqueza, mas o que não estava nos planos dela foi descobrir que estava grávida.

Isabella tentou matar a mim e a minha irmã caindo do cavalo. Ela fingiu um acidente dizendo que caiu de um cavalo, mas a verdade é que tentou tirar as nossas vidas, porém ela não contava com seu plano ter dado errado e para estragar suas ideias Isabella ficou o tempo todo acompanhada de alguma pessoa, então seu plano foi por água abaixo, ou era assim que ela pensava até ter mais uma oportunidade.

Depois que eu e minha irmã nascemos, Isabella tentou nos matar, mal tínhamos saído de sua barriga e ela tentou nos sufocar, mas dessa vez ela foi pega no flagra. Meu pai viu tudo e nos levou embora prometendo nunca mais voltar.

Meu tio diz que por mais de um ano Isabella deu como desaparecida, mas a verdade é que ela contratou alguns bárbaros para invadir o castelo de meu pai e matar não só a ele como a mim e a minha irmã.

Tio James estava lá para cuidar de mim e da minha irmã, mas com a confusão de homens maus entrando no castelo, Isabella conseguiu encontrar para nos matar.

Por algum motivo na última hora ela se afeiçoou a minha irmã enquanto a mim teve desprezo no primeiro momento que me viu.

Ela mandou um homem que estava com ela me matasse e foi embora me deixando com o pior dos homens, no entanto tio James chegou a tempo para me salvar e desde então cuidou de mim enquanto aquela que devia estar comigo me abandonou para morrer.

– Vanessa? – Ele chamou minha atenção.

– Sim?

– Não fique assim querida. – Ele sussurrou. – Sua mãe foi cruel. Não é fácil eu sei, mas veja. – Ele sorriu. – Ela terá o que merece, você terá sua chance de enfrentá-la e mostrar a mulher que vai se tornar sem precisar da sua ajuda.

Assenti concordando com suas palavras.

FLASH BACK OFF

Fechei os olhos me lembrando que por mais dois anos eu ainda acreditava na possibilidade da história estar enganada ou que por algum motivo ela tivesse se arrependido.

Eu botei minha fé nisso até um dia tio James disse tê-la encontrado.

FLASH BACK ON

Eu estava colhendo algumas flores para enfeitar a sala do palácio quando ouvi a voz do meu tio atrás de mim.

– Que lindas flores, Vanessa. Foi tu quem plantastes? – Me virei ficando de frente para ele e sorri.

– Sim. São Jasmim.

– Elas têm um cheiro delicioso.

Virei-me de volta continuando a cortar as flores que davam para ser usadas.

– Aposto que elas são uma das flores mais cheirosas do mundo.

– Mais existem muitas outras por ai.

– Eu sei. – Dei de ombros continuando com meu sorriso. – Mas de todas que plantei senhor. Estas são as mais cheirosas.

Tio James ficou em silêncio por um longo tempo, tanto tempo que achei que ele tinha ido embora. Para confirmar minhas suspeitas olhei para trás, porém lá estava ele.

– Há algum problema senhor? – Deixei as flores de lado e me levantei.

Seus olhos vermelhos cintilavam com o brilho do dia.

– Eu lhe trago uma notícia que há muito tempo tu esperas. – Murmurou.

Arregalei os olhos. Será que ele a encontrou?

– Tu estás me dizendo que... – Não consegui nem ao menos completar a frase.

– Sim. Eu encontrei Isabella.

Eu não acredito depois de todos esses anos ele finalmente a encontrou. Talvez, eu pudesse conversar com ela pelo menos queria ouvir da boca dela por que ela fez tudo aquilo.

– Vanessa. Me escute. – Tio James me segurou pelos ombros fazendo-me focar nele. – Eu sei o que tu está pensando, porém você não pode conhecer sua mãe.

– Por que não?

– Porque ela tentará te matar assim que te ver.

– Mas talvez ela... – Ele não deixou eu terminar de falar.

– Não Vanessa preste-te bem a atenção. Você sabe que ela se transformou num monstro pior depois que se tornou vampira, certo?

Assenti, ele sempre disse isso.

– Mas eu também sei que bem no fundo você ainda não acredita nisso porque seu coração diz o contrário. Eu vou levá-la até Isabella, porém não será para você conversar com ela e sim para você ver no que ela se transformou.

Eu aceitei esse seria o único jeito de conhecer pessoalmente minha mãe sem que ela tentasse me matar.

Foram três dias de viagem até chegar no enorme palácio que ela vivia.

Nós nos hospedamos em uma casa simplória no vilarejo que pertencia ao rei do castelo. Nos disfarçando de visitantes.

Ficamos ali por mais três dias até tio James dizer que iriamos vê-la.

– Vanessa. Preparada? – Ele perguntou olhando dentro dos meus olhos.

Balancei a cabeça com firmeza. Não hesitaria agora.

– Muito bem querida, mas terá que ficar em silêncio. Dionísio irá conosco.

Era um vampiro muito mais velho que eu, pela sua altura e os traços de um homem parecia ter uns 30 anos. Era muito bonito, tinha os cabeços escuros levemente ondulados, uma postura ereta parecida com de um soldado e a mandíbula quadrada.

– Por quê?

– Seu dom é de camuflagem. Ele pode ficar invisível ocultar nossos cheiros e som que fazemos.

Arregalei os olhos.

Invisível?

– E ninguém não nos verá nem mesmo Isabella?

– Nem mesmo ela. Então vamos?

Olhei mais uma vez para esse vampiro procurando algo de suspeito nele, mas nada encontrei. Então decidi ir.

O vampiro, melhor dizendo Dionísio nos guiava pelo cantos escuros do vilarejo a escuridão da noite obrigava os moradores ficarem dentro de suas casas. Eu não sabia dizer com certeza se estávamos mesmo invisíveis. Eu conseguia enxergar a mim mesma e os dois, mas meu tio garantiu-me que ninguém mais podia nos ver.

Ao andar um pouco mais para o lado menos povoado e bem mais próximo da floresta escutamos risadas de mulheres. Eram altas e pareciam se divertir com algo.

Quando encontramos o centro da origem das risadas. Olhei horrorizada. Um homem caído morto no chão todo ensanguentado.

Era a primeira vez que vi uma pessoa morta.

– Me solta agora bruxa. – Não consegui enxergar bem o homem que gritou apenas sua silhueta ele estava virado para a floresta.

– E se eu não o fizer? – Uma voz que parecia de um anjo soou. Mais anjo não faria uma pessoa sentir medo.

– Eu juro que te mato.

– Hum! É mesmo? – A risada que ela soltou fez os pelos do meu braço se arrepiar de medo. – Pois tente.

O homem tinha algo nas suas mãos estreitei bem os olhos para ver o que era e me assustei ao ver que era uma faca.

– Desgraçada. – Ele avançou um pouco mais para o escuro tentando acertar a mulher dei um passo para frente pensando em ajuda-la, mas tio James segurou meu braço impedindo que eu avançasse.

Olhei para ele sem entender, mas a única coisa que ele fez foi silêncio com os dedos e continuar a olhar a cena.

– O que tu és? — Gritou o mesmo homem agora apavorado pelo medo.

Do nada outro homem foi arremessado da floresta para um pouco mais próximo de nós.

Ele caiu no chão gemendo de dor.

– Tentando fugir da gente. – Riu outra voz que também poderia ser comparada a de um anjo. – Que pena que não conseguirá.

A voz dessa segunda foi aumentando conforme se aproximava e saia da floresta.

Prendi a respiração e parece que meu coração parou de bater por um segundo. A garota que eu olhava na minha frente era idêntica a mim, só que mil vezes mais linda.

Por mais que a aparência de certa forma era a mesma. Ela tinha todos os traços do rosto delicadamente perfeitos, a pele mais pálida que a minha e os cabelos com certeza mais belos e volumosos. Ela era basicamente eu, mas sem nenhuma imperfeição.

Espera se ela era parecida como... Então ela é minha irmã?

– Nessie querida não brinque com a comida. – Agora eu tinha certeza. Então a voz da outra mulher só podia ser...

– É impossível evitar mamãe. – Ela sorriu perversa voltando sua atenção para o homem caído no chão.

Minha suposta irmã caminhou em direção ao homem sem desmanchar o sorriso.

– Humanos são tão fracos. – Ela disse e pisou em cima da perna do homem fazendo “crack”.

Ele gritou de dor.

– Maldita meretriz.

Um rosnado animal aterrorizante soou na frente dele e em seguida alguém se jogou contra ele o empurrando alguns metros para trás.

Dessa vez eles estavam bem mais próximos de onde eu estava e pude ver melhor seus rostos.

Ao encarar a mulher abri a boca surpresa diante de tal beleza. Nunca vi ninguém tão unicamente linda. Se eu achava minha irmã linda é porque eu não olhei primeiro para esta mulher. Tenho certeza que não existe ninguém nesse mundo mais bela que ela.

Senti até envergonhada de ficar perto de mulheres tão perfeitas como elas.

A mulher tinha o rosto milimetricamente mais divino que já vi, longos cabelos castanho e as maças do rosto acentuada.

Eu até poderia dizer que era elegante se ela não estivesse sentada sobre o homem.

Oh!

Só agora me dei conta está era minha mãe. Ela era tão linda, mas ao mesmo tempo tão assustadora. Parecia sim um anjo, mas um anjo da morte.

– Tu nunca mais ousará dizer isso de minha filha. – Ela rosnou, mas logo abriu um sorriso. – É de mulheres assim que tu gostas, não é? – Isabella sussurrou no ouvido dele. – Oh como sou tola, esqueci que tu preferes elas gritando de medo e dor. Implorando para que tu parastes.

– Me desculpe. – Ele suplicou.

– Tu deu-lhes alguma chance? – Isabella perguntou e o homem se calou. – Achei que não mesmo.

Tudo que eu escutei esqueci por completo ao ver a cena a seguir.

E assustadoramente sem eu imaginar. Ela afundou sua mão na garganta do homem.

Gritei horrorizada colocando as mãos na boca. Meus olhos se encheram de lágrimas. Eu só não sabia se estava chorando pelo que vi ou porque a esperança que eu tinha nunca sequer existiu.

A visão mais aterrorizante de toda minha vida que com certeza marcaria toda minha existência.

Só vi Isabella abaixando a cabeça e colando seus lábios na garganta ensanguentada do homem.

Olhava hipnotizada para ela sem desviar um segundo sequer dos olhos dela. Meu coração batIA freneticamente pelo desespero que senti.

Logo, ela se levantou ficando de pé. Sua boca ensanguentada se esticou levemente num pequeno sorriso.

Isabella limpou suas mãos no vestido que usava.

– Termine logo com isso e vamos Nessie. – Ela disse.

Olhei para o lado e vi Nessie atacando o homem. O grito dele durou poucos segundos e nada podia se ouvir.

Agora eu sabia que Isabella não era o único monstro ali.

Ao pensar nisso no mesmo instante Isabella virou o rosto na nossa direção. Ela estreitou os olhos olhando exatamente para mim. Senti tio James se enrijecer ao meu lado.

– Ela pode nos ver? – Ele perguntou assustado.

– Não. – Dionísio não respondeu com convicção.

Eu não prestava atenção em nada a não ser no olhar fixo dela no meu. Para meu desespero ela deu dois passos a frente.

Tranquei a respiração de medo e meu coração parecia que ia sair pela boca.

– Vamos mamãe. – Nessie a puxou quebrando o contato dos nossos olhares. – O que aconteceu?

– Nada. – Ela disse olhando mais uma vez na nossa direção.

– Então ótimo, vamos limpar isso. Temos de voltar logo para o palácio.

Isabella assentiu e antes de ir virou mais uma vez para trás. E se foi.

– Vamos sair agora daqui. – Tio James sussurrou e me pegou no colo.

Só senti o movimento veloz da sua velocidade me causando enjoo, mas durou pouco, pois ele logo me colocou no chão.

Eu agora enxergava com clareza. Aquela Isabella que eu pensei por um instante que pudesse conhecer nunca nem sequer existiu.

Este tempo todo criei uma ilusão de que ele pudesse ao menos se arrepender do que fez, mas hoje eu vi que ela era o pior dos monstros. Nunca senti tanto desprezo por alguém como senti por ela.

Ela realmente tentou me matar. Eu não queria acreditar, mas agora eu tinha certeza que se ela me visse com certeza me mataria.

Eu que nunca fiz nada para ela.

Quem ela pensa que pode me descartar assim. Pela primeira vez senti a raiva me dominar e fazer ela pagar pelo mal que se tornou e principalmente por ter tentado me matar.

– Vanessa. – Tio James me chamou.

Olhei para ele que me estudava a cada movimento.

– Eu quero me tornar vampira agora. – Pedi convicta.

Ele deu um sorriso largo mostrando todos os dentes.

Há um ano ele vem fazendo essa oferta, até hoje eu não tinha feito a minha escolha, porém agora eu tinha certeza do que queria.

E a certeza é que eu acabaria com Isabella.

FLASH BACK OFF

E por milênios esse foi meu objetivo até eu ter conseguido o que tanto almejara: Sua morte.

Mas agora me pergunto. Cadê aquela sensação de paz e liberdade que tio James disse que eu sentiria? Porque até agora eu não senti nada disso, pelo contrario me sinto mais distante.

Agora as vezes me pergunto se devia ter deixado esse negócio de vingança de lado e fosse viver minha vida. Eu não teria nunca que me preocupar com Isabella, eu nunca a procuraria e muito menos sentiria sua falta.

Antes eu deixasse isso de lado. Acho que depois que a matei seu espirito vem me atormentar todos os dias, pois nunca me esqueço da última vez que olhei em seus olhos e suas últimas palavras que parecia sussurrar diariamente na minha cabeça. “Eu te amo, Vanessa”.

Dei um soco com força no assoalho do ateliê afundando parte da minha mão nele.

Se ela me amava por que me abandonou então? E a pergunta principal que até hoje rondava minha mente. Por que ela não tentou acabar comigo quando teve a chance?

Será que ela pode ter se arrependido do que fez?

Não!

Balancei a cabeça negando tal pensamento.

Isabella era um monstro. Monstros não se arrependem.

Ela só deve ter sido pega de surpresa quando me viu. Era isso, ela não fazia ideia que eu estava “viva” então não teve tempo de reagir.

Tio James sempre me incentivou a não hesitar quando fosse o momento quando muitas vezes eu achava que era o errado me vingar. Muitas vezes ele lembrava da minha obrigação, eu falava sempre que não precisava, mas ele sempre dizia que eu era boa demais e não podia perder a chance quando tivesse senão seria eu a morrer.

Suspirei levantando-me. Não podia ficar me martirizando nessas duvidas que eu tinha.

Peguei na mesinha um pano para limpar meus dedos que sujei de tinta quando joguei o quadro e sai do ateliê depois eu limparia a bagunça que fiz.

Olhei pelo corredor vazio. Tio James sempre fazia questão de comprar mansões enormes não sei para que! Só vivia nelas eu, tio James, Victoria, Laurent, Maria e meu único amigo e irmão de consideração Dionísio. Claro nesses últimos anos me dei bem com mais dois vampiros Bree e Fred, mas eu os via poucas vezes. Eles faziam parte do exercito que Victoria e Maria estavam reconstruindo.

Fred era mais reservado na dele. No começo ele não deixava ninguém se aproximar dele graças a seu dom que fazia qualquer um ficar enjoado quando o olhasse. Os únicos que conseguiu isso foi Bree, Dionísio e eu.

Já Bree era uma vampira que foi transformada aos 15 anos era visível o medo que ela tinha dos outros vampiros em geral. Ela não era para aquilo.

Tentei tirá-la do exercito, mas Victória me proibiu e tio James ficou ao lado dela.

Fred e Bree eram bons vampiros e eu sabia o que eles mais queriam eram a liberdade. Antes eu achava que só participavam aqueles que queriam e não porque eram obrigados. Isso foi uma das coisas mais assustadoras que descobri sobre tio James. Nunca sou disso e depois de tanto tempo fiquei sabendo a verdade, pois era a primeira vez que me interagia bem com alguém do exercito.

Acho que nem podia contar a Maria, porque ela ficava mais do lado de fora treinando os vampiros do que aqui dentro. Eram raras as vezes que eu a via andando por um desses corredores enormes e vazios.

Nós morávamos afastados da cidade e todos os vampiros moravam com a gente. Não na mansão mais nas casas ao lado que fazia parte da propriedade.

Durante esses anos tio James tentou recuperar pelo menos uma metade do exercito que Isabella dizimou. Confesso que me surpreendi ao descobrir, nunca ninguém conseguia dar contar com cinco vampiros sozinhos. Imagine um exercito então?

Aposto que se ela quisesse ninguém conseguiria detê-la, mas eu consegui. Por quê? Tenho certeza que se ela quisesse acabaria comigo facilmente.

Por mais que eu tentava parar de pensar nesse assunto eu não conseguia. Meus pensamentos sempre voltavam para eles. Eu precisava de alguma coisa para distrair.

Ao virar o corredor dei de encontro com meu amigo.

– Dionísio! – Disse feliz.

– Está tudo bem? – Ele tinha uma pequena ruga de preocupação entre os olhos.

– Está. – Tentei soar normalmente.

– Certeza? – Ele arqueou uma sobrancelha. – Então que barulho foi aquele que eu ouvi?

Desviei meus olhos dos seus.

– Nada. Eu só estava dando uma arrumada no ateliê e deixei um dos quadros cair.

Olhei pelo canto do olho e vi ele estreitando os olhos.

– Ainda não conseguiu pintar nada?

Abaixei a cabeça. Dionísio era o único que me conhecia realmente e sabia dos meus problemas.

– Não fique assim Vanessa. – Ele esfregou sua mão na minha bochecha. – Que tal irmos caçar. Seria bom sair um pouco desse lugar.

Ergui meu rosto e ele tinha um pequeno sorriso nos lábios, um sorriso que sempre o deixava com um ar juvenil.

– Isso seria bom. – Sorri de volta. – Acho que estou precisando de um ar.

Ele assentiu e estendeu seu braço para acompanhá-lo.

– Sabia que você às vezes você parece ter uns 20 anos.

– Bom, eu realmente não tenho. E você é muito madura para uma criança – Nós dois rimos.

– Falou o vovô.

– Me respeite sou mais velho que você.

– Só alguns anos. – Ele contra argumentou.

– Acho que não tem como discutir sobre isso.

– Certamente não.

Rimos, mas parei ao ouvir a voz do meu tio na biblioteca.

– Vou avisar ao tio James que vou sair para caçar. – Sussurrei para Dionísio.

– Você não precisa dizer tudo o que vai fazer para ele. – Meu amigo disse contrariado.

Dionísio nunca foi com a cara de tio James, talvez porque meu tio o tenha transformado, mas de qualquer maneira ele não gostava do meu tio.

Sei que as vezes meu tio colocava medo, mas era seu jeito.

– Espere aqui que eu já volto. – Pedi a ele e corri em direção à biblioteca.

A porta estava entreaberta quando eu ouvi ele dizer.

– Está certo, Laurent você vai até os Cullens e descubra algo com a garota.

Quem era os Cullens? Pensei confusa.

Surpreendente a porta foi aberta por tio James.

– Vanessa o que faz aqui? – Ele disse ríspido. – Escutando a conversa dos outros novamente.

Engoli em seco.

– Não, me desculpe. Eu só vim avisar que vou sair para caçar. – Falei. Não tinha culpa se ele era tão distraído ao não perceber que eu estava chegando.

– E por que me avisou? Já podia ter ido. – Disse desinteressado.

– Desculpe. – Murmurei abaixando a cabeça envergonhada.

– Por que não se alimenta das pessoas que temos no porão? Elas são para hoje mesmo.

Neguei com a cabeça.

Se tinha uma coisa que eu odiava nessa vida era me alimentar dos humanos. Eu sempre me sentia mal quando fazia isso, então para tentar compensar um pouco isso eu ia atrás de assassinos, estupradores. Os vilões da história.

Olhei para dentro e Laurent olhava para o nada. Já Victória estava sentada na poltrona com os pés em cima da mesa enquanto olhava para as unhas da sua mão.

Eu queria ir embora, mas uma pergunta não saia da minha cabeça.

– James. Quem são os Cullens? – Quando perguntei isso vi Laurent e Victória trocarem os olhares.

– Os Cullens são mais alguns vampiros que estamos tentando recrutar para o nosso exercito.

Eu fingi acreditar. Não sei porque, mas não estava sentindo que ele dizia a verdade. Pedi licença e sai dali.

Tio James mudou muito nesses últimos anos pra cá. Ele parecia mais distante, não era mais o homem carinhoso que conheci.

Antes ele fazia tudo por mim. Agora ele quase não dava conta de que eu estava aqui.

Eu não sei o que tinha mudado, mas eu espero não ter feito nada de errado. Não gostaria de tê-lo magoado.

– Você devia ignorá-lo. – Dionísio disse assim que cheguei do seu lado. – Devia ir embora para bem longe.

– Eu não posso. – Sussurrei. – Ele é minha única família que conheço.

– E eu não sou? – Ele perguntou arqueando uma sobrancelha e fingiu uma voz de magoado. – Pensei que me considerava seu irmão.

– Sempre bobinho. – Sorri e estiquei minha mão bagunçando sua cabeça. – Você entendeu o que quis dizer.

Ele suspirou arrumando o cabelo.

– Pelo menos sumir por alguns meses. Pense nisso com carinho.

– Vou pensar. – A verdade era que eu nunca vivi uma vida afastada do tio James, nunca me virei sozinha ou fui descobrir o que tem pelo mundo.

Dionísio me olhou chateado.

– Eu só quero o seu bem. – Murmurou e virou de costa. – Acho melhor irmos.

Demos o assunto por encerrado. Eu não tinha mais ninguém nesse mundo se não tio James e Dionísio.

A última coisa que eu gostaria é ficar sozinha.