A Primeira Eterna
18 Matar não faz diferença
Notas iniciais
POV BELLA
Eu tinha acabado de sair do ginásio do colégio Nessie tinha ido até o vestiário trocar de roupa, as aulas tinham finalmente terminado. Depois do que aconteceu na aula de biologia, os alunos só sabiam falar desse assunto, conforme eu andava pelos corredores e saí da escola os alunos não paravam de me encarar um segundo sequer, eles já faziam isso com frequência, mas se possível parece que piorou. Isso estava me deixando seriamente irritada.
Eu estava na metade do caminho quando eu sinto Nessie pulando nas minhas costas.
– Bella. – Ela deu um gritinho no meu ouvido. – Me leva até o carro. Eu estou tão cansada de andar. – Ela murmurou enroscando as mãos no meu pescoço e apoiando o queixo no meu ombro direito.
– Então carrega meu material. – Estendi meu caderno para ela pegá-lo e com as mãos livres segurei suas pernas envoltas da minha cintura. – Está se sentindo confortável?
– Estaria melhor se eu estivesse com as mãos livres. – Ela sussurrou entediada.
– Mais é muito folgada mesmo. – Falei sorrindo.
Eu estava quase chegando no carro, quando uma das duas meninas que estavam próximas de nós paradas nos olhou e uma falou para a outra:
– Edward Cullen, pelo visto não está mais solteiro.
– Também uma garota igual a ela. Sinceramente qual cara não iria olhar, todos os garotos da escola querem ela.
Humanos são tão patéticos que não tem nada melhor para fazer do que cuidar da vida dos outros.
– Os alunos só sabem falar sobre o que aconteceu na aula de biologia. – Nessie comentou. – Se agarrando com o Cullen na aula mamãe? Sabe, acho que esse é o único lugar que você não pegou ninguém. A aula era sobre anatomia do corpo?
Revirei os olhos.
– Não agarrei ninguém.
– Mais bem que queria. – Ela riu.
– Sou uma mulher livre para fazer o que bem entender. – Respondi.
– Ou seja, você queria. – Mais uma vez ela riu. – Mas o Cullen é realmente gostoso.
Arqueei uma sobrancelha virando o rosto para olhá-la.
– Deixa Jacob ouvir o que disse. Aposto que não ficará nenhum pouco satisfeito. – Ela deu de ombros não se importando com minhas palavras.
– Eu não me importo, não posso ignorar aquele pedaço de mal caminho como você também não deveria ignorar.
Não dei bola para o seu comentário.
Quando cheguei no carro, coloquei-a no chão.
Antes de sair com o carro vi os Cullen aparecendo pela saída dos prédios. Sorte que não ouviram a conversa minha e de Nessie segundos atrás.
Voltando para casa resolvi esquecer esse assunto por um tempo.
Eu estava entrando no banho para evitar mais piadinhas de Nessie que fez questão de fazer durante o caminho inteiro até chegarmos. Ela estava se vingando pelas piadinhas que fiz dela com Jacob.
Terminei de me secar e deitei-me na cama ainda de toalha.
Minha mente vagava pelo que aconteceu hoje mais cedo. A aula de biologia foi bem... Interessante. Fiquei com pena de Edward quando o vi agoniado pela quantidade de sangue exposto naquela sala fechada. Eu não queria vê-lo daquele jeito, então amenizei o cheiro para ele.
Edward com certeza ficou espantado e provavelmente até agora está tentando entender como o cheiro poderia ser suportável.
Ele foi teimoso, achou que eu não conseguiria me segurar, coitado no fim quem sofreu foi ele. Eu por outro lado encontrei um cheiro tentador. Quando eu tivesse a oportunidade degustaria daquele sabor.
Agora o fato que mais me chamou atenção foi o jeito que eu me perdi nos olhos dele quando o mesmo se aproximou de mim. Eu não entendi como aquilo aconteceu, eu nunca tinha me desligado das coisas ao meu redor antes, inconscientemente. Por sorte algum barulho alto me trouxe de volta à realidade, mas quando eu percebi o que estava acontecendo me assustei e fiquei furiosa comigo mesmo por ter ignorado tudo a minha volta tão facilmente assim. Eu fui grossa com ele por esse motivo e também por ser ele o causador de eu ter me distraído daquela maneira.
Eu só ainda estou tentando entender como pela primeira vez em toda minha existência algo assim aconteceu.
Não demorou muito e Nessie apareceu na porta do quarto toda sorridente com o celular na mão.
– Você não vai colocar uma roupa não? – Nessie perguntou me encarando.
– Quem tá sem roupa Nessie? – Ouvi a voz furiosa de Jacob do outro lado da linha.
– Não enche Jake estou falando com minha mãe. – Ela falou irritada. Minha filha me encarou e moveu os lábios sem pronunciar um som: Idiota.
– Bella tá pelada? – Reconheci a voz de Paul.
– Oh meu Deus. – Dessa vez foi Seth murmurando afobado.
– Calem a boca. – Jacob grunhiu. – Te vejo daqui a pouco Nessie... Beijos Nessie, tchau Bella.
Eu não tive nem tempo de responder e ele já tinha desligado o celular.
– O que foi? – Ela perguntou quando me viu olhando-a feio.
– Obrigada por anunciar que estou sem roupa, mesmo que não seja verdade. – Falei séria.
– Na verdade está sim, toalha não é considerada uma roupa e sim um pedaço de pano que serve para se secar. – Ela retrucou.
Revirei os olhos.
Eu me levantei e fui para o closet pegar roupas, troquei-me ali dentro mesmo e sai com a toalha na mão secando meus cabelos.
– Vamos para a casa de Jacob agora? – Nessie perguntou entusiasmada.
– Por que eu tenho que ir sempre? Você pode muito bem ir sozinha.
– Mais eu quero que você vá, mamãe. E Jacob disse que os meninos da matilha não aceitaria que eu fosse sem você. – Ela disse.
Dei de ombros e fui pegar o pente para pentear os cabelos.
– Eu vou, mas para ficar conversando com Akalet.
Ela sorriu amplamente mostrando todos os dentes. Nessie correu até mim e deu um beijo estalado no meu rosto para depois sair saltitando porta afora.
Eu não aguentei e ri da sua empolgação. Minha filha mudou completamente o seu conceito em relação ao Jacob, quem diria que ela o aceitaria rapidamente. Agora ela está se apegando bastante a ele, provavelmente não tenha percebido, mas o brilho dos seus olhos a denunciavam quando ela o olha. Acho que finalmente minha filha não vai simplesmente gostar de alguém, e sim amar.
Assim que saí do meu quarto encontrei Nessie pronta me esperando, não deu tempo nem de respirar e ela me arrastou para o carro.
Chegamos rapidamente em La Push e Jacob estava sentado na varanda da casa com os cotovelos apoiados no joelho e o queixo nas mãos. Assim que saímos do carro Jacob levantou-se e correu até Nessie, dando um abraço apertado que foi prontamente correspondido.
Sorri ao ver os dois juntos.
Uma coisa que Jacob não fazia na minha frente era beijar Nessie desde o dia que eu peguei os dois se agarrando no meu sofá. Acho que ele pensa que eu possa não gostar, não faço ideia, mas é algo que realmente não me importa.
– Bella tudo bem? – Ele perguntou enquanto se soltava do abraço de Nessie.
– Estou sim e com você? – Falei educadamente.
– Mais ou menos. Os meninos não pararam de me encher para saber que horas você chegava. – Ele disse aborrecido.
– Eu imagino. – Sorri. – Onde eles estão?
– Acabaram de ir à casa de Seth, e pediram para que você fosse lá encontrar eles.
– Hum... Vou ver Leah talvez eu a encontre lá. – Olhei para Nessie. – Se comporte. – Eu disse séria.
Ela bufou e revirou os olhos.
– Como seu eu fosse destruir alguma coisa. – Ela murmurou.
– Não sei quanto a você. – Dei uma analisada de cima a baixo no Jacob que corou com meu olhar. – Mais aposto que Jacob é resistente o suficiente para vocês dois fazerem um belo de um estrago. – Pisquei e sorri maliciosa para ela.
Antes que ela falasse alguma coisa. Sumi apressadamente de suas vistas, mas ainda assim pude capitar o grito de Nessie me chamando.
Gargalhei enquanto corria.
Eu tomei cuidado para que nenhum humano me visse enquanto corria até a casa de Seth, não que eu precisasse me preocupar nenhum humano me enxergaria mesmo.
Não levou nem segundos de corrida e eu já estava em frente à casa dele era fácil encontrá-los pelo cheiro. Fiquei alguns segundos, ali parada e não demorou muito para que os garotos aparecessem correndo pela porta.
– Bella você chegou. – Gritou Seth.
– Não seu idiota, você não viu que ela ainda tá na casa dela. – Debochou Embry.
– Que prazer em te ver Bella. – Paul falou com um sorriso sedutor nos lábios.
– O prazer é meu... – Sussurrei com uma voz sexy em seu ouvido quando ele se aproximou de mim. Ele estava satisfeito achando que eu daria bola para ele, porém ignorei-o passando por ele. – Em ver todos vocês. – Completei olhando para todos.
Os meninos deram risadas e começaram a debochar dele.
Perguntei por Leah para Seth, mas ele disse que ela não estava hoje. Ele não sabia direito, mas parece que ela tinha saído com uma tal de kim, imprinting de Jared.
Fiquei conversando um pouco com eles, mas logo pedi licença para ver Akalet, esse eu não poderia deixar de vê-lo de jeito nenhum.
Eu gostava da companhia do velho.
Quando cheguei até sua casa ele estava sentado na sua cadeira de balanço na varanda da casa. Como sempre ele estava com calça e camisa surradas e com o mesmo chapéu de palha que eu vi nos dias que vim visita-lo, e para completar em uma de suas mãos encontrava-se o cigarro pela metade.
– Olá Bella. – Ele me olhou e sorriu.
– Boa tarde. – Saudei.
Ele colocou o cigarro na boca para dar uma tragada e logo em seguida soltou a fumaça pelo nariz.
– Eu estou aqui te esperando há algum tempo. Veja. – Ele apontou para uma outra cadeira de balança ao seu lado. – Pedi para os meninos colocarem-na pra você. – Ele deu um sorriso alegre.
– Não precisava, você sabe que não faz diferença para eu ficar em pé ou sentada. – Argumentei.
– De jeito nenhum. Não vou ficar aqui sentado enquanto você fica aí em pé.
Sorri para ele.
Akalet era um homem muito atencioso.
Sentei-me ao seu lado e passei horas conversando com ele. Era muito fácil assuntos surgir entre nós. O velho me contava sobre algumas lendas enquanto eu falava para ele sobre o mundo afora. O que mais gostava dele era que o mesmo não me enchia de perguntas, ele parecia saber exatamente o quão importante eu era para o nosso mundo da inexistência aos humanos, mas não se importava e não me obrigava a dizer. O velho apenas queria saber sobre as espécies existentes.
Depois de um tempo conversando ficamos em silêncio apenas escutando o barulho da chuva que tinha acabado de começar. O silêncio em si não era incomodo pelo contrario era muito bom, ajudava-me a relaxar. Aproveitei a quietude do local e fechei os olhos desejando imensamente poder dormir no momento, mas como isso não era possível eu simplesmente me desliguei do mundo e me prendi aos meus pensamentos. Não chegava nem perto da sensação de dormir, mas relaxava e muito. Eu sei que isso era perigoso, mas aqui eu sabia que não teria nenhum perigo, não fazia isso há tantos séculos que me permiti fazer hoje.
A minha mente vagava por meus pensamentos. Entrando em alguns pontos específicos como quando me separei das pessoas que eu mais amo ainda humana e dentro delas pedi as pessoas que eram tudo para mim, ficando apenas Davi e Nessie em minha existências para me fazer continuar a existir; As lutas que eu tive no decorrer do século; Minha família em Volterra; A quase morte de Nessie pelos lobisomens; O nascimento do meu sobrinho que trouxe uma felicidade imensa para nós; Quando conheci Alice; E por fim quando conheci a família Cullen.
Não entrei em detalhes de tudo que aconteceu, também se fosse para relembrar tudo sobre o decorrer dos meus últimos três milênios de anos não me recobraria a consciência nunca.
Vampiros tem uma memória intacta. A questão é que se não reconhecermos sobre algo de imediato, mas que temos a sensação de que já vimos ou ouvimos sobre tal assunto. Acessamos a nossa memória para saber sobre o que se trata. O problema é que armazenamos muito detalhes e até encontrar aquilo que precisa nas lembranças podem levar muito tempo sem falar que é desgastante depende do tempo que você teve acesso pela última vez sobre a tal lembrança que você precisa saber, e ou, sobre o nível de importância que ela tem para você.
Eu estava tão perdida nos pensamentos que eu não sei se passaram segundos, minutos ou horas.
Até que então eu sinto algo tocando meus ombros como eu tinha me desligado das coisas a minha primeira reação que tive foi me proteger do que fosse, então fiz tudo automático seguindo apenas meus instintos. Levantei-me rapidamente da cadeira e prendi minha mão em volta do pescoço do ser que tocou em mim, empurrei-o até sua costas se chocar contra algo duro. Esse movimento não levou nem um segundo para ser executado.
Voltei em mim sentindo as gotas da chuva caindo em meu cabelo. Fechei os olhos e quando abri-os vi que em minha mão segurava o Jacob com uma expressão temerosa no rosto.
– O que está fazendo cachorro? – Perguntei ríspida, também quase o matei. – Você está querendo morrer?
– Eu... Só est-tava te... Acordando. – Sua voz saia sufocada. – Pode... Me... Sol-soltar?
Minha mão ainda estava agarrada em seu pescoço, soltei-o e ele caiu no chão tossindo. Jacob ficou um tempinho respirando fundo até finalmente se levantar passando as mãos em seu pescoço.
– Agora pode me dizer por que fez isso? – Perguntei mais calma.
– Eu falei para ele não mexer com você que senão você o atacaria, mas quem disse que ele me escutou. – Olhei sobre o ombro e vi Nessie se aproximando enquanto falava.
Observei a minha volta e tinha uma árvore quebrada atrás de Jacob, continuei a olhar e vi a casa no lado oposto da árvore, e a cadeira de balanço onde eu estava sentada ainda balançava levemente. Alguns garotos da matilha estavam parados boquiabertos me olhando próximos a casa.
– Por que ele fez aquilo? – Perguntei para minha filha que estava ao meu lado.
– Quando chegamos aqui, vimos você em completo silêncio e sem mexer um musculo sequer. Os garotos acharam que você estava dormindo. – Ela revirou os olhos ao dizer a última palavra. – Eles te chamaram varias vezes para ver se você “acordava”. Foi então que eles tiveram a ideia de te acordar jogando água em você ou com um beijo igual aquele desenho da Bela adormecida.
Arqueei uma sobrancelha para os meninos que se aproximavam até nós.
– Aposto que se tivesse a despertado com um beijo, ela teria me arrastado direto a uma cama ao invés de uma árvore. – Só podia ser Paul a dizer.
– Então como chegou a ser Jacob? – Perguntei para minha filha ignorando-o.
– Como eu não permiti, Jacob os proibiu. Mas ele também ficou preocupado. Eu já tinha te visto assim há muito tempo atrás, eu falei para ele que se arrependeria de tirá-la dos pensamentos, mas quem disse que ele me escutou. Ai deu no que deu. – Nessie explicou.
Assenti compreendo, mas senti a falta de alguém.
– E onde está Akalet? – Questionei olhando em volta.
– Ele está dentro da casa. O sábio não queria incomodá-la então entrou sem te avisar. – Quem respondeu foi Seth.
– Agora me explica Bella, você não estava dormindo? – Jacob perguntou.
– E você já viu algum vampiro dormir? – Questionei sarcástica.
– Não, mais sei lá você é diferente. – Ele deu de ombros.
– Não, Jacob eu não estava dormindo. Porém mesmo que não podemos dormir, nós podemos nos perder em pensamentos é o mais próximo de dormir. Só que por um lado isso é muito perigoso, nos desligamos de tudo a nossa volta se concentrando apenas nos pensamentos. Foi por isso que te ataquei quando você me “despertou”.
– Compreendo e na próxima vez não vou ousar nem em abrir minha boca para chamá-la.
Eu sorri, foi por pouco que eu não arranquei a cabeça dele. Sorte que recobrei a consciência a tempo.
Olhei para o céu e estava quase completamente escuro e as gostas da chuva caíram no meu rosto, o pôr do sol seria em alguns minutos, isso indica que era hora de ir embora.
Voltei a encarar minha filha que estava com os cabelos completamente molhados.
– Vamos Nessie. – Ela me olhou com um biquinho. Aproximei-me dela, e segurei seu rosto com minhas mãos depositando um beijo em sua bochecha. – Não faz esse bico já está tarde.
– Tudo bem mamãe. – Ela desfez rapidamente. – Até mais Jake.
Ela foi até ele, mas como sempre ele não a beijou nos lábios, beijou-a na testa e deu um sorriso acolhedor.
Nessie bufou.
– Você traumatizou ele, mamãe. – Ela me encarou.
– Eu não fiz nada, se ele não quer te beijar na minha frente o problema é dele. Porém se ele quer fazer isso pode ficar a vontade.
Nessie voltou a olha-lo.
Jacob abriu um sorriso, mas quando ele me olhou viu minha expressão séria e estalando meu pescoço e meus dedos, seu sorriso morreu e seus olhos se arregalaram.
Eu estava me divertindo à custa de Jacob, era engraçado vê-lo assustado.
Ele pigarreou disfarçando seu medo.
Nessie me olhou sobre o ombro, mas antes dela me encarar eu fiz minha cara de paisagem, fingindo observar em volta.
– Eu não estou fazendo isso por causa da sua mãe, mas sim por educação Nessie. – Ele tentou justificar chamando a atenção de Nessie.
Mentiroso!
– Tudo bem Jake. – Ela deu um sorrisinho.
– Eu vou me despedir de Akalet e então podemos ir. – Falei enquanto voltava para casa do velho.
[...]
Eu com Nessie estávamos prestes a passar pela entrada do colégio, quando fomos interceptadas por uma baixinha alegre.
– Bom dia meninas. – Alice falou sorridente
– Bom dia Alice. – Cumprimentei-a.
Ela pulou e me deu um abraço. Eu me surpreendi um pouco, ainda não estava acostumada com esse jeito eufórico dela novamente comigo.
– Eu também não mereço um abraço não? – Nessie questionou.
– É claro, mas você vai acompanhando comigo até sua sala.
– E eu vou sozinha? – Fingi ficar chateada.
Alice revirou os olhos, mas antes que ela pudesse pronunciar uma palavra Emmett a corta.
– Claro que não Bellinha, eu e minha ursinha aqui vamos fazer companhia para você. – Ele comentou.
Rose que estava nos braços dele, sorriu consentindo suas as palavras.
– Pelo menos vocês não me abandonaram. – Continuei com o drama.
– Eu Jamais te abandonaria, Bella. – Alice falou se aproximando, mas antes que ela chegasse até mim Emmett foi mais rápido aparecendo ao meu lado e passando seu braço ao redor do meu pescoço.
– Vamos Bellinha, deixa esse toquinho de gente aí. – Ele me puxou arrastando para longe de Alice com Rosalie ao seu lado.
– Vamos. – Falei.
Eu dei uma risadinha baixa quando olhei para Alice sobre o ombro, nos olhando chocada por eu não ter ficado ao seu lado.
Afastei-me do braço de Emmett, mas ainda assim continuei ao lado dele enquanto caminhávamos juntos para a sala de aula.
– Então onde estão os outros dois Cullens?
– Interessada Bella? – Rose disse e arqueou uma sobrancelha na minha direção.
Olhei-a confusa pela diversão nas suas palavras.
– Pode perguntar “onde está o Edward?” sabemos que é essa a questão que deseja. – Emmett deu um sorrisinho malicioso.
Por que eles estavam falando isso?
Ah sim, devem ter sido pelo fato do que aconteceu na aula de biologia ontem.
– Na verdade estou falando dos dois mesmo. – Falei sincera.
– Sei. – Emmett deu uma piscadela para mim. – Se você quer saber onde estão os dois, bem... Edward já entrou faz tempo. Acho que ainda está com a TPM de ontem e o Jasper foi tentar acalmá-lo antes que ele quebre alguma coisa na escola.
– Algum motivo?
– Nada demais só ficou invocadinho com as piada que fizemos de vocês dois. – Ele deu de ombros.
Piadas entre nós?
Antes que eu pudesse falar qualquer coisa, vi Rosalie dando um beliscão no seu braço, criticando por ter falado isso para mim.
– Quer que ela te de uma surra? – Rose esbravejou.
– Quem essa tampinha? – Ele murmurou rindo enquanto cruzava os braços deixando os musculo enormes expostos.
Eu fechei a cara, não gostei de ter sido chamada de tampinha.
– Não será ela quem te dará uma surra Emmett e sim eu já que estou precisando de um burro de carga para carregar minhas compras. – Nessie respondeu mais atrás, porém para nós era facilmente ouvido.
Ele riu alto chamando a atenção de alguns alunos pelo corredor.
– Não se preocupe minha querida Nessie quando eu ganhar, você será meu saco de pancadas, para eu treinar. – Ele falou sem nem olhar para trás.
– Que aposta é essa? – Perguntei virando meu rosto para encarar Rose que estava parcialmente escondida pelo corpo gigante de Emmett.
– Uma luta entre eles. O ganhador vai ter que ser seu escravo por uma semana.
– Interessante. – Murmurei pensativa olhando sobre o ombro para minha filha em seguida. – Você dividirá seu prêmio comigo? – Perguntei a Nessie.
– Eu não sou um objeto para ser compartilhado. – Emmett fez beicinho.
Tenho dó de Rose seu marido era um bebezão.
– A partir do momento que apostou a si próprio para ser escrava de Nessie você saberá o que é ser um objeto nas mãos dela. – Balancei a cabeça com um falso pesar. – Sinto muito Emmett.
– Você acha que Emm vai perder? – Perguntou Alice curiosa.
Eu sorri.
– Como se você não soubesse o resultado.
Ela deu de ombros. Eu tinha compreendido que ela queria ter a certeza se eu sabia de que Nessie ganharia por trás dessa pergunta, mas não comentei nada.
– Então Alice pode dizer quem vai ganhar? – Emmett perguntou.
– De jeito nenhum que vou dizer e perder toda a diversão. Jamais grandão!
A nossa conversa passava despercebido pelos humanos, nós falávamos apenas para que nós vampiros escutássemos. Aqueles que tentavam ouvir nossa conversa, felizmente não escutaram nada a não ser pequenos murmúrios desconexos.
Pelo caminho escutei muitos alunos falarem sobre o fato ocorrido ontem na aula de biologia, praticamente ninguém gostou do que aconteceu, muitos ficaram chateados pela perda que eles teriam de ambos os lados: Meu e de Edward, se ficássemos juntos.
Pude sentir os olhos dos dois irmãos de Edward me queimando, enquanto eu fingia não prestar atenção.
Me despedi deles quando cheguei a porta da sala e entrei lá com Nessie logo atrás de mim.
Nós duas sentamos uma ao lado da outra e ficamos lá conversando. Uma moça da coordenação apareceu na sala nos informando que o professor não viria hoje, então teríamos essa aula vaga agora.
Uma agitação se aglomerou entre os alunos e a maioria foi para o refeitório enquanto outros permaneceram na sala.
Eu com Nessie fomos para o refeitório e ficamos sentadas em uma mesa. Senti que alguém me encarava e quando eu olhei em volta vi Lauren e Jéssica junto com um grupinho de meninas nos encarando raivosas.
Ignorei suas presenças e olhei para o outro lado continuando a conversa com minha filha sobre uma ida até Port Angeles essa tarde.
– O que acha Nessie? – Perguntei olhando para fora da janela, como eu não obtive resposta da minha filha virei meu rosto para encará-la. – Nessie? – Chamei mais uma vez e nada.
Seu olhar de canto era irritado.
– Está tudo bem filha? – Chamei sua atenção. Ela virou para me encarar e era nítido que estava nervosa.
– Não mãe. Aquelas garotas não param de nos encarar e falar besteiras. – Ela disse ríspida.
– E o que tem demais? Nunca se importou nas conversas de humanos antes. – Eu olhei-a confusa.
– Mais elas não param de falar de Edward ou Jacob quando ele apareceu aqui na escola. – Ela murmurou contrariada.
Ah agora entendi, isso tudo era por causa do seu cachorrinho.
– Não precisa ficar com ciúmes querida. Jacob não tem olhos para nenhuma outra além de você.
Nessie suspirou e revirou os olhos.
– Eu sei, mas é difícil se conter.
Eu sorri com sua voz frustrada.
– Que tal esquecer isso por enquanto, hein? – Estendi minha mão para a sua e a acariciei. – Eu vou guardar esses livros no carro, já que não vamos usar.
– Mamãe espera. – Ela segurou meu braço. – Deixa que eu levo, não quero ficar olhando para cara dessas aí não.
Nessie se levantou e saiu caminhando com o nariz empinado enquanto passava ao lado daquelas garotas.
Ri da sua atitude.
– Então Lauren pelo visto você perdeu o Edward. – Comentou uma das meninas.
– Não perdi, não será uma garota sem graça como essa que vai me tirar dele. – Lauren retrucou furiosa.
– Cá entre nós Bella pode ser muita coisa, mas não podemos negar que ela não tem nada de sem graça. – Comentou a outra.
– Isso é o que você pensa, vou mostrar que eu sou muito melhor que ela.
Revirei os olhos.
A conversa dessa garota estava me irritando, então para me distrair resolvi sair daquele local. Caminhei pelos corredores do prédio e resolvi ir ao banheiro só para passar o tempo enquanto Nessie não voltava.
Fui ao banheiro e joguei um pouco de água no meu rosto para me acalmar um pouco. Fiquei por um tempo me olhando no espelho, meu rosto ainda era o mesmo apesar de todo esse tempo ter passado. Passei as mãos pelas linhas do meu rosto pálido e me lembrei que quando era humana, as maças do meu rosto coravam frequentemente e a bondade que refletiam nos meus olhos sempre estavam ali, mesmo depois de tudo que aconteceu comigo ainda humana, porém a bondade que demonstravam neles morreram no momento que eu dei um último suspiro sufocado quando aquela maldita corda me levava direto para a morte.
Suspirei profundamente cortando a linha dos meus pensamentos, ultimamente eu tenho pensado muito no meu passado humano, tenho que parar com essas lamentações.
Saí do banheiro e fui caminhando tranquilamente pelo corredor. Até que eu senti um cheiro familiar atingir meu nariz.
Estreitei os olhos.
O que eles estavam fazendo uma hora dessas no corredor?
Levou alguns segundos até eles aparecerem no meu campo de visão assim que viraram a esquina do corredor.
– O que vocês fazem aqui? – Perguntei assim que os olhei.
– Alice teve uma visão Bella. – Edward falou.
Arqueei uma sobrancelha para a baixinha esperando a mesma explicar.
– Eu vi Nessie no estacionamento, e ela vai matar Lauren.
– Hum... Isso é interessante. – Murmurei. Pelo mau humor da minha filha de já hoje ela não iria se segurar por muito tempo mesmo.
– Interessante? – Perguntou Alice descrente. – Além do fato dela matar uma humana, ela vai fazer uma sujeira com o corpo de Lauren no estacionamento.
Hum... isso seria um problema. – Se minha filha estava disposta a deixar pedaços de Lauren pelo chão é porque ela está mesmo furiosa, e seria impossível de limpar a bagunça rapidamente... Então eu tinha que fazer algo.
– Não se preocupe. Eu resolvo isso. – Falei e corri em minha velocidade vampírica.
Eu só iria falar para Nessie ignorar aquele ser irritante, mas quando cheguei lá e ouvi aquela criança repugnante xingando minha filha.
Ah eu mudei minha decisão.
Apareci ainda na minha velocidade em frente daquele serzinho. Lauren me olhou com os olhos arregalados em surpresa.
– O que... – Ela não conseguiu terminar de falar.
Ela deu um paço pra trás assustada por eu ter aparecido do nada na sua frente. Sem falar que minha expressão não era nenhum pouco agradável.
– O que eu disse que aconteceria a você se falasse mal de Nessie novamente? — Eu falei friamente.
Ela me olhou apavorada e eu tinha escutado os Cullens parados atrás de mim vindo cautelosamente na minha direção e na de Nessie. Porém antes que eles pudessem chegar até nós fiz o que eu havia prometido há dois dias.
Eu coloquei minhas mãos em volta do rosto de Lauren e quebrei seu pescoço.
Nenhum som se fez depois que o corpo inerte de Lauren caiu no chão.
– Por que você fez isso? – Ouvi a voz emburrada de Nessie assim que deu um passo a frente para ficar ao meu lado. – Eu quem iria acabar com ela mamãe.
– Fiz porque Alice teve uma visão de você a matando.
– E o que isso tem demais? – Sua voz soou chateada. – Vai dizer que ia me proibir de matá-la?
– Não, você sabe que eu não me importo quando você mata alguém, mas com o temperamento que estava. Você filha, iria deixar pedaços dela pelo estacionamento, como você acha que iriamos limpar toda a bagunça se você a tivesse a matado? – Falei.
Sua expressão mudou para compreensiva, agora ela entendia a situação.
Nessie assentiu com a cabeça.
– Não acredito que vocês estão falando como se não tivesse importância. – Edward foi o primeiro a sair do estado de choque. – Você acabou de matar Lauren!
Fechei a cara, por que ele se importava tanto?
– Oh Bella. – Arfou Alice. – Por que a matou?
Eu abaixei meu corpo para ficar próximo ao cadáver, pendendo todo meu peso nos meus joelhos inclinados, enquanto eu olhava para o corpo de Lauren.
– Simples. Eu cumpri com minha palavra. – Dei de ombros ainda analisando-a. Eu vi sua pele ficando levemente pálida pela falta de circulação do sangue, apesar de nenhum humano puder ver não era difícil para um vampiro não enxergar.
Inspirei profundamente vendo se eu não encontrava nenhum resquício de sangue na fratura do pescoço, mas não encontrei nada.
– Que palavra? – Ela perguntou.
– Bella disse à humana que se ela ouvisse-a falando mal de mais alguém ou principalmente de Nessie, acabaria com a vida dela ou das outras que estavam com ela. – Quem respondeu foi Rosalie.
– Você é maluca, como vai encobrir a morte dessa garota? – Jasper perguntou incrédulo e irritado ao mesmo tempo.
Eu não respondi sua pergunta. Coloquei minha mão no bolso da calça de Lauren procurando o que eu precisava.
– Dá pra você ficar quieto por um momento sem questionar. – Nessie falou para Jasper.
– O que ela veio fazer aqui Nessie? – Perguntei enquanto olhava para cima fitando minha filha.
– Ela estava procurando você para tirar satisfações sobre alguma coisa de Edward ser dela e blá blá blá, mas como não te achou mandou eu dar o recado. Eu já não estava muito bem e com essa voizinha irritante na minha cabeça acabamos discutindo. – Ela deu de ombros sem se importar.
– E as amigas dela, não vieram com ela?
– Que nada, ela veio sozinha. Lauren queria brigar sozinha achando que o direito era somente dela e não das outras meninas. – Minha filha explicou.
– Coitada! Essa criança morreu acreditando num motivo que nem sequer existe. – Balancei a cabeça em descrença.
Antes de voltar minha atenção para Lauren, meus olhos se encontraram por um breve segundo com o olhar de Edward. Seus olhos demonstravam tristeza. Resolvi ignorar isso, tinha coisas importantes a fazer agora.
Como não achei o que eu queria nos bolsos da frente, virei o corpo de lado procurando no bolso de trás da calça.
– Ai Bellinha que desrespeito com um morto. A menina mal morreu e você fica passando a mão nela. – Eu não acreditei nas palavras de Emmett, paralisei minhas mãos e levantei meu rosto vagarosamente para fitá-lo, mas dessa vez encarando ele ao invés de Nessie.
Minha filha por outro lado riu das palavras dele.
– Emmett cala a boca. – Rose falou indignada colocando uma mão sobre os olhos, envergonhada pelo marido.
– Mais o que foi que eu fiz? – Ele perguntou sério.
Eu por um momento achei que ele estava brincando, mas quando vi seus olhos confusos eu soube que ele falava sério.
– Nem liga Bella, ele é assim mesmo. – Rose Explicou.
Assenti para ela eu nem queria saber mesmo. Voltei a tatear minha mão no bolso da calça da menina.
– Então o que está fazendo Bellinha? – Emmett perguntou.
– Pegando isso. – Peguei o objeto em minha mão e o estendi para cima assim que o encontrei.
Emmett me olhou confuso.
– O que você quer com uma chave? – Ele perguntou confuso, mas logo em seguida arregalou os olhos. – Não acredito que você vai roubar o carro dela.
Eu fechei meus olhos suspirando profundamente, como alguém pode pensar em algo tão idiota?
Nessie gargalhou ao meu lado.
Levantei-me e abri meus olhos encarando Emmett.
– Não Emmett. Eu só estou respondendo a pergunta de Jasper.
Todos ficaram em silêncio por um tempo tentando entender o que eu quis dizer. Nessie revirou os olhos ela sabia o que aconteceria. O primeiro a compreender o que eu disse foi Jasper que arregalou os olhos e me observou.
– Você vai mesmo fazer o que eu estou pensando? – Ele murmurou. – Vai forjar a morte dela com um acidente de carro?
Os outros ofegaram quando ele disse.
– Se tiver uma ideia melhor, agradeceria por você compartilhar.
– Eu não tenho, mas a sua ideia não é tão brilhante. Os humanos a viram aqui, como vai explicar o sumiço dela assim de repente para do nada ela aparecer com o carro capotado no meio da estrada?
– Jasper, Jasper. Você subestima muito a minha inteligência... Isso são apenas detalhes que eu não preciso me preocupar, posso resolvê-los assim. – Estalei os dedos. – Pode ser que você não seja bom o suficiente ou talvez tenha que quebrar muito a cabeça para resolver os problemas caso se meta em algum, mas isso. – Apontei para o cadáver ao lado do meu pé. – Não é problema para mim.
Ele fechou a cara, indignado com as palavras que joguei na sua cara. Porém eu não disse nada além da verdade. Jasper pode até ser inteligente, mas não é tão rápido com seus pensamentos. Ele consegue descobrir e achar soluções primeiro que muitos, mas ainda sim não é rápido, no entanto em compensação sobre estratégias ele é incrivelmente esperto.
Eu me abaixei para pegar o corpo de Lauren e joguei-a no meu ombro.
– Não podia ter deixado ela viva? – Alice sussurrou.
– Desculpa Alice, eu não sou igual a vocês que valorizam toda a vida humana e muito menos sou paciente. Dei oportunidade a ela uma vez, mas mesmo assim ela fez sua escolha no momento que xingou minha filha. Não posso culpá-la para falar a verdade. Humanos às vezes não entendem o perigo que está na sua frente. – Olhei fixamente para os olhos de Alice. – Você acha que eu não mato humanos, pois consigo me controlar na hora que tomo os sangues deles, mas eu não sou assim. Eu matei e mato humanos quando quero... O fato de você ter me visto poupando a vida das pessoas que me alimento é porque eu mudei por uma pessoa que fez diferença pra mim que trouxe apenas essa pequena parte da minha humanidade e ainda sim não é tão grande, pois dependendo de quem eu me alimento eu ainda mato. – Suspirei. – Então Alice a resposta para sua pergunta é porque eu não me importo com um humano que seja fútil.
– Obrigada Bella. – Rose falou depois do meu pronunciamento. Olhei-a sem entender enquanto seus irmãos a olhavam espantados. – Qual é gente, eu estava morrendo de vontade de matar essa garota há muito tempo. Eu só não fiz por causa de vocês, e Carlisle que ficaria chateado, porém como Bella tirou esse fardo para mim a única coisa que posso fazer é agradecer.
Rose me olhou e deu um sorriso agradecido. Eu pisquei para ela e dei um meio sorriso.
– Eu também não me importo com a morte dessa aí que fez mal pra minha ursinha. – Emmett deu de ombros e em seguida passou o braço em volta do pescoço da sua companheira.
Ajeitei o corpo melhor no meu ombro.
– Tudo bem então é melhor eu ir, vou ter que voltar aqui ainda para resolver os últimos detalhes.
– Obviamente eu vou com você. – Nessie falou. – Vou ver se você não vai esquecer nenhum detalhe no suposto local da morte de Lauren.
Revirei os olhos e assenti.
Acenei para os Cullen e virei as costas indo em direção do carro de Lauren.
– Sabe Edward você também deveria agradecer Bella pela morte dessa humana. Pelo menos essa não vai ficar mais correndo atrás de você. – Pude reconhecer a diversão na fala de Rose.
Eu sorri.
Joguei o corpo de Lauren no banco de trás do carro e entrei no lado do motorista enquanto minha filha se sentava no lado passageiro. O carro era bem velho, então seria fácil criar qualquer tipo de acidente com ele.
Eu tinha que encobertar mais uma morte.
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