A Primeira Eterna
39 Epílogo
Notas iniciais
POV NARRADOR
Alguns dias depois...
Didyme andava de um lado para o outro impaciente. “Quanto tempo ainda falta?” Essa era a pergunta que passava constantemente em sua mente nesses últimos dias, desde o dia que foi para Carson City com seu amigo Garrett.
Ela suspirou olhando através da janela tão velha que buracos na madeira foram feitos pelo tempo. O céu coberto pelas nuvens densas, uma tempestade se aproximava dali. O lugar estaria em uma escuridão total se não fosse pela pequena chama acesa do lampião, não que ela não pudesse ver no escuro, mas alguma luz naquele breu não era uma má escolha.
Didyme torcia para que a velha cabana no meio da floresta não tivesse algum telhado quebrado.
Antes mantivesse seus pensamentos longes, minutos depois quando a chuva despencou do céu ela sentiu algumas gostas caindo em cima da sua cabeça. Ela bufou resignada e sentou-se na cadeira ao lado do lampião.
Estava bom demais para ser verdade.
O único som até então no lugar era o barulho da chuva, mas um leve suspiro soou na cama mais ao canto da cabana. Pelo canto dos olhos viu que a vampira finalmente acabara de despertar depois de um longo tempo.
Um alivio tomou conta de seu corpo e sem pensar correu até a vampira se postando ao lado da cama.
A vampira tinha os olhos fechados, mas um leve vinco entre as sobrancelhas estava presente.
– Bella? – Chamou ansiosa.
E antes que Didyme piscasse a vampira que jazia na cama se levantou abruptamente e segurou Didyme pelo pescoço prendendo-a contra a parede de madeira da cabana.
Didyme se surpreendeu por ver os olhos em furia e vazios ao mesmo tempo da sua sobrinha.
Um rosnado feroz saiu pela sua garganta. Bella ficou surpresa ao descobrir sua força e a maneira que se movimentou tão rápida, mas não deixou seu rosto se expressar esse sentimento. Afinal o que ela era?
– Quem é você? – A voz sombria de Bella ecoou junto ao um estrondo de um trovão que caíra ali perto.
– Bella sou eu. Não se lembra de mim? – A vampira falou ofegante por conta do aperto contra seu pescoço.
Bella abaixou os olhos. Ela não se lembrava da mulher na sua frente. Muito menos se lembrava de si mesmo. Nem o nome veio a mente, mas a vampira que estava na sua frente sabia dizer quem ela era.
Bella não podia matá-la, não enquanto tinha perguntas sobre si mesma. Matar? Foi isso mesmo que ela desejava? A resposta veio de imediato: Sim. Por que não matar alguém que não conhece e tão pouco faz diferença para ela?
– Diga! – Bella rosnou. – Qual o seu nome? – Ela intensificou o aperto contra a garganta da vampira.
– Didyme. – Ela disse ofegante.
– Vou deixá-la viver contanto que responda minhas perguntas, estamos entendidas? – Perguntou séria.
Didyme se limitou apenas assentir levemente.
– Ótimo! Vou soltá-la, mas não tente nenhuma loucura. – Bella foi afrouxando sua mão enquanto prestava atenção em todos os detalhes na desconhecida da sua frente.
Didyme por impulso colocou suas mãos em volta do seu próprio pescoço e massageou o local buscando um alivio por não estar mais em perigo.
Bella deu dois passos para trás para observar a mulher.
– Muito bem, você parece saber quem eu sou. – Comentou Bella.
– Claro que sei, você é minha sobrinha.
Ela ficou surpresa ao ouvir as palavras da desconhecida da sua frente. Será que ela dizia a verdade ou mentia apenas para escapar da morte após ter as respostas que procura? Porque só sendo assim que escaparia da morte, ela não mataria alguém que fosse da sua família, se tinha mesmo uma.
Bella a encarou por longos segundos até por fim decidir acreditar nela, por enquanto podia fazer isso. Caso ela desconfiasse de algo, antes mesmo que a mulher da sua frente tentasse algo, ela a mataria.
– Bom Didyme, se você for mesmo minha tia. Você pode me responder duas perguntas cruciais?
– Claro.
– Quem sou eu e o que eu sou?
Dito essas palavras Didyme entendeu o que acontecia ali. Ela achou que Bella se esqueceu de quem ela era por conta do tempo que passou, apesar de não ter mudado quase nada a não ser pelos cabelos mais curtos e a aparência mais abatida que o normal por conta da péssima alimentação dos últimos séculos. Porém, agora ela entendia exatamente o que aconteceu, nunca imaginou que pudesse acontecer isso com Bella afinal ela era imune aos dons mentais, se bem que o dom de Nessie funcionava por que o de Vanessa seria diferente?
Sim. Ela conhecia o dom de Vanessa, já viu a garota varias vezes usando seu dom bloqueando a mente dos vampiros, para que ninguém pudesse invadir suas memórias se assim desejar.
"Oh céus" ela lamuriou internamente. Isso aconteceu mesmo e pelo visto não havia nada de bom nisso. Não pelo jeito hostil que Bella estava a tratando.
Elas estavam em sérios problemas com isso, mas pensaria nesse assunto depois. O importante é ter calma e cautela. Didyme sabia que tinha algo de diferente em Bella, não sabia o que mudou, mas sabia que se cometesse algum deslize ela estaria em problemas, pois a garota que ela sempre conheceu, não estava mais ali. Seus instintos gritavam em alerta de perigo, mas de uma coisa ela tinha certeza, jamais abandonaria sua sobrinha. Filha do seu irmão que sempre fez tudo por ela com esse pensamento ela tomou uma atitude.
Didyme ergueu a mão para frente para que Bella a pegasse. Abriu um sorriso verdadeiro e carinhoso.
– Que tal nós sentarmos naquelas cadeiras para podemos conversar?
Bella olhou para a mão de Didyme e recusou o pequeno gesto dando as costas para ela sem dizer uma palavra e indo em direção a uma das cadeiras. A vampira por sua vez fechou os olhos brevemente pensando na luta que teria pela frente para ganhar a confiança de sua sobrinha.
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