Notas iniciais
Gente tipa assim, tipo uol, tipo não acredito. Eu recebi duas recomendações. Estou super feliz tanto que fiquei inspirada e digitei rapidamente o capítulo, então agradeçam a GiihLemes e a Sweet Nightfall pelas suas lindas recomendações, pois foram elas que me fizeram escrever o capítulo. Obrigada pelas duas, vocês não tem noção como me fizeram bem *-*. Esse capítulo é dedicado as duas espero que gostem e todos os outros leitores também!!

POV EDWARD

Passei o restante do dia e a noite toda dentro do meu quarto. Eu não pus meus pés para fora daqui.

Eu não estava nenhum pouco afim de enfrentar meus irmãos e muito menos Carlisle, já que meu querido irmão Emmett fez questão de contar a nossa conversa da tarde para ele. Eu não desmenti para minha família que estava interessado em Bella. Afinal não tinha como esconder isso deles ou muito menos mentir. Que cara solteiro não se interessaria por ela? Uma beleza extremamente encantadora e ainda por cima exalava poder, como não me interessar? Creio eu, que isso é impossível de acontecer, pelo menos para um vampiro normal.

Que Rose não me mate se descobrir o que eu penso. Mais minha irmã pode até ser linda, porém Bella é a perfeição em pessoa, ela pode até ser um pouco irritada ou impaciente, no entanto suas qualidades supre qualquer tipo de defeito que tenha. Fazendo qualquer um esquecê-los completamente.

Quando estava próxima a hora de sair de casa, tomei um banho rapidamente e me vesti.

No momento que desci as escadas meus irmãos estavam me esperando, e meu pai estava me olhando atento como se esperasse eu falar alguma coisa.

“Quer conversar, filho?” pensou ele.

– Não, obrigado. – Eu fui educado. – Por quê?

“Não sei, falar sobre Bella...” ele deixou a frase no ar.

Eu não entendi o problema da minha família, por que todos estavam curiosos sobre ela, melhor dizendo sobre o que eu penso. Ninguém se meteu na minha vida antes, nas relações que eu tive com outras vampiras, agora era diferente essa boa parte da noite vi minha família questionando sobre o meu envolvimento que eu posso ter ou tenho com Bella.

– Eu não tenho nada a falar. – Me prontifiquei.

Minha mãe estava ao lado dele me observando, ela sabia o que ele estava exatamente falando.

– Filho entenda, nós só queremos ajudar. – Ela estava preocupada.

Esme tinha essa qualidade quando nos acolheu como seus filhos. Ela tinha um amor materno incondicional por mim e por meus irmãos.

– Ajudar em que? – Perguntei sem parecer rude com minha mãe.

Se tem alguém nessa vida que eu mais respeito acima de tudo é meu pai e minha mãe. Para mim eles são as pessoas que eu mais valorizo quando dão suas palavras. Jamais faltaria educação com eles.

– Nos seus sentimentos. – Ouvi a voz de Jasper no andar de cima.

Franzi o cenho. Eu não tinha entendido o que ele quis dizer, afinal o que tem demais eu me interessar pelo corpo de Bella? Ora, não tinha como ignorar isso nunca. Como iria ignorar o fato dela me atrair sexualmente? Isso era impossível a atração que ela exerce sobre mim é forte demais.

Emmett e Rosalie não estavam em casa. Tentei ler a mente deles, mas não os encontrei em lugar algum. O casal devia estar bem longe de casa provavelmente caçando ou coisa pior.

Não demorou muito tempo e Jasper com Alice apareceram prontamente ao meu lado, essa abriu um pequeno sorrisinho.

Olhei para meu irmão esperando uma explicação dele.

– Seus sentimentos com ela, estão diferentes. – Ele começou a dizer. Tentei ler sua mente, mas ele me bloqueava. Meu irmão provavelmente queria falar na frente de todos sobre essa conversa, não gostei disso, porém não havia segredos entre nós então não me importei muito.

– Exatamente no que você está se referindo? – Encarei-o sério. Eu não queria ter essa conversa logo de manhã, só que eu não escaparia das perguntas da minha família. Cedo ou tarde eles me cercariam para me encher de perguntas, prefiro que seja agora do que depois quando Emmett estiver para fazer suas gracinhas.

– Você nunca teve esse comportamento antes com qualquer pessoa que esteve, posso ver a mudança de humor constante quando está perto dela, desde que a mesma apareceu. E você tem sentido sentimentos que antes nunca vi vindo de você, como o ciúme. – “E quando Bella esteve aqui em casa, você estava se sentindo culpado e frustrado por algum motivo durante a nossa conversa na sala, não sei pelo que, mas depois que Alice disse sobre seus momentos com a Bella as coisas foram se encaixando.” ele terminou por pensamento.

– O que quer dizer?

“Você está criando sentimentos por ela...” ele parecia hesitante em falar, mas esperei ele continuar “Sentimentos como eu tenho por Alice, Carlisle por Esme e Emmett por...” eu não deixei-o terminar. Isso era demais.

Esse tipo de sentimento era impossível de existir dentro de em mim, nunca senti isso antes não seria agora que eu sentiria ainda mais por ela, ou sentiria? Essa dúvida me corroeu por dentro, para falar a verdade fiquei assustado. Assustado com esse sentimento que pode mudar uma pessoa por completo.

Veja por exemplo Jasper, meu irmão era um soldado que só vivia para lutar e matar. Depois que encontrou a baixinha seu mundo virou por completo. Ele deixou de ser aquele soldado destemido para ser um protetor em relação a minha irmã. Apaixonou-se por ela e seu mundo só existe com ela fazendo parte dele.

Se minha vida mudar assim completamente por causa da Bella, no que eu me tornaria? Será que eu mudaria com minha família ou será que eu faria qualquer coisa para tê-la comigo? Eu não poderia aceitar isso eu não queria me tornar uma pessoa dependente da outra como cada um da minha família depende do seu companheiro. Eu valorizo isso sim, mas não é para mim, pelo menos não para o meu estilo de vida.

– Você não sabe o que está falando Jasper. – Me exaltei não podia acreditar nas palavras do meu irmão. – Eu não sinto nada.

– Filho, eu sei que talvez pareça difícil, pois esse é um sentimento novo para você. Depois de tanto tempo sozinho é compreensível que você esteja confuso. – Carlisle falou como se soubesse exatamente sobre o que meu irmão estava falando. – Só estamos preocupados, não sabemos muita coisa sobre a Bella, e principalmente não sabemos se ela pode ter alguém já na vida dela.

Esse pronunciamento do meu pai me deixou desconfortável, como assim Bella já tem alguém? Isso não era possível, quero dizer se ela tivesse um companheiro ele estaria com aqui ela, não estaria? E se ela tivesse eu não teria nenhuma chance. Não pode ser possível, mas se bem que... Aquele primeiro dia de aula Bella falou com um tal de David e ela falava com uma emoção forte vindo dentro dela, pude saber disso através do meu irmão. Será que esse David era o companheiro dela? Só de pensar nessa possibilidade fez meu peito doer, por que eu me importava com isso? Droga! Isso não era bom.

– Eu acho que você está errado pai, se Bella tivesse alguém realmente, esse alguém estaria com ela agora. – Alice argumentou seu ponto de vista igual ao meu.

– Você pode até estar certa Alice, mas ainda sim não temos certeza. Não sabemos quase nada sobre ela. Se caso ela tem um companheiro ele no momento pode estar ocupado fazendo outras coisas para depois encontrá-la. – Carlisle disse. Meu pai não era contra eu sentir algo por ela, só estava preocupado. Ele não queria que eu me ferisse, quando finalmente conheci alguém que é importante para mim como ele acha que ela era.

– Por que você acha que se ela tem um companheiro ele não está com ela agora? Por que ela o deixaria sozinho?

Alice não via como isso era possível.

– Não sei, não quero desencorajar minha filha. Mas se ela foi capaz de se afastar de Nessie por uma semana, por que não poderia acontecer a mesma coisa com o companheiro? – Ele disse.

Alice não tinha argumentos contra isso.

Ela tentou ver o futuro de Bella para ver se aparecia alguém, mas ninguém apareceu. Talvez ela não tivesse mesmo alguém ou realmente meu pai estava certo, mas e se aquele David fosse mesmo seu companheiro e só estivesse ocupado no momento e consequentemente não dá para ficar perto dela. O que eu faria?

– Edward. – Jasper tentou falar algo. Ele sentiu o meu sofrimento.

– Eu não quero falar sobre isso. – Falei seco. – Já está na hora de irmos para a escola.

Sai dali sem falar com ninguém. Fiquei dentro do carro esperando meus irmãos aparecerem.

– Como ele está se sentindo meu filho? – Ouvi a voz de Carlisle preocupado.

– Mal. Ele ainda está no estado de negação, não quer acreditar nos seus sentimentos. – Meu irmão respondeu.

– Depois de tanto tempo sozinho, é compreensivo. – Meu pai sussurrou. – Só espero que ele abra os seus olhos diante daquilo que está na sua frente.

– E vamos torcer que o sentimento de Bella seja reciproco.

Eu ouvi uma leve risadinha da baixinha.

– Está tudo bem filha? – Ouvi a voz de Esme preocupada.

– Está sim, só que se eu fosse vocês não ficaria me preocupando com esse assunto. – Pela mente da minha mãe vi um sorriso largo no rosto da baixinha.

Tentei ler os pensamentos da anãzinha, mas ela me bloqueava cantando uma musica qualquer.

Minha família ficou em silêncio por alguns minutos curiosos pelo que ela disse, mas ninguém falou nada.

Meus irmãos levaram alguns minutos para vir até a garagem para enfim darem as caras. Provavelmente para me deixar pensar um pouco, mas não foi nenhum pouco bom, pois não consegui pensar em nada a não ser naquela dor no meu peito. Senti a dor sumir prontamente, percebi que meu irmão tinha me ajudado.

Rose e Emmett entraram no carro tranquilamente eu nem tinha notado o momento que eles tinham chegado em casa. Estava tão submerso nos meus pensamentos que não prestei atenção em mais nada a minha volta.

– Irmãozinho que cara é essa? – Emmett perguntou assim que viu minha cara pelo retrovisor.

– Não é da sua conta Emmett. – Falei ríspido.

– Ui. – Ele levantou as duas mãos e acenou com elas. – Acho que tem alguém aqui com TPM.

Ouvi um tapa na nuca do meu irmão.

– Não fale besteiras Emmett. – Rose brigou com ele.

– Ai ursinha essa doeu. – Ele esfregou as mãos atrás da nuca. – É o Edward que está com TPM e é você quem toma as dores por ele?

Rose fechou a cara para ele.

– Estou brincando amorzinho, vem cá e me dá um beijinho. – Ele fez biquinho se aproximando dela, mas Rose colocou a mão na cara dele e o empurrou para o lado de Jasper.

– Não se aproxime Emmett. – Ela falou furiosa. – Se você tentar se aproximar mais uma vez, te jogo para fora desse carro.

– Emmett caramba. – Jasper se exaltou. – Você não consegue ficar de boca fechada não. Agora sou eu quem estou tomando suas dores.

Jasper reclamou quando foi prensado na porta pelo corpo do grandão.

Ele fez o mesmo que a Rose, empurrando o grandão para o lado dela.

– O marido é seu Rose, então segura ele aí. – Jasper falou.

Rosalie começou a brigar e os três começaram a discutir atrás do carro. Alice não perdeu tempo e entrou dentro da discussão para defender Jasper.

Como ela estava sentada do meu lado virou para trás quase me fazendo beijar sua bunda magricela.

– Já chega os quatro, se vocês não calarem a boca agora, vou deixar vocês aqui. – Rugi furioso.

Suspirei aliviado quando todos me obedeceram e ficaram em silêncio. Pelo menos não teria que escutar mais nenhuma reclamação vindas dos meus irmãos.

Não demorou muito para chegarmos à escola, mas chegamos em cima da hora. A conversa que eu tive com minha família nos rendeu alguns bons minutos e quase um atraso para a aula.

Vi de relance quando seguia para dentro da escola o carro de Bella estacionado. Ela geralmente estacionava o carro um pouco afastado, próximo da floresta.

Alice me acompanhou até a sala, mas não disse nada. Ela era uma ótima irmã soube respeitar meu espaço e não quis me encher de perguntas, por outro lado ficou reclamando dos meus irmãos pelo o que aconteceu no carro.

Procurei pelas mentes dos alunos e fiquei acompanhando Bella o tempo todo. As aulas foram passando e eu não me concentrei na matéria. Eu estava perdido ora em pensamento ora nas ações de Bella.

Na hora do intervalo fui o último a chegar à mesa sentando-me ao lado da baixinha.

Eu vi Alice mexendo empolgada no embrulho do celular novo que Bella tinha dado a ela, e pelo que eu li na mente dela, Bella já tinha gravado seu número no celular da minha irmã.

Essa não sai da minha cabeça. Eu agora não estava tão mal como antes, mas estava imerso nos meus pensamentos pensando tudo relacionado a ela, eu me desliguei para o mundo prendendo-me as minhas memórias.

Até que escutei a cadeira a minha frente sendo arrastada, olhei desinteressado para quem tinha sentado nela e arregalei os olhos surpreso ao ver Bella e Nessie se sentando na mesma mesa que a minha e da minha família.

O que elas estavam fazendo ali?

Li a mente dos meus irmãos e vi: Alice tinha chamado as duas para se sentarem conosco e eu perdido em meus pensamentos não vi nada acontecendo a minha volta.

– Ah obrigada por aceitarem se sentar aqui. – Alice quase quicava no banco. Eu nem prestei direito atenção no que a baixinha falava, meu foco no momento era Bella.

Meu rosto logo se iluminou com um largo sorriso, não acreditei que Bella estava aqui, era bom demais para ser verdade. Por um breve momento seus olhos se encontraram com os meus, porém foi bem rápido. Entretanto, enquanto Bella conversava com Alice ela estava com os lábios levemente encurvados pra cima. Então ela gostou? Isso é bom.

Estava ficando satisfeito, quando um pensamento surgiu lembrando do suposto cara que pode ser seu companheiro. O sorriso no meu rosto foi sumindo aos poucos, essa ideia não me agradava nenhum pouco.

Fiquei olhando fixamente para minha bandeja e comecei a brincar com a comida.

“Ela está te encarando.” Ouvi Jasper me dizer.

Quando eu levantei meu olhar para cima, Bella estava mesmo me fitando com a testa franzida. Estava estampado na sua cara que ela estava curiosa me olhando atentamente.

– Então Edward? – Rosalie chamou minha atenção.

– Hum? – Sobre o que ela estava falando? Olhei para ela esperando saber sobre o que se tratava.

– Estou te chamando há um tempo, só que você não me responde. – Minha irmã falou.

– Desculpa, eu não prestei atenção. – Falei desinteressando não me importando com o assunto.

– Onde estava com a cabeça? – Ela ia começar, mas parou rapidamente. Ela quase me dá um furo sobre meu suposto pensamento estar sendo referente à Bella. Estava tão evidente assim para meus irmãos?

Olhei-a seriamente e a mesma mordeu os lábios para conter o riso. Antes que ela pudesse continuar a falar o sinal soou a impedindo de dizer o que fosse.

– Depois conversamos, já deu a hora. Vamos Emm. – Ela puxou meu irmão pelas mãos e caminharam em direção as salas.

Não demorou muito para que os restantes da mesa se levantassem e caminhassem em direção à saída do refeitório. Nessie, Bella, Alice e Jasper estavam mais a frente, e eu fui caminhando um pouco mais atrás deles. Antes que eu percebesse os três se despediram de Bella e seguiram rumo ao prédio diferente ao nosso. Nessa aula de agora, Nessie e Alice estariam na mesma turma e Jasper como sempre acompanharia Alice até sua sala.

Vi Bella caminhando tranquilamente para a mesma sala que eu. Aproveitei a oportunidade e corri até ela.

– Bella espera. – Eu disse em um tom audível para qualquer um quando estava próximo dela. Bella parou de andar até eu chegar a ela, a vampira virou me encarou com uma sobrancelha arqueada esperando eu falar. – Posso acompanhá-la, já que estamos indo para mesma sala?

Ela esboçou um meio sorriso.

As mentes dos humanos estavam gritando em minha cabeça, com a cena de nós dois juntos.

– Claro. – Ela aceitou e voltou a andar. – Então está tudo bem com você?

Não tinha entendido sua pergunta, mas mesmo assim respondi:

– Sim, por quê?

– Não sei me diz você. Estava no mundo da lua na hora do intervalo... – Ela falou despreocupada, mas quando eu olhei em seus olhos e não sei por que mais eu senti que ela sabia exatamente o que se passava comigo minutos atrás.

Conforme íamos caminhando até a sala vários alunos nos olhavam chocados e sussurravam entre si sobre nós dois.

– Não é nada demais só pensando um pouco. – Tentei soar como se não fosse nada de importante.

– Entendo, se eu puder ajudar em algo é só me avisar. – Bella piscou para mim com um sorriso atrevido no rosto.

Observei-a surpreso, será que se eu pedisse a ela o que realmente queria ela me ajudaria? Uma pontada de esperança surgiu em meu peito.

Dei um sorriso largo com a ideia.

Nós tínhamos acabado de chegar em frente a sala. Eu parei na entrada para responder a ela.

– Talvez só você possa me ajudar. – Dei um sorriso galanteador.

Aproveitei para me aproximar dela, mas antes que eu pudesse tocar em sua cintura com minhas mãos escutei um pigarro atrapalhando o meu momento. Na hora tive vontade de matar o infeliz.

Me virei furioso para xingar a pessoa e acabei dando de cara com o professor que me olhou assustado por me ver assim.

– É se vocês não entrarem agora... eu não vou deixar entrar depois. – Ele passou a mão na gola da sua camisa como se o ajudasse a respirar melhor.

Eu iria falar que não íamos entrar, mas Bella foi mais rápida.

– Desculpe Mr. Banner, já estávamos entrando. – Ela deu um sorriso amarelo.

– Assim espero. – Falou com o queixo erguido assim que se recompôs. Eu ia questionar, mas Bella me olhou séria impedindo que qualquer palavra saísse da minha boca.

Bella foi se sentar ao meu lado como sempre.

O professor se sentou na sua mesa e começou a folhear alguns papeis. Eu estava em silêncio e acabei prestando atenção nos pensamentos dos humanos, algo que chamou minha atenção me deixou tenso na hora. Pelo que eu lia na mente de alguns dos alunos eu soube que o professor ia fazer tipagem sanguínea na aula.

Eu não acredito como fiquei tão distraído a ponto de não ver nada? Eu tinha que achar uma maneira de sair daqui com a Bella.

– Bella. – Ela virou para me olhar. – Temos que sair daqui agora.

– Por quê? – Ela estreitou os olhos formando uma pequena ruga entre suas sobrancelhas. Ela ficava linda assim, sacudi a cabeça não era momento pra pensar nisso.

– O professor. – Respirei fundo para me concentrar em uma desculpa para sair daqui. – Vai fazer tipagem sanguínea.

Ela me olhou e um sorriso enorme surgiu em seus lábios.

– Isso é ótimo. – Ela disse entusiasmada. Eu franzi o cenho, eu acho que ela não tinha entendido o que isso significava.

– O que? Não podemos ficar aqui. Você escutou o que eu disse? – Eu perguntei um pouco nervoso.

– É claro que escutei não sou surda. – Ela falou um pouco entediada, mas logo voltou com um sorrisinho no rosto. – Está na cara que eu não vou sair daqui... – Olhei-a boquiaberto, ela ficou louca? – E perder a variedade de cheiro desses aperitivos magníficos que vai ter na sala? Mais nunca mesmo.

– Você só pode estar brincando! – Eu falei alterado. – Ainda mais você que se alimenta de sangue humano, não vai conseguir se controlar.

Ela revirou os olhos e virou para frente de novo me ignorando completamente como se eu não tivesse dito nenhuma palavra.

– Bella, por favor. – Tentei mais uma vez não podia nos arriscar e deixá-la aqui sozinha. – Eu estou falando sério. – Falei angustiado.

Ela me olhou atentamente. O professor já havia começado a explicar sobre a aula e pediu para que cada um pegasse seu material.

– Você não vai aguentar sentir o cheiro? – Ela perguntou tranquila como se para ela não fizesse diferença o efeito do sangue que ia causar, tá bom!

– Exatamente. – Deixei de lado, talvez ela não quisesse confessar que também não aguentaria. – Agora vamos, vou dar um jeito de nos tirar daqui.

Eu segurei no seu pulso, para tirá-la daqui, porém ela me impediu permanecendo fixamente no seu lugar.

Para minha sorte o professor saiu da sala para pegar mais alguns materiais que faltava, essa era nossa chance, depois eu daria um jeito de explicar a saída repentina.

– Você pode ir Edward, mas eu vou ficar.

– De jeito nenhum vou te deixar sozinha. – Ela tinha que entender o perigo das minhas palavras, num ato impensado e repentino para mostrar a seriedade do que eu dizia puxei-a para perto de mim deixando seu rosto a centímetros do meu.

Ela me olhou surpresa. Bella não esperava esse gesto meu e para falar a verdade nem mesmo eu esperava. Era para eu dizer algo, mas ela estava perto demais.

Eu encarei profundamente seus olhos de chocolate e ela me olhava na mesma intensidade, nesse momento esqueci-me de tudo a minha volta até mesmo sobre o que estávamos discutindo. Com a mão livre segurei sua cintura e fui aproximando meu rosto do seu, seus olhos ainda pareciam estar perdidos nos meus. Bem ao longe escutei alguns ofegares, mas para mim nada mais importava. Eu tinha Bella nos meus braços isso sim era a única coisa que me interessava.

A sensação de tê-la aqui era incrível, fazia todo o meu corpo se arrepiar e a minha respiração acelerar.

Quando meu nariz tocou o dela eu escutei uns gritinhos irritantes e esse barulho parece ter trazido Bella a tona, pois ela piscou os olhos algumas vezes como se ajudasse a esclarecer seus pensamento, e seus olhos se tornaram furiosos.

– Saia. De. Perto. De. Mim. – Ela disse pausadamente. Bella se soltou de mim numa forma abrupta e se afastou.

Eu não tinha entendido sua reação para agir assim.

– Você é maluca? – Perguntei exaltado.

– Olha o jeito que fala comigo garoto. – Ela disse ríspida.

– Garoto. – Enfatizei essa palavra. – Se é que você percebeu temos praticamente a mesma idade. – Sorri debochado.

– Estamos longe de ter a mesma idade. – Bella ironizou.

Isso me chamou atenção, uma coisa que eu nunca parei para pensar. Quantos anos ela tinha? Pelo seu jeito de falar parecia ter muitos anos, talvez séculos. No mínimo uns cento e cinquenta anos, pois essa era a idade aproximada de Jasper, e ela o conheceu nas guerras do sul.

Eu fiquei curioso, mas agora não era momento para isso, ela não me responderia mesmo.

– Por que está de mau humor? – Perguntei.

Bella demorou um tempo para me responder como se talvez procurasse as palavras certas a dizer.

– Se é que você não percebeu estamos dentro da sala de aula. – Ela respondeu, mas no fundo não achei que era isso... Então um estalo deu na minha cabeça. Nós estávamos na sala de aula, eu me esqueci completamente de onde nos encontrávamos. O que me fez lembrar de que alguém interrompeu o nosso quase beijo. Puta que pariu, só agora minha ficha caiu.

Eu quase beijei Isabella Swan.

Eu não acredito! Maldito seja aquele que interrompeu meu quase beijo, se eu descobrir quem é o infeliz eu vou matá-lo.

– Eu acho melhor você sair daqui agora, o professor está quase voltando. – Ela sussurrou.

Lembrei-me que o professor ainda não tinha chego.

– Eu não vou deixá-la sozinha aqui, não depois de um quase beijo nosso. – Fechei a boca na hora que falei isso.

Ela me olhou com olhos um pouco arregalados, mas logo sua expressão se suavizou e um sorriso pervertido surgiu em seus lábios.

– Pelo menos dessa vez, você não virou uma estatua. – Bella piscou para mim.

Da outra vez eu tinha mesmo bancado o idiota, mas dessa vez não.

– Seu tempo está acabando Edward Mr. Banner está chegando. – Eu não podia deixá-la. – Não se preocupe eu não vou atacar ninguém, mas já não posso dizer o mesmo por você. – Olhei-a incrédulo, não tem como ela não atacar ninguém se ficar na aula. Se bem que se tratando da Swan eu não duvidaria do que ela diz, mas ainda sim...

Ainda sim não iria sair sem ela, balancei a cabeça irredutível.

– Pois bem, é melhor se controlar. – Ela deu de ombros e virou para frente.

Passou só alguns segundos e o professor chegou na sala. Eu fiquei tenso pela roubada que me meti, Bella podia estar falando mesmo a verdade e conseguir se controlar, no entanto eu não seria capaz disso.

Tive que trancar a respiração.

O professor passou mesa por mesa entregando as agulhas descartáveis.

– Podem começar. – Ele falou alto. Então os alunos começou a furar seus dedos.

O monstro dentro de mim rugiu implorando pelo menos um gole.

Mesmo sem respirar estava difícil de controlar a vontade que sentia. Olhei para o lado e vi Bella respirando profundamente de olhos fechados, porém assim que abriu-os estavam escuros de desejo. Os meus não deviam estar diferentes.

Ela virou lentamente o rosto para seu lado direito e encarou sobre seu ombro alguém atrás dela, eu só não fazia ideia de quem era já que não conseguia ver seus olhos para saber quem ela encarava.

A vontade de tomar sangue estava sendo mais forte quando olhei para o lado e vi a pequena gota de sangue escorrendo pelo dedo de um aluno, aquilo foi tentação demais. Segurei firme na ponta da bancada e escutei uma leve trincada da madeira que minha mão apertava.

Não demorou muito e Bella virou para frente com um sorriso satisfeito no rosto, pelo visto ela encontrou alguém apetitoso para si. Ela me olhou ainda mantendo o sorriso presunçoso.

– Que tal você inalar, aposto que vai encontrar algo saboroso. – Ela sugeriu. Como ela conseguia lidar tão facilmente com uma situação dessas?

Eu estava perdendo cada vez mais a força de vontade era agonizante ficar parado assim num lugar e não fazer nada, eu não podia decepcionar minha família. O que eles fariam se eu atacasse alguém aqui?

“Não se mexa Edward eu vou te ajudar.” Escutei os pensamentos agitados de Alice.

Eu não me mexeria nunca, um movimento a mais e eu provavelmente colocaria tudo a perder. A vontade de tomar sangue dessa vez, não foi nada comparado quando Bella estava se alimentando de Mike, aqui a vontade era intensa demais. Se eu perder uma única respiração, eu sei que não teria mais volta e exporia minha família inteira, provavelmente a Bella e Nessie também.

– Eu avisei que você deveria ter ido quando teve chance. – Ela sussurrou. “Eu sei que sim, mas sou um idiota com medo de deixá-la sozinha.” pensei. Ela me observava atentamente. – Eu acho que deve estar sendo bem doloroso para você se segurar, você é bem resistente muitos já teriam desistido no primeiro segundo.

Revirei os olhos e fechei-os tentando me manter calmo. Ouvi os pensamentos alarmantes de Alice enquanto se aproximava. Eu tive medo que ela não conseguisse se controlar e colocá-la nessa mesma situação.

Escutei um suspiro profundo vindo da minha parceira ao meu lado.

– Edward. – Bella me chamou mais eu não abri os olhos. – Edward, respira. – Abri os olhos encara-a chocado. Essa garota ficou doida de vez só pode ser. – Vamos, você não vai ficar mais se torturando se fizer isso.

Eu neguei levemente, ela não faz ideia do que vai acontecer se eu fizer isso, ela devia estar mesmo querendo ver um massacre dentro dessa sala.

“Edward, faça o que ela diz.” Alice pensou “Não sei como, mas isso vai ajudar! Você não vai atacar ninguém”.

Eu não poderia me arriscar. As visões da Alice são subjetivas vai se minha vontade muda e eu acabo causando uma loucura.

– Vamos logo. – Bella pediu. Eu ainda não tinha coragem, a dor ficava cada vez mais forte parece que jogaram ferro escaldante na minha garganta. – Você confia em mim? – Ela perguntou me encarando profundamente.

Essa sua pergunta me pegou de surpresa. Eu confiava nela? Era uma pergunta importante e muito valorizada. Eu confiava nela? De novo essa pergunta me atingiu. Eu olhei dentro dos seus olhos e pude perceber que ela estava atenta demais, posso dizer que talvez até estivesse ansiosa pela minha resposta, mas foi apenas olhar para aqueles olhos castanhos achocolatados que eu soube a resposta.

– Sim. – Sibilei entredentes.

Ela esboçou um pequeno sorriso nos lábios.

– Então faça o que eu disse. – Ela pediu calmamente.

Eu fechei os olhos apreensivo. Fosse o que fosse eu faria o que ela disse.

Relaxei o corpo e soltei a respiração lentamente, assim que eu inalei o primeiro lufada de ar que invadiu meu pulmão abri os olhos abruptamente, para ter certeza se eu não tinha ficado louco. Respirei profundamente e me surpreendi com o cheiro. Eu não estava sentindo a intensidade dos sangues, sim ainda era cheiroso, mas era como se fosse o mesmo cheiro do dia a dia. Tentador, mas possível de ser ignorado. Talvez um pouco mais apetitoso, mas era pouca diferença. Eu não estava acreditando nisso.

– Como isso é possível? – Perguntei em choque.

– Você devia estar colocando na sua mente algo tão impossível de ser ignorado que estava se auto torturando. – Ela deu de ombros.

– Não, não pode ser isso. – Eu neguei desacreditado ainda.

– Então o que seria? – Ela ergueu suas sobrancelhas pedindo uma explicação.

– Eu não sei. – Falei confuso, não fazia ideia do que poderia ser. – Eu só sei que eu não teria um autocontrole ótimo assim.

– Acho que você está se desprezando mais do que devia. – Bella comentou.

Não devia ser isso.

– Vocês já terminaram? – O professor passou perguntando. Droga eu tinha até esquecido dessa tipagem sanguínea que não sei como vou explicar para ele que isso é impossível de ser feito, pelo menos para nós vampiros.

– Já terminamos sim. – Olhei para a bancada quando Bella estendeu um papel com duas lâminas por cima que continham sangue para o professor. Eu não acreditei no que eu vi. Como ela conseguiu fazer isso?

– Muito bem. – Foi a única coisa que ele disse antes de sair.

– Como você conseguiu isso? – Perguntei olhando para as duas lâminas. O professor nem ao menos tocou na folha apenas tinha olhado por cima.

– Às vezes quando fechamos os olhos, muita coisa pode acontecer. – Ela explicou.

Eu não havia entendido.

Fiquei em silêncio tentando entender o que ela quis dizer, então eu entendi foi no momento em que fechei os olhos, mas ela devia ter sido rápida demais para conseguir aquelas amostras de sangue ou eu não vi o tempo passar enquanto mantive os olhos fechados.

Não demorou muito e o sinal tocou, Bella saiu da mesa sem se despedir de mim e eu não me movi do lugar, foi tantas coisas que aconteceu nessa aula que até mesmo para mim estava difícil de entender.

Uma coisa eu tinha certeza aquele tal de David não era o companheiro dela. Se fosse ela não estaria tendo esses momentos comigo, porém isso não quer dizer que eles não têm algum envolvimento juntos. No entanto, só de saber que eles não são companheiros já é grande coisa, pelo menos para mim.