A Primeira Eterna
10 Alguém quer morrer
Notas iniciais
POV BELLA
Eu e Nessie fomos até uma árvore a nossa esquerda e sentamos encostando as nossas costas no tronco. Como minha filha estava de saia, ela deixou as perna esticadas e cruzadas, alheia a volta deixou exposto uma boa parte da sua cocha.
Olhei em direção ao cachorro que secava descaradamente suas pernas despidas. Como se ele estivesse sentindo que alguém o olhava, ergueu um pouco a cabeça e encontrou meu olhar o encarando. Sorrindo mandei uma piscada e vi suas bochechas corarem nítidas mesmo na pele avermelhada, segurei a risada não queria deixá-lo sem graça mais do que já estava.
Eu não ia contra essa história de imprinting por dois motivos. Primeiro eu não me meto nas relações que Nessie tem com os homens a não ser que o cara não vale nada aí eu não só interfiro como mato o infeliz que fazê-la sofrer. Minha filha nunca sequer foi contra com os homens que interferi na relação dela, a maioria das vezes até mesmo me apoiava e me ajudava. Eu sei que é loucura, vai entendê-la. Segundo, pois sei que Jacob jamais machucaria Nessie faria de tudo por ela, então não preciso me preocupar com ele. Só tinha dó, pois ele vai ser um pau mandado dela.
Desde que nos sentamos mais alguns lobos se transforam em humanos, creio que Jacob mesmo inconsciente está adquirindo confiança em nós duas graças a Nessie, se não fosse por esse motivo aposto que não deixaria nenhum lobo voltar à forma humana para se protegerem melhor.
– Como eu tinha dito antes vou falar recentemente sobre os lobisomens que até há pouco tempo estavam extintos. – Fechei os olhos e apoiei a cabeça no tronco da árvore. Nessie aproveitou e encostou seu rosto em meu ombro não pude deixar de evitar um sorrisinho de satisfação, eu estava morrendo de saudades dela. – Os lobisomens se transformam na lua cheia e são um pouco difíceis de matá-los e não existe essa conexão mental como vocês transmorfos, entre eles ninguém consegue ler a mente um do outro. Não me levem a mal lobos, mas vocês não conseguem matar facilmente um vampiro e sim com dificuldade, lutarem sozinhos é perigoso. Vocês têm chance sim de vencer, mas também tem chances de morrerem rapidamente, porém tenho que admitir vocês são um dos transmorfos mais poderosos que conheci. – Pensei. – Continuando os lobisomens sozinhos tem uma luta de igual para igual com os vampiros, o problema é que eles não raciocinam e seu único desejo é matar primeiramente o perigo eminente a sua volta. Ele tentará acabar com o que pode prejudicá-lo se não houver o perigo ele mata para se alimentar, resumindo utilizam apenas seus instintos animais. – Abri os olhos e olhei para os Cullen. – Eles usam só a força para atacar. Quando transformados, eles são como os recém-criados, a força deles é superior a nossa dos vampiros, mas como disse agem por impulso. A nossa vantagem é que conseguimos pensar e agir, se não formos imprudentes conseguimos matar um lobisomem sem morrermos.
– O que você quer dizer com “conseguimos matar um lobisomem sem morrermos”? – Abri meus olhos e encarei Carlisle.
– Uma mordida de lobisomem é fatal para nós vampiros. Depois da mordida é só questão de minutos ou horas para que o vampiro morra.
Vi os olhos de todos se arregalarem assustados, encontrar um inimigo a sua altura não é nada agradável para alguém, ainda mais para um vampiro.
– Por que eles não raciocinam? – Inquiriu Carlisle.
– Porque quando eles se transformam na lua cheia, seu raciocino vai embora junto com a sua forma humana, deixando apenas o predador de si livre.
– Mas nós também somos inimigos dos vampiros, nossa febre só começa a acontecer quando estão pertos de nós. – Jacob interferiu.
– Os Quileutes vêm de uma magia muito antiga, vocês foram criados para proteger sua tribo de tribos inimigas e como os vampiros apareceram demonstrando um perigo para vocês sua magia até então não era capaz de protegê-los, contudo, ela se modificou para criar uma proteção possível para sua aldeia, mas não vocês não são nossos inimigos imortais.
– Cara é impressão minha ou ela sabe algumas coisas a mais que o conselho? – Perguntou um garoto empolgado.
– Não seja estupido Seth, não tem ninguém que sabe mais lendas que o conselho. – Jacob terminou a frase murmurando e me encarou em seguida. – Tem?
– É claro que não, tenha a certeza que o conselho sabem muito mais coisas que eu não saiba. – Fiz uma pausa antes de continuar. – Então voltando os lobisomens vêm da mesma origem dos vampiros, os dois existiram para criar digamos que um equilíbrio na natureza.
– E como sabe que vocês lobisomens e vampiros vieram da mesma origem? – Questionou.
– Como vocês, nós também temos as nossas lendas. – Dei de ombros como se não estivesse falando nada demais.
– Você conhece essas lendas? – Ouvi a voz de Carlisle me chamando a atenção.
Encarei-o e vi seus olhos brilharem com a chance de saber algo sobre nossas origens. Ah se ele soubesse que tudo estava embaixo do seu nariz...
– Você nunca ouviu sobre elas? – Perguntei.
– Sim, só uma coisa ou outra.
– Podemos falar sobre isso outro dia, hoje já tivemos um dia cheio. – Encarei o céu que clareava com o amanhecer que aproximava. – Eu contarei o que quiser saber, mas não agora.
– Você conheceu outros transmorfos? – Perguntou Jacob.
– Sim, existe mais alguns espalhados pelo mundo como por exemplo na Índia, África, Caribe, Brasil ou Ásia. Eles tambem mantem seus segredos do mundo.
– No que eles se transformavam? – Perguntou Seth.
– Os que eu conheci se transformavam em águias, tigres, ursos, leões e vocês lobos. Ainda existem muitos mais por ai.
– Os melhores foram às águias, lutaram com todas as suas forças contra nós e no fim acabou sendo ótimos anfitriões. Achavam que nós éramos Deuses das suas lendas – Falou Nessie sorridente.
Ri lembrando. Eles não nos conheciam e nos atacaram, mas quando viram nossa força sobre-humana e mais forte que eles, se ajoelharam diante de nós. Foi incrível a recepção deles depois. Contei para eles o que éramos. No começo ficaram apreensivos, mas no fim fizemos amizades e até falaram que nós fazíamos parte de sua tribo.
– A melhor parte foi o rito de passagem que fizeram nós passarmos para sermos considerados membros da aldeia e protetores do povo. Foi simplesmente incrível. Eles falaram que nós éramos as únicas que não precisava fazer isso, mas como insistimos eles cederam. – Conseguia sentir o seu tom de voz maravilhada.
Aquelas foram as melhores épocas mesmo.
– Vocês viveram com eles? – Carlisle estava maravilhado com o assunto.
– Não só vivemos com eles como nós viramos um deles, não literalmente obviamente. Ficamos com esse povo durante anos e não precisávamos nos esconder deles, o único momento que tínhamos que nos afastar muito da tribo era para nos alimentarmos. Mesmo que tínhamos contado a eles sobre a nossa espécie, eles começaram a imaginar que talvez fossemos Deuses pagãos que através do sacrifício, ou seja, nossa alimentação eles teriam que se entregar para oferenda. Eles achavam que estávamos lá em forma de humanos para testar sua fé perante a nós. Explicamos varias vezes que estavam enganados, em voz alta disseram que acreditavam em nós, porém calados ainda acreditavam que nós éramos seus Deuses. Expliquei a eles que não era preciso se sacrificarem que jamais mataríamos alguém da tribo. – Dizia me lembrando daquele tempo, foi uma das melhores épocas da minha existência.
– Inacreditável, deve ser fabuloso conhecer pessoas assim. Você mantem contato com eles ainda?
– De tempos em tempos eu os visito para saber se está tudo em ordem, pois ainda protejo aquela aldeia no que for preciso.
Todos se surpreenderam com as história, não imaginavam que havia transmorfos pelo mundo. Poucos sabiam das existências deles.
– Isabella, quem é você? – Perguntou Seth de boca aberta com tanta descoberta. Sorri com a sua cara.
– Você acabou de dizer quem eu sou, mas pode me chamar de Bella.
Ele bufou.
– Eu sei que qual o seu nome mais quem é você para saber tantas histórias?
– Vou deixar a imaginação de vocês florarem.
Todos ficaram quietos.
– É simples ela é um dos Volturis que provavelmente extinguirão os lobisomens e tem esses transmorfos para benefícios próprios. – Ouvi a voz irônica de Edward.
Definitivamente aquele vampiro queria morrer hoje, se é o que ele quer é o que eu darei.
– Não sabia que vocês tinham um suicida na família. – Nessie sorriu sínica para os vampiros.
– Ninguém é... Por quê? – Perguntou Carlisle sem entender.
Nessie desencostou a cabeça do meu ombro para se apoiar na árvore.
– Por... – Antes que ela terminasse sua frase em único movimento rápido sem ninguém perceber me levantei e corri até Edward que estava um pouco próximo de mim e sem antes que pressentisse que eu estava nas suas costas o peguei pelo pescoço e chutei atrás de suas pernas fazendo com que ele caísse de joelhos no chão. Atrás dele ajoelhei-me com uma das pernas prendendo suas panturrilhas, com uma mão segurando seu pescoço e a outra na nuca eu estava preparada para um único gesto arrancar sua cabeça, por um instante senti um arrepio diferente, mas que prontamente foi ignorado por minha raiva. Esse meu movimento foi tão rápido que só depois de parada ouvi uns gritos e rosnados. – Isso. – Nessie completou sua frase.
Os vampiros tentaram se aproximar, mas os impedi.
– Se vocês mexerem um só musculo eu o matarei sem ele saber o motivo de sua morte.
Ele tentava se debater para sair do meu aperto, mas estava imobilizado e minha força era muito maior que a sua.
– Por favor, solte-o. – Ouvi a voz suplicante que achava ser de Esme.
– Não faça nada, Edward não fez por mal. – Ouvi seu pai dizer.
– Não fez, me desculpe sei que Edward tentou me defender mais cedo, mas seu filho está afrontando-a desde hoje mais cedo, só falando absurdos. Onde que uma mãe puniria sua filha por querer tentar defender alguém, ele achou que ela faria isso sem ao menos conhecê-la, e outra vocês nem sabiam sobre os lobisomens e ele já foi condenando os Volturis pelo ocorrido. Se não fosse por ela, provavelmente todos vocês agora estariam mortos, eu liguei para ela no mesmo dia que vocês vieram conversar comigo pedindo que esclarecesse aos Volturis que os lobos não eram aqueles inimigos que procuravam, ela é a única que sempre consegue argumentos para impedi-los de continuar e é assim que agradecem? Ela poderia nem ao menos se incomodar em livrar a pele de vocês, mas foi o que ela fez e... – Interrompi a fala de Nessie.
“Chega filha, esses vampiros não merecem suas explicações. Eles têm que aprender suas atitudes sozinhas, mesmo que seja do modo doloroso” referi por pensamentos.
Nessie compreendeu o que eu disse, ela também queria poder arrancar a cabeça de alguém. Todos presentes escutaram o que minha filha acabou de dizer, a mais pura realidade e ainda assim esse vampiro em minhas mãos agia como um imbecil.
Nessie olhou pra mim curiosa.
– Estou tentando entender por que não o matou hoje mais cedo? Você geralmente mata no momento que alguém a ofende. – Ela falou.
Meus olhos não saíram do rosto de Edward, que tentava de algum jeito sair dali sendo impossível, mas não deixei de estar atenta a tudo a minha volta, pela minha visão periférica vi seus irmãos se posicionando para o momento certo me atacar.
– Hoje estava de bom humor. – Dei de ombros “estava morrendo de saudades de nossa família, foi a minha alegria do dia” completei por pensamento para ela. Aproximei meus lábios da orelha dele, inalando seu cheiro maravilhoso. – Vocês jugam os Volturis sem conhecê-los realmente, sabe o que realmente aconteceu para ter causado a extinção dos lobisomens? – Questionei e ele deu um leve negativo com a cabeça. Sua respiração estava entrecortada. Mudei meu tom para sussurro e perigoso. – Os lobisomens que os Volturis mataram foram aqueles que estavam expondo nosso mundo aos humanos e destruindo centenas de vilarejos e milhares de humanos, ai vocês deveriam perguntar e não acusar: Foram os Volturis que extinguirão os lobisomens? Para a resposta da sua pergunta inexistente é NÃO, eles nunca chegaram a matar tantos lobisomens assim, o problema foi que muitos vampiros pelo mundo aproveitaram os ataques dos Volturis contra esses lobisomens inconsequentes e começaram a matança contra todos os lobisomens existente, quando os Volturis descobriram sobre esses ataques os lobisomens já estavam basicamente dizimados, mas pelo visto rola ainda a história de que foi culpa dos Volturis.
Edward se remexeu mais um pouco para se soltar, mas vendo que era inútil desistiu.
– E o que aconteceu com os vampiros que causaram a extinção dos Volturis, quer dizer eles foram descobertos? – Ele falava com a voz abafada por conta do meu aperto no seu pescoço.
Estreitei meus olhos, por que ele estava tão interessado? Ah me lembrei ele é leitor de mentes. Olhei pelo canto do meu olho a minha volta e vi seus dois irmãos se aproximando de mim cuidadosamente para tentar me pegar desprevenida, permaneci atenta a tudo.
Eles provavelmente estavam armando um plano para me distrair e me atacar.
– Esses vampiros tiveram o que mereciam, foram todos exterminados por sua ganancia ao poder que nem ao menos puderam saborear. Estou curiosa, agora que você sabe da história o que faria com esses vampiros que além de acabarem com os lobisomens, deixaram cair a culpa para cima dos inocentes?
– Deviam ser punido.
Sorri vitoriosa.
– Agora vendo os fatos de tudo o que aconteceu hoje, não se acha muito julgador daquilo que não sabe Cullen?
Ele parou para pensar em minhas palavras, pensei que ele fosse falar qualquer coisa, mas ele abaixo a cabeça como se sentisse envergonhado de sua atitude. Por um segundo hesitei em matá-lo, e esse fato me assustou eu nunca tive compaixão por algum vampiro que não conhecesse antes. Esse único segundo foi o suficiente para me desconcentrar e seus irmãos agirem, não o suficiente para chegarem até mim, mas o suficiente para eu me colocar em alerta e me posicionar para matar os três. A raiva tomou conta de mim por minha falta de atenção que esse vampiro me causou, quando pressionei com forças minhas mãos em seu pescoço ouvi um grito agoniado e desesperador.
– NÃO. – Ouvi o som da voz de uma das duas pessoas ali presentes que eu realmente importo. Os dois irmãos de Edward pararam no lugar e olharam para Alice.
Olhei para a baixinha e sua expressão era de dor, me senti extremamente culpada por ser a causadora daquele sentimento que ela sentia no momento.
– Por favor não faça isso, eu não sei porque mais você não ia mais matá-lo, mas alguma coisa a confundiu e mudou seu pensamento no último segundo. – Ela pedia desesperadamente, não seria nada bom ver as pessoas que você ama morrer, principalmente sendo as pessoas que ela ama. – Eu sei que você desistiu de matá-lo seja lá o motivo que a tenha a repensar, estou te parando para recobrar sua decisão eu te imploro não faça isso. – Eu não sabia que já havia tomado minha decisão.
Olhei fixamente em seus olhos e nunca imaginei que a poderia ferir desse jeito. Meu rosto desmoronou misturado com o sentimento intenso de culpa.
Ouvi um gemido parecido de dor vindo do seu parceiro. O vampiro que eu segurava tentou virar seu rosto confuso, mas não conseguiu com minhas mãos em volta do seu pescoço. Suspirei derrotada, me levantei trazendo o vampiro junto comigo e o virei para ficar de frente comigo, sua expressão era um misto de confusão e curiosidade, mas não havia nenhum ressentimento naquele momento. Encarei seus olhos fixamente e disse com a voz ríspida sentindo agora raiva pela minha culpa.
– Você tem sorte por ter uma família que te ama tanto.
Empurrei-o para perto de sua família que o agarraram abraçando-o fortemente. Desviei meus olhos e fui até Nessie. Ela vendo meu estado me abraçou me reconfortando.
“Não fique assim mamãe, seja lá o motivo para estar desse jeito se anime e vamos embora para nos afundar no sofá, assistir um filme e tomar drinks de sangue” pensou ela e arqueou as sobrancelhas de uma maneira divertida. Não pude deixar de sorrir, ela me acalmou um pouco.
Beijei sua testa.
– Então vamos mamãe, estou cansada. – Nessie bocejou. Que dramática! Como se ela pudesse mesmo ficar cansada.
Revirei os olhos.
– Se me derem licença eu tenho que arrumar ainda minhas coisas já que acabei de chegar e vim direto para cá. – Transpareci como se estivesse entediada com todo esse melodrama.
Me virei de costas para os vampiros e olhei para Jacob que estava paralisado e assustado com tudo que aconteceu.
– Jacob diga ao sábio da sua tribo o meu nome. – Ele sem entender assentiu. O sábio da tribo fazia parte do concelho e era o homem mais velho que conhecia todas as lendas. As lendas dos Quileutes eram muitas, mas sempre o conselho tem que estar por dentro do máximo o possível das lendas, caso o velho morra terá os outros para dar continuação das histórias e assim passando de geração a geração.
– Isabella. – Falou Carlisle.
Eu olhei sobre meus ombros.
– Só Bella, por favor.
Ele assentiu.
– Bella aquilo que Nessie disse agora pouco sobre se não fosse por você nós estaríamos mortos. Por que os Volturis permitiram você se responsabilizar pelos Quileutes?
– Pois se acontecer qualquer problema eu estarei encarregada de punir ou absolve-los. Eles permitiram porque sou capaz de fazer isso sem dificuldade alguma. – Respondi.
– Compreendo. Então acho que os problemas que todos escaparam hoje foi graças a você e Nessie. – Ele parou de falar e me encarou dei meu consentimento dele continuar a falar. – Eu gostaria de agradecer, por ter salvado minha família e não ter feito nada ao meu filho.
Pelo menos tinha alguém sensato ali.
– Não precisa agradecer. – Sorri debochada. – Além do que é errado agradecer para se arrepender depois, pois eu ainda quero arrancar a cabeça de alguém. – Me deliciei com os olhos arregalados de Edward.
Estava caminhando para fora da clareira com Nessie segurando minha mão quando Alice me chamou atenção.
– Obrigada. – Ouvi seu sussurro.
Não pude evitar e me virei para olhá-la, ela tinha um sorrisinho nos lábios, contente por seu humor ter melhorado, sorri de volta e acenei com a cabeça. Edward ainda me encarava, mas o ignorei por culpa dele quase fiz Alice sofrer.
Nessie deu um tchauzinho para todos e corremos rumo para nossa casa. Aquela tinha sido uma longa noite.
Assim que chegamos, nós duas nos jogamos no sofá, Nessie olhou em volta curiosa procurando por algo, como não encontrou olhou para mim.
– Cadê suas coisas? – Murmurou. – Não vai se mudar ainda?
– Mandei alguém trazer para mim junto com o carro. – Falei tranquila. – Chegará ainda hoje.
– Falando em carro temos que devolver aquele Jaguar alugado, Heidi não sabia que você vinha. Então não deu tempo de devolver. – Pegou o controle da tv e a ligou. – Ela já fez nossas matriculas e as aulas começam daqui a pouco.
– Sem problemas vamos entregar o carro e vamos para a aula amanhã.
Ela me olhou.
– Os Cullens também estudam lá. – Bufei com a notícia, teria que conviver com eles no dia-a-dia. – Por que agiu daquela maneira hoje?
Questionou-me encarando.
– De qual momento exato você está falando? – Arqueei a sobrancelha, foram várias coisas que aconteceu na última hora.
– Por que desistiu de matar Edward quando a vidente pediu para que você não o fizesse?
– Acho que você não se lembra dela, já que você a viu só quando ela era uma criança.
Seus olhos se arregraram.
– Eu a conheço?– Perguntou interessada.
– Claro que sim. Ela é a garotinha que fiquei a acompanhando durante uns anos no sanatório.
– Oh. Meu. Deus. – Ela gritou em choque, seus olhos estavam arregalados. – Ela é a pequena Lice?
– Sim a própria.
Depois de alguns minutos digerindo a informação, ela abriu um sorriso maravilhoso.
– Como não liguei os pontos antes. – Bateu a mão na sua testa. – Era óbvio que só podia ser ela... Claro o mesmo nome, a aparência parecida e o mesmo dom quando ainda humana.
Eu conheci Alice quando ela ainda tinha 11 anos, fazia dois anos que ela estava naquele sanatório, foi através de um amigo meu que conheci a garotinha empolgante dos olhos curiosos. Ela me encantou no primeiro momento que pus os olhos nela, foi através dela que conheci a compaixão por alguém desconhecido, um humano. Meu amigo já a conhecia ela fazia um ano, ele fingia ser o zelador. Antes de eu entrar em sua vida, os humanos nojentos a machucavam sempre fazendo testes achando que ela tinha algum problema mental, eles a maltratavam fisicamente e mesmo assim ela continuou uma garotinha feliz mesmo no meio daquela podridão do lugar. Depois que fiz amizade com ela, cuidava dela como uma irmãzinha e um sentimento de amor fraternal surgiu entre nós duas. Assim que esse sentimento surgiu, foi por ela que parei de matar os humanos enquanto me alimentava, sim, só tirava o sangue necessário para me satisfazer, deixando os humanos vivos quando mereciam, claro.
Nessie a conheceu pequena, mas estávamos prestes a se mudar para casa de David. Não querendo deixar Alice fiquei com ela lá e me tornei funcionária do local. Minha filha passou um tempo com David porque estava com saudades do primo ou melhor da bagunça que faziam juntos.
Alice sempre era divertida, feliz, alegre, carinhosa e preocupada comigo, nos tornamos grandes amigas. Ofereci a ela muitas vezes para irmos embora daquele lugar imundo, mas ela nunca aceitava falava que aquele lugar era o lugar onde devia ficar, pois foi lá que me conheceu e quando fosse a hora ela sairia. Poderia fazê-la vir comigo se eu entrasse em sua mente e fazer o que eu quisesse, porém jamais a obrigaria fazer algo que não quisesse, prometi a mim mesmo nunca invadir sua mente para interferir nas suas escolhas, lógico que a protegi e nunca mais nenhum humano a machucou. Um certo dia contei uma parte do que eu era e o que podia fazer, fiquei com medo dela me rejeitar, mas não foi o que aconteceu Alice me abraçou e me agradeceu por fazer parte de sua vida. Nós nos tornamos melhores amigas e irmãs, Tadeu meu amigo vampiro era apaixonado por Alice e sempre estava cuidando dela junto comigo. Depois que contei sobre o que era e algumas coisas que podia fazer, a pequena sempre perguntava curiosa sobre o meu mundo e contei o que pude, cortando fatos que não queria contar. Alice ficou feliz por não ser a única diferente, no caso podia ver o futuro e ficou emocionada quando descobriu que eu acreditava nela e disse que era uma garotinha muito especial. Alice era minha.
Cuidei dela até seus 19 anos, mas com suas feições tão delicadas, inocentes e infantis daria uma idade mais nova para ela. De uns tempos depois Alice ficou meio estranha, mas fosse o que tivesse passando em sua cabeça eu iria esperar que ela me contasse, fiquei com medo que fosse por ela ter visto eu fazer algo ruim no futuro. Um dia eu ia sair, para me encontrar com Nessie que estava vindo me visitar, já que estava com saudades de mim e da pequena Lice. A baixinha antes de se despedir de mim, pediu para que eu apagasse sua memória, absolutamente tudo, toda a sua memória humana. Não entendi o porquê do seu pedido. Tadeu não suportou a ideia no começo e muito menos eu, mas Alice tentou nos acalmar, eu me senti culpada eu devia ter feito alguma coisa ou ia fazer algo diabólico para querer esquecer-se de mim. No entanto, Alice me garantiu que não tinha nada haver com as bobagens que passava por minha mente, mas que era necessário, pois ela disse que isso era preciso para encontrar o seu lugar e o meu também. Não entendi o que quis dizer, mesmo morrendo de curiosidade em entrar na sua mente e descobrir tudo aquilo, não fiz porque era sua decisão se ia me contar ou não. A única coisa que me esclareceu é que iriamos nos encontrar em um futuro próximo e assim que nos encontrássemos eu poderia fazê-la se lembrar de tudo. Mesmo contragosto eu fiz, eu fiz porque ela me pediu desesperadamente.
Apaguei suas memórias.
Flash Back On
Depois de três dias sem saber notícias dela, não resisti e fui atrás vê-la se estava tudo bem, mas quando eu cheguei ao sanatório descobri que ela e Tadeu desapareceram. Fui até o quarto dela, ver se encontrava alguma pista, quando encontrei um papel amassado escondido embaixo de uma tabua solta na lateral da janela. Foi fácil encontrar, pois uma pequena mancha de sangue seca estava ali, ela era esperta fez isso para eu encontrar. Abri o papel e comecei a ler.
“Querida Bellinha,
Eu queria pedir desculpas por ter lhe pedido isso, mas quando nos encontrarmos novamente e assim que me fizer lembrar te contarei tudo. Não vejo a hora disso acontecer. Você sempre será especial para mim.
Te amo muito.
Com amor Alice.”
Ela já tinha tomado sua decisão alguns dias antes de falar comigo, mas o que será que aconteceu? Segui seu rastro e de Tadeu alguns quilômetros do sanatório, quando cheguei ao local senti um cheiro de vampiro o cheiro familiar, mas desconhecido ao mesmo tempo. Olhei em volta e vi uma fogueira apagada.
Caminhei até o local e peguei as cinzas na minha mão, o ceiro nelas era de Tadeu. Fiquei preocupada com Alice. Então segui seu cheiro que ia até a um penhasco e dali sumiu na enorme queda da água que dava diretamente ao mar.
Não pude acreditar que a pequena caiu do penhasco, ela não podia ter morrido. Ela me prometeu que iriamos nos encontrar, eu só quis acreditar nisso, não ousei pensar em uma tragédia, minha mente bloqueou essa hipótese convicta que ela estava viva.
O outro cheiro também seguia até ali, mas o cheiro do desconhecido continuou para a esquerda. Corri ali atrás do maldito vampiro. Mas nunca o encontrei e nem mesmo ela.
Flash Back Off
E como prometido, nos encontramos novamente e ela ainda era a mesma só que muito mais encantadora que antes e era uma vampira. Saí dos meus pensamentos e constatei que estava sozinha na sala, Nessie talvez não quisesse me tirar dos pensamentos e me deixou ali para que refletisse um pouco.
Me lembrei que precisava conversar com ela, subi as escadas a passos humanos e entrei no seu quarto, ela estava deitada em sua cama fitando o teto e sorriu assim que entrei.
– Já se lembrou suficiente do passado? – Questionou me dando um espaço e batendo com a mão no espaço vazio da cama.
Sorri e fui até ali deitar ao seu lado.
– Sim, obrigada. Mas me fez lembrar uma coisa também. – Ela olhou com as sobrancelhas aqueadas.
– Que seria? – Perguntou.
– O que aconteceu para você ficar distraída nesses últimos dias?
Ouvi ela engolir em seco.
– Não é nada.
Virei meu rosto para encará-la é serio que ela ia mentir para mim? Ela bufou e voltou o olhar para o teto.
– Eu não sei, mas quando Emmett contou sobre o imprinting do Jacob comigo, comecei a refletir sobre o assunto, não quero magoá-lo e ferir seus sentimentos por não querer nada com ele. Eu não entendo essa angustia que estou sentindo, por pensar que ele vai sofrer. – Suspirou assim que terminou de falar.
Nessie ainda não tinha percebido, mas depois que ela se transformou em vampira nunca se importou com sentimentos profundos de outros vampiros que já teve algum relacionamento, ela se apaixonou uma vez quando ainda humana por um homem que a fez sofrer, mas se recuperou afinal todos se recuperam e por sorte foi uma paixão e não amor. Já os vampiros ela se apaixonou por um ou outro, mas no fim sempre se cansava deles. Sendo assim não conseguiu seguir em frente a um relacionamento sério, ou seja, não encontrou o seu companheiro, ainda. A questão é que seu subconsciente estava começando a nutrir sentimentos pelo Jacob, só que ela ainda não descobriu.
Ela voltou a me encarar.
– Pode me ajudar? – Perguntou.
Sorri e toquei minha mão em sua bochecha.
– Não tenho no que ajudar. Você já tem a resposta só não descobriu ainda. – Ela franziu o cenho. – Mais cedo ou mais tarde descobrirá.
Deixei que ela pensasse.
– Vou devolver o carro, quer ir comigo? – Falei enquanto me levantava.
– Claro. – Ela estava novamente animada. – Só vou trocar de roupa.
– Tudo bem, te espero lá embaixo.
Ela correu para o closet e eu saí do quarto. É Nessie você logo descobrirá o que é o amor. Um sentimento que nunca senti.
POV EDWARD
Depois que as duas foram embora, Jacob e sua matilha nos agradeceram pela ajuda. Conversamos mais um pouco e fomos embora para casa. Todos estavam em silêncio o caminho todo. Assim que adentramos fomos direto para sala.
Eu ainda estava perdido em meus pensamentos com Isabella, aquela diabólica terrivelmente sexy, quem é ela? Chega aqui em Forks se achando a tal, se bem que ela tem poder para isso. Fui provocá-la e ela quase me matou aquela filha da mãe quando eu tiver a oportunidade eu pessoalmente vou torcer aquele pescocinho perfeito, por pouco não arrancou minha cabeça. Mas pensar nela me faz querer saber mais sobre ela, eram tantas perguntas em relação a sua pessoa e sim eu fui idiota por achar que ela faria algo contra a própria filha, só percebi isso quando li na mente do Jasper sentindo um amor poderoso entre elas devo admitir o mais forte que já senti entre mãe e filha.
Na sala todos discutiam se questionando delas, quando eu senti um tapa na minha cara. Todos ficaram em silêncio assim que escutaram o som, eu de olhos arregalados encarei a pessoa que fez isso. Me surpreendi ao ver que quem me deu um tapa foi a baixinha, fiquei furioso com essa louca.
– Você é doida? Por que fez isso? – Exigi irritado.
– Como se você não soubesse. Estou farta, com suas gracinhas não aprendeu nada nesses últimos dias depois da nossa última briga? – Rugiu irritada.
– Do que você está falando? – Inquiri.
– Você não aprende mesmo. – Ninguém se meteu em nossa discussão. – Por que teve que insultar Bella de novo?
– Eu, bem... – Na verdade eu não sabia por que eu tinha feito aquilo. Só queria acusá-la por ser uma Volturi talvez ou provocá-la um pouco mais.
Ela apontou o dedo na minha cara.
– Comece a pensar nos seus atos, por sorte ela não fez nada quando eu pedi. Por causa de ti seus irmãos e você quase morreram.
– O quê? – Alguns exclamaram espantados.
Como assim meus irmãos quase morreram? Tentei ler sua mente, mas ela só usava palavras para me xingar.
– Que história é essa filha? – Carlisle perguntou preocupado.
Ela abaixou o dedo, mas sua expressão ainda era séria.
– Simples! Depois que Edward fez aquela ceninha para Bella hoje mais cedo, e Jasper com Emmett foi tentar ajudá-lo eu vi o que aconteceria. – Sua voz era agora de dor. – Isabella ia matá-lo Edward, e depois mataria Emmett e Jasper.
Cenas da visão dela apareceu em sua mente.
Primeiro Bella arrancava minha cabeça, terminando com Emmett e um pouco mais demorado mesmo assim muito rápido acabando com Jasper.
– Isso é impossível ela jamais conseguiria acabar com nós três juntos. – Falou Emmett se sentindo ofendido.
– Não só é possível como foi tão rápido que nenhum de nós tivemos a chance para impedi-la. – Ela ainda me encarava. – Se você irmãozinho quiser se suicidar como Nessie disse não leve os outros com você, caso contrario tome cuidado com suas palavras.
Eu tinha me arrependido de minhas palavras assim que Bella contou a tragédia sobre os lobisomens, eu vi como fui um verdadeiro hipócrita ter acusado os Volturis, sem ao menos saber a verdadeira história e acusando com boatos falsos. Eu me senti culpado pelas minhas acusações que passei a madrugada toda fazendo a ela, mas estes pensamentos vou deixar guardado comigo, fui eu quem tomei essas escolhas tenho que conviver com elas. Agora eu vejo que por minha culpa meus irmãos quase morreram, que tipo de monstro eu sou que condena seus irmãos para a morte? Eu entendo a aflição de Alice, seria o que todos sentiriam se víssemos um de nós morrer.
– Graças a Deus, está tudo bem e nada de ruim aconteceu. – Falou Esme tentando acalmar o ambiente.
– Sim, por sorte ela não fez nada. – Alice estava mais aliviada.
– O que me faz pensar uma coisa. – Jasper ia falando enquanto se aproximava de Alice. – Você a conhece?
Abraçou-a e beijou seus cabelos.
– Eu não, nunca a vi. – Falou meio em dúvida.
– Pois parece que ela gosta de você. – Jasper estava pensativo. – Os sentimentos que ela tem por você são fortes.
– E o fato dela ter feito o pedido de Alice, o que significa aquilo? – Murmurou Carlisle tentando entender.
– Provavelmente ela quer chamar a atenção de Alice, para tentar levá-la ao lado dos Volturis. – Falou Rosalie.
– Mas o sentimento que vinha dela em relação à Alice era de carinho, adoração e felicidade. – Jasper comentou.
– Talvez ela estivesse sentindo isso, por Alice ser uma vidente é um dom poderoso que qualquer um iria querer ao seu lado. – Rosalie falou. Não que ela fosse contra nossos argumentos, mas ela estava tentando mostrar os outros pontos.
– Entretanto quando Alice pediu para ela parar, ela o fez. – Encarei Alice me sentindo culpado. Ela me olhou também triste. – No momento que ela viu Alice desesperada um sentimento de culpa a atingiu.
– Sim, é verdade o sentimento foi tão intenso que nem mesmo eu aguentei senti-lo. A culpa e a dor que ela sentiu por fazer Alice sofrer foram fortes demais. – Jasper me encarou com os olhos estreitos. – Por que ela se sentia culpada? – Perguntou.
– Eu não sei. – Dei de ombros.
Eu não tinha contado sobre não conseguir ler a mente dela e muito menos de Nessie.
– Como assim não sabe.
– Eu não consegui ler sua mente ela é bloqueada nenhum pensamento sequer surgiu. É como se eu desse de cara com uma parede que me impede de entrar.
Todos arregalaram os olhos ninguém nunca foi capaz de bloquear seus pensamentos para mim.
– Talvez seja um dom dela. – Comentou Carlisle.
– Eu não tenho certeza disso.
– Por quê? – Carlisle estava curioso.
– Eu também não consigo ler os pensamentos de Nessie. – Falei suspirando.
– Por que não nos contou antes?
– Estava tão concentrado na chegada dos Volturis que nem me lembrei de contar esse detalhe. – Falei.
– Ou talvez não quisesse se mostrar um fracote por ter encontrado alguém que seu dom seja inútil. – Riu Emmett.
Rosnei para ele.
– Filho não provoque seu irmão. – Esme repreendeu Emmett que abaixou a cabeça.
Sorri presunçoso bem feito para esse abombado sem cérebro.
– Então será que é o dom de Nessie? Bella não estava aqui quando Edward não conseguiu ler a mente de Nessie, talvez ela possa projetar seu dom e proteger a mente de outros. – Disse Jasper.
– Esperem. – Pronunciei com o tom de voz mais auto. – Vocês não lembram aquele momento quando os lobos e o Volturi foram arrastados daquela maneira, quem fez aquilo?
– Não faço ideia mais nunca vi algo como aquilo ser possível, até agora não acredito que presenciei aquela cena. – Emmett falou um pouco surpreso se lembrando.
– Talvez seja o dom de alguém. – Comentou Carlisle.
– E esse alguém pode ser Bella. – Rose se pronunciou. Todos nós a encaramos. – Vocês não viram aquilo acontecer com eles e segundos depois ela apareceu, por que justamente quando ela apareceu eles foram arrastados? – Explicou Rose.
– Pode ser também que seja de algum dom de outro vampiro. Os Volturis não iriam mandar vampiros fracos para acabar com lobisomens. – Justificou Jasper. – E no caso dela aparecer naquele momento pode ter sido coincidência ou ela estava só esperando a ação começar para aparecer.
Sobre isso não tínhamos certeza, mas se for esse seu dom então com certeza o dom de bloquear a mente é a de Nessie. Mais de pensar que mãe e filha tem esses grandes dons as tornam perigosas ainda não temos sabemos ao certo, mas é uma possibilidade e se ela for concretizada temos que nos preocupar. Eu não era o único que estava pensando nisso todos ali estavam assustados e surpresos com essa hipótese.
– Sem falar dos olhos castanhos de Bella como aquilo é possível? Será que tem haver com sua alimentação ou o que? – Continuou Jasper.
Ah! Aqueles olhos lindos, belos e perfeitos pareciam poder ler tudo sobre você. Apesar de serem desconhecidos eram únicos.
Carlisle apoiou um braço no outro e colocou uma das mãos na boca em uma forma pensativa.
– Eu não faço ideia, mas é muito intrigante. Nunca conheci um vampiro com olhos de outra cor. Na verdade achava impossível, já que os olhos são vermelhos ou dourados como o nosso, nunca ouvi falar em cor dos olhos diferentes. Pode fazer sentido talvez esteja relacionado ao dom dela também. – Comentou ele.
– Tirando os olhos castanhos e aquele dom desconhecido será que se por acaso a Bella é quem tem a mente bloqueada. Nessie pode ter herdado os mesmos poderes, digo, as duas são mãe e filha, não pode ter algum relacionamento entre o dom delas? – Disse Esme em dúvida.
Porra! Eram tantas duvidas e quanto mais nos questionávamos mais perguntas surgiam, isso estava me deixando maluco, nunca alguém nos deixou sem respostas essa era a primeira vez e espero que a última. E quem diria que aquela beleza em pessoa pudesse ser mãe, quando ela disse na hora que estávamos discutindo fiquei surpreso ao saber. Não sei por que, mas me senti um pouco desconfortável quando ela anunciou que era mãe.
– Elas não podem ser mãe e filha. – Exclamou Emmett. Todos nós o encaramos, por que ele acha isso? – Podem se considerar assim por viverem juntas, mas elas não devem fazer parte da mesma família, Isabella é bem mais linda que Nessie.
De onde Emmett tirou essa ideia, ele não pensa, não?
Ouvi um rosnado furioso sair pela garganta de Rosalie. Ela puxou a orelha de Emmett que choramingou e trouxe os ouvidos próximo aos seus lábios.
– Diga mais uma vez que ela é linda e você vai ficar sem usar seu amiguinho por um bom tempo. – Rosalie sibilou as palavras ameaçadoramente.
Vi os olhos de Emmett se arregalarem assustados. Eu e Jasper não aguentamos e caímos na gargalhada, o medo de Emmett era evidente o que tornava tudo mais engraçado.
– Não amorzinho, por favor, como é que você vai se divertir durante a noite? – Rose soltou a mão da orelha de Emmett e deu um tapa em sua cabeça com o comentário dele. – Ai ursinha! Você sabe que é a vampira mais linda para mim, a única e exclusivamente minha.
Emmett a puxou pela cintura e deu um beijo casto. Eu e meu irmão tínhamos controlado nosso ataque de risos.
– Cuidado com suas palavras, Emmett. Na próxima, não o perdoarei. – Falou contra os lábios dele.
– Filho elas devem ser sim mãe e filha apesar da grande diferença, elas ainda tem traços bem parecidos uma com a outra. Depois de anos que Bella foi transformada Nessie se transformou. – Carlisle disse calmamente.
– Será que foi Bella quem a transformou? – Perguntei.
– Não sabemos, mas e a Bella como sabe de tantas coisas, vocês viram ela sabia varias assuntos sobre os Quileutes e sabia que não eram lobisomens, os próprios não sabiam desse fato. – Jasper comentou.
– E dela conhecer vários transmorfos e ainda fazem parte de um deles.
– Verdade, ela sabe de muitas mais coisas do que imaginamos as duas na verdade. – Disse Carlisle.
– Talvez por elas serem Volturis saibam de bastante coisas. – Jasper tentou chegar na sua conclusão.
– Vocês perceberam como Bella se referia ao Volturis? – Todos nós encaramos Emmett com suas palavras. – Ela sempre referiu aos Volturis como “eles” em nenhum momento se referiu como “eu”.
Surpreendentemente Emmett não falou besteira, ele disse algo que nenhum de nós percebemos e estava certo. Em nenhum momento ela se referiu como uma Volturi, ela sempre dizia os Volturis isso, os Volturis aquilo, os Volturis são... E o fato dela matar um guarda dos Volturis sem ao menos eles se importarem e os mesmos não ligaram pela morte daquele inútil. Alguma coisa ai tinha, a se tinha.
– Emmett tem razão, mas não temos certeza de nada, mas elas podem estar relacionadas aos os Volturis. – Pronunciou Carlisle que encarou Alice em seguida. – Bella é a nova moradora, não?
– Sim, ela e Nessie passaram um tempo aqui. – Alice respondeu.
– Então em relação sobre ditarmos a regra para elas viverem aqui, não vale mais? – Rosalie perguntou contragosto.
– Claro, apesar de Bella quase ter matado os três por um motivo. – Alice me encarou séria por um segundo, mas voltou seu olhar para Rosalie. – Ela ainda nos salvou da morte pelas mãos dos Volturis se não fosse pela interferência dela por nos ajudarmos, nenhum de nós estaríamos presentes aqui nesse momento. E outra, não queremos arranjar problemas com Bella ou com Nessie não sei a sua força, mas ela é muito mais poderosa do que imaginamos que possa ser.
Ninguém ousou discordar Alice estava certa, eu não queria ser o culpado pela morte de alguém da minha família, só pelo fato de eu ter sido há poucas horas atrás quase o causador pela morte de meus irmãos me sentia agoniado pela possibilidade de acontecer de novo.
Minha família estava pensando sobre Bella a vampira brilhante, encantadora e poderosa.
Merda! Eu tenho que parar de pensar nela assim.
– Eu acho melhor vocês irem para a aula hoje. Em alguns minutos vai dar a hora de entrarem.
– Mas pai vamos ter que nos encontrar com elas de novo? – Perguntei injuriado.
– Elas não irão hoje, vão resolvendo os últimos detalhes da mudança. – Quem respondeu foi Alice.
– Ótimo, pelo menos um dia sem elas. – Falei tranquilo.
– Então vão se arrumar que está na hora de irem. – Carlisle pediu.
– Vão meus filhos e juízo. – Esme veio sorrindo na nossa direção abraçou e beijou nós cinco.
Carlisle se retirou da sala acompanhado de Esme.
Eu e meus irmãos corremos para nossos quartos trocarmos de roupas e depois seguimos para a escola no meu carro. Esse seria o último dia em paz na escola até a chegada delas para me atormentar.
Saímos do carro e cada um seguiu para sua respectiva aula. Eu teria aula de história com Alice agora. Nós estávamos no segundo ano e nossos irmãos no terceiro.
Durante o caminho Alice nem se quer olhou para minha cara, ela estava chateado com minhas atitudes.
Nós entramos na sala e ela sentou na carteira olhando diretamente para a lousa, me sentei ao seu lado. Não suportava ficar sem falar com a anãzinha.
– Alice, por favor. – Ela não se mexeu. – Por favor, olhe para mim.
Ela com um semblante sério virou o rosto em minha direção.
– O que você quer? – Falou seca.
– Eu quero pedir desculpas, quando eu tomei consciência de minhas palavras para Bella era tarde demais. – Abaixei a cabeça constrangido.
– Pelo menos você viu que estava errado, mas suas atitudes podem acabar matando a si mesmo ou alguém que ame. – Falou agora mais calma.
Suspirei ela estava certa.
– Eu sei, você tem razão.
Ela pegou minhas mãos e sorriu triste.
– Eu me preocupo com você, Jasper e todos da minha família. Eu os amo muito para ver alguém morrer.
Levei suas mãos até meus lábios e a beijei delicadamente.
– Obrigado baixinha. – Ela sorriu e revirou os olhos. – Sabe, Bella tem pensamentos preocupados com você, ela se importava com tudo que sentia. Queria saber por que.
– Eu também não sei, depois que você e Jasper me contou sobre os sentimentos dela fiquei muito pensativa. – Ela parou de falar decidindo se devia continuar ou não, por fim decidiu prosseguir. – Não sei porque, mas mesmo depois de tudo que aconteceu hoje eu gosto dela e não me sinto insegura com sua presença, pelo contrario sua presença parece preencher um vazio em meu peito que está aberto a muito tempo.
– Por que será? Eu não sei, mas temos que descobrir. – Olhei para o teto pensativo.
– Sim, e descobriremos.
O professor entrou e ficamos calados durante a aula, prestei atenção nos pensamentos de Alice, ela estava intrigada com Bella e suas atitudes, não interrompi, pois nem mesmo eu sabia a respostas para suas perguntas.
Assim que a aula terminou nos despedimos e cada um seguiu para suas respectivas aulas. Quando estava no caminho da minha próxima aula, ouvi os pensamentos de Lauren se aproximando pensando em um jeito de me chamar para sair. Mais essa agora, que garota insuportável.
– Olá Edward. – Sua voz era irritante.
Sorri para ser educado e ouvi seu coração disparado.
– Oi Lauren tudo bem? – Perguntei tentando manter o sorriso, mas estava difícil.
Seus pensamentos me causavam repulsa por ela, pensava que assim que me conquistasse poderia me mostrar para todos como um troféu, e as cenas de nós dois juntos na sua cama, me davam náuseas. Se eu não fosse vampiro, acho que teria vomitado.
– Tudo bem. – Sorriu tentando ser sexy. Encostou uma de suas mãos em meus braços afogando-os. – Seria melhor se você aceitasse sair comigo, que tal irmos para algum lugar mais tranquilo depois da aula?
Ela achava mesmo que eu ia aceitar? Coitada, como se eu fosse mesmo interessado nela. Ela não significava nada para mim, basicamente humanos não significam nada para mim. Antes que respondesse sua pergunta Rosalie surge puxando meu braço virando-me em sua direção, as mãos de Lauren se soltaram de meu braço.
– Edward estava precisando falar com você. – “Não se preocupe maninho vim te livrar dessa vadiazinha” Rose pensou. Sorri feliz e quase agradeci beijando seus pés. Minha irmã se virou para Lauren olhando-a de cima a baixo com desprezo. – Algum problema garota? – Perguntou seca.
– Na verdade sim. Eu estava falando com seu irmão, quando você se intrometeu em nossa conversa. – Lauren falou furiosa.
Algumas pessoas pararam de ir para as aulas e fingiam conversar, mas estavam todos curiosos com a nossa conversa. Revirei os olhos para esses bando de fofoqueiros, eles só queriam pegar o máximo da conversa e espalhar para todos da escola.
Rosalie arqueou uma sobrancelha e virou para mim como se Lauren não estivesse ali.
– Edward, eu estou atrapalhando você irmão? – Perguntou delicada piscando varias vezes inocentemente.
– Você nunca atrapalha Rose. – Abracei-a pela cintura. – Não tinha nada de interessante mesmo aqui. – Fingi esquecer a minha conversa com Lauren que estava nos olhando furiosa. – Se me der licença Lauren eu preciso falar com minha irmã e vou escoltá-la pelo caminho até Emmett.
Rosalie não fez questão de se despedir, virou o rosto jogando seus belos cabelos loiros pars trás e assim nós saímos dali caminhando e sorrindo.
Levei-a até sua sala.
– Obrigado Rose. – Falei.
– Sempre que precisar irmão é só avisar. – Piscou para mim e entrou na sala ignorando os olhares apaixonados dos garotos.
O resto do dia foi tranquilo, bem quase isso todos só sabiam comentar sobre o fora que Lauren recebeu e o assunto que se ouvia em todos os cantos sobre as novas moradoras serem estudantes, boato espalhado pela secretária da diretoria. Essas pessoas não tinham mais o que fazer? Ignorei-as e caminhei até o carro meus irmãos já estavam todos lá.
– Maninho! Você e a ursinha deram um show hoje. Lauren está furiosa por ter sido ignorada pelos dois ao mesmo tempo. – Falou Emmett rindo.
– Você também anda dando atenção para a conversa dos humanos? – Perguntei.
– Tudo relacionado sobre nós saindo da boca dessas crianças é de meu interesse, já reparou como é legal assustar esses fedelhos. Não posso nem chegar perto e já fogem de mim.
– Emmett está certo, vocês humilharam Lauren, ela está muito furiosa. – Comentou Jasper.
– Ótimo quem sabe assim ela não fica no lugar dela, longe de nós. – Rose falava desinteressada enquanto olhava suas unhas.
– Concordo, essas garotas da escola são muito oferecidas, até mesmo tentaram dar em cima do meu amorzinho. – Disse Alice fazendo careta.
Ela abraçou apertado Jasper que foi recebida com a mesma intensidade.
Realmente essas garotas não se dão valor e muito menos ao respeito.
Voltamos para casa e passamos o dia juntos, uma vez ou outra comentávamos sobre Isabella e Nessie. Elas são um mistério para nós, mas também somos um mistério para elas, digo, só conhecem Carlisle por causa de Aro, no entanto o resto de nós nunca ouviram falar. E o interesse de Isabella por Alice me deixou intrigado, seja qual for o seu motivo não irei deixá-la fazer nenhum mal para minha irmã.
Assim que todos foram para seus quartos à noite. Eu entrei no meu e liguei o som. Fiquei preso em meus pensamentos. A minha curiosidade sobre Bella não passava nenhum segundo sequer. Aquele momento que ficamos frente a frente quando discutimos pela primeira vez, não saia da minha cabeça. Seu cheiro inebriou todos os meus sentidos o seu olhar castanhos chocolates não saia de minha mente e quando lançou aquele olhar malicioso quase a agarrei ali mesmo. Era tentador e perigoso demais para minha sanidade, como uma vampira tão encantadora pode ser tão irritante? Mais a melhor sensação foi quando ela me prendeu em seus braços no começo eu fiquei nervoso, mas uma sensação estranha percorreu pelo meu corpo uma corrente elétrica onde ela tocava, nunca tinha me sentido daquela maneira. Quando seu corpo estava colado ao meu e ela falava em meus ouvidos com seu hálito delicioso me alucinando, perdi o controle e naquele momento a desejei mais do que tudo em minha vida, estava tão desesperado para possuí-la que não me refreei e tentei me debater contra seu aperto para agarrá-la e toma-la como minha, mas seus braços eram fortes demais e me impediram de me movimentar. Por sorte Jasper não percebeu, estava concentrado demais em me tirar dos braços dela que nem sequer prestou atenção no desejo que eu estava sentindo.
Depois que me acalmei e ela me soltou eu percebi a burrada que quase fiz de agarrá-la ali mesmo. Não contei isso a ninguém foi assustador para eu me sentir daquele jeito, como posso explicar a alguém da minha família o meu desejo por uma desconhecida ainda mais por Isabella Swan, eu jamais direi uma palavra.
Esse é um desejo que eu pretendo esquecê-lo e guardá-lo por muito tempo.
Fale com o autor