A Primeira Eterna

20 Ajuda não é só com palavras, mais também com ações


Notas iniciais
Aii vai mais um capítulo, era para eu ter postado antes, pois esses dias atrás foi niver de uma das leitoras, juro que tentei escrever o mais rápido possível, mas infelizmente não consegui. Bom... Ana_raposo este é uma presentinho de niver atrasado... Parabéns e muitas felicidades, espero que me perdoe pelo atraso

POV BELLA

Eu estava sentada na minha cama terminando de ler meu livro, o dia havia amanhecido não mais de duas horas, então ainda era bem cedo. Eu estava prestes a virar a página do livro quando escuto uma movimentação no quarto próximo ao meu, precisamente em um dos quartos de hóspedes. Pelo visto alguém tinha acabado de acordar. Coloquei o marcador na página que tinha parado de ler e saí do meu quarto indo para a sala.

Esperei sentada no sofá a pessoa que tinha acordado aparecer. Não levou muito tempo e Leah aparece pela escada descendo preguiçosamente os degraus.

– Bom dia. – Ela murmurou bocejando assim que me avistou na sala.

– Bom dia. Dormiu bem? – Perguntei educadamente.

– Eu teria dormido melhor se eu não precisasse ouvir os gemidos vindos do quarto de Nessie no restante da madrugada.

Fiz careta ao me lembrar do primeiro gemido que escutei escapar pelos lábios de Jacob. Eu não precisava escutar os dois empolgados enquanto eu estava deitada sozinha na minha cama, então desci as escadas, peguei as chaves e sai para dar uma volta durante a madrugada. Aproveitei para me alimentar um pouco também.

– Eu escutei. – Nessie falou num tom normal.

– Imagino, não é nem um pouco agradável. – Eu me levantei do sofá e fui em direção à cozinha, pois sabia que de todos da matilha que estava em casa Leah é a única que não sai por aí pegando as coisas como se estivesse na sua casa. – Venha tomar café.

Quando adentrei na cozinha com Leah olhei em volta. Eu não fazia ideia do que ela poderia comer, mesmo com a idade que eu tenho não sabia fazer nada do que os humanos comiam. Bom, na idade média eu cheguei a fazer pão que faziam só a base de trigo e água fiz uma vez, pois estava curiosa, mas duvido que hoje em dia alguém coma aquilo.

– Er você consegue se virar? – Perguntei meio incerta, eu não saberia fazer nada mesmo. – Porque se sim, fique a vontade de pegar tudo o que tiver na cozinha.

– Não se preocupe, pode deixar comigo... Obrigada pela ajuda. – Ela sorriu sincera.

Leah se aproximou da geladeira e tirou alguns ovos e um pedaço de carne que não sabia ao certo qual era. Eu não tinha culpa se não sabia, eu simplesmente pegava as primeiras coisas que via no mercado e jogava no carrinho.

– Acordou cedo hoje. – Eu falei enquanto me sentava na cadeira. – Pelo o que eu saiba transmorfos dormem muito, e ontem vocês foram dormir tarde.

– Sim dormimos bastante, mas ontem eu tive folga da minha ronda, então dormi a tarde inteira. – Ela falou de costa para mim, pois fritava os ovos. O cheiro era horrível, eu não entendia como conseguiam comer algo que cheirava tão mal.

Nessie desceu as escadas minutos depois que Leah começou a comer, mas quando a viu comendo franziu o cenho.

– O que é isso que você está comendo? – Minha filha perguntou.

– Bom dia pra você também Nessie. – Leah falou irônica. – Eu estou comendo ovos com bacon.

– Ah. – Nessie se sentou na cadeira ao meu lado. – E por que saiu a noite mamãe?

– Para escutar você com o Jacob no quarto? Não obrigada. – Respondi.

– Não sei por que reclama, já presenciei coisas piores de você. – Ela falou se recostando na cadeira e cruzando os braços.

Leah arqueou uma sobrancelha variando seu olhar entre Nessie e eu.

– O que quer dizer? – Leah perguntou logo depois enfiando uma garfada dentro da boca.

– Um conselho de amiga. – Nessie estendeu sua mão e tocou no braço de Leah. – Não queira ficar no mesmo ambiente que mamãe quando ela está se divertindo com alguém, às vezes você acidentalmente pode presenciar algo que não queira ver, e no final ela tem cara de pau de fingir que nada aconteceu.

– Nessie já chega. – Olhei séria para ela.

– Qual é mamãe não é isso que as meninas hoje em dia fazem, conversar sobre essas coisas? – Ela questionou categoricamente voltando à posição inicial.

– Então Bella, me conte do por que Nessie não aguenta ficar no mesmo local que você? – Leah perguntou com um sorriso divertido nos lábios.

Arqueei uma sobrancelha encarando-a.

– E você Leah como está seus relacionamentos amorosos? – Desconversei.

– Não tenho nenhum. – Ela deu de ombros, mas percebi o tom de voz amargurado em sua voz.

– O que aconteceu? – Nessie perguntou calma e curiosa.

Leah ficou em silencio por alguns minutos eu achei que ela não iria falar nada, mas por fim ela pareceu rendida.

– Eu já namorei o Sam. – Ela murmurou.

Eu com Nessie arregalamos os olhos. Agora eu entendia porque ela estava hesitante em falar conosco.

– Aquele Sam, o Sam da matilha? – Nessie perguntou surpresa.

– Sim, a não ser que vocês conheçam outro Sam. – Ela falou mal humorada, mas parecia ser compreensivo seu mal humor. Ter alguém que você ama, pelo seu tom de voz é isso que ela sente por ele, esquecer você assim de uma hora para outra não deve ser nenhum pouco legal e pior ser trocada por outra mulher.

– Oh eu sinto muito. – Nessie falou se sentindo culpada por tocar no assunto.

– Não sinta. – Leah falou. – Se não fosse por causa desse maldito imprinting não teria acabado, sem ofensas Nessie.

– Tudo bem eu não me ofendi. – Minha filha deu de ombros.

– Você devia seguir em frente. – Leah me encarou séria assim que eu disse. – Eu sei que não é fácil ou que você vai esquecê-lo tão cedo, mas você não pode ficar sofrendo por ele. Tente viver a sua vida e aproveitá-la com as pessoas a sua volta ou quem sabe conhecer um novo amor.

– É até cômico você falar assim, uma pessoa que nunca se apaixonou e dar conselhos amorosos. – Nessie falou rindo.

Leah ficou pensativa por um tempo e soltou o garfo colocando em cima do prato.

– O único jeito disso acontecer seria se eu tivesse um imprinting com alguém. – Leah murmurou.

– Então você não teve ninguém depois que se separou de Sam? – Nessie perguntou.

– Não.

– Então você está no mesmo barco que a mamãe faz tempo que ela não tira o atraso. – Nessie falou sorrindo zombeteira.

– Você não tem ninguém há algum tempo? – Leah questionou com um pequeno sorrisinho nos lábios.

– Não. – Respondi monossilábica.

– Você sabia que tem alguém interessado em você, né? – Ela falou.

– Paul se interessa por todo mundo. – Eu disse dando de ombros, não era nenhuma mentira.

– Não é dele que estou falando. – Ela comentou.

Olhei para ela que brincava com o garfo. Que história é essa? Perguntei a mim mesma.

– E de quem seria? – Nessie interrogou interessada.

– Edward. – Ela deu um meio sorriso.

– Edward? Como sabe? – Questionei não porque eu não sabia, mas sim como Leah sabia.

– Os Cullen apareceram no fim de semana passada na fronteira e perguntaram sobre você. – Leah falou casualmente.

Troquei um rápido olhar significativo com Nessie.

– O que eles queriam saber? – Minha filha perguntou.

– Só queriam saber mais sobre vocês, sobre por que vocês puderem entrar nas nossas terras essas coisas.

– E o que o Jacob disse? – Eu questionei.

– Não muita coisa, para não revelar sobre nossas histórias. Porém falou que você salvou e cuidou do povo da nossa tribo há anos atrás. Eles ficaram surpresos com a revelação, queriam saber mais sobre você, mas Jacob não falou mais nada dizendo que implicaria em revelar sobre os segredos das lendas. Foi num momentos desses falando de você que Paul pensou o quanto você estava gostosa de shorts nesses dias atrás que você foi à reserva... Esse pensamento parece ter irritado o sanguessuga, já que assim que Paul relembrou a cena, o vampiro rosnou e quase quebrou o tratado querendo esganar o Paul.

Fiquei em silêncio por um tempo, pensando sobre os Cullen atrás de informações sobre nós. Eles foram espertos em perguntar ao Jacob, pois ele era o único que eles conheciam e sabia sobre nós.

“Então é por isso que eles estavam estranhos na semana, não só pelo fato de Lauren, mas sobre descobrirem algo de você” Nessie falou por pensamentos.

“Provavelmente” concordei.

“Eles deviam estar confusos primeiro por você não se importar com os humanos e depois descobre que você salvou a vida da tribo”.

Sim, eles deviam estar confusos. Mas, os Quileutes não são exatamente humanos, apenas parcialmente. Eu não poderia deixar uma espécie como as deles sumirem, então era claro que eu os salvaria diferente de um humano.

– Viu mamãe, você poderia tirar o atraso com o Cullen. – Nessie falou fingindo só ter dado atenção para essa parte.

– Dá pra parar de ficar falando isso. – Me fingi de revoltada, precisávamos demonstrar a Leah que nosso único foco no que ela contou foi só sobre o Edward.

– Tudo bem, não está mais aqui quem falou. Só uma dica eu aproveitaria agora que o tio David não está com a gente.

– David? – Leah perguntou curiosa. – Você tem um irmão Bella ou é só de consideração?

– De sangue. – Respondi simplesmente.

– Eu não sabia que você tinha irmão. Onde ele está? – Ela estava intrigada.

– Ele está em outro estado do país com sua família.

Leah me olhou com os olhos arregalados.

– Então vocês tem uma família... quero dizer não são somente vocês duas?

– Com a quantidade de pessoas da família que temos é difícil sermos sozinhas. – Nessie falou.

– Nunca imaginei que vampiros teriam uma família de verdade, digo, laços biológicos diferente dos Cullen. – Ela pensou um pouco. – Todos são vampiros?

Essa pergunta pegou-me de surpresa. Como eu falaria que meu irmão era um lobisomem? Minha filha tem uma boca grande demais, ela poderia ter ficado calada ao invés de comentar sobre seu tio.

– Parcialmente. – Eu não poderia mentir, quem sabe ela ou os lobos conhecessem meu irmão algum dia, é bem possível. Eles não confiariam em mim se eu mentisse. Agora sobre omitir é diferente.

Leah ia perguntar algo, mas foi interrompida com várias vozes roucas pelo sono no andar de cima da casa. Os meninos tinham acabado de acordar. Tirei o celular do bolso para ver as horas e me surpreendi em ver que era quase na hora do almoço. Eu nem vi o tempo passar tão depressa.

– Nessie vá acordar o Jacob. Logo os meninos vão descer para comer algo e provavelmente Jacob também vai estar com fome.

Minha filha assentiu e subiu para o quarto, já Leah pegou o prato que tinha acabado de comer e foi lavá-lo.

Ela diferente dos lobos era educada e limpava a bagunça que fazia. Quem dera se eles fizessem 5% do que ela faz estaria bom.

Não levou muitos minutos e os meninos desceram todos juntos pela escada. Um a um foi passando pela porta da cozinha cumprimentando a mim e a Leah.

– Já comeu café da manhã? – Quil perguntou a Leah.

– Já sim, mas pela hora eu acho que é melhor vocês almoçarem.

– Então vamos comer. – Embry colocou a mão na barriga e foi pra geladeira.

Era incrível como os lobos só sabiam comer. De ontem para hoje eles passaram a maior parte do tempo só comendo.

– Você vai à festa hoje Bella? – Embry perguntou.

– Sim, vou aproveitar um pouco. – Dei de ombros.

– Aproveitar o que? – Quil perguntou confuso.

– O que sempre fazemos em uma festa. – Quem respondeu foi Nessie após aparecer na entrada da cozinha com Jacob abraçando sua cintura. – Se alimentar.

– O que? – Embry se engasgou com a água.

– Por qual motivo você acha que eu e mamãe vamos em uma festa cheia de humanos? – Nessie perguntou o obvio.

Senti uma certa tensão no ar. Os meninos e Leah ficaram em silêncio quando minha filha disse o motivo de nós irmos na festa. A matilha pode até gostar de nós, mas a única coisa que eles não se sentiam a vontade com a gente é em relação a nossa alimentação.

– Não se preocupem dessa vez ninguém vai morrer na festa. – Eu falei tranquilamente enquanto olhava as unhas da minha mão.

– O que quer dizer dessa vez? – Jacob questionou. – Não vai me dizer que nas outras...

– Culpada. – Nessie levantou uma mão. – Não podem me criticar, mamãe é a única vampira que consegue controlar seu veneno na hora de se alimentar de algum humano.

– Não se preocupe Nessie, você não tem culpa nenhuma do nosso jeito de viver. Temos que nos alimentar para sobrevivermos. – Falei séria e olhei friamente para cada um daqueles que estavam na cozinha vendo se teria alguém com coragem de contrariar as minhas palavras. Coisa que não aconteceu.

– Você vai se alimentar também Nessie? – Jacob perguntou hesitante.

– Não. – Nessie falou com pesar. – Eu ainda tenho que cumprir minha aposta.

Ele suspirou aliviado com a resposta.

– Não precisam se preocupar, não causarei nenhuma morte nessa festa, pelo menos nenhuma morte a base da minha alimentação. – Falei sincera, eu não iria matar ninguém mesmo, mas vai se alguém me irrita profundamente ai não responderia educadamente.

– E como você acha que vai se alimentar sem o humano dar com a língua nos dentes? – Paul perguntou debochado.

– Não se preocupe querido, isso não é nenhum problema para mim. Fique tranquilo ele não vai falar ou lembrar de nada.

– Se você diz eu quero só ver. – Ele falou mal humorado.

Desde ontem Paul está nervosinho por causa das brincadeirinhas que todos nós fizemos com ele depois que roubei sua bermuda.

– Não precisa ficar assim querido. Saiba que você ficou uma belezinha de vestido ontem. – Falei sínica.

– Você gostou de ver minhas pernas torneadas de fora, não é? – Ele perguntou atrevido.

– Na verdade na piscina vi algo bem melhor que suas pernas. – Pisquei e sorri maliciosa.

– Saiba que eu ainda estou disponível, sou todinho seu. – Ele gesticulou com o dedo seu corpo inteiro.

– Seu e do mundo não é mesmo? – Perguntei divertida.

– Do mundo não, mas das mulheres. – Ele falou sorrindo.

– Chega vocês dois. Quem vai na festa? – Nessie perguntou desinteressada.

– Desculpem mais eu não vou, festa daqueles garotos daqui de Forks está fora de cogitação para mim. – Leah deu de ombros.

– Eu não vou, porque vou fazer a ronda essa noite. –Quil falou.

– Então acho que vamos só eu, Jacob, Paul e Embry. – Seth falou animado.

Jacob e Paul concordaram com Seth, mas quem parece não ter gostado muito da ideia foi Leah.

– Você não vai Seth. Eu não estarei lá para tomar conta de você irmãozinho. – Leah contrariou a decisão de Seth.

– Não se preocupa Leah eu ou o Paul tomamos conta dele. – Jacob falou tranquilamente.

– Leah eu não sou nenhuma criança. – Seth disse emburrado.

Eu dei um pequeno sorriso, Seth era engraçado queria ser respeitado como um adulto, mas geralmente agia como uma criança.

Leah soltou uma risada debochada.

– Não me venha com essa Seth você não sabe se cuidar ainda é uma criança, e enquanto a você Jacob e Paul não adiantam ajuda-lo. Jacob você vai ficar com Nessie o tempo todo e Paul vai ficar dando em cima das garotas na festa.

Jacob iria contrariá-la, mas eu sabia que ela estava certa. Nenhum deles cuidaria de Seth e tenho certeza que se for para Seth se virar sozinho ela não permitiria nunca.

– Leah tem razão Jacob. – Eu falei e olhei para Seth que abaixou a cabeça chateado por não poder ir. – Mais se você me permite Leah eu cuidarei de Seth e dou minha palavra de que nada acontecerá com ele.

Leah pensou por um tempo, mas assim que olhou em meus olhos concordou com minha proposta.

Os olhos de Seth brilharam e sorriu mostrando todos os dentes surgiu no seu rosto. Ele correu até mim e me deu um abraço e um beijo estalado no rosto.

– Obrigado Bella. – Ele agradeceu.

– Escute bem Seth você obedecerá Bella em tudo o que ela disser. – Leah falou e virou na minha direção. – Posso falar um segundo a sós com você?

– Claro. Vamos até a biblioteca. – Eu disse.

Ela ficou hesitante e olhou para os garotos. Eu entendi o que ela estava pensando.

– Não se preocupa Leah ninguém nos escutará.

Ela parecia não acreditar mais concordou comigo. Eu fui para a biblioteca e ela veio logo atrás de mim. Assim que entramos pedi para que ela fechasse a porta e me sentei em uma cadeira atrás da mesa. Já Leah se sentou em uma poltrona que tinha ali.

Eu protegi a nossa conversa de todos que estavam na casa.

– Sobre o que quer conversar? – Eu perguntei tranquilamente.

Leah pareceu meio hesitante.

– Não se preocupe ninguém vai escutar. – Eu a encorajei.

– Tá legal eu não faço ideia como você consegue fazer essas coisas. Mais vamos lá não é nada muito sério mais queria pedir duas coisas. – Ela falou.

Acenei com a cabeça para que ela prosseguisse.

– Primeiro eu queria saber como você tomará conta de Seth se tiver ocupada se alimentando?

– Isso não será um problema para mim Leah eu poderei me alimentar e supervisionar Seth ao mesmo tempo como todos os vampiros eu tenho os sentidos apurados, não será nenhum pouco difícil de vigiá-lo. – Expliquei.

– Ótimo! Obrigada Bella, queria te agradecer por cuidar dele saiba que ele e minha mãe são tudo para mim depois da morte do meu pai, eu não me perdoaria nunca se algo acontecesse a ele.

– Não há o que agradecer, para falar a verdade acho que nesse ponto nós duas somos iguais. – Eu falei.

– O que quer dizer? – Ela perguntou interessada.

– Nessie e meu irmão também são tudo para mim. A questão é que eu jamais permitiria algo de ruim acontecesse a eles e se caso acontecer eu simplesmente vou deixar de existir, pois eles são a minha vida eu existo por eles e não por mim mesma. – Eu disse.

– Você é igual a mim, faria qualquer coisa por minha família.

– Exatamente. Então quando eu dei minha palavra de cuidar dele, pode confiar em mim e lhe garanto que não tirarei os olhos dele. – Leah assentiu. – E qual seria a segunda coisa que tem a me dizer?

– Eu só queria... Er pedir para a história que eu contei sobre o Sam ficasse entre nós que você avisasse a Nessie também... Eu não sou de me abrir com ninguém e eu não quero que os garotos soubessem que falei com vocês sobre esse meu problema.

Eu assenti.

– Não se preocupe Leah o que falamos hoje de manhã só ficará entre nós e ninguém mais. – Eu sorri verdadeira.

Leah retribuiu o sorriso.

– Obrigada Bella. É meio estranho sabe, você ser vampira e termos uma convivência de paz. Eu realmente nunca pensei que seria amiga de um vampiro e olha agora estou aqui conversando com você e a considerando como uma verdadeira amiga.

– Eu também a considero minha amiga Leah. – Eu não percebi o quão verdadeiro era minhas palavras ao soar alto. De certa forma eu considerava todos da matilha como pessoas queridas por mim.

– Entenda que nós não aceitamos o fato da sua alimentação já que nós vivemos para proteger os humanos de espécies como vocês. Não é algo que podemos ignorar... Mas a questão de aceitarmos vocês duas facilmente, talvez seja porque você não mata nenhum humano por prazer e Nessie se alimenta por enquanto só de animal... Também principalmente pelo fato de você se tornado de certa forma a heroína das nossa tribo, melhor dizendo da nossa existência se não fosse por você nenhum de nós estaríamos aqui hoje. Sem falar o carinho que você tem por Akalet, todos sabem que você cuida e se preocupa pelo sábio da reserva... Então apesar da diferença das nossas espécies e dos conflitos que possam ter entre nós com o tempo. Quero te agradecer pelas coisas boas que fez por todos nós.

Eu não sabia o que dizer fiquei surpresa e feliz ao mesmo tempo pelas palavras de Leah. Eu como ela não era muito de demonstrar sentimentos para qualquer um. Porém aqui agora e nesse momento deixamos isso de lado.

– Saiba Leah quando eu conheci Taha Aki prometi a ele que sempre que eu reencontrasse o povo da sua tribo eu os protegeria. Quero que vocês saibam que enquanto eu estiver aqui eu os protegerei de tudo o que estiver ao meu alcance. Eu tenho um carinho grande por vocês, pois vocês me fazem lembrar do meu velho e grande amigo. Então quem tem que agradecer algo aqui sou eu por vocês me permitirem ficar o mais próximo das lembranças dele.

Esse momento de desabafo provavelmente seria o primeiro e o último que teríamos, com certeza quando saíssemos por esta porta, vamos deixar tudo o que dissemos uma a outra escondidos, porém guardado em nossas memórias. Como eu sei que Leah não vai pensar sobre isso quando estiver em forma de lobo? Fácil, como eu tinha dito anteriormente Leah é uma pessoa que não gosta de demonstrar sentimentos e se ela permitisse se lembrar desse momento ela teria que demonstrar o lado sentimental dela que nenhum dos garotos conhece.

– Vamos descer? – Perguntei sorrindo.

– Claro vamos. – Ela concordou e se levantou indo em direção à porta.

[...]

– Por favor se comportem. – Eu falei olhando para todos no carro. – E se divirtam. – Sorri e sai do carro.

Para que coubessem todos nos carros Seth veio na frente comigo e Nessie foi no colo de Jacob atrás com os outros dois garotos.

Nós caminhamos em direção a casa. Olhei em volta não era uma casa muito grande mais também não era uma casa pequena. Um tamanho médio padrão, mas o suficiente para caber pessoas para uma festa.

Em frente a casa já tinha alguns que bebiam e jogavam conversa fora

A porta da frente estava aberta e eu pude enxergar facilmente a bagunça que estava lá dentro, era igual aos filmes que tinham festa onde pessoas enchiam a cara de bebidas e varias pessoas se agarravam pelos cantos.

Assim que aparecemos pela porta, muitos rostos viraram em nossa direção para nos encarar.

Tinham pessoas em vários lugares na sala, cozinha, escada na parte de cima e assim ia pelos outros cômodos que era impossível de se ver.

– Bella e Nessie que bom que você veio. – Tyler falou meio grogue por causa da bebida surgindo no meio da multidão. – E quem são vocês? – Perguntou encarando os garotos.

– Nós somos os amigos delas, e Nessie é minha namorada. Tenho certeza que você não se importa de ficarmos não é mesmo? – Jacob falou sério enquanto Paul, Seth e Embry cruzavam os braços mostrando os seus enormes músculos.

– Cla-claro que não... entrem. – Tyler falou atrapalhado pelo medo e a bebida.

– Desde quando eu sou sua namorada? – Nessie perguntou com a voz baixinha para Jacob.

– Você é minha namorada a partir do momento que me deixou te beijar pela primeira vez, só você que não sabia. – Jacob sorriu divertido e piscou com um olho.

– Nós ainda vamos falar sobre isso. – Ela murmurou.

Eu fui com Seth, Paul e Embry caminhando tranquilamente pela casa. Os três olharam em volta e foram até a cozinha onde tinha bebidas.

– Vocês vão beber? – Perguntei assim que vi os três pegando copos coloridos sobre a mesa.

– Claro, isso é uma festa não vamos ficar aqui parados. – Paul deu de ombros enquanto enchia seu copo.

– Eu não me importo se vocês dois vão beber ou não, mas você Seth de jeito nenhum vou deixar chegar bêbado na casa. – Leah confiou em mim para cuidar de Seth e não seria eu que quebraria essa confiança.

– Ah qual é Bella, nós teríamos que tomar varias garrafas de vodca para ficarmos bêbados, não é um copo ou outro que vai fazer efeito em nós. – Seth tentou me convencer.

Eu não confiava Seth com Paul, talvez só com o Embry eu vou ficar de olho tempo constante nele.

– É o seguinte não vou cortar a sua diversão, mas como eu prometi a Leah que tomaria conta de você. Eu vou deixar que você tome apenas um, ouviu direito? Um copo de bebida. Pode enchê-lo todo, mas não beberá um copo a mais, e não adianta tentar me trapacear achando que por eu não estar perto que eu não estou vendo. Porque pode ter certeza que estarei tomando conta de você a cada movimento que fizer. Estamos entendidos? – Falei séria.

– Ai Bella, achei que seria divertido se eu viesse com você, mas você é igualzinha a minha irmã.

– Se não está satisfeito podemos dar meia volta e ir embora. – Eu disse tranquilamente.

– Não. – Ele quase gritou. – Tudo bem, eu vou me comportar.

– Ótimo, eu só vigiarei você nesse caso. O resto pode se divertir, mas se controle, por favor.

– Pode deixar. Eu vou me controlar. – Ele deu um sorrisinho.

– Então me deem licença que eu vou ver o que tem de bom por aqui. – Falei para os três e sai dali.

O que eu iria procurar na verdade é alguém para me alimentar, de preferencia sem nenhum álcool no organismo, geralmente isso não deixa o sangue com um gosto muito bom. Fiquei alguns minutos andando e observando em volta, algumas pessoas vieram falar comigo. Dentre essas só um ou outro que conversei, aqueles que vieram de gracinha para cima de mim dispensei antes mesmo de tentarem algo. Foi num momento desses que eu andando pela casa que vi Mike e Eric aparecerem na minha frente.

– Bella que surpresa boa em te ver aqui. – Mike falou e um cheiro forte de bebida saiu pela sua boca. Fiz careta e dei um passo para trás. – Quando Tyler me contou que você chegou eu nem acreditei.

– Nós trouxemos uma bebida para você, já que você não pegou nenhuma. – Eric tão mal quanto seu amigo estendeu o copo na minha direção.

– Obrigada. – Falei enquanto aceitava a bebida.

Obviamente eu não iria beber nada, mas ninguém ali precisava saber disso. Quando levei a bebida próximo ao rosto senti um cheiro diferente não só de álcool, mas também de alguma substancia a mais, provavelmente uma droga.

Revirei os olhos, humanos eram patéticos se eu não estivesse procurando alguém para me alimentar. Eu provavelmente não ficaria quieta por eles tentarem algo, mas como agora esse não é minha prioridade deixei quieto.

– Gostando da festa? – Mike tentou puxar assunto.

– Para falar a verdade não. Infelizmente não encontrei nada que me agrade. – Falei olhando em volta vendo se encontrava o que eu queria.

– Bom, você acabou de encontrar. – Ele apontou para si mesmo com a mão que segurava o copo.

Olhei-o de cima e baixo e sorri irônica.

– No momento você é dispensável para mim, não tem nada que me interessa. – Falei passando por ele.

– Mais e eu Bella? Pode fazer o que quiser comigo. – Eric falou um pouco mais alto.

– Você? – Dei uma risada sarcástica. – Você não fica atrás de Mike.

– Não se preocupa com o Cullen Bella, ele não precisa saber nada do que vai acontecer hoje. Você é muita areia para o caminhãzinho dele. – Mike gritou chamando a atenção de algumas pessoas que estavam perto.

– Dá para controlar sua língua. – Falei irritada virando para encará-lo. Eu odiava esses shows que os humanos gostavam de fazer quando estão bêbados.

– Qual é Bella, nós temos muito mais o que oferecer do que aquele merda do Cullen pode te dar. Eu posso te mostrar que sou homem de verdade. – Ele ao invés de falar baixo como pedi falou mais alto.

Eu dei um passo na sua direção e o olhei séria.

Não gostei do jeito que falou e de ter achado que algum dia haveria a hipótese de escolher ele ao invés do Edward.

Peguei o copo que eu segurava e joguei no seu rosto encharcando-o com a bebida que Eric tinha me dado.

– Se enxerga garoto, o que você tem no meio das pernas não me interessa e se você quiser tê-lo ainda é melhor calar essa boca. – Falei ameaçando-o, porém baixo só para que ele escutasse.

Seus olhos se arregalaram com o meu tom de voz.

Amacei o copo vazio na minha mão e joguei na sua cara e sai dali ignorando os olhares em minha direção. Eu fiquei furiosa com esse moleque. Quem ele pensava que era para falar alguma merda para mim? Só sei que se não tivesse dito aos lobos que eu não iria matar ninguém hoje com certeza nessas horas a cabeça dessa criança estaria em minhas mãos. Ótima hora para eu abrir minha boca e fazer uma promessa inútil.

Fui em direção ao banheiro para lavar minhas mãos que ficaram molhadas de bebida quando amacei o copo.

Assim que fui abrir a porta do banheiro alguém ao mesmo tempo colocou as mãos na maçaneta. Virei o rosto para ver quem era.

Um sorriso surgiu nos meus lábios era uma pessoa familiar mesmo que nunca tivesse falado com ela pessoalmente.

Finalmente encontrei o que tanto procurava, melhor eu nem fui até ela, ela veio até mim.

– Oh me... desculpe. – Ela falou corando olhando para os pés.

– Não tem problema, pode usar primeiro se quiser. – Eu falei tranquila.

– N-não pode... ir na fre-frente. – Ela gaguejava sem olhar para mim.

– Não se preocupa Ângela, você parece estar precisando mais do que eu. – Abri a porta do banheiro.

– Obrigada. – Ela sorriu tímida e entrou no banheiro, meio cambaleando.

Esperei um tempo na porta quando eu comecei a escutar barulhos de vômitos.

Franzi o cenho, ela não parecia estar muito bem.

– Ângela. – Bati na porta. – Posso entrar?

– Não precisa... Eu estou bem. – Ela gritou.

Revirei os olhos. A porta estava trancada usei o meu dom e destranquei-a por dentro. Assim que entrei no banheiro o cheiro forte de vômito me atingiu. Torci o nariz com o odor horrível.

Olhei em volta e encontrei-a de bruços no vaso vomitando novamente.

– Você não me parece bem. – Falei me aproximando analisando-a com cuidado.

– Eu não sei o que realmente aconteceu... eu-eu já bebi uma vez ou outra mais não sei porque... Dessa vez eu não estou me sentindo bem, e eu nem bebi... Um copo direito.

Achei estranho talvez ela fosse fraca para bebida ou não percebeu que tinha bebido muito. Mas alguma coisa me dizia que tinha algo errado.

– Fique em silêncio, por favor. – Falei baixo. Eu não gostava de tomar sangue quando tinha álcool no organismo da pessoa, mas agora eu não ia beber seu sangue para me alimentar e sim para saber se tinha algo a mais na bebida.

Ergui um pouco sua blusa deixando visível seu pulso para mim, aproximei-me lentamente e mordi-o. Escutei um pequeno gemido de dor escapar pelos lábios de Ângela, mas não dei bola e suguei uma pequena quantidade de sangue. Oh sim, tinha algo a mais na bebida dela e eu já sabia quem tinha feito aquilo.

Lambi o local da mordida para cicatrizar mais rápido.

– Venha! Levante que eu vou ajudá-la. – Peguei nos seus braços e ajudei-a se levantar.

Levei-a até a pia e lavei seu pulso tirando o sangue que ainda ficou ali. Ela jogou um pouco de água no seu rosto para ver se melhorava, mas quando ela deu mais um passo se desequilibrou e ia cair no chão se não fosse por mim.

– Ow! Acho melhor eu te ajudar. – Coloquei seu braço em volta do meu pescoço e sai dali do banheiro. Eu poderia facilmente carregá-la no colo, mas como explicar isso para os humanos? O mais fácil seria me fingir de frágil.

Conforme íamos caminhando, fui cuidando-a para que desse passo a passo sem cair. Nessie e Jacob apareceram quando eu estava na sala.

– Bella o que aconteceu? – Nessie perguntou assim que ficou de frente para mim.

– Você não... – Jacob começou, mas eu o interrompi falando séria.

– Não Jacob. Eu não fiz nada... Os garotos doparam ela. – Eu expliquei.

– Eu não acredito que fizeram isso com a menina. – Jacob disse revoltado.

– Quem fez isso? – Seth perguntou atrás de mim. Quando olhei sobre o ombro encontrei Paul e Embry ao seu lado.

Escutei a voz irritante de Mike no canto da sala fazendo gracinha com os meninos. Apontei com a cabeça em direção a Mike.

Pequenos rosnados saíram pela boca dos meninos e seus corpos começaram a tremer.

– É bom que vocês se controlarem. Não quero nem imaginar o que aconteceria se vocês se transformassem aqui.

Eu poderia facilmente controlar a situação, mas não queria usar meu dom agora. Eles respiraram fundo tentado se controlar.

Jacob, Paul, Embry e Seth foram caminhando em direção a Mike que ria ao lado de Eric e Jéssica no seu braço.

Jacob chegou até ele. Mike o olhou e deu um sorrisinho.

– Perdeu alguma coisa aqui? – Falou e depois tomou um gole de cerveja.

Jacob furioso pegou Mike pelo colarinho da camisa e o prensou contra a parede. O silêncio prevaleceu o ambiente quando as costas de Mike se chocou com a parede.

Ninguém mais escutava só prestava atenção na cena que se decorria.

– Escuta aqui moleque. Se você tentar drogar mais alguém nessa festa eu acabo com você.

Mike arregalou os olhos apavorados com a ameaça de Jacob.

– Eu não sei do q-que você... Está falando. – Ele falou amedrontado.

– Seja homem seu merda, para confessar que você dopou aquela garota. Se não fosse pela Bella não sei o que seria dela se vocês a encontrassem desmaiada por ai pelo canto.

– Cara só foi... uma brincadeira. – Eric tentou ajudar o amigo.

Paul nervosinho como era deu um soco na cara do garoto, que pena que se controlou o suficiente para não quebrar o nariz dele. Bem que ele merecia.

– E você cala a boca seu filho da puta. Se vocês fizerem mais uma vez essa merda com alguém e nós descobrirmos. Nós vamos vir atrás de vocês. – Paul gritou para Eric.

– Vocês entenderam? – Jacob perguntou. Mike e Eric acenaram com a cabeça. – Eu quero ouvir você dizer “sim”. – Jacob o puxou um pouco para frente para depois empurrá-lo contra a parede novamente.

Mike gemeu de dor.

– S-sim. – Ele gaguejou.

“Por que você está a ajudando-a?” – Nessie perguntou por pensamento assim que tocou no meu braço.

Olhei em sua direção era raro as vezes que ela usava seu dom comigo, mas se ela usou é porque eu estava atenta demais na conversa dos meninos.

“Porque ela vale muito pra mim” respondi-a.

“No que exatamente ela te interessa?” minha filha estava interessada.

“O cheiro do seu sangue é saboroso demais. Eu tenho que tomar conta do que me alimentará bem nos próximos meses” dei de ombros “Sem falar também que ela é uma boa garota para cair nas mãos desse merda”.

Nessie concordou comigo e esperamos os meninos voltarem.

– Pela primeira vez, eu não me importaria se você acabasse com algum humano se fosse esse canalha Bella. – Seth comentou assim que ficou de frente para nós.

– E nem nós. – Jacob assentiu com as palavras de Embry.

– Um peso a menos nas minhas costas se algum dia eu acabar com esse moleque. – Eu falei sorrindo. – Nessie, vá com os garotos. Podem ficar em casa ou na reserva você decide, mas eu vou levar Ângela para casa dela.

– E por que eu não posso ir com você? – Ela perguntou emburrada.

– Porque eu não confio nenhum deles para dirigir meu carro. – Eu falei a verdade.

– Hey. – Jacob contrariou.

– E você confia ele a mim? – Ela perguntou arqueando a sobrancelha e dando um sorriso.

– Na verdade não. – O sorriso que estava no seu rosto sumiu. – Porém antes você dirigir do que qualquer um deles.

– Obrigada pela consideração Bella. – Ela falou sarcástica.

– Não precisa agradecer. – Falei com um pequeno sorriso nos lábios. – Bom, mais tarde nos vemos.

Beijei o rosto de Nessie.

– Se comporte e qualquer coisa ligue para mim.

Me despedi dos garotos e sai com Ângela quase inconsciente ao meu lado.

– Ângela eu preciso da chave do seu carro para te levar embora. – Pedi-a enquanto arrastava ela pela rua.

– Está no bolso da frente. – Ela embolou na fala e quase não entendi o que ela disse.

Peguei a chave e a levei até o seu carro que como muitos dessa cidade era velho.

Eu a coloquei no banco passageiro pois sozinha não conseguiria. Assim que entrei no carro dei partida e fui para a casa dela.

– Não se preocupa Ângela, enquanto você tiver o que eu quero. Eu vou tomar conta do que é meu. – Falei pensando na próxima vez que falar com ela tomar um pouco do seu sangue incrivelmente saboroso.

Uma troca justa, não?