A Porta
1 Capítulo 1 – O Aquário
Notas iniciais

Eu ainda me lembro de como tudo aconteceu, e foi tão mágico e encantador que eu não saberia dizer se foi ou não real, mas eu sabia que ninguém nunca acreditaria em mim...
***
Na época eu tinha meus quinze ou dezesseis anos de idade, era nova e sonhadora. Eu acreditava em contos de fadas e lugares mágicos, outras dimensões que poderiam mudar a minha vida, grandes aventuras e amizades.
Nesse dia eu estava em meu quarto, sozinha em casa. Eu havia colocado músicas instrumentais para tocar no meu pequeno som enquanto mexia no celular e admirava algumas artes de lugares mágicos, principalmente de maravilhosos mares muito bem desenhados, pareciam até reais.
O ambiente estava tão calmo e relaxante que acabei pegando no sono em meu querido divã, deixando meu celular deslizar por minhas mãos até cair no chão, mas isso não foi capaz de me acordar de meu sono profundo.
Sonhei com uma canção cantada por uma doce voz feminina. Eu vi uma sombra azul como águas límpidas entendendo a mão para mim e me guiando por um longo caminho, havia lâmpadas brancas dando um ar harmonioso no local.
Assim que chegamos ao final do caminho, a sombra abriu uma longa cortina branca, que tinha bordada várias pérolas brilhantes, uma luz extremamente clara brilhava, não me deixando ver nada de tão branca.
Eu acabo sendo acordada por um barulho de ondas do mar batendo em minha porta. Confusa, saio vagarosa de meu divã e sigo até a porta do meu armário com a mão já estendida. Com as duas mãos nas douradas maçanetas, eu as giro delicadamente e abro meu armário.
— “O mar...”
Eu havia passado pela porta. Havia areia branca em meus pés, um céu azul sob minha cabeça, e em ambos os lados, um mar tão claro que era possível ver seu fundo de areia branca e mais distante bosque de corais coloridos.
Em minha frente, formou-se uma escada que descia para além do solo, e sem pensar duas vezes eu desci por ela. Por um momento tudo ficou escuro e eu não podia enxergar nada, até que pude voltar a ver a luz e quando notei, estava em um caminho numa espécie de cano gigante e feito de vidro, onde eu podia ver tudo a minha volta, o mar.
Peixes. Havia diversas espécies de peixes e flora marinha por todo o canto. Os mais belos e coloridos corais que poderiam existir. Também tinha pequenas criaturinhas azuis que possuíam caldas de sereias e asas de libélulas, e eu as chamei de Fadinhas D’água. Eram tão fofinhas.
Eu continuei por aquele longo aquário mágico, cheio de espécimes fascinantes, admirada e me sentindo em um conto de fadas. Era tudo tão lindos, e alguns peixinhos haviam começado a fazer desenhos para mim, até acertaram meu nome. Miranny.
Depois de um tempo caminhando e admirando tudo, uma linda sereia apareceu. Ela se aproximou do grosso vidro que nos separava e encostou sua mão esquerda no mesmo. Eu estava tão encantada com sua beleza, que fiz o mesmo, tentando inutilmente encostar-se à sua com minha outra mão. Sorrimos uma para a outra.
A sereia com o dedo indicador de sua outra mão fez o formato de um coração no vidro e sorriu gentilmente para mim, me fazendo corar. Meu coração palpitava rapidamente, parecia que iria fugir a qualquer instante. Eu sorri para ela, que logo me mandou uma espécie de beijo, me deixando mais nervosa ainda.
Nós voltamos a sorrir e encostamos nossas testas no vidro, e ficamos ali durante longos segundos, até que o final do corredor começou a brilhar fortemente com uma luz mágica branca. Ela passou seus olhos para o local e logo me olhou triste, eu podia sentir nossa dor ser compartilhada em nossos corações.
Nós nos olhamos uma última vez, e eu fui me afastando com a mão ainda no vidro, até não poder mais mantê-la naquele determinado local. Com ambas perto do peito, eu segurava minhas lágrimas, não queria deixá-la.
Antes de atravessar, eu olhei para trás uma última vez e a vi chorando lágrimas douradas como glitter dourado. Um colar se materializou em nossas frentes, uma ostra fechadinha meio metalizada com os tons de rosa e lilás se misturando e fazendo pequenos caracóis. Olhando nos olhos da outra, colocamos em nossos pescoços. Assim, eu fui tomada pela luz branca, e fui levada de volta para casa. Tive apenas tempo de erguer minha mão em sua direção, querendo ficar com ela para sempre.
De repente, eu acordei em meu divã assustada com o som do alarme. Sentia-me meio zonza e enjoada, parecia ter rodado muitas vezes e bem rápido. Levantei-me com dificuldade e fui até a penteadeira ao lado da porta de meu armário para me arrumar, já devia ser hora do jantar.
Fui surpreendida quando vi o colar de ostra em meu pescoço, assim pude me lembrar de tudo. Havia sido um sonho ou não? Eu me lembrava da sereia, e me lembrava de meu coração saltitando por ela. Corei com o pensamento e penteei meus cabelos, logo saindo do quarto.
Antes de fechar a porta, passei o olho pelo quarto, sorrindo feito uma boba, até que parei meu olhar na porta do armário. Eu nunca esqueceria o que havia acontecido ali, mesmo se fosse apenas um sonho...
Após o jantar, voltei para meu quarto e abri a pequena ostra que levava em meu pescoço, assim pude ver uma imagem ser refletida pela mini pérola dentro do cordão. Uma linda sereia. Aquela sereia.
A partir daí, eu soube que era amor...
FIM!
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