A Pick-Up do Márcio

4 Lets go to Formosa!


Notas iniciais
Olá gente, aqui é a panda-nazista-terrorista-mirim ^^ (vulgo Ariel) Não sou tão boa em escrever histórias como as meninas, mas vamos lá...

Ainda estava atordoada com o que acontecera: atropelamos uma cambada de zumbis e ainda levamos a grade do estacionamento da escola junto. Era assustador olhar pela janela do carro e ver tudo revirado, cheio de carros abandonados – alguns haviam batido, outros entrado na vitrine das lojas que tinham quase todos os vidros quebrados. O restaurante perto da escola estava pegando fogo; algumas pessoas corriam de um lado para o outro, sem saber ao certo para onde ir, sendo atacadas, com crianças chorando... Confesso que estava quase chorando também, e alguém ainda tinha se aproveitado da confusão para assaltar a Cacau Show!

— E AGORA? PARA ONDE A GENTE VAI???? — Clara perguntou gritando ao perceber que os zumbis estavam vindo atrás do carro.

Apesar deles serem relativamente lentos, eram muitos, e a ideia de simplesmente matá-los era aterrorizante demais. Eles eram nossos colegas! Não agora, porque queriam comer nossa carne (e olha que nem é Friboi), mas ainda assim tinham a aparência daquelas pessoas que, durante anos, conviveram conosco dentro de uma sala de aula, todas as manhãs.

Eu até poderia responder, mas o caos não era só na cidade, como no carro também, e agora me expliquem: como alguém pode bolar um plano para se salvar de um apocalipse de zumbis babões se tem uma louca chorando (Ana), uma patricinha rezando (Ineda), uma lesa gritando (Nicole) e uma retardada mandando os zumbis comerem farofa (Jamille)?!

— Vamos achar algum lugar seguro, que tenha comida o suficiente pra ficarmos até tudo isso acabar — falou a figurante da casa de cera. Ah não... era só a Jamille, mais branca que gesso.

— E se isso não acabar?! E nossos pais??! E se isso for contagioso???! E SE A GENTE MORRER????!! — Nicole gritava enquanto tremia no banco de carona do carro.

— CHEGA DE CABOQUICE!! — gritei, e na hora todo mundo se calou e ficou me olhando com cara de cachorro sem dono. — Eu também estou com medo, mas precisamos ficar calmas! Alguma sugestão do que podemos fazer? E POR FAVOR FALEM UMA DE CADA VEZ! — gritei outra vez, quando todas começaram a falar suas ideias ao mesmo tempo.

— Estou morrendo de fome. Vamos tentar conseguir água e comida, depois a gente decide pra onde ir — falou Ineda, depois que as coisas se acalmaram entre nós.

Não sei dizer o que era mais assustador: o ônibus cheio de zumbis que estava a nossa frente, com todos presos lá dentro, mas que iam conseguir virar aquilo uma hora ou outra, ou a Ineda com fome.

— Então vamos até o Formosa! — graças a Deus a gente estudava em uma área com muitos lugares bacanas para ficar matando aula, tipo o “Formosa”, um grande supermercado a mais ou menos três quarteirões e que tinha de tudo, desde comida até roupas, brinquedos e eletrodomésticos.

Infelizmente, não daria para ir pela rua principal, pois não tinha como passar por aqueles amontoados de carros. Sendo assim, Clara deu ré e entrou por uma rua lateral a escola, que estava vazia. Ficamos um pouco mais calmas, já que não havia nenhum zumbi a vista, e Jamille ligou o rádio bem baixinho. O silêncio para ouvir as notícias era quase que absoluto, a não ser por nossas respirações ofegantes.

Qualquer pessoa que não tenha sido mordida, deve imediatamente procurar um lugar seguro e ficar lá até que uma equipe de busca vá lhe salvar. Se estiver em casa, tranque tudo e não saia; se estiver no trabalho ou na escola, fique em grupos pequenos e esconda-se. Não sabemos o que causou tudo isso, mas nossos correspondentes nos outros estados informaram que cerca de 80% do país está em estado de alerta. Caso seja mordido, não tente procurar por um hospital, a única coisa que sabemos, até então, é que as pessoas com baixa imunidade transformaram-se mesmo sem terem sido mordidas.

França, Índia, Japão, Marrocos, Rússia, Inglaterra e Holanda, foram os únicos países que pediram ajuda internacional...”

Do nada a rádio saiu do ar, começando a chiar até ficar mudo. O GPS também havia parado de funcionar.

— PUTA QUE... — ótimo, tinha um aglomerado de carros batidos bem na nossa frente, alguns saindo fumaça, um zumbi preso entre o volante e o banco, e o pior: o alarme de um deles não parava de tocar.

— Alguém faz isso parar! Daqui a pouco isso aqui tá infestado daquelas coisas — Nana disse, afoita, e quando percebemos, estava quase tão branca quanto a Jamille.

— Vamos ter que voltar — Nicole sugeriu.

Notas finais
A partir de agora o ciclo se repete: Jamille, Clara, Nicole, Ariel... enfim. Até o próximo capítulo, pessoinhas o/