A Pick-Up do Márcio

8 Bilu Bilu Bilu meu pau Bilu


Notas iniciais
Clara aqui, hey o/ Esse capítulo ficou booooring. Muito chato. Mas foi só o que eu consegui fazer, então espero que dê pro gasto. Boa leitura!

Depois que todo mundo resolveu cagar para o apocalipse zumbi e seguir o Ludurana’s Móvel, eu não pensei duas vezes e me prontifiquei a fazer a única coisa pela qual eu servia naquela joça: dirigir pelas ruas caóticas desrespeitando o máximo de leis de trânsito possíveis. Porque eu sou barbeira mesmo, e aí?

Claro que antes disso a Jamille deu um jeito de enfiar toda aquela galera e bagulhos dentro da pick-up, fazendo o lado de fora do carro parecer bem mais seguro que o de dentro... mas isso são só detalhes.

— Ainda acho que a gente devia abrir o teto solar — começou Gabriel, que estava encolhido no porta-malas com a Camila e a maioria das coisas que pegamos no Formosa. — Seria muito mais fácil seguir um helicóptero com alguém podendo ver ele de todos os ângulos.

— Eu é que não vou ficar debaixo do sol, se posso aproveitar o ar condicionado do carro — disse Jamille, com os dedos e a boca melados de KitKat.

— Por isso que és tão branca, Mille — disse Ineda, com um pacote de Cheetos, já pela metade, no colo.

— Olha aqui, querida! — Jamille ia retrucar, mas foi imediatamente cortada por uma Ariel já impaciente.

— Calem a boca as duas! A gente mal saiu do Formosa e vocês já estão comendo — ela logo se ajeitou no banco de trás para falar com o Gabriel. — E tu que deu a ideia, fica no teto solar guiando essa maluca que tá no volante.

Depois disso, foi o maior fuzuê até que ele finalmente estivesse de pé no centro do carro, com os braços e a cabeça para fora no teto solar, cuidando de manter os olhos no Ludurana’s Móvel a todo o momento. E nisso a Nicole ficava o tempo todo de olho nele, com medo de que algo acontecesse...

Como se um zumbi voador fosse aparecer e arrancar a cabeça dele, lol.

— A gente já vai chegar? — Camila perguntou, depois de passar todo aquele tempo calada no porta-malas.

— Não sei, Mila — respondi, já que todo mundo parecia estar entretido com algum aplicativo no celular novo da Jamille.

— E agora?

— Ainda não sei...

...

— E agora?

— Não, Camila, ainda não!

— Tá, mas eu to desconfortável aqui. Vocês bem que podia descolar um espaço pra mim aí na frente também.

— Aguenta só até a gente descobrir pra onde o André tá indo, depois eu prometo que te arrumo lugar até no teto solar com o Gabriel, se for preciso.

— Mas rapaaaaaz! Isso só dá pra uma pessoal e meia — disse Gabriel, colocando a cabeça para dentro do carro de novo.

— A Darwin é um peixe, então né! — Jamille riu da própria piada... aquela lesa.

— Ok, amor, volta logo pro teu serviço que depois a gente resolve — disse Nicole, sentada no banco do passageiro, sorrindo para o amado dela. O que foi suficiente para fazer ele obedecer.

— Vira pra direita! Ele tá indo pra lá! — exclamou Gabriel, usando as mãos como binóculos contra o sol escaldante.

Olhando pelo retrovisor do carro, percebi que logo atrás de nós, há uns cem metros de distância, um grupo de zumbis estava sendo atraído pelo barulho do carro, e o que eu menos queria no momento era ter que lidar com esses troços nojentos de novo. Eles me dão agonia.

Gabriel estava focado demais em seguir o helicóptero, então não fazia ideia da situação, e a minha copiloto-favorita-fã-de-1D estava ocupada em vigiar as pernas do namorado, então também não tinha visto nada. As meninas no banco de trás, muito menos. E a Camila... tava amarrando o tênis? Ah, que ótimo.

— Vira pra direita, Clara, eu to perdendo eles! — Gabriel tornou a dizer e dessa vez eu obedeci, fazendo uma curva brusca demais e cantando pneu.

Nem preciso dizer que as meninas ficaram putas comigo.

— QUER MATAR TODO MUNDO, SUA LOUCA?! — disse Ariel.

— Ai, eu bati minha cabecinha! — ... Ana.

— MEU JOELHO! — quem mais seria senão a Jamille?

Elas logo começaram a reclamar e eu não entendia mais nada. Gabriel, por outro lado, parecia quieto demais...

Foi aí q eu percebi que as pernas dele tinham sumido do carro.

E o resto do corpo também, pelo visto.

— CADÊ O MEU AMOR??? — Nicole gritou, desesperada, e eu freei o carro na mesma hora.

[...]

Ok. A culpa dele ter caído da pick-up foi minha... Mas por que diabos me mandaram ir atrás dele sozinha?! A Nicole poderia muito bem ter feito isso! E eu não sei se elas repararam, mas a rua estava estranhamente deserta e eu sou medrosa pra caralho, então né. Achar o Gabriel sem me borrar de medo a cada passo que eu der vai ser difícil. Muito, muito difícil.

— Gabriel? Onde cê tá? — sussurrei, com medo de ser atacada por um zumbi a qualquer momento. — Aparece logo, merda.

Eu andava tão lentamente que temia mal estar saindo do lugar, mas olhar para trás e ver a pick-up já meio longe me fez perceber que não estava tão lenta assim. E aquele grupo de zumbis que vi na outra rua poderia aparecer a qualquer momento também, era só questão de tempo.

— Gabriel! — tentei chamar mais alto, sem receber resposta alguma de volta.

Ai, porra, o que eu faço agora?!

[...]

Enquanto isso, na pick-up...

— Eu vou MATAR a Clara se ela não achar o Gabriel — dizia Nicole, com o coração na mão e uma faca boca... ou seria o contrário?

— Te acalma, ela vai achar sim. E não tem nenhum zumbi por aqui, então fica tranquila — Jamille tentou apaziguar as coisas, mas até mesmo ela estava achando estranha toda aquela tranquilidade. Esperava que tivessem pelo menos pessoas normais rondando pelas ruas, e o Ludurana’s Móvel sequer podia ser ouvido.

— A gente perdeu os meninos... E agora? — Ineda perguntou.

— Achamos eles depois, a prioridade agora é esperar a Clara voltar, com ou sem Gabriel — respondeu Ari, causando um olhar de pânico em Nicole.

Um estranho silêncio se instalou no carro. Uma olhava para a cara da outra sem saber o que dizer. Até que...

— Gente, cadê a Camila? — perguntou Ana, enrolando uma mecha de cabelo no dedo.

— Fudeu.

[...]

Eu já devia estar procurando pelo Gabriel há uns cinco minutos e até agora nada. Ok que cinco minutos nem era tanto tempo, mas os segundos passam como horas quando se está morrendo de medo, e isso é um fato.

Fui lembrar já no meio do caminho que tinha esquecido de trazer algum dos cabos de ferro que a gente arrumou no Ideal, o que só piorava minha situação já cagada. Afinal, eu estava na merda ali! Sozinha, sem armas, sem coragem e com o cu na mão. Prazer, essa sou eu.

— Ei Clara! — e eu quase tive um infarto.

— MAS QUE PORRA, QUER ME MATAR?! — virei na direção de quem me chamava e vi ninguém mais, ninguém menos que a Darwin. E eu estava prestes a perguntar o que ela estava fazendo fora do carro, quando vi que ela trazia dois cabos de ferro nas mãos. Minha salvação! ♥

— Vim te ajudar, cara — disse ela, na maior tranquilidade, me passando um dos cabos em seguida. — Qual é a graça de viver um apocalipse sem correr riscos? Nenhuma. E tipo, tava a maior depressão lá dentro e eu caí fora.

— Pelo menos o cagaço diminui um pouco com você aqui — suspirei aliviada. — Mas eu ainda não achei o Gabriel.

— A gente acha. Mais difícil vai ser adivinhar pra onde aquele helicóptero foi.

— Verdade. Tem isso também.

Logo depois, recomeçamos a busca pelo moço perdido chamado Gabriel, que parecia ter sumido do mapa sem deixar rastro.

Eu já estava quase desistindo de procurar, quando ouvi um gemido vindo de trás de um fusca branco abandonado e corri até lá, cheia das esperanças de acabar logo com aquilo e voltar para a segurança – nem tão segura – da pick-up. E quando eu contornei o fusca, pude enfim soltar o ar que eu nem sabia que prendia nos pulmões. Era o Gabriel e ele estava inteiro... ou quase.

Rapaaaaz, isso doeu. Como doeu! — disse Gabriel, enquanto eu o ajudava a levantar. Ele tinha um machucado nada bonito na perna esquerda. — Nunca mais te mando fazer curva pra direita, senão vou acabar morrendo.

— Ok, desculpa, agora bora voltar logo que eu não aguento mais isso — disse a ele, suspirando cansada por não ter força nos braços.

Por sorte, Camila me ajudou a servir de apoio para ele até que chegássemos sãs e salvas à pick-up, o que demorou bem menos que aquela procura toda (mais ou menos uns quinze minutos de agonia), causando alívio à uma loira-meio-ruiva de olhos verdes, que cuidou do machucado dele com a ajuda do quite de primeiros socorros que a Jamille roubou da farmácia do Formosa.

Depois que todos se ajeitaram no carro de novo, voltei a dirigir pelas ruas estranhamente desertas da cidade, mas aí lembrei do que tinham dito na rádio, para que todos ficassem dentro de casa, e imaginei que devia ser exatamente isso o que as pessoas estavam fazendo. Agora, quanto ao grupo de zumbis que estava nos perseguindo mais cedo... disso eu já não faço ideia. Eles simplesmente sumiram.

— O Andrecóptero se foi — choramingou Jamille. — Tudo culpa da Clara!

— Não julguem ela, fui eu que mandei ela virar logo pra direita — disse Gabriel, que estava de volta ao teto solar (e eu que pensei que ele fosse ficar traumatizado...).

— Isso não justifica! Ela não precisava ter virado tão rápido — Ariel falou.

— Eu vi um grupo de zumbis perseguindo a gente... gente — resolvi abrir o jogo.

— Como que eu não vi?! — perguntou Nicole, que agora segurava o Gabriel pelas pernas, com medo dele cair de novo.

— Você tava preocupada demais com o seu amor — respondi.

— E com razão! Ele podia ter morrido! — ela retrucou.

— Ok, ok, chega disso — Camila interviu, dessa vez indo espremida no banco da frente, logo ao lado da Nicole. — Tá todo mundo bem agora e não tem zumbis, nem pessoas, nem nada aqui.

— Só o Ludurana’s Móvel — disse Gabriel.

— Isso. Só o Ludurana’s... O QUÊ?! CADÊ?! ONDE?! — Ineda se exaltou no banco de trás, tentando ver algo pela janela do carro.

— Logo à frente, helicóptero às doze horas! — Gabriel batucou no teto do carro. — Uhuuu! Eu adoro esse trabalho!

Enfim, nosso objetivo inicial havia sido posto em prática. Gabriel me dava as coordenadas e eu as seguia – dessa vez tomando cuidado nas curvas. Em determinado momento, alcançamos o helicóptero e passamos a segui-lo bem de perto, já que o André parecia não ter noção de que estava quase batendo no telhado das casas. Dava até para ouvir ele cantando “meu bilu bilu bilu bilu” de um jeito bem estranho e alto, enquanto o Davi batia nele e mandava ele calar a boca depois. Filipe parecia pensativo e o Caio... de boa com a vida, apreciando a paisagem (e que paisagem, viu).

Quando me dei conta, já estava estacionando o carro um pouco distante de onde o helicóptero estava, já que o Gabriel disse que eles iam pousar “logo ali em frente”. E eu lá ia saber onde era isso? Preferi me prevenir e tomar distância.

E com razão. Porque, no minuto seguinte, o André destruiu o telhado de uma casa. E não era uma simples casa. Descobri isso assim que vi a Maria saindo de lá correndo, gritando um “tu é doido?!” muito exaltado, para depois subir pelos escombros até onde o helicóptero estava e dar um cascudo na cabeça do namorado desmiolado dela. Esses dois...

— Bora descer e falar com eles! — disse. Mas nem era preciso, porque todo mundo já estava saindo do carro e indo em direção ao resto do pessoal.

— Mariaaaaaa! — Jamille mal esperou que ela descesse dos escombros para abraçá-la de um jeito sufocante.

— Eu preciso respirar — Maria dizia, enquanto tentava se livrar dos palmitos, vulgo braços, que circundavam seu pescoço. O que nem foi difícil, porque demorou só uns segundinhos para que ela visse quem vinha descendo pelos escombros logo depois.

— PIPOCAAAAAA! — ela tentou correr, mas sentiu uma pontada no joelho e quase caiu no chão, não fosse o Filipe ter segurado ela antes.

— FILIPE, MEU AMOR — disse Gabriel, tirando a Jamille de perto e abraçando... o amigo... dele... Hehe.

— Ihhh, té fresqué? — começou André. — Eu cheguei primeiro eu!

Quando olhei pra Jamille, o olho esquerdo dela estava tremendo que nem um bagulho bem doido e ela parecia prestes a bater no Gabriel por ter quase feito ela cair, mas então olhei para a Nicole e o que vi não foi muito diferente. Mas ela queria bater em outra pessoa.

Pois é. Reencontros são o máximo, mas eu ainda não me sentia confortável com a falta de zumbis naquela região. Na minha cabeça, e nos poucos episódios que eu assistia de The Walking Dead, eles deviam aparecer mais...

— Eles sumiram, né? — levei um susto ao ouvir a pergunta vinda do além. Mas logo depois eu me virei na direção da voz e encontrei o Davi e o Caio, percebendo que quem tinha perguntado era o Davi.

— Pois é, isso é estranho... Oi Caio! Tudo bem? — acenei para ele.

— Oi, tudo — disse ele, sorrindo e levantando o polegar em um sinal de “ok”, como sempre fazia.

— Como eu dizia, isso é estranho. Tinha um monte deles na Cidade Nova e aqui eu não vejo nenhum — continuei, colocando as mãos nos bolsos da calça do colégio. — E como vocês fizeram pra escapar?

— Ah, a gente meio que fugiu com a multidão enquanto o André ligava pro mordomo dele, que depois veio pilotando o helicóptero até chegar no Ideal — disse Davi.

— Como assim “até chegar no Ideal”? Cadê ele agora? — perguntei.

— O André colocou ele pra fora e mandou ele se virar, porque não tinha mais espaço.

— Era de se esperar... — lembrei do que ele tinha feito com a Camila e nem me surpreendi.

— Ei vocês! — Filipe chamou. — A gente decidiu ir pra Cametá.

— Fazer o quê em Cametá?! — discutiu André.

— Sobreviver, meu caro amigo — Gabriel respondeu dessa vez.

Eu realmente não estava entendendo muita coisa, mas depois de tudo o que tinha acontecido nessas últimas três horas, estava aceitando tudo numa boa. E lembram quando eu estava reclamando da falta de zumbis? Pois é. Retiro tuuuudo o que disse. Um grupo de aproximadamente dez deles – não lembro se era o mesmo de antes ou não – estava se aproximando em um ritmo consideravelmente rápido para mortos-vivos. E aquilo me assustava.

— Eles estão aqui! — exclamei, fazendo com que olhassem para onde eu estava apontando, consequentemente assustando a todos.

Oh. E agora, quem poderá nos defender?!

Notas finais
Agora vocês perguntam: que bosta de cap foi esse? Heheheh'