A Peregrina
22 Valsa No Céu
Notas iniciais
*Narrativa em Primeira Pessoa*
Minha garganta estava seca, mas mesmo assim engoli meu nervosismo e fitei Legolas de modo firme.
_Uranometria é o ataque mais poderoso de um Anjo do Destino. É uma concentração absoluta e suprema de poder e Luz. Ele destrói tudo o que o conjurador julga como um inimigo.
_Você tentou usar esse poder contra Erick? Porque ele ficou tão irritado e disse que você quase morreu? — Legolas estava parado na minha frente com os braços cruzados e me olhando de forma séria.
_Eu não ia usar Uranometria de verdade contra Erick. Bom... Ele ficou irritado porque para usar um ataque tão poderoso como esse... Você precisa da algo em troca, algo tão valioso quanto esse poder... — Não terminei minha frase, deixei que Legolas entendesse sozinho. Não queria verbalizar isso.
O elfo ficou me olhando com os olhos estreitos até que os arregalou. É, acho que ele entendeu o que eu quis dizer.
_O que você precisa da em troca para usar esse poder é sua vida, não é mesmo, Bleumer? — A voz dele soou contida, mas seu olhar continuava firme em cima de mim.
_Sim... Mas eu não estava tentando me matar agora! Juro pelo Viajante! Eu só queria abaixar a guarda de Erick... Se eu não podia ganhar pela força, pensei em ganhar pela estratégia... — Minha voz foi sumindo até não passar de um sussurro mal dito. Já podia pressentir a explosão de Legolas. Ele também ficaria irritado e brigaria comigo. Abaixei os olhos já esperando uma nova briga... Podia até contar os segundos até ela começar.
Cinco
Quatro
Três
Dois
Um...
Vi a mão de Legolas se erguendo em direção ao meu rosto. Espera ai! Ele vai me bater no rosto?! Porque se for, eu vou bater de volta e ainda vou arrancar esse cabelo de mulher que ele tem!
Mas me surpreendi quando sua mão gentilmente levantou meu queixo e me fez olhar para ele.
_Você está nervosa e com medo da minha reação. Não quero que fique assim. Não quero que sinta que não pode conversar comigo porque vou reagir mal. Se você diz que não tentava se matar, eu acredito... — A voz de Legolas era calma, suas palavras estavam carregas de sinceridade. O que me espantou, realmente achei que ele daria um escândalo igual a Erick. — Mas... Eu percebi que você tentou usar esse mesmo poder quando estávamos em Moria. Você tentou se sacrificar por nós. Isso é algo que eu não aceito. — Claro, sempre tinha um "mas" alguma coisa. Respirei fundo e tentei ser clara com o elfo.
_Legolas, eu sou uma guerreira. Portanto me veja como uma. Não sou uma mulher indefesa que você precisa salvar. Você e toda a Sociedade juraram proteger Frodo com suas vidas. Eu também jurei. E por isso farei de tudo para garantir a segurança de todos. Não é porque sou mulher que devo ser poupada e que meu juramento não tem o mesmo peso que o de vocês. — Tentei projetar minha voz para que ela soasse firme. Aquele era meu desejo.
Legolas me encarou, um pouco surpreso. Acho que nunca uma mulher tinha falado assim com ele.
_Eu sei que você não é indefesa, mas é da minha natureza querer te proteger. E existe uma diferença entre jogar sua vida fora e se sacrificar por alguém. Você sempre coloca sua vida abaixo de tudo e desiste fácil dela. Isso eu nunca vou aceitar e nem respeitar. Você é importante. Sua vida é importante. E eu vou conseguir faze-la ver isso. Tenho a eternidade para abrir seus olhos e te mostrar como viver é bom. Portanto não desista tão fácil da sua vida. Não use esse ataque de maneira tão despreocupada, Bleumer.
Eu não conseguia encontrar palavras para argumentar com Legolas. Nunca tinha pensado que eu era uma pessoa que desiste fácil das coisas, que desiste fácil da vida. Eu não quero ser assim... Não quero me entregar facilmente. Eu sou uma guerreira!
Enquanto eu deliberava, a mão de Legolas ainda estava no meu queixo e seu polegar fazia carinho na minha bochecha. Aquilo era tão bom... Naquela hora tomei uma decisão.
_Legolas, nunca achei que diria isso, mas você tem razão. Eu desisto fácil da vida, mas eu não quero ser assim. Prometo não usar Uranometria de uma forma despreocupada, dando pouco valor à minha vida.
O elfo me olhou e logo um sorriso encheu sua face, um sorriso de pura alegria e alivio. Senti meu coração disparar... Legolas era tão lindo. Acho que nunca cansaria de admitir sua beleza. Até que de súbito ele me tomou nos braços e me deu um abraço forte. Fiquei tensa na mesma hora, não era fácil estar perto dele assim. Não era nem um pouco fácil reprimir a paixão que só parecia crescer quando ele me tocava. Tentei a todo custo colocar na minha cabeça que ele não gostava de mim. Que tudo foi um erro, como ele mesmo disse.
_Meu coração está preenchido de alegria ao ouvir isso. Parece que você não é tão cabeça dura assim. — Legolas ainda me abraçava e mexia em uma mecha do meu cabelo, brincando com ela. Já tinha notado que ele gosta de mexer nos meus cabelos.
_E parece que você sabe ser um pouco sábio às vezes... Mas só um pouquinho mesmo. — Não podia perder a chance de provoca-lo, mas em resposta Legolas riu. Esse idiota. Meus braços que estavam ao lado do meu corpo, se mexeram e por fim acabaram por abraçar de volta ele. Descansei minha cabeça em seu ombro e me permiti sentir um momento de paz...
Ficamos alguns minutos assim até que eu ouvi passos se aproximando, passos pesados demais para serem de um elfo. Quando olhei vi que era Aragorn quem vinha em nossa direção. Na mesma hora me separei de Legolas e já erguia a mão em um gesto quase automático quando o elfo segurou meu pulso e disse.
_Não. Você não vai chamar o Ar e me lançar para longe.
_Desculpa. Foi automático querer fazer isso. — Acabei sorrindo e Legolas suspirando aliviado, provavelmente por não ser jogado para longe. O que posso dizer? Acho que peguei a mania de jogar Legolas pelos ares.
_Estou atrapalhando? — Aragorn finalmente chegou perto e perguntou, mas tinha um leve sorriso no rosto. Como se tentasse segurar o riso...
_Não. — Respondi rápido e os dois olharam para mim... Acho que respondi rápido demais... E o sorrisinho de Aragorn só aumentou.
_O que houve? — Legolas perguntou.
_Algumas elfas estão atrás de você, Peregrina. — Aragorn respondeu me olhando calmamente.
_Porque? O que eu fiz? — Pelas barbas do Viajante! Se é que o Viajante tem barbas! O que eu fiz? Será que desrespeitei alguma regra daqui?
_Não sei, elas apenas estão a esperando no lugar onde passaremos a noite.
_Tudo bem... Vamos voltar até lá. — Deixei que Aragorn fosse na frente mostrando o caminho porque mais uma vez já estava perdida. E durante o percurso todo não vi Erick em nenhum lugar...
Quando cheguei ao lugar que toda a Sociedade estava, vi duas elfas aguardando calmamente. Elas eram lindas! E na mesma hora me senti inferior.
Quando elas me viram, inclinaram a cabeça na minha direção, em sinal de respeito.
_Meu nome é Amillë . Estávamos esperando a senhora! Venha conosco. — A primeira elfa falou comigo de uma forma tão animada que quase ri. Essa elfa tinha os cabelos castanhos e longos, seu cabelo era todo trançando no estilo dos elfos, seus olhos eram cor de mel, tinha um rosto delicado e alegre.
_ Hã... ? Para onde? — Olhei para aquelas duas feito uma idiota. Não estava entendendo nada.
_Meu nome é Miriel, minha senhora. Lady Galadriel nos pediu que tomássemos conta da senhora. Já providenciamos um quarto para você descansar. — A segunda elfa se pronunciou. Ela era ainda mais bonita que a primeira. Seu cabelo era de um castanho quase ruivo, da cor de cobre, incrivelmente longo e trançado com capricho. Seus olhos eram verdes, mas eram mais claros que os meus. Seu rosto era altivo e um pouco mais sério do que o de Amillë, mas pude ver que seus olhos brilharam brincalhões.
_Obrigada, mas não preciso disso. Vou ficar aqui com o resto da Sociedade. Prefiro dormir com todos. — Tentei ao máximo não soar desrespeitosa. Mas as duas elfas arregalaram os olhos e me olharam surpresas, logo depois suas faces ficaram coradas.
_Mas... Minha senhora... Isso é correto? Não quero desrespeitá-la, mas... Vai dormir com todos? — Amillë perguntou. Não entendi o porquê do espanto. Qual o problema?
_Vou, claro. Sempre durmo com eles. — Respondi na maior naturalidade que podia. E as duas elfas arfaram e seus rostos ficaram ainda mais vermelhos.
Até que Legolas segurou minha mão e me puxou para trás, tomando a palavra e falando com as duas mulheres.
_Vocês entenderam errado. Bleumer apenas descansa junto com a Sociedade. Ela não gosta de ser separada de nós. Ela não... Dorme conosco. — Legolas explicou calmamente, mas até seu rosto estava um pouquinho corado. Espera... Comecei a juntar as peças e... Não pode ser! Elas não pensaram que eu... Eu... E eles... Nós... Pelo Viajante!
_Não é nada disso! Eu não durmo com eles assim! Eu só deito ao lado deles! Quer dizer, não ao lado mesmo... Só perto! E nem é tão perto! — Sério, meu rosto deve ter virado um tomate de tão vermelho que estava. — O que quero dizer é que não tenho esse tipo de relação com a Sociedade.
_Nos perdoe! Causamos uma confusão. Mas agora entendemos tudo perfeitamente. — Miriel respondeu e depois as duas abaixaram a cabeça.
Então é claro que aconteceu aquele maldito silêncio constrangedor. Ninguém mais sabia o que dizer. Eu e as duas elfas estávamos com o rosto corado pela vergonha. Legolas estava com sua típica cara de idiota e Aragorn apenas observava tudo.
_Err... Então, aquele convite ainda está de pé? Não quero descansar nesse quarto, mas seria ótimo poder tomar um banho. — Resolvi quebrar o silêncio e na mesma hora as duas sorriram para mim.
_Claro, minha senhora! Vamos, vamos! — Amillë segurou minha mão e saiu meu guiando, ela quase ia saltitando na frente tamanha sua empolgação. Miriel vinha atrás de nós duas, caminhando elegantemente. Lancei um último olhar a Legolas e ele apenas balançou a cabeça e sorriu de leve.
Queria passar mais tempo com ele... Assustador como eu sempre parecia querer ficar mais tempo perto desse idiota.
Perdida em pensamentos envolvendo Legolas, nem me dei conta que tínhamos chegado até Miriel falar.
_Aqui é seu quarto. Vou preparar seu banho, minha senhora. — Depois disso ela sumiu em um outro cômodo. E eu olhei em volta... O quarto era lindo, todo decorado em tons de branco e prata, com detalhes delicados e elegantes como só os elfos pareciam saber fazer. Uma cama gigante estava no meio do quarto, em um canto tinha um baú, na parede oposta à porta havia uma penteadeira com uma cadeira. Tudo era lindo.
Senti mãos tentando tirar meu manto e dei um pulo para trás, assustada.
_O que está fazendo? — Perguntei para Amillë.
_Ajudando-a a se despir para o banho. É o meu dever servi-la aqui.
_O que? Calma aí... Seu dever é tirar minha roupa?! — Perguntei meio chocada. Estou começando a achar que todos os elfos são meio tarados...
_Sim, a banha-la e depois ajudar a vesti-la. Essas são ordens de Lady Galadriel que eu cumpro com muita alegria, minha senhora. – A elfa respondia enquanto tentava tirar meu manto, mas eu sempre dava passos para trás, fugindo.
_Primeiro, não precisa me chamar de senhora, pode me chamar de Peregrina. E segundo, não preciso dessa ajuda, eu mesma posso fazer isso. — Realmente não quero várias pessoas tirando minhas roupas. Céus! Qual o problema desses elfos?!
_O banho está pronto! — Miriel voltou e me disse. Me encaminhei para o banheiro que era muito amplo, era apenas um cômodo com uma banheira luxuosa e bem trabalhada no centro.
_Obrigada. Agora vocês podem sair. Eu me viro. — Tentei dispensar as duas, e lógico que foi inútil.
_Não podemos, estamos aqui para ajuda-la. — A voz de Miriel era calma enquanto falava, percebi que elas não iriam embora tão fácil e eu já estava cansada daquela conversa toda. Apenas balancei a cabeça em sinal de afirmativo e comecei a tirar minha roupa. Bom, que mal tinha? Elas eram mulheres também, então não tinha nada demais se elas me vissem nua, certo? Embora eu estivesse morrendo de vergonha.
As duas rapidamente tiraram meu vestido e roupa de baixo. Entrei na banheira e afundei. A temperatura estava ótima!
Amillë foi para trás de mim e começou a lavar meus cabelos com algum tipo de produto élfico, o cheiro era maravilhoso. Miriel despejava sais de banho e logo começou a aparecer um pouco de espuma na água. Então ela esticou as mãos na minha direção pronta para me lavar, mas eu ergui minha mão a detendo.
_Podem parar. Já me ajudaram e eu agradeço, mas agora preciso de privacidade. — Com um enorme alívio vi que as duas balançaram a cabeça e viram de costas.
Depois disso fechei os olhos e me permiti relaxar de verdade. Depois de todo aquele treinamento, eu estava um pouco cansada mesmo. E a Água era a melhor forma de recuperar minha energia vital. Água e depois comida.
Será que Legolas já tinha comido? Talvez ele quisesse um pouco de chocolate, eu ainda tinha algumas barras... Lembranças começaram a invadir minha mente... Lembrei da última vez que tinha dado chocolate para Legolas... E como quase tínhamos nos beijado.
_Quero vê–lo logo...
_Quem a senhora quer ver? — A voz de Amillë me surpreendeu e eu abri os olhos. Não acredito que falei em voz alta! E não acredito que elas ainda estão aqui! Olhei na direção das duas e vi que elas ainda estavam de costas. Então isso era toda a privacidade que elas me dariam.
_Queria ver aquele idiota.
_Idiota? — Amillë me perguntou e na sua voz só existia curiosidade. Resolvi responder sua pergunta.
_Legolas. Queria vê-lo logo. Não gosto de ficar longe dele... Que dizer, não gosto de ficar longe da Sociedade.
_Ah, fala do príncipe da Floresta das Trevas. Vocês dois são bem próximos, se me permite dizer. Nunca vi ninguém se dirigir ao príncipe da forma como você faz. – A elfa continuou falando e eu suspirei.
_Amillë não vê que Peregrina quer mais privacidade e que seu desejo seja atendido? Vamos resolver isso. — Miriel virou-se brevemente para trás e piscou o olho para mim. Hã? O que foi isso?
Então do nada as duas saíram do banheiro e sumiram. Bando de loucas. Não entendo nada do que falam. Bem, tanto faz. Finalmente eu estava sozinha e podia ter paz.
Fechei meus olhos de novo...
_Bleumer? Chamou-me? — Ouvi uma voz ao longe falando algo... E abri os olhos. Nossa, acabei adormecendo na banheira! Como eu sou idiota!
Me ergui um pouco e me estiquei. Estava na hora de sair daqui e...
_Bleumer... ? — Olhei para a porta do banheiro e lá estava Legolas parado. Me olhando com os olhos arregalados e com a boca aberta.
Ai. Meu. Viajante.

Soltei um gritinho e tentei cobrir meus seios. Legolas em menos de um segundo já tinha se virado e agora estava de costas para mim.
_Qual seu problema?! Porque está aqui seu tarado?! — Dizer que eu estava nervosa e com vergonha era pouco diante daquela situação.
_ Miriel e Amillë me disseram que você queria me ver! Por isso vim aqui! — Legolas parecia igualmente nervoso.
_Você é um tarado! Para que entrou no banheiro?! — Eu gritava para as costas de Legolas enquanto olhava em volta. Que droga! Não tinha nenhuma toalha aqui! Nem minha roupa estava mais aqui! Como vou sair?!
_Eu a chamei e você não respondeu. Então vim ver o que tinha acontecido! Juro que foi só isso! — Bom... Eu meio que dormi então Legolas poderia mesmo ter me chamado e eu não teria notado...
_Enfim! Como vou sair daqui?! Não tem nenhuma toalha! — Pelo amor do Viajante! Acho que as minhas duas elfas eram as piores de todas! Elas nem deixaram uma toalha para mim e ainda levaram minha roupa para lavar!
_Ah... Tem uma toalha aqui em cima da cama. — Legolas sumiu e depois quando voltou trazia um pano na mão... Um pano muito fino e delicado. Sério que aquilo era uma tolha élfica?! Tanto faz, era melhor que nada.
_Certo... Venha de costas e me entregue a tolha. Depois suma daqui! E nem invente de espiar, Legolas!
_Não vou espiar! O que acha que eu sou?
_Um tarado!
Toda aquela situação era constrangedora demais! Mas graças ao Viajante, Legolas veio andando com cuidado de costas e esticou o braço com a maldita toalha. Me ergui da banheira e coloquei uma perna para fora enquanto esticava a mão para pegar a toalha... O problema foi que ao segurar o pano e colocar a segunda perna para fora da banheira, acabei escorregando no chão molhado. Em um gesto quase automático puxei a toalha buscando apoio.
E Legolas graças ao seus malditos reflexos se virou e puxou de volta a toalha para deter minha queda, além de segurar minha cintura e me puxar para si. O outro problema foi que ao fazer isso... Legolas também escorregou no chão molhado. Sério, esse chão élfico é um perigo! Todo mundo escorrega nele!
Mas agora o elfo tinha usado o próprio corpo para amortecer minha queda. Então eu me encontrava em cima dele... Nua e com apenas uma fina toalha separando nossos corpos.
_Legolas! — Gritei sem saber o que fazer e ele me olhou tão perdido quanto eu. Se eu me levantasse ele me veria nua, mas eu também não podia ficar em cima dele!
Mas logo depois seu olhar mudou e eu me calei. Os olhos azuis de Legolas me fitaram com desejo. Eu tinha certeza que ele podia sentir bem o meu corpo. Apenas um pano nos separava.
Então aquela força invisível que sempre parecia me puxar para Legolas, surgiu e me dominou. Eu já não tinha tanta vontade assim de sair de cima dele... E pelo visto ele também não. Ele levantou uma mão e a correu pelas minhas costas desnudas e molhadas pelo banho, seus dedos acompanharam minha coluna até o final, onde começava meu quadril. Arfei de prazer.
Mas a mão de Legolas não se deteve, ela continuou ousada até parar em cima da minha bunda e apertar minha carne levemente. Um formigamento se espalhou pelo meu baixo ventre e eu gemi. Olhei diretamente para os olhos de Legolas e me perdi no meio daquele azul. Ele também me olhava tão intensamente que seu desejo era nítido em seus olhos.
Até que senti algo duro contra minha coxa... Por alguns segundos não entendi o que era... Mas então percebi que era o membro já rígido de Legolas pressionado contra mim. Ele já estava excitado de desejo.
Toda essa situação era diferente do que tinha acontecido no lago... Agora eu estava nua e muito mais vulnerável, não era como se eu não estivesse gostando, eu estava e até demais. O problema era que Legolas já tinha deixado claro que tudo fora um erro. Isso não podia acontecer de novo...
Algo na minha expressão deve ter mudado porque o elfo me olhou diferente... Era quase como se ele se desse conta de algo.
Legolas fechou os olhos com força e me tirou de cima de si. Na mesma rapidez saiu do cômodo e depois do quarto, mas antes de sair sussurrou.
_Me perdoe.
Agora eu estava sentada no chão molhado olhando para tudo sem entender nada. O que houve?! Bom, ele deve ter se arrependido novamente de ter tocado em alguém tão desagradável como eu. E é lógico que aquilo me entristeceu profundamente. Fui rejeitada pela segunda vez, nem eu mesma sabia o que exatamente tinha acontecido entre nós, mas eu não podia aceitar aquela situação. Legolas estava brincando comigo. Essa era a única explicação.
Me levantei e fui para o quarto, rapidamente coloquei as roupas que as elfas tinham deixado para mim e voltei para o "andar" que ficava a Sociedade.
Para minha surpresa, quando cheguei lá, Erick estava sentado conversando com Frodo e Sam. E Legolas estava do outro lado conversando com Aragorn. Nem o elfo e nem o Anjo olharam para mim quando eu cheguei. Ótimo então! Não preciso de nenhum dos dois! Eles que sejam infantis e me ignorem!
Fui sentar perto de Gimli, um dos poucos com maturidade naquele grupo.
_Sabe quanto tempo vamos ficar aqui?
_Aragorn disse que vamos ficar uma semana... Essa é a última casa amiga que vamos encontrar até chegar a Mordor.
Balancei a cabeça concordando. Seria bom um tempo para descansar e colocar meus pensamentos em ordem. Havia muito no que pensar... Até que eu ouvi várias vozes cantando... Cada nota era carregada com pesar, aquela cantoria parecia um lamento... Não pude entender uma palavra sequer, estava tudo em élfico.
_Um lamento por Gandalf. — Legolas explicou, respondendo a pergunta silenciosa de todos.
_E o que eles dizem? — Minha curiosidade foi mais alta e acabei perguntando para o elfo.
_Não ouso repeti-las... Meu coração ainda está muito carregado de tristeza. — Depois disso Legolas sentou e ficou quieto.
Também fiquei quieta. Todos ficaram na verdade. Aquele lamento estava deixando todo mundo triste. A morte de Gandalf ainda doía muito no meu coração.
_Chega dessa tristeza toda! Cadê a animação daqui? — Erick falou e se levantou. Totalmente alheio a nossa perda, afinal ele não conheceu o mago.
_Erick! Não seja tão insensível! — O reprendi, mas não adiantou de muita coisa. Eu conhecia bem Erick, sei que ele não gostava de climas tristes.
_Enfim! Vamos, Bleumer. Quero falar com você. — O Anjo disse com uma voz firme enquanto avançava na minha direção.
_Que pena. Porque não quero falar com você. — Cruzei os braços.
_Qual é! Para com isso, preciso mesmo falar com você.
_Não. — Podia ser teimosia, mas eu não estava nem um pouco afim de ouvir o que Erick tinha para falar.
_Certo... Vou fazer do meu jeito então.
_O que vo... — De repente senti como se cordas invisíveis estivessem enrolando meu corpo e me prendendo. Logo depois fui erguida no ar e agora eu flutuava. Maldita seja a telecinese de Erick! — Me coloca no chão!
_Primeiro vamos conversar. — Erick continuava me prendendo com seu poder. Claro que eu tentei me libertar, mas não tinha como. Esse maldito era mais forte!
_Está bem!
Eu realmente achei que ele ia me soltar, mas não! Erick continuou me segurando com seu dom enquanto atravessava o lugar que todos estávamos. E é lógico que todos da Sociedade olharam para a cena de Erick me arrastando pelo ar.
Chegamos na extremidade da clareia e Erick me pousou no chão. Assim que fiquei livre avancei na direção dele e tentei lhe dar um soco, mas claro que ele desviou.
_Ei, calma, mulher! Guarde esse seu lado mais selvagem para quando estivermos sozinhos.
_Chega de brincadeira. O que quer? — Perguntei de forma direta. Já estava cansada daquilo.
_Quero pedir desculpa... Não devia ter agido daquela forma com você. Estou arrependido disso.
Eu sabia bem como Erick não gostava de pedir desculpas. Na verdade ele raramente pedia, então para ele me falar isso devia estar muito arrependido... Eu iria desculpa-lo, mas antes eu precisava saber de algo.
_Tudo bem. Está desculpado, mas com uma condição. Me conte quem é essa tal pessoa tão importante para você, que Nabeel usou para te chantagear. — Eu precisava saber! Já podia imaginar todas as piadas e brincadeiras que faria quando descobrisse a pessoa que Erick gostava!
_Ah, não. Não mesmo. — Então o imbecil do Anjo deu meia volta e começou a voltar para junto de todos. Como se o assunto tivesse sido encerrado.
_Porque não me conta? Você me contava tudo antes e eu também te contava tudo! — Segui andando atrás dele. Talvez se eu enchesse muito seu saco, ele me contasse.
_Porque não!
_Isso não é resposta! Me diz, quem é a pessoa que você gosta tanto? — De súbito Erick parou no meio da clareia e se virou para mim. Sério. Toda a Sociedade podia ouvir e ver a nossa pequena discussão. Até Pippin ria do nervosismo de Erick.
_Porque você quer saber, Bleumer?
Eu estanquei por alguns segundos... Porque eu queria saber tanto? Bom... Eu estava curiosa e queria tirar sarro da cara de Erick, é claro, mas não era só isso... Acho que eu estava com um pouco de ciúme do meu amigo. Lógico que nunca admitiria isso.
_Porque quero saber quem é essa pessoa tão especial que fez o grande Erick, um dos maiores cafajestes de Pandora, se apaixonar.
_Falando desse jeito você até me magoa. — Erick disse rindo. Imbecil. — Mas não vou dizer o nome.
_Então eu adivinho. Hmm... É a Molly? — Perguntei meio incerta, Molly era linda, mas acho que não era o tipo de Erick.
_Que? Molly?! Não! Não combina comigo. Gosto de alguém mais selvagem.
_Então é a Mistry. Ela é uma Entonadora e eu sei que você gosta disso. Além de vocês dois serem próximos.
_De fato aprecio as Entonadoras, elas tem muita habilidade com a boca, se é que você me entende... Não, deixa para lá, você não entende. Mas Mistry é só uma boa amiga. Prefiro alguém com a aparência mais angelical.
Respirei fundo, irritada, quem poderia ser aquela pessoa?! Enquanto isso a Sociedade olhava esse ping pong de palavras entre Erick e eu.
_Então é a Manveru? Laya? Emirich? — Comecei a citar uma lista de nome de garotas de Pandora, mas Erick apenas balançava a cabeça negativamente.
_Sabe, enquanto eu estava no Jardim de Cristal, pensava muito nessa pessoa e acabei criando uma música para ela. Gostaria de ouvir? — Erick se aproximou de mim.
_Claro! — Dizer que eu estava explodindo de curiosidade era pouco. Além de sentir uma pontada de ciúme.
_Acorde, Merry! Erick vai cantar algo! — Pippin balançava o outro hobbit do seu lado até esse acordar e prestar atenção na música.
Erick deu um passo para trás e piscou o olho para mim, abriu a boca e logo sua voz tomou a clareia.
Anos atrás, quando eu era mais jovem
Eu meio que gostava de uma garota que eu conhecia
Ela era minha, e nós éramos um amor
Isso foi antes, mas foi verdade
Eu estou apaixonado por uma Anja do Destino
Erick cantava a plenos pulmões, sua voz corria livre por toda a clareia. Lembrei de quando cantava para Erick em Pandora... Me senti aquecida por lembranças boas.
Mesmo que isso machuque
Eu não me importo de perder minha cabeça
Eu já estou amaldiçoado
Todo dia, nós começávamos brigando
Toda noite, nós nos apaixonávamos
Ele cantava diretamente para mim, olhando nos meus olhos, sua voz era alegre e animada. Seus olhos cinzentos me encantavam... Quase parecia que a música era para mim. Até que Erick chegou mais perto, entrelaçou seu braço na minha cintura e me puxou para junto de si. Arfei e me deixei levar.
Ninguém poderia deixar-me mais triste
Mas ninguém poderia deixar-me mais feliz
Eu não sei o que estava fazendo
Quando de repente, nos separamos
Agora, eu não consigo encontrá–la
Mas quando eu encontrar, nós vamos ter um novo começo
Então o Anjo usou sua telecinese e nos fez voar, flutuávamos alguns metros longe do chão. Erick me tinha junto do seu corpo, passei os braços envolta do seu pescoço quase em um gesto automático.
A voz de Erick soava tão linda... Era rouca e profunda, intensa e cheia de promessas. Senti inveja da garota da música, ela tinha muita sorte de Erick gostar tanto dela...
Eu estou apaixonado por uma Anja do Destino
Mesmo que isso machuque
Eu não me importo de perder minha cabeça
Eu já estou amaldiçoado
Sua voz ficava cada vez mais alta e mais intensa, ao mesmo tempo mais bonita. Erick me rodopiava no ar, em uma valsa no céu. Eu me senti livre... Dançamos sobre o firmamento tendo as árvores como plateia. Meu coração batia mais forte e rápido ao olhar para Erick...
Ela é uma Anja do Destino
Yeah...
Mesmo que isso machuque
Eu não me importo de perder minha cabeça
Eu já estou amaldiçoado
Erick nos descia no chão gradativamente, acompanhado o final da letra. Sempre com o braço envolta de mim. Eu o olhava intensamente e sorria. Meu coração parecia que ia pular do meu peito. Aquela música era linda! E dançar sobre o ar fora mágico.
Pela primeira vez desde que ele tinha voltado olhei de verdade para Erick e o vi como o homem deslumbrante que ele era. Seu rosto era cheio de traços fortes e másculos, seu cabelo rebelde que parecia ir em todas as direções e o principal... Seus olhos da cor de uma tempestade que pareciam gritar por algo.
_Então você esta apaixonando por uma Anja do Destino? — Perguntei com um fio de voz. Eu ainda estava nos braços fortes de Erick e por algum motivo não queria sair dali agora.
_Sim. Por uma Anja muito lerda, devo dizer. — Erick também me respondeu em um tom baixo.
_Quando vai me dizer o nome dela? — Talvez eu estivesse sendo curiosa demais, mas não podia evitar... Eu precisava saber quem era essa pessoa.
_Quando você estiver pronta para ouvir, eu vou te contar. — Dito isso Erick aproximou ainda mais nossos corpos e se inclinou na minha direção. Meu coração disparou na mesma hora! O que ele vai fazer?!
Mas o Anjo apenas deu um cálido beijo na minha testa. Seu toque era surpreendentemente gentil. Não sabia que Erick podia ser tão gentil assim.
_Ninguém aqui queria ouvir nenhuma música sobre Anjos do Destino. Todos estão cansados, vocês deviam fazer silêncio. Coloquem-se nos seus lugares e tenham respeito pelos outros. — Legolas disse, mas suas palavras mais pareciam adagas de tão afiadas e frias. Na mesma hora me separei de Erick o olhei na direção do elfo.
Legolas me fitava com raiva. Seus lábios estavam contraídos em sinal de desgosto e sua face carregada de irritação por nós, Anjos do Destino. Nunca o tinha visto ser tão grosso, na verdade ele nunca tinha me olhado com tanta raiva.
_Desculpa se causamos barulho... Mas não precisa falar assim, Legolas. — Tentei usar uma voz moderadora, afinal não entendia o súbito mau humor do elfo. Mas Legolas só me olhou de uma forma mais fria ainda e disse.
_Faça silêncio, Peregrina. Nos poupe de mais palavras. — Quando Legolas me disse isso foi a mesma coisa de ganhar um tapa no rosto. Eu podia sentir lágrimas se formando nos meus olhos, mas eu não choraria na frente dele.
_Ei! Qual seu problema? Isso não é... !
_Chega, Erick. O príncipe tem razão. Vamos nos colocar nos nossos lugares. Não estávamos aqui para cantar. Somos apenas ferramentas. — Interrompi a frase de Erick antes de gerar mais alguma confusão. Pelo canto do olho vi Aragorn colocar a mão sobre o ombro de Legolas e balançar a cabeça negativamente para o elfo. E logo depois Legolas arregalou os olhos, como se tomasse consciência das suas palavras.
Me virei de costas para eles e fui procurar um lugar para dormir. Ate que ouvi a voz de Legolas.
_Não foi o que eu quis dizer. Me perdoe, Bleumer... Eu não... — A voz do elfo soava normal agora, não tinha mais toda aquela frieza, mas eu não liguei.
_Eu entendi tudo. Você está certo, Príncipe.
Me afastei deles, mas antes gesticulei para Erick que queria ficar sozinha. Procurei e achei uma árvore grande com raízes bem espaçadas, envolta tinha muito musgo. Perfeito. Deitei entre as raízes, usei o musgo como cama e fechei os olhos. Logo algumas lágrimas caíram. Malditas lágrimas. Tratei de limpar todas, aquilo era ridículo. Eu estava chorando apenas porque Legolas me colocou no meu devido lugar... Eu que fui tola por achar que ele podia me ver como uma pessoa de verdade. Devia logo entender que sou apenas um objeto.
Me encolhi até abraçar meus joelhos e me permiti dormir.
Mas o gosto salgado das lágrimas ainda estava na minha boca...
Eu não tinha como saber, mas Legolas no meio da noite se aproximou de onde eu estava dormindo e zelou pelo meu sono. Não antes de acariciar suavemente meu rosto, ainda marcado por lágrimas...
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