A Peregrina

2 Conselho de Elrond


Notas iniciais
Venha, amigo leitor, sente e deixe-me continuar a história...

*Narrativa em Primeira Pessoa*

Depois de longas e interruptas horas de caminhada consigo ver Valfenda. Ela é ainda maior e mais magnifica do que eu imaginava. No meu mundo não existe nada nem parecido com a beleza e riqueza de detalhes desse reino, no meu mundo não existe mais nada belo... Depois de ficar igual a uma idiota admirando de longe o lugar, resolvo procurar uma pedra próxima e sentar para refletir sobre meu próximo passo.

_Hmm... Qual seria a melhor forma de me apresentar? Talvez seja melhor eu ser logo direta e deixar claro meu papel aqui... Ou quem sabe ser mais delicada e ir contanto tudo aos poucos? Com certeza é muita informação para essas pessoas entenderem de uma vez... — Fico murmurando sozinha. É um hábito meu. Quando você passa tanto tempo sozinha, acaba pegando o hábito de pensar em voz alta. Um péssimo hábito, devo dizer. Isso já me atrapalhou bastante. — Não sei ser diplomata, isso é fato. Vamos lá, Peregrina, pense em uma forma de contar tudo para eles... Quer dizer, eu podia entrar pela porta como qualquer outra pessoa normal e sã, mas o que vou dizer para conseguir falar com o líder deles? — Imito a voz que eu acho que um E.T teria e digo. — Olá, humanos, sou de outro mundo. Me levem até seu líder!– Acabo dando uma risadinha com a minha brincadeira estupida. Então lembro que não estou aqui para ficar brincando. Solto um grunhido de pura irritação de mim mesma.

Fala sério, eu viajei por seis mundos diferentes, lutei dezenas de vezes e vi mais do que gostaria durante a minha longa vida e aqui estou eu com dificuldade de me apresentar. Típico. Quase posso ouvir a voz de trovão de Nabeel ecoando pela minha mente enquanto ele diz: Você é mesmo uma inútil, Peregrina.

Fito o chão, então fechos meus olhos, me perco em lembranças desagradáveis que insistem em surgir na minha mente contra a minha vontade, todas sempre envolvendo Nabeel... Nabeel... Nabeel...

Sinto um arrepio na espinha e desperto dos meus devaneios. Olhar para o chão não vai me dar nenhuma resposta, o melhor que faço é levantar e bolar um plano pra entrar em Valfenda.

Cada vez me aproximo mais dos muros e fico mais alerta. Não quero levar uma flechada por engano e morrer, ou pior, fracassar na missão. Isso seria terrível. Já pensou na confusão que isso iria dar?

Resolvo procurar alguma abertura na segurança, qualquer coisa que me ajude a entrar. Não é possível que todos os guardas sejam perfeitos e não cometam nenhum erro na segurança, só preciso de um deslize deles para entrar sem ser percebida. Camuflo-me nas sombras das arvores próximas e analiso o esquema de segurança, depois de alguns minutos de procura vejo o que parece ser a hora da troca de guardas... Isso pode ser o deslize que eu esperava. Aproveitando a cor negra da minha ExoArmardura me aproximo do muro pelas sombras, longe dos olhares treinados dos guardas. Quando um dos elfos desavisado sai do seu posto de vigia, eu aproveito a chance. Fico em frente ao muro, estico minha mão para baixo com a palma bem aberta, uso minha concentração e peço que o Ar me erga alguns metros acima, assim eu pulo o muro e rapidamente entro na primeira sala que vejo e me escondo.

Claro, fazer isso seria problemático pra qualquer pessoa, mas eu não sou qualquer uma. Dou um leve sorrisinho e flexiono minha mão, mais uma vez grata por ser uma Elementar e ter o poder dos quatros elementos a minha disposição, claro que usa-los custa um preço, mas fazer coisas bobas como pular um muro não me causa nenhum mal.

Certo, se concentre Peregrina, a parte mais fácil já foi. Agora preciso saber onde está acontecendo o Conselho de Elrond. E rápido.

Saio pulando e me escondendo pelos longos corredores de Valfenda, sempre paro alguns instantes para ouvir algo mais além, mas mesmo meus ouvidos aguçados não detectam nada, tomo todo o cuidado para que ninguém me veja enquanto tento identificar as pessoas que fazem parte da minha missão, toda a informação que possuo sobre eles é que são dois humanos, quatros hobbits, um anão, um mago cinzento e para finalizar um elfo. Só sei alguns nomes e rostos, mesmo os Alquimistas não puderam ver tudo sobre eles, alguns destinos ainda não tinham sido presos ao destino do Um Anel quando sai do meu mundo para completar essa missão. Nem preciso dizer que a falta de informação me deixou com um péssimo humor, mesmo assim tenho que conseguir acha-los só com o que tenho.

Meus ouvidos captam uma gritaria e confusão alguns metros a minha frente. Que estranho... O resto do reino inteiro é calmo e silencioso, quase melancólico. E só nesse lugar tem esse barulho de vozes exaltadas, só pode ser ali a reunião! Finalmente achei esse maldito lugar.

Bastante satisfeita da minha descoberta, me direciono para lá com cuidado. Acho uma abertura na parede grande o suficiente para que eu possa entrar e fico escondida, olho com ansiedade para baixo e vejo pela primeira vez as pessoas que devo ajudar e arriscar a minha vida... E me decepciono. Eu esperava por guerreiros fortes e poderosos, além de sábios, mas me deparo com vários homens de tamanhos diferentes discutindo e trocando ofensas. Reviro os olhos tamanha idiotice que vejo.

Observando melhor vejo que há um elfo que deve ser o Elrond, um velho de roupas cinza que só pode ser Gandalf, um garoto de rosto delicado e de estatura muito pequena, que tenho certeza de se tratar do Frodo, além de dois homens humanos que discutem, só não sei direito quem é Aragorn e Boromir. E no meio da maior confusão vejo vários elfos loiros e anões de aparência rude discutindo.

Já sinto uma dor de cabeça chegando só de pensar que esses idiotas são minha missão.

De alguma forma um dos elfos loiros olha pra cima, na verdade ele olha diretamente pra mim. Por sorte estou completamente escondida, sei que ele não pode me ver. Mas seus olhos azuis se estreitam e continuam olhando pra onde estou. O olhar insistente desse elfo começa a me incomodar quando ele desvia o olhar e fala alguma coisa, voltando sua concentração para algo que alguém disse. Algo que eu perdi por culpa desse elfo loiro. Já não gosto dele.

_Então está formada a Sociedade do Anel! Com nove integrantes! — Elrond diz isso e olha orgulho para todos.

EPA! Eu devia estar nessa Sociedade! Acabei me distraindo demais com esse elfo idiota e perdi minha chance de apresentação! Logo a minha apresentação que eu tinha pensado tanto no que dizer! Retiro o que disse sobre não gostar dele, na verdade eu já o odeio.

Sem tempo para sutilezas simplesmente dou um impulso com meu corpo pra frente e me deixo cair no meio do Conselho. Dou uma cambalhota no ar e pouso agachada para absorver o impacto do salto. Levanto lentamente e posso jurar que acontecem uns dez segundos de silêncio absoluto e surpresa antes das primeiras armas serem apontadas para mim. Típico.

_O que é isso?! — Boromir ou Aragorn, ainda não sei, grita enquanto puxa a espada e aponta pra minha garganta. Fico imóvel.

_É um espião de Sauron?! Como entrou aqui?! — Um anão berra para mim e eu o reconheço como sendo o Gimli. Além de ele ter um machado pronto pra cortar minha cabeça. E olhando de perto, esse machado está bem afiado, afiado até demais. Não seria preciso esforço nenhum para separar minha cabeça do meu pescocinho. Acho que perder a cabeça, literalmente, seria potencialmente problemático para a minha missão.

Os pequenos, que agora são quatro, se assustam e vão pra trás de Gandalf. O maldito elfo loiro, junto com outros também malditos elfos loiros apontam seus arcos para mim. É, aquelas flechas parecem tão mortais quanto o machado do anão.

Elrond e Gandalf parecem ser um dos poucos calmos e que não estão prontos para me matar. Decido que é melhor começar a conversa por eles. Talvez a melhor escolha que já tomei desde que cheguei aqui. É mais fácil conversar com pessoas que não estão tentando te matar.

_Meu senhor Elrond e Gandalf, o Cinzento! Estou aqui para ajudar a Sociedade do Anel. Sou uma viajante que foi mandada aqui por ordem dos meus superiores para ajudar a destruir o Um Anel e trazer paz a Terra-Média! Não me tomem como uma inimiga. — Falo tudo olhando para os dois que estão na minha frente sem me importar com as armas apontadas para mim. Sem me importar muito com as armas.

_Espera que acreditemos nisso?! Eu sou Boromir e não serei enganado por nenhum espião de Sauron! — Tá, agora eu sei quem é Boromir e também sei que ele vem correndo na minha direção com uma espada, pronto para me matar.

_Reequipar Sora! — Dou um pulo para trás, enquanto surge na minha mão minha fiel espada Sora, com ela consigo parar o ataque dele no ar. Não tenho intenção de mata-lo então dou uma série de golpes, usando o cabo da minha espada, em lugares estratégicos da sua mão e braço e o faço soltar a espada que carrega.

Tudo isso aconteceu em um piscar de olhos, talvez rápido demais para que olhos humanos possam acompanhar. Depois que o faço largar a espada, solto no chão a minha própria espada e ergo as mãos em um gesto de paz. Realmente espero que nenhum dos elfos tente lançar suas flechas em mim, porque aí sim seria difícil de parar. Olho para o rosto do elfo de olhos azuis checando se eles vão me atacar também quando ele me olha... Impressionado? Surpreso? Não consigo ler as expressões dele. Mas posso jurar que os olhos dele foram rápidos o suficiente para ver os meus movimentos na luta... Olho melhor para ele e tento entender porque não lançou uma flecha em mim se podia ver os meus movimentos...

_Sem violência dentro desse Conselho. E você! Acho que deve explicar melhor sua história. — Elrond olha diretamente nos meus olhos e não desvia. Engulo em seco, subitamente muito consciente da presença de Elrond. Lentamente abaixo minhas mãos e os outros abaixam suas armas. Pelo canto do olho vejo que Boromir não está nada satisfeito com isso.

_Como eu já disse, meu senhor, sou uma viajante e estou aqui para ajuda-los. Venho de outro mundo, um mundo distante e há muito esquecido. Um lugar que vocês não conhecem, mas nós conhecemos um pouco de vocês, os Alquimistas, que são os sábios do meu mundo, observam esse mundo há algum tempo sem interferir em nada, mas não podemos mais ficar só observando de longe. Sauron é só uma das muitas formas que o Mal usa para dominar os mundos, no meu mundo ele é conhecido como As Trevas. Alguns Alquimistas pesquisaram e decidiram que a melhor forma de acabar com o Mal é destrui-lo em cada mundo que conhecemos. Temos o poder de ver que o seu mundo, a Terra-Média, esta caindo nas garras desse Mal e por isso eu fui enviada para ajuda-los. Preciso salvar seu mundo para ajudar a combater o Mal de todos os outros mundos. Essa é a minha missão. — Tento explicar da melhor forma possível, mas sei que é difícil de entender. Alguns minutos se passam sem que ninguém diga nada, espero pacientemente até que o silencio seja quebrado.

_Digamos que acreditemos em você, viajante, não acha que seria justo dizer seu nome, o nome do seu planeta e porque se esconde atrás dessas roupas estranhas como se fosse uma inimiga? — Gandalf se pronúncia pela primeira vez e todos parecem querer saber as respostas para suas perguntas.

_Vocês devem acreditar em mim. Bom, podem me chamar de Peregrina, é assim que sou conhecida agora. O meu planeta chama-se Pandora e essas roupas são comum no meu mundo, de qualquer forma não tenho intenção de revela-me. — Prefiro deixar bem claro que não vou tirar minha máscara de jeito nenhum. — E estou aqui para entrar na Sociedade.

_Pede que confiemos em você quando nem mostra o rosto? — O elfo de olhos azuis fala isso com uma óbvia ironia na voz, o que me irrita profundamente.

_Sim. -Carrego essa palavra com toda a minha determinação e raiva por ele enquanto encaro o elfo que já odeio. — Acho que vocês não entenderam. Eu vou acompanha-los nessa jornada quer queiram ou não. Vocês não podem me impedir. Só estava tentando ser educada ao contar tudo isso a vocês. — Pronto, lá se vai a minha tentativa de ser delicada, mas não tenho culpa se o elfo com cara de idiota resolveu me irritar.

_Ao que me parece ser educada no seu mundo é bem diferente do que é ser educada aqui. — Ele diz tudo isso com um sorrisinho sarcástico que me faz perder o resto da paciência. Não queria, mas vou acabar dando um soco na cara convencida desse imbecil... Mentira, eu quero mesmo dar um soco e faze-lo engolir esse sorriso. Quando abro a boca pra dar uma bela de uma resposta para esse idiota, sou surpreendida com a voz grave de Gandalf.

_Legolas, tenha calma, e Peregrina, tente não bater nele. Seria até divertido ver Legolas levando um soco seu, seria motivo de piada durante muito tempo, mas não quero ofender Elrond que já deixou claro que não quer violência aqui. — Dito isso o mago solta uma ruidosa gargalhada. Olho sem entender e com a minha melhor cara de idiota para o Mago. Como ele sabia que eu queria bater no Legolas?! Sim, agora já sei o nome do elfo loiro.

_Perdão? O que disse? Ela nunca conseguiria isso. — O tal Legolas olha claramente irritado para mim. Nem ligo e isso parece irrita-lo ainda mais. Eu sei que poderia acerta-lo quando quisesse. Viro o rosto pra Elrond à espera do seu veredito. Pra mim, é apenas uma formalidade, eu vou com a Sociedade de qualquer jeito e pronto.

_Lady Galadriel há muito tempo me avisou que na guerra contra Sauron iriamos receber uma ajuda inesperada e de terras distantes... Julgo que ela estava falando de você, Peregrina. Já que é assim, todas as peças se encham e você tem minha bênção para ir com a Sociedade. Só tenho um aviso para lhe dar: pare de se esconder e surgir do nada em reuniões secretas. Use a porta da próxima vez e nos poupe de um susto. — Elrond claramente estava sério quando disse essas palavras, mas foi inevitável que um pequeno riso surgisse dos pequenos hobbits que ainda estavam atrás de Gandalf.

E é claro que Legolas também tinha que ter um sorrisinho no rosto, claramente satisfeito por eu ter sido reprendida. Meu ódio por ele só aumenta. Não vai demorar muito para ele ganhar um soco.

Notas finais
Olá, como vai você? Se chegou até aqui, deixe um comentário para Peregrina. :D