A Peregrina
14 A Mensagem
Notas iniciais
*Narrativa em Terceira Pessoa*
Legolas olhava impressionado para Peregrina. Ele nunca a tinha visto como era de verdade, sem toda aquela ExoArmadura e máscara. Era a primeira vez que via Bleumer. A Bleumer verdadeira. E não conseguia parar de olhar, não existia a menor possibilidade de não olhar para ela. Era como se todo o mundo tivesse sumido, parado de existir, e os dois estivessem sido levados para um mundo fora do mundo, um tempo fora do tempo, nada parecia importar, só existia Legolas e Bleumer. Só existia Legolas admirando ela...
A beleza de Bleumer era imponente, graciosa, delicada, sensual e autoritária, como se exigisse que você olhasse para ela. Ela era tudo isso ao mesmo tempo, em uma profunda harmonia. Bleumer era incompreensível em sua beleza, era deslumbrante demais para que se pudesse catalogá-la, era o tipo de beleza digna de uma deusa.
Seu rosto era sublime em cada detalhe, exibia uma perfeição obvia, seus traços eram delicados e angulosos, dando um ar digno de uma rainha elfa... Nenhuma pedra preciosa chegava perto do brilho nos olhos de Bleumer, seus olhos verdes eram tão hipnóticos, lindos e mortais como o mar. Emoldurando seus olhos estavam suas sobrancelhas finas e levemente arqueadas. Seus lábios eram cheios e volumosos, mas extremamente delicados, tinham um formato de coração, exibiam tons róseos e um pouco vermelho, Legolas sentiu que poderia passar a eternidade olhando para esses lábios...
O cabelo de Bleumer era longo, passando da altura da cintura. Seu cabelo sedoso era levemente ondulado e cada ondulação era perfeita por si só, como se fosse pequenas ondas quebrando nas areias de uma praia, e mais do que isso, seu cabelo era do mais puro e brilhante tom de branco, não era um loiro platinado como podia ser visto em vários elfos ou um branco grisalho presente nos anciões. Mas sim branco, como se todas as nuvens do céu ou as margaridas da terra tivessem dado sua cor para Bleumer.
Enquanto a contemplava, Legolas pensou que o próprio Universo devia amar Bleumer e ter lhe oferecido todas as graças e belezas que possuía. Era a única explicação que ele tinha para a obra de arte que era a Peregrina. Aos seus olhos nada era mais belo que ela.
Legolas desceu o olhar lentamente pelo corpo da mulher a sua frente, como se quisesse absorver todos os detalhes e lhe faltou o ar...
Seu corpo era perfeito, como se cada centímetro tivesse sido esculpido. Bleumer possuía uma geometria corporal divina, como se todas as formas mais atraentes da natureza estivessem concentradas nela. Seu corpo era pequeno na medida certa, não devia passar de 1.60. Legolas pode observar como os seios de Bleumer eram fartos e perfeitamente redondos, e imediatamente sentiu vontade de correr suas mãos por eles... A cintura dela era fina e delgada, seu quadril era pequeno e simétrico.
Então Legolas olhou por último para as pernas de Bleumer... As pernas dela eram longas, torneadas e bem feitas, tão brancas como porcelana. Ela tinha um corpo firme e forte, mas sem ser musculoso. Um corpo extremamente sensual e feminino. Mas ao olhar melhor o elfo pode ver que Peregrina tinha hematomas em tons de roxo e preto pela perna e braço esquerdo, além de alguns cortes rasos. Tudo isso resquícios da luta em Moria.
Cobrindo o pequeno corpo da garota estava uma roupa branca com detalhes em preto, uma espécie de vestido curto e solto acima do joelho. Suas alças eram finas e ele tinha um decote em V, abaixo da base dos seios de Bleumer havia um laço preto que enfeitava o traje e o deixava mais feminino, logo depois da base dos seios o tecido se abria um pouco até a barriga, revelando parcialmente sua pele nessa região e depois o tecido voltava a se fechar na altura do quadril. Havia uma fenda de cada lado do vestido que ia até as coxas para da mais liberdade de movimentos. E por baixo desse vestido, na altura do quadril até o começo das coxas, havia um tecido negro justo, quase uma segunda pele, que se moldava e permitia que Peregrina se movesse sem que ninguém visse algo a mais por baixo do pano. Nos seus pés botas pretas e longas, para finalizar um manto branco ia por cima do seu corpo.

Legolas tinha que admitir que preferia muito mais aquela roupa do que a ExoArmadura. Quando ele finalmente conseguiu subir o olhar de novo para o rosto de Bleumer, viu que ela estava angustiada. Na mesma hora esqueceu-se dos pensamentos que tivera e só se importou com o que afligia a garota.
_Bleumer? O que houve? Sente dor?
Ela só olhou para ele. Nos seus olhos podia ser visto um misto de angústia e algo a mais... Medo.
_Porque esta assim? Eu fiz algo? -Legolas começava a ficar nervoso, achava que tinha feito algo de errado sem perceber de novo.
_Recebi uma mensagem de Pandora... -A voz de Peregrina tremia e seus olhos estavam cada vez maiores. Assustados.
_Como assim?
_Oh, não... Agora não... -Ela ignorou a pergunta dele e parecia falar sozinha até que finalmente olhou com olhos firmes para Legolas. _Não tenho tempo para te explicar, mas preciso que você saia daqui imediatamente. Vá para longe e não ouse escutar o que for dito aqui e sobre hipótese nenhuma volte para cá.
_O que? Por quê? Qual o problema? Eu posso ajudá-la. -Legolas estava cada vez mais confuso e decididamente não iria sair dali.
_Vá! Saia daqui! Agora! Não estou brincando! -Peregrina tentava empurrar Legolas para dentro da floresta, mas daria no mesmo se empurrasse uma pedra. O elfo não se movia.
_Não vou sair. Não vou te deixar sozinha quando está tão nervosa.
_Estou nervosa porque você não sai daqui!
_Não adianta. Vou ficar aqui. Ainda não entendeu, Bleumer? Não vou abandoná-la.
Peregrina ia revidar, argumentar mais para que ele saísse ou mandar o Ar jogá-lo longe quando sentiu seu Bracelete Guia enviar um leve choque que percorreu pelo seu corpo, causando um formigamento. Alguém em Pandora a estava chamado e não estava gostando de esperar. Sem tempo para expulsar o elfo, Peregrina apenas virou-se para ele e falou da forma mais firme que podia.
_Não tenho mais tempo de tirá-lo daqui. Fique quieto durante tudo o que acontecer aqui. Não diga nenhuma palavra, Legolas.
Legolas podia não entender tudo o que estava acontecendo ou que iria acontecer, mas não era estúpido. Ele sabia que o que quer que fosse era algo importante para Peregrina.
Então ele viu o braço dela estremecer levemente, como se levasse um choque... Antes de perguntar qualquer coisa, viu que Bleumer erguia o braço e apertava um botão do seu Bracelete. Então algo que sua mente não podia compreender aconteceu.
Do bracelete de Peregrina uma luz surgiu formando um quadrado no ar e nesse quadrado a forma de uma pessoa apareceu. Só podiam ver da cintura para cima e ela tinha o tamanho real de uma pessoa. Era como se esse indivíduo estivesse em Pandora e na Terra-Média ao mesmo tempo. Aquela era uma projeção ao vivo da sala de controle do Centro, o lar e lugar de treinamento de Peregrina.
A pessoa era uma mulher quase tão jovem quanto a própria Peregrina, seus cabelos eram loiros e longos, seus olhos eram grandes, castanhos e muito expressivos. Ela era indiscutivelmente bonita.
Na mesma hora Peregrina suspirou de alívio e sorriu de felicidade.
_Molly!
_Olá, Peregrina. Como está? -Molly perguntou com uma voz calorosa e doce. Sua voz podia ser ouvida como se ela estivesse ali com eles, mas não estava já que podia ser visto o rio e a vegetação através do corpo holográfico da mulher. Era realmente uma projeção.
_Estaria bem melhor se você não tivesse mandando dois choques pelo meu Bracelete! — Mesmo assim Bleumer sorria para a mulher, como se fossem amigas de muito tempo.
_ Em primeiro lugar o choque foi fraco, não passou de um formigamento e em segundo lugar só estava chamando sua atenção, não tenho culpa se demora para responder o chamado. Afinal, porque demorou? –Molly perguntou.
_Hã... Estava ocupada. –Peregrina respondeu meio sem jeito.
Molly olhou em volta do lugar que Peregrina estava e pela primeira vez se deu conta da presença silenciosa de Legolas. Na mesma hora sorriu para ele e arrumou seus cabelos.
_Ocupada com ele? Eu achando que você estava em uma missão muito difícil e na verdade está ao lado de um bonitão se divertindo! -Agora Molly ria e Bleumer podia sentir o rosto arder de vergonha.
Já Legolas não entendia nada. Aquela mulher loira claramente era algum tipo de amiga de Bleumer, mas ele não entendia nada do que elas falavam. Ao que parecia ele era incapaz de entender uma conversa de mulher, seja da Terra-Média ou de outro mundo.
_Não é nada disso! Não estava me divertindo com ele! E ele não é bonitão! É só um elfo irritante e idiota! -Peregrina se apressou em dizer com o rosto já corado.
_Então o que estava fazendo, hein? -Um sorriso zombeteiro surgiu no rosto de Molly.
_Tomando banho!
_Oh... Então os dois estavam tomando banho juntos? Ou ele te olhava enquanto você se banhava? Como você é danadinha, Peregrina... –A voz de Molly era de pura provocação, ela adorava provocar a amiga com esses assuntos.
_Não! Não é nada disso! -Agora o rosto de Bleumer queimava de vergonha e ela agitava as mãos na frente do corpo, de um jeito nervoso.
_Eu não a espiei no banho.
As duas garotas olharam para Legolas quando ele se pronunciou.
_Eu não disse para você ficar calado? – Peregrina perguntou levemente irritada. Aquele elfo não fazia nada do que ela mandava!
_Não posso ficar calado diante disso. Jurei pela minha honra que não espiaria.
_Quem é ele, Peregrina? -Molly se divertia diante daquela cena dos dois, mas também queria informações.
_Legolas. Príncipe da Floresta das Trevas e blá blá blá. É só chamá-lo de Idiota.
_Eu não sou idiota! -o elfo novamente se manifestou na conversa, depois respirou fundo e se apresentou. _Sou Legolas, filho de Thranduil. Príncipe de Floresta das Trevas. -Então ele fez um pequeno aceno com a cabeça em reverência a Molly.
_UAL! Um príncipe, hein? Se deu bem, Peregrina. -Antes que Peregrina pudesse responder qualquer coisa e xingar sua amiga, Molly tomou a palavra de novo. _Meu nome é Molly Banwen, sou uma Alquimista de Pandora e amiga de Peregrina. -Ela sorriu.
_Encantado em conhecê-la minha senhora.
_Chega disso! O que quer, Molly? -Peregrina interrompeu os dois. Já estava cansada daquela conversinha deles. Incomodada, para falar a verdade.
_Hmmm... Está com ciúmes dele, Peregrina? -Molly arqueou uma sobrancelha.
_Claro que não!
Legolas olhava de uma para a outra e sentiu um sorriso se formando nos lábios. Será que Bleumer tinha ciúme dele? Legolas se permitiu a esperança desse pensamento...
_Ah, não tem? Então não se importaria se eu o tomasse para mim, Peregrina... ?
Na mesma hora Peregrina se postou na frente de Legolas, tentando impossibilitar a visão de Molly sobre ele.
_Você não vai tomá-lo para si. Não vai encostar nele, Molly. -A voz de Peregrina estava carregada de autoridade e uma raiva muito mal disfarçada.
_Calma! Só estava brincando. Ele é seu! -Agora Molly ria abertamente da cara da amiga por ter caído em sua provocação.
_Então sou seu, Bleumer? -Legolas pousou a mão sobre o ombro dela e se permitiu sentir esperança. Se ela sentia ciúmes significa que gostava dele. Mesmo que fosse um pouquinho...
_Que? Não seja absurdo, elfo! Eu não o quero! -Depois ela se virou para Molly. _Você não pode tê-lo porque é proibida a união de uma criatura de Pandora com qualquer outra criatura que não seja também do nosso mundo. Você sabe disso.
Aquela informação foi como um soco em Legolas. Como assim Peregrina não poderia se unir a ele? Tudo bem, ele sabia que a relação dos dois nem existia, mas o elfo tinha esperança que depois que o Anel fosse destruído, quando a missão de todos acabasse, ele e Bleumer poderiam conversar, se entender e ficar juntos... Esse era seu maior desejo.
_Eu sei, eu sei. Só foi uma brincadeira. Afinal somos proibidos de amar outras pessoas e forçados a escolher um Guerreiro do Viajante para o resto de nossas vidas. O que me lembrar que seu aniversário esta próximo, vai se tornar oficialmente uma adulta e com isso vem algumas responsabilidades especificas... -Peregrina sentiu o corpo todo gelar quando ouviu aquilo. Aquela era definitivamente uma conversa que não queria que Legolas ouvisse.
_Molly! Não quero falar desse assunto. Apenas me diga por que me mandou uma mensagem. –Peregrina disse totalmente seria.
Legolas estava transbordado de dúvidas e perguntas, mas guardaria todas para quando tivesse uma oportunidade de conversar direito com Bleumer.
_Ok... Me comuniquei com você porque queria um relatório de como esta a missão. Já passaram semanas que esta aí e precisamos nos atualizar sobre o que aconteceu. Você sabe como é, tudo é pura burocracia.
Peregrina suspirou pesadamente. O que poderia dizer? A missão estava fracassando...
_Estou acompanhando a sociedade do anel como o planejado. Tanto o portador do Anel como o Anel estão seguros. Estamos nos dirigindo a Mordor para destruir esse mal. Mas ao passamos por Moria e perdemos um companheiro lá... O mago Gandalf, o Cinzento morreu devido a minha incompetência. -Peregrina abaixou a cabeça tomada por uma tristeza, Legolas percebeu isso e apertou de leve o ombro dela, confortando-a.
_Não foi culpa dela. Um Balrog apareceu e o mago lutou contra ele. Gandalf salvou nossas vidas. –Legolas disse a Molly.
_Oh, Peregrina... Isso não podia ter acontecido... Você sabe o que Nabeel vai fazer se descobrir que alguém da Sociedade morreu sobre a sua supervisão. -A voz de Molly estava carregada de preocupação e medo pela amiga, mas nada podia fazer. Ninguém podia fazer nada contra Nabeel.
_Eu sei e aceito o que ele fizer. –Peregrina respondeu tranquila, já sabia o que a esperava.
_O que ele vai fazer? Como assim? Tenho certeza que se eu explicar a situação para esse Nabeel, ele vai entender o que houve. -Legolas falava olhando de uma para outra. Totalmente confiante em suas palavras.
Mas Peregrina e Molly apenas trocaram um olhar significativo. Elas sabiam que Nabeel não iria perder tempo esse tipo de conversa.
_Príncipe, sinto muito em dizer que Nabeel não ira escutar nada. -Molly agora olhava para o elfo. Olhava com tristeza.
_Mas ele precisa ouvir...
_Elfo, fique em silêncio. -Peregrina interrompeu a frase dele, mas não falou com um tom rude e colocou a mão sobre a mão dele que repousava em seu ombro. Legolas se calou diante daquele gesto.
_Só para ficar claro no relatório, o que é um Balrog?
_Um Demônio. Eu vi um Demônio igual aos Demônios de vieram com As Trevas. -Peregrina pode ver Molly arregalar os olhos de surpresa e depois ficar inquieta. _O que foi? O que houve?
_Algo esta acontecendo em Pandora... Nas ultimas semanas temos captado muita energia demoníaca na superfície, mandamos alguns Anjos do Destino para investigar, mas todos morreram.
Bleumer arquejou de surpresa. Aquilo não era possível. Os demônios tinham sido expulsos de Pandora há duas eras!
_Não pode ser! Os demônios não existem mais em Pandora. E como esses Anjos do Destino morreram? Não é tão fácil matar um Anjo, ainda mais se ele estiver em grupo!
_Não sabemos. Temos pouca informação, não conseguimos contato com nenhum deles por dias e depois encontramos seus corpos na superfície. O que os matou foi brutal e violento, seus corpos tinham sido profanados e praticamente reduzidos a nada. Agora estamos organizando estratégias com os outros comandantes para ir à superfície e investigar melhor. –Molly disse, mas sua voz não passou de um sussurro.
Peregrina colocou a mão sobre sua boca em surpresa, não podia acreditar no que estava ouvido. Aquilo não parecia real.
Legolas viu o estado dela e na mesma hora passou sua mão pelo braço dela, fazendo carinho e a reconfortando. E ficou surpreso quando Bleumer não o afastou. Ela parecia nem sentir o seu toque, sua mente estava muito longe.
_Não deixe que isso a preocupe demais, Peregrina. Realize sua missão e deixe o resto com a gente. Vai ficar tudo bem aqui. -Molly falava, mas parecia não acreditar muito nas próprias palavras. Como se soubesse muito mais do que estava contando...
_Quero lutar! Quero ajudar Pandora!
_Você já esta ajudando. Fique ai e termine a missão, Peregrina. –Molly respondeu.
Bleumer ia dizer algo, rebater, argumentar qualquer coisa, mas ouviu aquela tão familiar voz de trovão e depois viu Nabeel aparecer atrás da cadeira de Molly. Agora sua forma também aparecia na projeção. Pegando todos de surpresa. O corpo de Peregrina tremeu como se pudesse adivinhar o que iria acontecer.
_Ora, ora, ora... Se não é Peregrina. Meu Anjo do Destino favorito... -Sua voz era grave e profunda, no seu rosto um sorriso carregado de malícia enquanto olhava para ela. Os olhos do homem a sua frente eram azuis, mas tão diferente dos olhos azuis de Legolas... Os olhos de Nabeel eram de um azul escuro e tão frios quanto uma geleira. Parecia um homem no auge dos seus 40 anos, podia ser considerado bonito, era alto e muito forte, cheio de músculos, tinha um corpo em boa forma. Mas sua beleza era cruel e terrível tão diferente da beleza angelical de Bleumer. Os cabelos de Nabeel eram curtos e negros como o mais profundo breu.
_Comandante Nabeel! O senh... — Molly começava a dizer algo quando Nabeel segurou com brutalidade no longo cabelo dourado da garota e a puxou, arrancando Molly de sua cadeira e a jogando no chão com violência. Como se ela não passasse de um inseto que estava no lugar errado.
_Quieta, seu lixo. -Então o próprio Nabeel sentou na cadeira e olhou diretamente para Bleumer.
Molly apenas levantou-se e foi postasse atrás da cadeira do seu comandante. Ela exibia um pequeno corte na testa por culpa da queda.
Legolas olhou horrorizado para aquilo. Quem ousaria bater em uma mulher?! O elfo já podia sentir um ódio intenso borbulhado dentro de si.
_Como ousa... -De repente sentiu uma cotovelada extremamente forte atingi-lo nas costelas causando uma pontada de dor. O elfo olhou surpreso para Peregrina, então percebeu que ela queria que ele ficasse quieto. Trincou os dentes e tentou se controlar. Tentou.
_Meu comandante. -Peregrina abaixou a cabeça em um gesto de respeito enquanto cumprimentava Nabeel.
_Porque esta sem a ExoArmadura e a máscara? -Nabeel sorria, mas seu sorriso era frio e falso. Era como se zombasse dela. Peregrina já conhecia seu jeito e sabia que logo ele se tornaria violento.
_Me perdoe. Meu traje estava sujo e danificado, tive que tira-lo, mas vou colocá-lo imediatamente.
_Ah, Peregrina... Você não aprende nunca, não é? O que eu sempre te digo? -Ela ficou calada por alguns segundos até que a voz de Nabeel explodiu em gritos. _O QUE EU SEMPRE TE DIGO?!
_Que sou desagradável os olhos e ouvidos. Que tenho que usar sempre minha ExoArmadura e máscara. Que ninguém quer ver a minha forma deformada. -Peregrina falava tudo isso com a cabeça abaixada e a voz calma, para ela, aquelas palavras eram a verdade absoluta.
_Exato. Então porque insiste em deixar o mundo ver esse rosto horrível? Acho que você precisa ser disciplina de novo para lembrar-se de algumas coisas... Afinal é o trabalho do treinador adestrar constantemente sua cadela. — Com isso Nabeel sorriu mais, seus olhos brilhavam de forma assustadora e maníaca enquanto olhava para Peregrina.
Aquilo foi a gota d'água para Legolas. Ele não iria admitir que ninguém falasse assim com Bleumer. Na mesma hora puxou uma flecha a apontou para a imagem de Nabeel. Pronto para matá-lo. Seu corpo todo gritava de ódio por aquele homem.
_Retire o que disse sobre ela e peça perdão imediatamente. -Sua voz soava feroz e um único desejo pulsava por Legolas: Atirar aquela flecha.
O mais surpreendente daquilo tudo foi que Peregrina ficou calada e submissa enquanto Nabeel a humilhava, mas na hora que Legolas se fez notar e puxou a flecha, ela se desesperou.
_Não! Fique quieto! Abaixe isso! -Peregrina tentava sem sucesso abaixar o arco de Legolas. Aquela situação só estava piorando...!
_O que é isso? -Nabeel olhava com desdém para o elfo. Legolas não representava uma ameaça a ele.
_É apenas um dos integrantes da Sociedade! É um tolo! Não merece sua atenção, meu comandante! -Peregrina estava em pânico e tentava de todas as formas retirar a atenção de Legolas. Não queria que Nabeel fizesse nada contra o elfo.
_Você ousa dizer o que merece minha atenção ou não?! -Agora a voz de Nabeel se erguia e Peregrina percebeu o erro que cometeu.
_Não! Apenas não desejo que nossa conversa seja estraga por esse simples elfo! -Peregrina falava isso enquanto tentava empurrar novamente Legolas para dentro da floresta até ele se livrar das mãos dela e se pronunciar.
_Não vou sair daqui! E você seu maldito, não vai falar assim com ela! -Então Legolas conseguia disparar sua flecha em Nabeel e ao mesmo tempo escutou o grito de Peregrina dizendo sonoro não. A flecha do elfo simplesmente atravessou a imagem projetada de Nabeel e foi parar do outro lado do rio.
_O que?! Eu tenho certeza que o acertei! -O elfo não tinha como entender que de fato tinha acertado aquele homem, mas por se tratar de uma projeção o corpo físico de Nabeel não estava ali então não poderia sofrer nenhum dano.
Então pode se ouvir uma risada que logo evoluiu para uma gargalhada. Uma gargalhada enlouquecida. O tipo de som que causa um frio na espinha. Era a risada de Nabeel.
_Você acha que pode me ferir?! Eu sou Nabeel! Sou o mais forte! Ninguém está acima de mim! Eu sou o destino. Eu sou a morte. Eu sou o poder!
Peregrina se ajoelhou no chão, em reverência.
_Meu senhor, o elfo não tem consciência dos seus atos! Não o machuque, por favor. Rogo por sua clemência. -Todo o corpo de Peregrina tremia, mas agora tremia de medo por Legolas. Ela sabia do que Nabeel era capaz de fazer.
_Eu não preciso de clemência dele! Eu vou matá-lo! -Legolas estava cego pela raiva que sentia daquele homem.
_Não! Fique fora disso, Legolas! -Peregrina gritou e agarrou a mão do elfo, tentando de todas as formas impossibilitar que ele desse mais um passo.
_Você me pede por clemência... Mas me desobedeceu várias vezes... Primeiro tirou sua ExoArmadura e deixou que as pessoas vissem como é desagradável. Depois permitiu que o mago cinzento fosse morto! Ou você achou que eu não sabia?! VOCÊ É UMA INÚTIL! E por sua culpa o mago esta morto! -Agora Nabeel não se preocupava mais em manter uma fachada, todos podiam ver o brilho enlouquecido nos seus olhos, seu rosto congelado em uma expressão que causaria terror em qualquer um. _E essa criatura inferior tentou me matar... Foram muitas afrontas... Tudo isso tem um preço, a questão é, quem vai pagar esse preço? -Nabeel deliberava como se existissem várias alternativas para o problema, mas Peregrina sabia que só existia uma resposta. Uma saída. Era sempre assim. Nabeel gostava de brincar com sua vítima antes de atacá-la.
_Eu aceito as consequências por tudo. -Peregrina sabia que era sempre assim que começava seu sofrimento na mão de Nabeel e também sabia como acabava.
_Você não vai aceitar nada, Peregrina! Pare com... -Legolas foi interrompido pela voz grave de Nabeel.
_Hmmm... Aceita? Você será punida três vezes mais forte por cada afronta de hoje. Agora peça por isso. Implore por sua punição, minha cadela.
Aquilo passava qualquer limite que Legolas pudesse ter. Ele estava tomando pela fúria e avançou para a imagem de Nabeel. Desferiu socos, chutes, flechas e ainda usou suas facas. Nada adiantava, todos os seus golpes apenas atravessavam a imagem do comandante. Legolas compreendeu que de fato não tinha como ferir o homem que tanto odiava.
Tudo isso só parecia divertir mais Nabeel. Como se ele se alimentasse da raiva e da dor de outras pessoas.
Bleumer gritava para que Legolas parasse com aquilo, mas o elfo não parecia ouvir. Então ela fez a única coisa que podia. Satisfazer o desejo de Nabeel para ele ir embora logo. Ela implorou.
_Me de uma punição! Por favor! Eu suplico que me puna três vezes mais forte, Nabeel! -Ela continuou de joelhos e agora abaixava sua cabeça até quase tocar no chão, com as mãos servindo de sustentação para seu corpo. Sabia que Nabeel gostava que ela se postasse diante dele daquela maneira submissa. Não restava orgulho nenhum em Peregrina. E essa a intenção de Nabeel, destruir seu espírito de guerreira e depois seu corpo.
Legolas olhou totalmente surpreso para Bleumer. Não entendia e nem acreditava que ela estava de fato pedindo por uma punição. Aquela não era a guerreira que ele conhecia. Aquela não era a mulher orgulhosa e destemida que sempre o enfrentava de frente.
_Como queira... Meu doce amor... -Então Nabeel levantou a mão e dentro dela havia uma espécie de controle. Era muito pequeno e de um preto reluzente. Na hora que ele apertou um botão uma dor nauseante surgiu no Bracelete de Peregrina e se espalhou por todo seu corpo.
Peregrina arquejou de dor e caiu no chão.
Legolas correu de volta para ela e a tomou nos braços, sem saber o que fazer olhava desesperado para o rosto da garota.
_Bleumer?! Bleumer?! O que houve?!
_Isso! Sinta mais dor! Mais! Mais! MAIS! -a cada palavra Nabeel apertava um botão no controle e uma nova dor surgia no Bracelete de Peregrina e se espalhava pelo seu corpo, a dor tomava o corpo da garota para si, uma dor mais forte que a outra. _ Sinta mais do meu amor por você! Eu estou prestes a enlouquecer de prazer por vê–la sofrer!
_Pare com isso, seu verme imundo! -Legolas berrava para Nabeel, mas não tinha nada que o elfo pudesse fazer. Nenhuma arma atingia o comandante. Legolas sentiu que estava totalmente impotente diante daquela cena. Só podia ver Peregrina se contorcer e gritar de dor.
A cada vez que era apertado um botão uma dor quase insuportável percorria o corpo de Peregrina. Suas pernas pareciam ter vida própria e se contorciam livremente, sua coluna arqueava até o limite e depois desabava no chão, suas mãos se enterravam na terra, sua cabeça parecia que ia explodir. Tudo dentro de si parecia que ia explodir. Era como se algo a estivesse rasgando de dentro para fora, mas Peregrina sabia que não existia nada dentro de si. Tudo isso era culpa do Bracelete que nunca sairia do seu pulso, já que fora programado para nunca ser retirado, e do controle.
_Isso! Sofra! Quero que sinta mais do meu amor! Mais! Mais! Mais! -Nabeel estava louco. Ele podia ser a personificação da loucura e crueldade. Agora ele apertava o botão cada vez mais rápido até seu dedo não passar de um borrão tamanha sua velocidade de movimento.
Um berro de pura dor saiu dos lábios de Peregrina. Seus olhos reviram tanto que agora só podia ser vista a esclerótica, a parte branca do olho. Ela agarrou a barriga e se encolheu, logo depois em um arquejo violento expeliu sangue pela boca. Não só isso, agora sangue também saia de seu nariz. A bela face dela agora estava manchada de dor e sangue. Arruinando a beleza da Anja do Destino.
Legolas estava perto de enlouquecer diante daquilo. Sentia sua consciência o abandonado, mesmo tendo lutado em muitas batalhas, nunca vira tanta crueldade como aquela que ela feita contra Bleumer. Não existia absolutamente nada que ele pudesse fazer, apenas se desesperar enquanto olhava para Peregrina. Ele abraçava seu corpo convulsionando e tentava acalmá-la. Fazer qualquer coisa para parar aquela dor em Bleumer.
_Você a esta matando! Pare! PARE! –O elfo gritava. A impotência de uma situação nunca desesperou tanto Legolas. Ele podia sentir seus olhos se enchendo de lágrimas não derramadas.
_Quero ver seu sangue, minha Peregrina! Sangre para mim! MAIS! QUERO VER A TERRA SE ENCHER DO SEU SANGUE, MEU DOCE AMOR! ENCHA-ME COM MAIS PRAZER! -Nabeel gritava tudo isso enquanto gargalhava diante do sofrimento da garota. Atrás dele Molly chorava em silêncio e desespero pela amiga. -Quero que os vermes da terra entrem no seu corpo e comam sua carne! Sofra mil vezes e sinta mil vezes meu amor!
A dor era demais para ela suportar, com o resto da consciência que lhe sobrava Peregrina percebeu que aquela era uma das piores punições que já tinha sofrido de Nabeel. Sentia uma dor que dilacerava seu corpo e a fazia desejar a morte só para acabar com aquele sofrimento...
Mas também pode sentir que braços fortes rodeavam seu corpo... Os braços de Legolas... Ela tentou se concentrar no calor do corpo do elfo, em suas mãos, na voz dele, em qualquer coisa que pudesse aliviar a dor. Deu certo por alguns instantes... Mas então uma nova dor surgiu, muito pior que todas as outras juntas.
_Sua inútil! Seu verme! Lixo! Você sempre será minha cadela! -Com isso Nabeel apertou um botão e mandou uma nova onda de dor muito maior que as outras. Ele iria matá-la se continuasse assim.
Peregrina não tinha mais controle nenhum do corpo. Esta a mercê de Nabeel, como sempre. Sua boca se abriu muito, quase quebrando sua mandíbula e de lá saiu um berro brutal, um som rasgado, alto, de puro desespero. E depois mais sangue foi expelido da boca da garota.
Aquele grito gelou o corpo de Legolas. Era o tipo de grito que se esperava ouvir dos condenados na porta do inferno. Não importava quanto tempo Legolas vivesse, jamais seria capaz de esquecer aquele grito de dor.
_Meu senhor! Os outros comandantes estão esperando o senhor para a reunião. Não seria bom se chegasse atrasado. -Molly viu que Peregrina estava morrendo aos poucos na sua frente então tomou coragem e interrompeu Nabeel.
_Ah... Sim! A reunião. Sou tão distraído que nem me lembrei desse detalhe! -Nabeel agora não exibia mais uma expressão enlouquecida. Com a mesma rapidez que enlouquecia, voltava a exibir uma fachada plena de calma. Como se não tivesse acabado de torturar Peregrina. Simplesmente guardou o controle no bolso e levantou da cadeira, nem se deu o trabalho de olhar para Bleumer ou Legolas, e foi andando para saída da sala, mas antes de sair olhou para Molly e desferiu um tapa extremante forte e maldoso na face da Alquimista.
Só fez isso porque teve vontade.
Só porque podia fazer.
Molly foi jogada no chão com a força do tapa e esperou o seu comandante sair para poder levantar-se. Agora ela exibia além do corte na testa, um corte no lábio que sangrava um pouco. Rapidamente foi para sua cadeira e olhou a imagem de Peregrina já inconsciente nos braços de Legolas.
_Príncipe, cuide de Peregrina. Cuide dos machucados dela e ela ficará bem. Por favor, faça isso por ela... -Molly pedia para Legolas com a face ainda molhada de lágrimas pela amiga.
_Vou cuidar dela. Vou protegê-la. Não se preocupe, não vou sair do lado de Bleumer. Nunca. -Legolas abraçava o corpo machucado da garota com muito cuidado e olhava para ela com tanto amor que só um cego não veria os sentimentos dele por ela.
_Você a ama, príncipe. -Molly não fez uma pergunta, aquilo era uma afirmação. Estava claro que Legolas amava Bleumer.
Legolas apenas olhou para a Alquimista e confirmou com a cabeça. Aquilo era o suficiente. Não era necessária nenhuma palavra para expressar o óbvio.
_Eu vou matá–lo. Eu vou matar Nabeel. -Nesse momento não existia mais nenhum olhar de amor no rosto do elfo, só era possível ver ódio e raiva por Nabeel.
_Ninguém pode matá-lo. Ele é poderoso demais. É melhor você apenas se concentrar em Peregrina, ela precisa de você... Agora preciso encerrar a comunicação, não quero que Nabeel volte e veja que ainda estou aqui. Cuide bem da minha amiga, ela é muito importante. Adeus, príncipe.
Dito isso Molly encerrou a mensagem e a luz que projetava sua imagem sumiu e tudo voltou ao normal. Agora só estavam Legolas e Bleumer. Mas a garota em seus braços já estava desmaiada e não ouviu o que foi dito no final da mensagem e também não ouviu o que Legolas sussurrou ternamente para ela...
_Prometo sempre te proteger e está ao seu lado. Vou conseguir alcançar seu coração porque eu te amo, minha Bleumer...
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