A Perda, O Retorno, A Salvação
5 Um dragão azul, uma fêmea, Saphira
Eragon! Responda! O que houve? Que voz é essa na minha cabeça? Onde eu estou? Aqui não é a Espinha é? Estou tendo alucinações... Eragon! Quem é Eragon?...Ah, sou eu...acho que bati a cabeça… Eragon! Não brinque comigo! Não se finja de esquecido garoto! Estou falando sério! Estou com medo dessa voz...quem sabe se eu responder ela vai embora... — Quem é você? Por que está...na minha cabeça? Vai embora!
Saphira voava o mais rápido que suas asas permitiam, e pousou tão rápido que sentiu uma de suas patas entortar no chão, dor que Eragon também sentiu, mas ignorou quando começou a correr e gritar. — Socorro! Um dragão! Alguém me ajude! Tio Garrow! Roran! Fujam! É um dragão! Eragon, pare! Sou eu, Saphira! O que você tem? Não, eu não posso morrer agora! Eu nem me despedi do meu tio, e ainda discuti com Roran quando saí de casa! Mas eu nem me lembro desse lugar! Saphira pulou na frente de Eragon, pôs as asas em volta dele e o prendeu. Ela estava a ponto de chorar de frustração ou devorá-lo de raiva. — Não! Não me mate! Não! ERAGON! Pare de gritar e me escute! Quem está falando comigo? Você vê esse dragão azul na sua frente? É uma fêmea, o nome dela é Saphira, ela não vai te devorar, e é ela que está falando com você! — Impossível! Dragões não falam! Onde eu estou? Aqui não é a Espinha! Pequenino, você não se lembra de mim? - Eu nunca te vi na minha vida! Você me trouxe pra esse lugar? O que fez com a minha perna? Está doendo! Está doendo por que quem se machucou fui eu! Você sente minha dor! Porque somos cavaleiro e dragão! Temos uma união forte, o que eu sinto, você sente. - Cavaleiro? Eu? Bom, se o que você diz é verdade, então eu tenho que avisar meu tio, ele deve estar morto de preocupação! – disse Eragon numa tentativa de fazer com que ela o soltasse. Pequenino, seu tio morreu...ele morreu há muitos anos... - O quê? É mentira! Meu tio está em casa, e o meu primo também! Saphira percebeu. Eragon havia perdido a memória. Ele só se lembrava de sua vida antes de achar o ovo de Saphira. Para Eragon, ele ainda morava em Carvahall, seu tio ainda estava vivo, Roran trocava mensagens através dele com Katrina, e ele era apenas um garoto de 15 anos, vivendo uma vida normal. Saphira sentia o desespero de Eragon, ele nunca havia visto um dragão. Ela entrou na mente de Eragon, procurando memórias sobre Arya, Nasuada, Vroengard, seu verdadeiro pai, mas tudo o que encontrou eram sobre Sloan, a família de Horst, Katrina e seu tio Garrow. Saphira rosnou, e sentiu os olhos marejados de lágrimas. Pequenino...você se esqueceu da sua vida inteira... — Isso fica cada vez mais estranho, um dragão que me chama de “pequenino”, e que chora. Devo estar sonhando...ora essa, não chore, dragão! Seu “pequenino” deve estrar por aí em algum lugar, mas ele não sou eu... Saphira, meu nome é Saphira! Você me deu esse nome! - Olha, eu não sei de onde você veio, nem quem você acha que eu sou, só sei que eu tenho que voltar pra minha casa agora, então se você me soltasse, nós... Sua casa foi destruída! Você...esquece, não adianta...tenho que resolver isso...eu vou te soltar e vou te levar ao Blod...quer dizer, a um amigo meu . Você não está em Carvahall, está muito longe da sua casa, seus amigos estão bem e eu não vou fazer mal a você. Meu amigo é do bem, e ele vai te ajudar a se lembrar quem você é. Você pode não acreditar mas você perdeu a memória. A partir de agora você terá de confiar em mim, e fazer o que eu disser, entendido? Eragon hesitou, confuso. Não sabia se era seguro confiar na palavra de um dragão. Mas ele não tinha escolha. — Entendido...Saphira.
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