Em um dia de sol, Katrina ensinava palavras a sua filha, Ismira, já com 10 anos. Por algum motivo, Ismira demorava muito para aprender uma simples palavra, como “mamãe”. Isso deixava Katrina extremamente preocupada. Ismira começou a rir quando viu Roran se aproximando. Ela estendeu as mãos e riu mais ainda, feliz por seu pai ter voltado. Ele a abraçou, e beijou Katrina, que parecia triste.
— Qual o problema?
— Ela não consegue falar...
— Tenha calma. Meu pai disse que eu também demorei muito para conseguir pronunciar direito as palavras.
— Mas ela já tem dez anos, Roran! Ela devia estar tagarelando por aí, não sofrendo só pra dizer uma sílaba...
— Você deve estar cansada, eu sei que isso nunca te preocupou antes. Descanse, eu vou levar ela pra andar um pouco.
— Tudo bem, mas não demore...
Ele entendia a preocupação de Katrina, tanto é que também achava estranho o fato de sua filha demorar tanto para aprender o que quer que seja. Pensou que talvez fosse porque a gravidez de Katrina foi difícil e não foi boa para a criança.
Tentou esquecer os pensamentos ruins e aproveitar o momento. Ao menos Ismira nasceu saudável e era muito parecida com Katrina, o que a deixava linda.
A garotinha andava tropeçando e trocando os pés. Roran sorriu e a levantou do chão com um braço. Ela riu. Ele adorava o riso dela.
Depois de vários minutos andando pelo acampamento dos Varden, Roran se deparou com Angela, que estava sentada em frente a uma fogueira, escrevendo e cantarolando uma música alegre. O menino-gato, Solembum, brincava com uma bola de pano costurada, ao lado dela.
Angela levantou os olhos e sorriu.
— Como vai, pequena Ismira?
A menina, envergonhada, escondeu-se atrás do pai.
— Olá, Martelo Forte, como tem andado?
— Muito bem, obrigado.
— Onde está Katrina?
— Descansando.
— Eu precisava mesmo falar com você.
— Sobre o quê?
— Bom, Ismira já tem 10 anos, então eu queria saber se eu poderia ver o destino dela, assim como fiz com seu primo. Mas precisava de sua autorização para isso...
— Ela tem raciocínio lento, e ainda não sabe falar, não sei se isso faria alguma diferença pra ela...
— É por isso que você vai junto.

— Mas por que você não espera ela se...desenvolver? Não é mais fácil?

— Bom é que dizem que se seu destino agora for ruim, ela terá bastante tempo para mudá-lo, apesar de ser difícil mudar o que já está predestinado, mas é só fazer as escolhas certas e......mantê-la longe dos hamsters selvagens. E também porque, quanto mais jovem for a pessoa, fica mais fácil ver o seu futuro.

Roran nunca gostou desse tipo de coisa, mas estava realmente interessado em saber sobre o futuro de Ismira, se sua filha seria feliz. Ele reparou no sorriso dela, enquanto acariciava Solembum.

— Está bem, mas que não demore.

— Sábia decisão, “papai”. Vamos, sigam-me.

Eles entraram na tenda de Angela , e sentaram-se em almofadas no chão, em frente a uma mesa baixa, onde havia uma vela acesa, e cartas espalhadas. Angela estendeu as mãos e em tom delicado pediu:

— Venha cá, querida, dê-me sua mão.

Roran a encorajou, e assustada, Ismira estendeu as mãos sobre a mesa. Angela pegou um pote de vidro, cheio de um pó verde brilhante, e jogou nas mãos de Ismira. Angela fechou os olhos e começou a falar:

— Além dessas terras, existe um mal, que parece inofensivo, e causará problemas em breve, mas você é a solução, o antídoto para a perda do ser. Crescerá rodeada de amor, serás a mais bela, muitas dificuldades aparecerão em sua jornada, principalmente, entre a nobreza, que sofre por amor, e recorrerá a você, e a seus conselhos. Terá uma surpresa, que mudará sua vida para sempre. Muita glória espera por você, terás uma vida longa, será o orgulho de uma nação. Ouça os gritos: Vida longa á Ismira! A líder de uma nova geração!