A Pequena Vendedora de Biscoitos
1 Capítulo 1
Todas as manhas a porta de uma casa localizada em um bairro simples e modesto se abria as 7:30 da manha e uma garotinha saia carregando duas cestas repletas de biscoitos nos braços.
Ela começa seu dia caminhando junto de outras pessoas que respondem ao bom dia sorridente que a menina vai distribuindo ao passar.
Ignorou os olhares carrancudos e pessimistas das madames ao passar numa rua cercada de lojas chiques com bolsas e sapatos luxuosos expostos nas vitrines.
“Olha só essa pirralhinha aí! Que roupas bregas que ela tá usando.” Sussurrou uma delas indiscretamente próxima a outra que estava a dedilhar na tela do celular.
Fingiu não escutar o que elas continuavam a sussurrar e continuou andando o mais rápido que suas perninhas conseguiam.
A estrada que a levava até o acampamento das escoteiras, próximo a uma escola, era um pouco mais distante do lugar de onde morava.
Sabia que demoraria duas horas e meia para percorrê-la a pé com duas cestas e mochila de escoteira nas costas não seria nada fácil.
Porem ela tinha outra solução, por que sempre se juntava a um grupo de crianças num ponto de ônibus escolar a fim de pegar uma carona.
O acampamento das escoteiras que freqüentava era perto da escola e poderia aproveitar para descansar um pouco da caminhada matinal.
Assim que o ônibus chegou, ela se acomoda e espera pela passagem do ônibus em seu destino apreciando a paisagem exibida na janela.
Passando por estradas de terra, fazendas e condomínios com casas que se assemelhavam a chalés ingleses, a pequena fica a refletir sobre sua vida e tudo o que esta acontecendo.
Ate que um garotinho se aproximou de onde estava e tocou em seu ombro arrancando –a de seu devaneio.
Ao olhar para ele, viu que lhe oferecia notas de cinco dólares.
_Eu e meus amigos vamos querer esses. — disse o garoto enquanto apontava para a cesta em que havia biscoitos de baunilha com confeitos coloridos de chocolate.
As outras crianças no ônibus em seguida se aproximaram e compraram todo o estoque restante que ela tinha dos biscoitos.
Em instantes a cesta ficou completamente vazia.
Emily se sentiu feliz e com sorte.
Havia conseguido vender todo o seu primeiro estoque em um piscar de olhos.
E ganhado 25 dólares ao todo.
Assim que o ônibus parou em frente à escola e deixou as crianças em frente ao portão, Emily pensou em continuar andando até o acampamento das escoteiras, então desceu do ônibus.
Depois que ajeitou a mochila nas costas e as cestas de biscoitos, desceu junto das crianças restantes, avistou suas três melhores amigas que a acompanhavam até o acampamento.
Mas antes de poder se aproximar até onde elas estavam, um garoto gordinho, que havia sido o ultimo a descer do ônibus, lhe deu dez dólares em troca de dois pacotinhos na outra cesta em que haviam biscoitos de chocolate com gotas de chocolate branco.
Emily percebeu que ele a fitava com um jeitinho tímido e se atrapalhando todo enquanto colocava os pacotinhos em sua mochila assim que ouviu o sinal tocar.
Depois que ele entrou para dentro de sua sala de aula após o sinal soar pelos corredores, Emily pode se juntar a suas amigas e então foram ao acampamento das escoteiras.
O restante do dia de Emily seguiu como sempre fora.
Fez seus deveres e tarefas de escoteira conforme os horários mandavam e se esforçava ao máximo para ser boa e atenciosa em tudo.
E a tarde foi premiada com mais duas medalhas em sua faixa peitoral que usava no uniforme de escoteira.
Uma por ser dedicada em seus deveres de escoteirismos e pela capacidade artística em conseguir desenhar perfeitamente os animais e a natureza.
No fim do dia, Emily continuou andando até outra parte da cidade a fim de conseguir vender o estoque restante de sua cesta.
Ela entrou no parque, se sentou na sombra de uma arvore e ficou a observar as crianças que estavam a brincar no parquinho.
Também aproveitou para desenhar em seu caderno de desenhos que sempre carregava em sua mochila.
A menina tinha um talento evidente para desenhar, e se esforçava para ser muito dedicada ás aulas de desenho que havia no escoteirismo.
Algumas mães com suas crianças pequenas passavam perto de onde estava e compravam os biscoitos em sua cesta para dividi-los com seus filhos pequenos.
Outras vezes eram as próprias crianças do parque que compravam os biscoitos quando terminavam de caminhar ou brincar com os amigos e queriam algo para recuperar as energias depois de tanto correr ou caminhar.
Os pavões e pavoas aproveitavam para se fartar das migalhas que caiam do chão assim que todos começaram a ir embora do parque.
Por fim, Emily tinha ganhado 50 dólares ao todo.
O suficiente para comprar aquela caixa de lápis de cor novinhos que tanto queria.
Assim que o sol começou a se pôr, Emily se preparou para ir embora quando teve a impressão de ver um garoto se escondendo atrás da arvore de onde se encontrava.
Quando viu que era o gordinho com quem havia esbarrado na entrada da escola, ficou completamente pasma.
Realmente não esperava encontrá-lo ali.
Assim que saíram do parque, ele perguntou se podia levá-la até onde morava com sua bicicleta.
Emily lhe responde que sim.
Conforme o garoto pedalava com velocidade pelas esquinas até chegar até onde morava, Emily adorou sentir o vento em seus cabelos e no rosto.
Ficou com a sensação de que estava voando livremente, mesmo que não possuísse asas.
Assim que chegaram, o garoto a ajudou a descer da bicicleta e a acompanhou até a porta de sua casa.
Mas antes pegou em sua mão e lhe perguntou:
_Te vejo amanhã na entrada da escola?
Emily o fitou por breves instantes e acenou um sim solenemente com a cabeça.
Quando ele voltou a subir na bicicleta e se despede de Emily ganhando velocidade ao descer a rua adiante acenando, Emily entrou em casa e foi bem recebida por sua mãe e sua irmã mais velha.
Elas estavam na cozinha, preparando o jantar daquela noite, que consistia de macarrão com almôndegas.
Retirou à mochila, o chapéu e a faixa com os distintivos do uniforme do escoteirismo e os deixou na estante, se dirigindo para a cozinha a fim de ajudá-las com a louça suja.
_Ola, minha filha querida! Que bom chegou com segurança em casa!- disse à mãe que se aproximou para abraçá-la.
Emily retribuiu o abraço ignorando o avental sujo de molho de tomate.
_Quem era o príncipe encantado fofucho que te trouxe montada na garupa da motinha? – zombou a irmã mais velha rindo enquanto continuava a organizar os biscoitos na forma.
_Ele não é príncipe encantado coisa nenhuma, mana! É só um garoto que pega o ônibus escolar comigo. E pra constar não é uma moto, e sim uma bicicleta! Ele me ofereceu uma carona depois do parque e simplesmente não consegui recusar!- explicou Emily para elas.
Apesar das aparências, a vida de Emily não era nada fácil.
Sua mãe trabalhava como costureira, fazendo bolsas, aventais, pijamas cirúrgicos, tiaras para cabelos e toucas para cozinha para estudantes de uma faculdade da região, que lecionava medicina e gastronomia.
A irmã passava o dia inteiro trabalhando num escritório de uma agencia de viagens.
O pai passava boa parte do dia trabalhando fora, num escritório de contabilidade ,e mesmo que o dinheiro fosse o suficiente para sustentá-los, todos estavam sofrendo para conseguirem ajudar Emily e seu futuro.
Apesar de não frequentar uma escola normal, como todas as outras crianças da região, seus pais se sentiam felizes por ter colocado a filha naquele curso de escoteirismo devido a suas necessidades de ser prestativa para com todos.
O único problema que eles estavam enfrentando era o curso de desenho que o acampamento oferecia, na qual os materiais que eram pedidos pelos professores custavam um pouco mais caro do que o normal.
Mas ela sabia que vender biscoitos a ajudaria a ter um dinheirinho extra para comprar os materiais artísticos para seu sonho de ser uma artista.
Depois que a mãe e a irmã mais velha haviam deixado o jantar preparado, Emily cozinhou sozinha uma nova fornada de biscoitos de baunilha com os confeitos coloridos de chocolate.
Misturou todos os ingredientes, separou os na forma e depois os deixou assando no forno por um breve tempo.
Quando os biscoitos ficaram prontos, Emily os colocou em saquinhos decorados e por fim, nas cestas para que pudesse vendê-los no dia seguinte.
Ela e a irmã assistiram ao programa favorito na TV, depois que haviam deixado tudo arrumado e organizado.
O pai chega do trabalho, eles se sentaram a mesa e jantaram.
Às oito horas da noite, Emily foi para o escritório e continuou desenhando em sua mesa particular enquanto a mãe estava a costurar um avental e a irmã a escrever um relatório em seu PC.
O pai estava na sala assistindo a seus programas que adorava acompanhar nos canais que transmitiam programas com mecânicos e carros.
Aquela era sua hora favorita do dia e ninguém sabia que a pequena vendedora de biscoitos que trabalhava com entusiasmo e alegria nunca se sentia infeliz quando fazia o que mais gostava.
Ela percebe que nunca estaria infeliz, triste ou deprimida enquanto pudesse desfrutar daquele breve e maravilhoso momento.
Ao dar o play em seu iPod, deixando a musica guiá-la quando começou a esboçar os sonhos que mais tinha em mente, que desejava que se tornassem realidade, Emily ficou contente.
A menina desenhava o que mais sonhava e pensava na benção que seria desfrutar dos sonhos virando realidade diante de seus pequenos olhinhos que viam fascínio, encanto em tudo.
Ate que chegou a hora de dormir, e Emily fechou o caderno de desenhos, colocando-o de volta na mochila de escoteirismo.
Escovou os dentes, vestiu o pijama, deu boa noite para os pais que estavam no quarto de casal e se preparando para apagar as luzes.
Deitou- se e adormeceu logo em seguida, se entregando completamente a seus sonhos.
Pedindo que um dia, fosse possível que eles fossem tudo realidade e não uma ilusão de sua cabeça.
Ao acordar no dia seguinte, Emily olhou para o sol que nascia no horizonte e teve a absoluta certeza de que um dia seus sonhos seriam reais e em breve seria muito feliz.
A menina caminhou alegremente para o ponto de ônibus, com as cestas nos braços e ao chegar lá, se reencontrou com o mesmo garoto gordinho e simpático.
_Bom dia!- disse Emily com um sorriso.
_Bom dia, menina dos biscoitos. — retribuiu o garoto enquanto o ônibus parou em frete ao ponto e os dois subiram quando as portas se abriram.
Ao se sentarem nos costumeiros lugares, os dois ficaram a olhar um para o outro e sorriram.
Mais um novo dia havia começado, com novas chances de acreditar, desejar e sonhar.
Repleto de fé e esperança para o futuro que estaria por vir.
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