A Pequena Mary
1 Prólogo
Notas iniciais
Não era a sua primeira vez, e muito menos seria a última. Ela realmente esperava que aquilo durasse dias, ou ate mesmo anos, contanto que sua dor sumisse, mesmo que por alguns minutos. Em muitos momentos eu queria ajudá-la, poder dizer que estava com ela e que todos aqueles problemas iriam acabar, mas como ajudar alguém que está tão quebrada quanto você mesma?
Lembro-me de que uma vez eu chegara a sua casa e a encontrara no banheiro, sentada no chão com suas costas apoiadas na parede. Ainda consigo sentir meu coração se apertar sempre que me lembro de tê-la visto naquele estado tão deplorável. Apesar de termos prometido uma para outra que nunca mais iríamos fazer algo tão absurdo quanto aquilo, naquele dia eu vi a promessa que ela fizera se quebrar.
Admito que no momento em que vi o próprio vômito sujar o chão no qual ela estava sentada, eu não consegui em momento algum me mover do lugar em que eu estava. Era difícil para mim, ver aquela adorável menina se destruir aos poucos, como se sua vida fosse um lixo, como se sua vida não tivesse sentido.
Após alguns segundos, que pareceram minutos, a pequena Mary ergueu sua cabeça para então poder olhar em meus olhos, arrependida por ter feito algo como aquilo. Permiti que ela chorasse em meu ombro, por longos minutos enquanto nos encolhíamos no chão do banheiro. O vômito era de uma cor verde musgo, manchando parcialmente meu moletom cinza. Culpei-me por ela estar naquele estado deplorável. Sentindo-me imprestável e passando a chorar junto com ela.
Naquela hora, prometemos mais uma vez que não iríamos nunca mais nos proporcionar aquele tipo de sofrimento. Prometemos uma à outra que não seriamos fracas, que iríamos aguentar até o final e que se por um acaso a vontade fosse maior que nossa promessa, estaríamos ali para impedir uma a outra de cometer suicídio.
Mas eu sabia que ela seria a primeira a cair.
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