A Paixão de Mori

9 Detalhes no Escuro


Notas iniciais
Levei uma quantidade de tempo pornográfica pra um capítulo tão curto. Tomara que tenha ficado rasoável. =/

Haruhi olhava para o escuro, tentando reconstituir os detalhes mais específicos do assoalho do teto. Chegou a medidas tão desesperadas para tentar dormir não só porque o retardado do Tamaki não a acordou quando ela caiu no sono durante a tarde, provavelmente por alguma razão pervertida qualquer, mas também porque não conseguia tirar da cabeça toda aquela confusão com o Mori e aquela garota estranha que viu pela janela. Hani passou muita tranqüilidade quando falou sobre o assunto (não depois, no clube, mas ela estava tentando esquecer essa parte), o que significava muito, mas... aquele maldito futon nunca pareceu tão desconfortável quanto agora, e olha que desde que se lembra Haruhi dorme nele. Não, espera...

- É. Faz sentido. ¬¬

Desistiu de vez de tentar dormir. Não dá com a cabeça tão agitada. Tantas perguntas sem resposta...

Mori-sempai sozinho com alguém “de fora” por todo aquele tempo...

Ele teria que se comunicar por conta própria, não?

ISSO sim era assustador.

-\\\\-

-“Êle”? Que nome esquisito! Significa alguma coisa?

Mori continuava brincando com o cachorro, que dava voltas e saltos e aproveitava a presença de seu aparente dono. Na verdade, o cachorro era que parecia brincar com Mori, já que ele permanecia quase impassível e só observava ou apenas fazia movimentos simples enquanto mantinha a mesma expressão no rosto. Ere parecia não se importar e continuava fazendo joguetes. Parecia até preferir escalar e girar em torno do garoto do que quando este fazia cócegas em sua barriga ou carícias em seu pelo. Se divertia muito, de uma forma ou de outra.

-Não sei. – O garoto respondeu um momento antes de Suiko perguntar novamente de forma menos educada. – Ele já tinha esse nome.

-Suspeitei que o cão não fosse seu. Você parece ser mais... cuidadoso com seus pertences. – A aparência do Akita realmente não era das melhores. Parecia ter ótima saúde, mas tinha diversas marcas e cicatrizes pelo corpo que deixavam algumas falhas na pelugem. A orelha pela metade, a falta da calda e o focinho levemente incompleto tornavam sua silhueta um tanto perturbadora sob aquela escassa iluminação. – Além do mais, não acho que um cão ataque seu dono da forma como ele te atacou.

-Tudo bem. Ele não fez de propósito. – Um olhar melancólico passou por aquela feição inexpressiva e então algumas peças se encaixaram. “Sim, ele era o proprietário da besta, embora não passasse muito tempo na cabana já que tinha de manter sua vida escolar. Não, ele não foi o responsável por aquelas deformidades, mas, pelos padrões do comportamento, conquistou a lealdade dele de alguma forma e os dois fatos provavelmente estavam relacionados. Só não havia ainda compreendido a razão do ataque. Mesmo que ela seja uma estranha, Akitas não costumam ser tão agressivos. Por que, então?”

Suiko estremeceu com um calafrio. Foi pelo frio dos ventos das montanhas ou pela idéia de que talvez estivesse se interessando por todo aquele circo de horrores?

-Podemos entrar agora? Está escuro e frio demais aqui e estou faminta. Se vai me prender aqui, pelo menos tente ser mais solícito.

Mori levantou-se e olhou por o que pareceu um momento longo demais para a garota. Ela não se sentia intimidada ou com medo, mas havia algo que não percebia naquele olhar e isso a incomodava bastante. Ainda mais porque tinha a certeza de já ter visto aquele olhar antes.

-Venha. – Seu rosto assumiu a mascara impassível habitual. Dirigiu-se então ao casebre em passos rápidos e firmes. Ele escondia bem, mas era evidente que não se sentia confortável. Antes de chegar até a porta, deu uma ordem que não poderia ser mais clara:

-Êle. Em guarda. – Foi respondido por um latido.

A porta não estava trancada. Um ranger longo e melancólico soou por entre as dobradiças enferrujadas. As luzes do interior, por mais suaves que fossem, ofuscaram as pupilas dilatadas de Suiko. A silhueta ao lado da porta fez o convite derradeiro:

-Entre.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.