A Paixão de Mori

3 Takashi-sempai entra em ação


Notas iniciais
Finalmente algumas revelações e, por que não, um pouco de PORRADA!

Não se podia dizer o que se passava pela cabeça de Mori após a despedida. De fato, nem ele poderia explicar o que estava pensando ao tomar uma decisão tão crítica. Aquilo era mesmo necessário? A questão era redundante. Mori sabia exatamente o que estava fazendo, sabia que era preciso não só para si mesmo, mas para o próprio Honey. Não podia cumprir com o seu dever se estivesse com outras preocupações e, por mais que quisesse deixar de lado e esquecer, sabia que não seria possível. Fugir nunca foi uma opção.

Assim, deixando os pensamentos fluírem, Mori se sentava em banco a beira de uma lagoa de um dos parques que circundavam o colégio Ouran, mas que não pertenciam as terras da famigerada escola para ricaços. Usava ainda o uniforme escolar, mas a lua já estava alta no céu estrelado. Não havia mais os sons dos pássaros que acalmaram Mori durante todas as tardes que passou esperando aquele horário, mas ainda havia as flores que coroavam todos os arredores da lagoa. Era a primeira vez que conseguia vê-las de tão perto já que precisava manter a distância para que não o vissem. Podia facilmente sentir o cheiro de primavera que a noite ajudava a espalhar. Gostaria de poder aproveitar mais a paisagem iluminada somente pela luz do luar naquele canto esquecido do parque sentado confortavelmente em seu banco, mas também daquilo seria privado. Já era a hora.

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-Takashi estava realmente muito abalado, mas nós não podemos nos intrometer. É assunto dele.

Haruhi, Tamaki, Kaoru e Hikaru tentaram durante toda a tarde fazer Honey dizer o motivo do afastamento de Takashi de maneira incansável... bom... não tão incansavelmente assim. Estavam todos agora na casa de Honey, depois, é claro, de algumas ligações para seus respectivos pais, menos Kyoya que afirmou ter “algo mais importante para fazer do que cuidar da vida alheia”, e já não sabiam mais que argumentos usar contra Honey. Na verdade todos se sentiam levemente intimidados. Nenhum deles tinha a menor chance em uma aproximação física, levando em conta a capacidade de luta destrutiva dos Haninozuka.

-Não tem jeito... – Disse Hikaru. Os gêmeos não estavam tão empenhados quanto os outros, mais ainda sim estavam curiosos.

-...Se Honey não quer falar, só estamos perdendo nosso tempo aqui. – Completou Kaoru.

-Sempai... – Haruhi suspirou. Também estava exausta de tanto insistir. – Todos nós queremos saber o que aconteceu com o Mori-sempai. Como pode ser tão cruel...

Tamaki se mostrou impressionado com a atitude fraternal de Haruhi. Ela que sempre se mostrava despreocupada e segura quanto às atitudes dos outros hosts, agora era a que mais insistia em saber sobre o paradeiro de talvez o mais confiável de todos eles.

-Haruhi... Não sabia que se preocupava tanto com o Mori.

-Não é isso... É que, como o próprio Honey-sempai disse, o Mori estava diferente, parecia que estava se debatendo por dentro. Eu sei que é nessas horas que mais precisamos de ajuda então eu não acho que ele deva ficar sozinho como parece querer ficar. – Disse Haruhi, mais como uma auto-reflexão do que para dar alguma satisfação a Tamaki. – Então, mesmo que... Ah, não...

Os olhos de Tamaki se enchiam de água ao ouvir tão melodiosa declaração de afeto vinda dos lábios de sua tão orgulhosa progênie. Tal era sua alegria que o sorriso estampado em sua face e o brilho em seus olhos praticamente escreviam em sua testa o que estava pensando. Haruhi sabia o que aquilo significava, sabia o que estava por vir e sabia que seria esse o momento em que a intervenção poderosa de Mori faria mais falta.

-Ah, Filha! Isso foi LINDO! Como pode ser capaz de dizer tão belas palavras? Gostaria de ter gravado... – Tamaki dizia essa e outras asneiras enquanto esmagava Haruhi em um abraço paternal e meloso.

Enquanto isso, uma empregada trouxe uma leva de bolos que Honey havia pedido alguns minutos atrás. – Agora é que ele não vai falar mesmo. – Afirmaram ambos os gêmeos.

-Me solta Tamaki. – Haruhi tentava se soltar de modo um tanto preguiçoso das garras daquele verdadeiro grude, mas a determinação de Tamaki era implacável. Além disso, Haruhi estava na verdade prestando mais atenção em Honey. Como ele lidaria com toda essa situação, sem seu eterno servo para sempre lhe facilitar a vida?

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Mori aguardava pacientemente em cima de um dos galhos de uma frondosa árvore próxima ao lago enquanto se perguntava por que hesitou tanto até aquele momento. Era ali que se encontravam, mas, segundo o que ouvira na noite anterior, hoje seria diferente. Pretendiam algo mais criminoso, mais ilícito do que os atos que já cometiam. Mas não havia mais tempo para pensar. Eles se aproximavam.

Uma garota da mesma idade que o vigilante, de longos cabelos negros presos em um rabo de cavalo seguro em sua base e em sua ponta, se aproximava daquela mesma árvore. Vestia um bonito vestido azul, com pequenas mangas que cobriam apenas seus ombros, dois bolsos cujas entradas eram visíveis na área das coxas e cuja saia se estendia até seus delicados joelhos. A cor do vestido combinava com as sapatilhas que usava. Mori, mesmo a escuridão da noite impedisse que visse qualquer os detalhes do rosto da jovem dama, sabia quem era pelo inconfundível cheiro de seu perfume que podia sentir de qualquer distância e, embora outras pessoas pudessem usar o mesmo perfume, o odor ainda era inconfundível. Não precisava também ver seu rosto. O conhecia em detalhes e sabia que, naquele horário, carregava sempre a mesma expressão.

Mori foi tirado subitamente de seus devaneios pela chegada das figuras que faltavam para completar a cena. Os dois marginais, que pareciam os subalternos de algum vilão saídos de uma revista de quadrinhos, se aproximaram da aparentemente solitária garota expelindo odiosas risadas repletas de deboche. Suas intenções eram claras, assim como sua segurança.

-Como vai, princesinha? Tá pronta pro seu remedinho? – Disse um dos figurões.

-Não me venha com brincadeiras, seu insolente. – Disse a garota. Sua voz, apesar de altiva, trazia certa fragilidade. – Vamos terminar logo com isso para podermos ir para casa. Trouxe a quantia de costume. – Nisso a jovem levou uma das mãos até um dos bolsos e retirou um maço de notas, mas teve o pulso rigidamente segurado pelo mesmo atrevido que lhe dirigira a palavra alguns momentos atrás, o que lhe fez proferir um breve gemido de dor e a forçou a largar todo o dinheiro que segurava, espalhando as cédulas pela grama. – O que está fazendo?

-Ora, princesinha. – O atacante aproximou seu rosto do rosto da jovem e usou sua mão livre para sugestivamente agarrar a barra da saia da indefesa dama, que se encolheu enojada. Mori cerrou os punhos ao perceber as intenções do asqueroso vagabundo. Seu autocontrole se desfazia como o gelo de fim de inverno, o calor de sua fúria sendo alimentada pela ignorância com a que o rapaz tocava a garota – Nós achamos que o pagamento de sempre não vai dar dessa vez, então pensamos em algo mais...

Não teve chance de terminar a frase, já que um poderoso chute, executado após um leve impulso que permitiu que comprido corpo de Mori desse voltas em torno de si mesmo em pleno ar e projetasse toda a extensão a sua perna numa giratória vulcânica e certeira, passou a apenas alguns centímetros do rosto da garota explodiu em sua face, lançando-o a diversos metros de distância e fazendo-o atingir outra árvore que, ao ser balançada pelo corpo do já desacordado baderneiro, espalhou uma capa de folhas pelo ambiente. Mori, ao se recuperar da queda de seu audacioso ataque, pôs-se de imediato a examinar com os olhos se a pobre donzela estava ferida de alguma forma. Ela apenas o admirava, impressionada e inserta se seu salvador era real ou não, mas carregava também a expressão de desgaste e ansiedade que Mori tanto vira e que o trazia certa tristeza. Quando a expressão dela mudou de assombro fantasioso para puro espanto, Mori percebeu quanto o erro que cometeu lhe sairia caro. A batalha não havia terminado.

-Cuidado! – Já era tarde para a garota avisá-lo. Os reflexos treinados de Mori ainda lhe permitiram alguma defesa, mas não impediram que a lâmina do canivete o atingisse.

Notas finais
That's it, folks. See ya. ^^/ Obrigadão pela ajuda, Peu. A pancadaria não teria a mesma qualidade sem suas dicas. (sim. A culpa também é sua.) ^^