A Orquestra do destino
2 Tia Kelly? Viagens!
Notas iniciais
Jack’ Pov
Eu estava cansado, muito cansado. O sol já estava no horizonte ameaçando se pôr a qualquer momento. Esse é uns dos problemas em viver em um país muito ao norte, como o Alaska. Durante o inverno, além de ser extremamente frio, o sol nasce muito tarde e volta para o horizonte muito cedo, deixando a pequena cidade onde eu morava completamente tomada pela escuridão.
Olhei para o meu relógio de pulso do Pateta (Personagem favorito da Emma da Disney) e vi que os ponteiros ainda marcavam exatamente 14:25 da tarde.
Não demorou muito tempo para que eu defina a minha rota de caminhada. Saí o mais rápido possível da White Street* e em questão de segundos me vi andando pela grande e deserta Alder Ave**.
O asfalto daquela rua não era perfeito, dezenas de cascalhos acinzentados estavam sobre o local, lutando por espaço contra a neve branca, que aos poucos, enquanto caía, dominava o local, deixando a grande avenida completamente branca.
Olhei para o céu nublado e encarei os pequenos flocos arredondados e delicados indo de encontro ao chão, vagarosamente, como se não tivessem pressa alguma de estagnar o seu voo tranquilo.
Sinto minhas bochechas queimarem, talvez seja devido a alguns flocos pousarem ali, ou talvez seja pelo fato de eu não estar usando uma proteção adequada para o pequeno dia de inverno de Fairbanks.
“Emma, pobre Emma, minha pequena irmã, como eu sinto a sua falta.”
Com esse pequeno pensamento mórbido, dei a meia-volta e fui em direção ao centro da cidade, mais especificamente em direção a minha casa. Minha mãe, com certeza deveria estar preocupada.
Hiccup’s Pov
Minhas mãos doem. Doem tanto que chegaram ao ponto de começarem a estar dormentes e levemente inchadas. “Talvez seja o frio” pensei na esperança de quando eu colocasse uma luva de lã, logo a dormência cederia, e eu voltaria a tocar o meu pequeno instrumento.
Meu nome é Hiccup, Hiccup Horrendous Haddock III, nome estranho? Talvez! É um pouco complicado explicar para algumas pessoas da minha escola sobre o mal gosto do meu pai para nomes. A justificativa dele para esse belo nome é que de acordo com ele, temos sangue viking correndo em nossas veias, e nossos nomes além de serem grandes, devem ser assustadores ao olhar dos outros, porém quando eu me apresento a primeira reação que vejo acontecer ao próximo é um ataque de risos completamente fulminante. Completamente o oposto de que meu pai pretendia.
Ser uma pessoa com um nome estranho não é fácil. Por isso que eu prefiro que as pessoas me chamem de Hic. Muito mais fácil e bonito de se pronunciar, e não proporciona um ataque de risos alheio.
Depois de mais alguns segundos desenterrando algumas calças compridas e cuecas, finalmente, no fundo da gaveta de meu guarda-roupa, encontrei um pequeno par de luvas marrons de lã.
Sempre considerei essa peça como umas das mais valiosas, e além disso, agradeço a Deus por minhas mãos não terem crescido muito de três anos pra cá, pois a luva ainda coube perfeitamente, sem ao menos forçar um pouco a sua entrada.
“Mãe”. Pensei projetando um sorriso bobo no meu rosto. Aquele pequeno par de luvas marrons e toscas eram de minha mãe, que a três anos atrás morreu de Hipotermia aqui mesmo, na Áustria.
Bem, pelo menos é meu pai que diz isso, pois não tenho muitas lembranças do dia da morte da minha mãe. Alguns médicos alegam que eu pedi a minha memória do dia terrível devido ao forte trauma que sofri, e que um dia a minha memória voltaria. Todavia, até agora, a única coisa que eu me lembro são alguns borrões indescritíveis, um rosto de um homem desconhecido, mãos grossas e dedos compridos cobrindo a minha boca e me forçando contra o chão duro, depois disso, nada. Somente um vazio escuro e negro.
Toc Toc Toc.
Ouço o barulho da minha porta bater. Com certeza era o meu pai, pois não morava mais ninguém naquela casa. E não tínhamos visita alguma ( Pelo menos eu não esperava por uma )
– Pode entrar! – Anunciei, voltando o meu olhar para as minhas mãos, já cobertas com as luvas
– Filho? – Indagou Stoico, colocando sua cabeça para dentro do cômodo – Tenho uma má notícia para você
Senti um leve calafrio na espinha, que desceu até a base da minha coluna. Engoli o seco e voltei os meus olhos para o rosto redondo e vermelho do meu pai.
– Bem..err, sua Tia Kelly morreu hoje, agora à pouco. Ela teve um enfarto fulminante. – Falou, já entrando completamente no local, enquanto fechava a porta atrás dele.
Não sei interpretar o que minha mente sentiu logo após as palavras do meus pai. Não sabia se era alegria, pena, tristeza ou indiferença. Tia Kelly ( Que na verdade era minha tia-avó, ou seja, Tia da minha mãe) Tinha aproximadamente 87 anos, era tão velha que mal conseguia enxergar mais, e tinha sérios problemas de diabete e pressão alta, não era de se espantar que havia enfartado.
Tia Kelly e eu nunca fomos muito próximos. Ela era sempre muito rude comigo, ela costumava me chamar de frango ressecado ou de Banana nanica, que não chegava a ser muito gentil. Além disso, a velha gostava muito de me dar ordens como “Vá lavar a louça” ou “Vá varrer este chão”, mesmo eu não sujando nada, aquela mulher arrumava um jeito de eu limpar alguma coisa naquela casa. Ela de fato não gostava muito de mim, culpava o meu pai por ter criado um filho tão pequeno e de aparência frágil, ela dizia que os homens devem ser altos e musculosos desde crianças, a fim de atrair a atenção das belas garotas.
– Nossa, mas que pena – Falei, simulando um falso remorso – E era só isso? – Perguntei, passando a mão no mais cabelo levemente ruivo.
– Não, não é só isso, é que...bem, precisamos ir ao enterro dela
“O QUE?” Não, não não não, não vai dar, COM CERTEZA NÃO VAI DAR.
– M-mas pai – Comecei, tentando manter a calma, junto com a minha paciência — A Tia Kelly e a família dela mora lá em Oslo, e...e são mais de 1.500 quilômetros de distância...
– 1.783, para ser mais exato – Interrompeu Stoico.
– Tanto faz! Mas pai, não podemos ir, falta menos de uma semana para a orquestra e...
– Filho – Interrompeu novamente o mais velho, enquanto colocava sua mão esquerda em meu ombro – Nós só ficaremos por lá por alguns dias, tempo o suficiente de ir, ficar para o velório, voltar e ver você tocar o seu violão...
– Violino – Corrigi
– ...Seu violino na sua grande apresentação! – Completou Stoico, O imenso, retirando a suas grandes mãos peludas do meu ombro e as levando para sua grande barba, as quais agora já estavam bem penteadas, dando-lhe uma aparência de um homem menos...digamos...BÁRBARO.
– Mas pai, e o meu treinamento? – Indaguei, apontando para o instrumento sobre a minha cama – Os outros simplesmente não ficarão parados só por que minha Tia morreu, eles vão continuar treinando, ou até mesmo podem me superar.
– Não se preocupe filho, eu o deixo levar o seu violoncelo contigo, mas agora, vá arrumar as suas malas, pois o inverno Norueguês é conhecido por ser uns dos mais frios do mundo.
Jack’s Pov
Bati três vezes na pequena porta de madeira e entrei lentamente na minha casa, como eu sempre fazia, a fim de anunciar a minha chegada.
Olhei em volta do cômodo apresentado e vi aquilo que sempre via todos os dias. Uma pequena sala estilo classe média com um sofá negro no centro, posicionado de forma que ao sentarmos, possamos ver com perfeição a TV de LED e 40 polegadas, que está imediatamente a sua frente fixa na parede.
Ouço passos vindo do corredor, e não tardou muito para eu estar encarranco a face de minha mãe.
– Jack Frost! Como eu estava preocupada – Disse ela, abrindo os braços e vindo em minha direção, pretendendo me dar um abraço. E eu, obviamente cedi a esse carinho materno.
– Oi mãe – Falei, sem muita emoção e a apertando um pouco ao abraçar. Pude sentir o seu cheiro de rosas do campo, que de fato era um cheiro tão bom e ao mesmo tempo tão nostálgico.
– Onde você estava? – Indagou, passando a sua mão em meus cabelos brancos como a neve.
– Você sabe...andando por aí! – Respondi, um pouco sem jeito. Não gostava muito de deixar minha mãe preocupada.
Segundos seguinte ela se desfez do abraço e voltou a encarar o meu rosto, com indiferença. Talvez analisando as minhas expressões, tentando de alguma forma arrancar de mim a verdade.
Minha mãe me lembrava muito Emma, porém sua única diferença, além do rosto mais maduro, era que ela era dona de dois e belos olhos azuis claros ( como os meus ) e em seu cabelo já crescia algumas mechas grisalhas, dando-lhe um aspecto de mais velha, mas eu não considero minha mãe uma mulher velha, e sim uma mulher que já viveu bastante.
– Bem, eu tenho uma notícia para você – Disse a mulher da casa, tirando os olhos do meu rosto e virando o rosto para uma pequena fotografia sobre um criado mudo da sala – Nós vamos viajar, amanhã, para Copenhague, na Dinamarca. Acho melhor já começar a arrumar as suas malas.
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