A Origem do Trono - A Seleção

8 Mercenários, sua primeira missão.


Notas iniciais
HEY! Demorei uns dias pra postar, I know, mas aqui estou novamente e vou postar mais treta! HAHAHA,nunca canso. Obrigadaaaaaaaaaa à Angie, maravilhosa, que me promoveu na sua fic, Rainha dos Corações!

Tevon ouviu Natalie chamá-lo para unir-se aos líderes da seleção militar várias vezes, mas ele não fez nada. Em vez de sair pela porta do quarto animado e ansioso, ele sentou-se na cadeira do quarto e derramou a garrafa de whisky no copo de vidro. Era noite, por volta das oito ou nove, e o dia havia sido duro. Competições e inspeções — Tevon estava extremamente cansado. Contudo não era o cansaço o motivo de sua inércia naquele momento. Desde que virou o líder de algo tão grande, ele tinha uma energia praticamente infindável. Cansar-se nunca havia significado desistir para ele. Mas naquele momento, significava muito mais que desistir. Significava sentir dor. Medo. Mágoa. Um turbilhão de sentimentos que estava quebrando seu coração em milhares de pedacinhos.

Ele abriu a gaveta da cômoda ao lado da cama e tirou o quadro que havia escondido lá por anos: a foto de sua família. Kaius, Lorena e seu irmão, Clarkson. Se é que eram irmãos.

Ao olhar para a foto, Tevon trouxe à mente automaticamente as imagens de sua infância no castelo, brincando com o pai e a mãe. Sempre havia passado mais tempo com Kaius, pois Lorena estava sempre com Clarkson. Apesar disso, Tevon sentia-se feliz, como se as preferências inevitáveis fossem apenas parte de ser humano.

Quando se é criança, os problemas são maquiados de coisas da vida. Você nunca olha para eles e entende completamente o que significam. Pensa que o mundo possui manchinhas e que elas são normais. Olha para os adultos brigarem e sim, sente seu coração partir, mas também sente que é só uma briga. Acha que nunca mais vão voltar a se falar, mas espera que possam perdoar um ao outro. Então você cresce e a maquiagem dos problemas é retirada abruptamente pelos olhos da maturidade. Você passa a olhar para eles e enxerga não apenas dor e sofrimento, mas falta de fé, falta de esperança. Parece que o mundo é um grande globo manchado com algumas luzes dispersas, querendo fazer o bem, querendo fazer a diferença. Olha para os adultos brigarem e pensa "Bem, a culpa é deles, que se escolheram". Não espera que se perdoem, só que voltem a falar direito um com o outro e terminem de criar o que fizeram.

Pelo menos era assim para Tevon.

Ele havia deixado de ter esperança há um bom tempo. Agora a única coisa com que ocupava sua mente era liderar os mercenários.

Mas sua alma continuava vazia. Seu coração continuava partido. Os pais haviam morrido por envenenamento à quilômetros de distância de seu filho verdadeiro e ele mal pudera abraçá-los uma última vez.

Tevon girou o copo e bebeu todo o whisky de uma vez só. O gosto amargo invadiu sua boca, acordando o paladar de forma incômoda. Ele sempre odiara beber, mas ainda assim bebia. Bebia porque precisava esquecer a dor. Precisava crescer, amadurecer e tornar-se um homem forte. Precisava jogar as malditas emoções fora, pois elas só atrapalhavam.

Ali estava ele, o legítimo filho da coroa, se embebedando de whisky velho para fazer as coisas do jeito correto. Ele sabia exatamente que era o meio errado para um fim certo.

Tevon olhou mais uma vez para a foto dos pais e apertou-a contra o peito, deixando que as lágrimas caíssem do jeito que quisessem, sem que ele tentasse pará-las. Chorar era bom, era confortável. Era um bom modo de não ficar pensando em como escapar da dor, pois você simplesmente se entrega à ela. Lorena e Kaius... Seus pais agora se misturavam ao pó da terra. Não os veria nunca mais.

A dor atenuava-se quando ele pensava na estupidez de sua fuga. Nunca havia parado para se arrepender de ter fugido de casa antes porque os pais estavam lá, no castelo, à mercê da esperança de que o filho voltasse. Tevon via-os na televisão, sabia que estavam bem e se contentava com isso. A sensação era de que tinha muita sede, mas podia sobreviver com algumas gotas de água. Contudo, com a morte dos pais, ele sentia que iria secar como uma fina poça de água no meio do deserto. Nem gotas teria mais. Morreria aos poucos, sempre se sentindo vazio, incompleto.

Eu amo vocês, Tevon sussurrou, limpando as lágrimas com a palma das mãos. Ele se levantou e espiou pela cortina a rua que dava para a frente de seu quarto. Porque o dia fez muito calor, ele não esperava por aquilo. Mas quando abriu uma fresta entre as cortinas, viu flocos de neve caindo do céu e pairando delicadamente sob o chão. Uma fina camada de neve formava trilhos congelados ao longo da rua.

E pela primeira vez em sua vida, Tevon se arrependeu. É claro, ele já havia se arrependido de outras coisas antes, mas dessa vez era completamente diferente. Ele realmente estava arrependido, e a prova disso foi quando se viu pensando sobre como seria voltar no tempo e não ter fugido na noite da coroação de Clarkson.

Do lado de fora de seu quarto, encostada silenciosamente à porta, Natalie Parker podia ouvi-lo chorando baixinho.

***

Um soldado passava pelo corredor dos dormitórios quando viu Natalie à porta de Tevon. Ele tinha uma carta nas mãos, o que a morena estranhou.

– Senhorita Natalie?

– Eu mesma — ela respondeu. O soldado fez uma breve reverência militar.

– Tenho uma coisa pra você — ele lhe entregou a carta.

– Do que se trata? — Natalie passou os dedos por baixo da aba da carta para abri-la.

O soldado balançou a cabeça.

– Honestamente, não sei. Enquanto eu andava pelas casas da cidade entregando as cartas, uma ruiva me barrou e me deu esse envelope. Ela disse que eu deveria dar-lhe a você.

Natalie franziu o cenho.

– A mim?... Ela sabia meu nome?

– Hum, sim — ele pareceu envergonhado.

– Tudo bem, obrigada. Está dispensado — ela ordenou e ele foi embora a passos rápidos.

Natalie conseguiu abrir a carta, mas não quis lê-la ali. Resolveu ir para seu quarto e ler quando estivesse fora de vista.

***

Cara senhorita Natalie Parker,

Guerra. Era tudo que havia. Os Estados Unidos da América haviam entrado numa crise econômica tão grave que nem mesmo suas táticas capitalistas puderam ajudá-lo. O Fundo Monetário Internacional entrou em estado de falência. Empréstimos foram cancelados e negados enquanto os países que dependiam do grande gigante americano também entravam em dívida com a nação. Tudo por causa de uma coisa: guerra.

A Primeira Guerra, a Segunda e agora a Terceira. Obviamente não tratou-se de uma guerra comum — soldados, armas e territórios devastados — dessa vez, foi uma guerra diferente. Reacordados os problemas da Guerra Fria, a América Latina transformou-se no maior império comunista jamais visto. Com isso, a Rússia teve sua deixa, erguendo-se sem medo ou burocracias. Os Estados Unidos rapidamente declararam guerra à todos os países que se aliassem, o que, para seu infortúnio, ocorreu em massa. O Brasil, liderado pelo eterno Partido dos Trabalhadores, uniu a América do Sul em um continente só: União Comunista da América do Sul, ou UCAS. A Rússia reuniu boa parte dos antigos países pertencentes à União Soviética, e de repente, bum, o Comunismo entrou para o lado vencedor. A partir daí, a economia estadunidense entrou em colapso, restando apenas uma saída: unificar a América do Norte num país só na tentativa de reerguer o gigante que caíra.

No entanto, nem todos os líderes do continente norte-americano concordavam com isso. O presidente do México lutou com todas as forças para que isso não acontecesse. Acreditava que, com a unificação dos três países, os Estados Unidos se apossariam de tudo o que o México se esforçou para conquistar: não apenas terras, mas dinheiro e dignidade. O Canadá, obviamente, "primo do sonho americano", aceitou a proposta. Juntos, derrotaram o México e forçaram o povo à unificação.

Agora eu entendo porque os mexicanos são tão odiados em Illéa — Natalie concluiu, completamente surpresa. Ela já ouvira falar de como a monarquia ressurgiu depois de um período completamente moderno e independente, mas nunca havia imaginado que a verdadeira história era tudo isso. — Incrível como a gente está sempre sendo enganado pelo governo — ela sorriu, sarcástica, enquanto terminava de ler a carta.

***

Depois de um longo dia de testes para a seleção militar, alguns iniciandos se reuniram no bosque que ficava ao lado dos dormitórios. Eram quatro ao total, e haviam se conhecido durante a repescagem. A neve havia dado trégua naquela noite, mas o frio, não. Ali, longe do centro da cidade, a vista era incrível. O céu estava completamente estrelado, como se fogos de artifício tivessem se partido em milhares de moléculas e grudado na vasta escuridão azul.

– Nem acredito que fui para a repescagem — resmungou Alan, entristecido. Ele sentou-se num banco de árvore e baixou a cabeça, tentando esquentar as mãos entre as pernas.

Cher sentou-se ao seu lado e fez a mesma coisa, mas não disse nada. Kiva e Hector vieram logo atrás. A diferença entre os dois era gritante: Kiva, forte e alta, e Hector, magro e desengonçado. Os dois se sentaram no banco de árvore.

– O que acha que acontece com a gente se não passarmos? — Hector perguntou a Alan.

Quando Alan abriu a boca para responder, foi interrompido por Cher. Ela gemia de frio.

– De-desculpe — ela sussurrou. Alan franziu as sobrancelhas.

– Melhor fazer uma fogueira — ele disse. Kiva se ofereceu para ajudar. Depois de alguns minutos, os dois voltaram e fizeram um pequeno monte de gravetos e pedaços de madeira.

Como Alan demonstrou ser um fracasso em sobrevivência nos testes, Kiva rapidamente arrumou um jeito de fazer fogo. Ela causou atrito entre duas pedras medianas e deixou a pequena chama crescer entre a madeira ajuntada.

Os quatro chegaram o banco de árvore mais perto da fogueira para se esquentar. Depois disso, a noite pareceu voar.

– Eu realmente queria isso — Alan falou. Kiva riu.

– Você vai ficar aí reclamando até o sol raiar? — ela fez graça. Cher riu baixinho.

– É só que eu treinei desde criança, esperava ser competente o bastante — ele curvou os ombros como quem se rende.

– Quer saber? — Kiva esfregou as mãos perto do fogo. — Estou morrendo de frio. Vou buscar marshmallows e umas cobertas.

Hector não queria ficar ali e ouvir as reclamações de Alan sobre ter ido para a repescagem.

– Eu vou com você! — ele se ofereceu, deixando Cher e o Sr.Eu Não Merecia A Repescagem sozinhos.

Cher não hesitou em aninhar-se no braço de Alan para se esquentar. Seus cabelos loiros, quase brancos, caíam sobre seus músculos de forma engraçada. Ele reprimiu o riso ao ver que ela suspirou ao se esquentar o suficiente.

– E você? — ele perguntou. — O que quer por aqui?

Cher suspirou e sorriu.

– Eu não sei, na verdade. Minha mãe me empurrou para cá porque eu e meu namorado havíamos brigado feio. Ela queria que eu superasse.

Alan ergueu as sobrancelhas.

– Isso é realmente intrigante. Veio para uma seleção militar para... superar um término de namoro? — ele perguntou, seu tom de voz indicando a clara incredulidade no fato. Por Deus, algo mais ridículo que isso?

– Briga — Cher pigarreou. — Foi só... uma briga.

– Tudo bem — Alan se desculpou, encerrando o assunto. Ficou claro que ela ainda gostava dele, o bastante para eliminar novas amizades que tentassem falar sobre o caso.

***

– Ora, ora — Natalie colocou a carta do outro lado de sua cama e sentou-se. — Então estamos lidando com alguém... Poderoso. Acho que Tevon vai gostar disso.

Natalie saiu às pressas até o quarto de Tevon. Um, dois, três. Bateu. Não esperava que ele já houvesse superado a morte dos pais, mas que pelo menos pudesse deixar as lágrimas para outra hora.

Tevon abriu a porta e a fumaça quente saiu de dentro do lugar. Ele estava com uma toalha que o cobria da cintura para baixo.

– Você estava tomando banho? — Natalie perguntou, paralisada pela visão. E que visão.

– Não — Tevon respondeu, irônico, então deixou que ela entrasse. — Espero que tenha vindo me importunar por um bom motivo. Eu não estou exatamente a fim de conversar.

– Eu sei — ela falou. — Eu... Sinto muito. De verdade. — Eu estou mentindo ou falando a verdade? ela se perguntou. Ainda era muito estranho lidar com a morte dos pais de Tevon. — Tudo bem, tenho algo para você. — Ela lhe entregou a carta. Tevon leu-a rapidamente.

– Estamos lidando com pessoas poderosas — ele concluiu. Natalie respirou fundo. — Mas não sei se posso confiar, Nat.

Natalie se aproximou de Tevon e colocou as mãos em seus ombros, olhando-o nos olhos.

– Tevon, — ela começou — essa é a chance que queríamos. A nossa chance de fazer dessas pessoas algo realmente sério. Os Mercenários... são mais do que imaginamos. Você pode achar que tudo surgiu do seu desejo de vingança, mas não. Eles já estavam aqui antes. Eles só queriam um líder, alguém forte o bastante para ajudá-los a ter o que merecem.

Tevon estreitou os olhos.

– Natalie, não sei, não. Essas pessoas são antigas, poderosas e muito ricas. Se alguma coisa der errado, eles podem nos exterminar antes mesmo de tentarmos ser um povo.

– Não, Tevon, eles não podem nos exterminar. Sei disso porque eles estão pedindo a nossa ajuda.

– Querem o governo de volta. México — Tevon riu com sarcasmo. — Eu já devia saber.

– Você topa ou não? — Natalie deu o ultimato.

Tevon passou as mãos pelos cabelos, como sempre fazia quando estava nervoso.

– Quanto eles oferecem? — ele perguntou. Natalie riu.

– Agora que sabem quem somos e que podemos ajudá-los... Podemos pedir o quanto quisermos.

Tevon abriu um sorriso de canto.

– Acho que temos uma missão a cumprir, então.

Notas finais
E então? Já estão ligando os fatos??? Hehehe Alice