A Origem do Trono - A Seleção
2 Sangue Azul
Notas iniciais
No capítulo anterior...
– Já decidiu como vamos chamá-lo? – ela perguntou.
Kaius abriu um largo sorriso.
– Clarkson. Ele se chamará Clarkson.
***
Quando Clarkson completou seis anos de idade, começou a ser treinado para, um dia, assumir seu lugar de príncipe. Nesses seis anos, muita coisa aconteceu: Illéa se recuperou da crise, conseguiu outro tratado de paz com a China e alianças com outras potências, como França e Noruega. Novas cidades foram construídas, projetos tecnológicos e científicos altamente avançados foram desenvolvidos. No entanto, a coisa mais importante que aconteceu foi essa: a gravidez de Lorena.
***
Era sexta feira, o fim de uma semana cheia de afazeres e reuniões com os diplomatas de Illéa. Kaius não podia estar mais cansado. Às onze e meia da noite, ele ainda tinha duas pilhas de papéis para assinar, isso depois de estar trabalhando neles desde as seis da manhã.
O rei descartava rascunhos de discursos quando ouviu alguém bater à porta.
– Sim? — ele perguntou, sua voz rouca de sono.
– Com licença, Vossa Majestade — o guarda abriu a porta do escritório. — Uma criada passou aqui e perguntou se você não quer nada antes que ela vá dormir. Ela diz que você deve querer um café, algo assim.
Kaius espreguiçou-se e abriu um leve sorriso.
– Certo, eu quero. Um café, bem forte.
O guarda fechou a porta e repetiu o pedido para a criada. Kaius voltou ao que estava fazendo.
– Hum... O que eu vou discursar sobre a filha da rainha italiana? — ele se perguntou, aflito. No dia anterior, recebera um convite atrasado para a festa de dezesseis anos de Antonella, a princesa da coroa da Itália. É claro que ele aceitaria o convite, pois estava buscando diligentemente por formas de aumentar sua popularidade com os outros governos, e essa seria uma ótima oportunidade. No entanto, estava tendo problemas com as palavras que diria em seu aniversário. A última vez em que vira a garota, ela tinha seis de anos de idade, e não era bem uma.. princesa. A primeira coisa que disse ao ver Kaius foi: "O seu nariz é muito feio. Parece uma cenoura torta". Em seguida, deu-lhe um chute na canela ao ouvi-lo dizer que não tinha um nariz feio parecido com uma cenoura torta.
Kaius bufou, frustrado, quando alguém bateu à porta novamente.
– Sim? — ele perguntou, sem paciência.
A porta abriu-se lentamente, mas não era ninguém que ele esperava numa hora daquelas. Já havia passado de meia noite, e ela deveria estar dormindo. Lorena, a rainha, entrou com uma bandeja nas mãos.
– Trouxe o meu café? Por que? — ele perguntou, se levantando. Lorena sorriu, amigável. Ela estava de roupão, e ele esperou que ninguém tivesse visto-a daquele jeito.
– Não consigo dormir — Lorena respondeu, entregando-lhe a xícara e sentando na beirada da mesa onde ele trabalhava. Kaius beijou-a na testa, então bebericou o café.
– Por que? Preocupada?
Lorena riu.
– Não — disse. Ela se levantou e pôs as mãos nos ombros de Kaius, olhando em seus olhos. — Sinto sua falta. Você tem trabalhado tanto ultimamente. Gostaria de ajudá-lo mais.
– Ah, querida — ele largou a xícara e abraçou sua cintura. — Você me ajuda o bastante.
Lorena desvencilhou-se de seus braços e foi até a estante, onde havia um aparelho clássico de música. Radiola. O disco começou a tocar, e o som era maravilhoso. Ela voltou para Kaius.
– É jazz — ele sorriu. — Você sempre gostou de jazz.
– Dança comigo? — Lorena pediu. Ele assentiu, colocando as mãos em sua cintura. Ela deitou a cabeça em seu peito.
– No que você está pensando? — Kaius perguntou, virando-a de acordo com a música.
– Em... Nós — ela sussurrou. — Queria que fizéssemos uma coisa.
– Que coisa? — ele riu em seu ouvido.
– Uma tentativa. A última. Talvez... Dê certo — Lorena pediu.
Kaius tirou uma das mãos de sua cintura e levou-a até sua nuca, acariciando-a. Ele roçou os lábios por seu pescoço, sentindo o perfume doce que ela usava. A música acelerou, o piano tocando mais rápido. Ele passou os dedos por sua barriga, subindo-os até a clavícula, passando por seus seios. Lorena suspirou.
Ele a levou até a mesa, sentando-a.
O disco fazia um barulho fino por causa do atrito com a radiola antiga. Mesmo assim, a música era perfeitamente audível. Outra melodia começou a tocar, dessa vez, mais lenta, como uma valsa. Sem vozes, apenas os instrumentos. Piano e contrabaixo.
Kaius tocou o nó de seu roupão, desatando-o. Ao abrir, ela estava nua. Lorena jogou a cabeça para trás, deixando que a beijasse.
– Senti falta disso — ela sussurrou quando ele depositou beijos em sua clavícula. Lorena puxou sua gravata e tirou-a, desabotoando sua camisa social e suas calças, escuras de slim.
Ela puxou seus braços, encaixando seu corpo no seu. Ele a beijou, dessa vez, com voracidade, desejo. Lorena gemeu quando suas mãos apertarem suas coxas. Kaius levantou-a e sentou-a em sua cintura, empurrando-a na parede. Ele apertou seus quadris, aumentando o ritmo.
– Somos loucos — Lorena disse baixo, soltando uma risada em seu ouvido.
– Espero que não haja nenhum guarda por perto — Kaius falou, apertando-a. Ela suspirou.
Quatro semanas depois, a rainha descobriu que estava grávida.
***
Após sete anos tentando, ela finalmente conseguiu.A família real nunca se sentiu tão feliz, tanto Kaius quanto Lorena esperavam, ansiosos, pela vinda do irmão de Clarkson.
Clarkson, porém, era o único que não gostou da notícia.
– Meu filho, é claro que ainda vamos amar você – Lorena argumentava, mas ele não queria ouvir.
– Se vocês me amassem, não sentiriam necessidade de ter outro filho – Clarkson falava, amargo.
***
O garoto nasceu. Ele era incrivelmente parecido com sua mãe, Lorena. Tinha cabelos negros e pele branca, mas não sardas. Puxara os olhos azuis da mãe de Kaius – azuis intensos. Ele era lindo, tão lindo, que deixava Clarkson enciumado. Felizmente, a coincidência da semelhança entre a aparência de Clarkson e a de Kaius não levantava no garoto muitas suspeitas.
O nome do filho de Lorena e Kaius era Tevon. Mas essa história não terminaria tão simples quanto parece.
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