A Origem do Trono - A Seleção
11 Dez Milhões Em Libras
Notas iniciais
Alan treinava boxe na Arena há algumas horas quando foi interrompido por um homem que nunca havia visto na vida antes. Ele era alto e assustadoramente musculoso, como se estivesse sempre pronto pra matar e bater. Pela roupa preta e símbolo dos mercenários nas laterais da camisa, supôs que fosse alguém da parte superior da hierarquia.
– Alan Stoff?
– Sou eu. — Alan retirou as luvas de boxe e prestou atenção no que o homem dizia.
– Tenho ordens para você. Natalie Parker exige sua presença no quartel-general da Base dos Mercenários, na sala de reuniões.
Alan ficou pálido. "Droga, ela vai arrancar meus olhos e vendê-los".
– Quando?
O homem suspirou com uma fraca risada de deboche e impaciência.
– Agora!
***
Quando Alan entrou na sala de reuniões, Cher, Kiva e Hector já estavam esperando. Em menos de um minuto, Natalie adentrou as portas. Ela vestia calça de couro preta e regata de mesma cor e tinha os cabelos escuros amarrados. Parecia preocupada, à mil, mas também elétrica.
– Não vou elogiá-los por terem chegado na hora — ela comentou enquanto tirava alguns papéis da gaveta. — Podem esquecer. Fui eu quem cheguei atrasada.
– Então podemos te dar um bronca?! — Alan pareceu entusiasmado.
Natalie colocou os papéis em ordem e, em seguida, entregou um para cada um.
– Vou ignorar seu comentário para não ter de enterrar tantos músculos. Eles podem me ser útil — Natalie disse para Alan quando se aproximou dele.
– Será que dá pra calar essa boca? — Hector sussurrou, estressado. Alan curvou os ombros, desculpando-se. As vezes, ele era simplesmente tão idiota.
– O que são esses desenhos e... Essas setas? — Cher perguntou, virando a cabeça para acompanhar o papel. — É um jogo?
Natalie suspirou, frustrada.
– Honestamente. Não sei o que Tevon viu em vocês. Mas, como sigo ordens... Eu vou explicar apenas uma vez. Esses papéis contém o plano de ação de vocês. É para sua primeira missão. Vocês e outros dois grupos vão participar dessa missão. São o grupo um, e serão responsáveis por abrir caminho para que os outros dois possam concretizar suas partes.
– Do que se trata essa missão? — Kiva perguntou.
– Clarkson planeja dar as terras do Sul ao imperador chinês por uma renegociação de paz. Querem total liberdade política, e em troca darão as nossas terras para serem colônia da China. Como eu disse, nossas terras. Tevon diz que Clarkson não sabe de nossa existência, mas eu discordo.
– Acha que ele está jogando sujo? O... O rei? — Hector sugeriu. — Mas por que ele faria isso?
Natalie deu uma risada curta e áspera. "Não sabem sobre o sangue azul entre nós." Na verdade, pouca gente sabia. A "pouca gente" inclui-se Natalie e dois chefes dos mercenários que já estavam fora de Illea, numa reunião com os líderes do inexistente México (pelo menos em território).
– Isso não vem ao caso — a morena respondeu. — A missão que temos é extremamente perigosa e importante...
Alan irritou-se.
– Se é tão importante assim, por que colocou a gente nisso? Sabe que não estamos prontos!
Natalie mostrou os dentes.
– Vão ter tempo — ela disse, pausadamente. — Serão treinados. Acredite, estarão prontos.
Cher deu um sorriso amarelo.
– Nós vamos ter que impedir o rei, não é?
– Sim. Mas não apenas isso. Os líderes do antigo e aparente inexistente México querem o governo de seu território de volta. É pra isso que precisamos de grupos, pessoas compactadas na mesma meta para que não acabem se espalhando ou perdendo a cabeça.
Cher arquejou.
– Querem o México de volta? Vão acabar com a União Norte-Americana? Mas... Isso vai resultar numa guerra muito pior do que imaginam — ela disse com franqueza.
Natalie arqueou as sobrancelhas.
– Você... Até que é bem esperta pra uma Barbie Girl.
Cher trincou os dentes. Vinha se esforçando, mas estava difícil suportar os insultos daquela morena. Quem ela achava que era? A rainha dos renegados? Bem, ela era isso, sim. Mas nada do qual devesse se gabar demais a ponto de falar o que desse na telha.
– De qualquer forma, os chefes dos Mercenários já discutiram isso. Essa é uma guerra apenas nossa, não envolve toda a Illea. É entre o antigo governo mexicano e o atual illeano. Seremos apenas o mediador. Pra isso, usaremos a força e estratégia. — Natalie olhou para o relógio no pulso. — Droga, estou muito atrasada, preciso correr para outro lugar agora. — Ela se aproximou dos quatro e andou por cada um. — Mercenários, sigam o plano de ação e vão estar corretos. Terão um mês de treinamento árduo e intensivo até que chegue o momento do primeiro passo da missão. Vocês vão ser sempre os primeiros. Não se gabem por isso. É bem possível que também sejam os primeiros a morrer.
– O que fazemos agora? — Hector perguntou. — Quer dizer, quem é o nosso líder?
Natalie abriu os lábios, tinha a resposta na ponta da língua: Kiva, claro. Mas então lembrou-se de algo que Tevon lhe dissera há muito tempo: o verdadeiro líder não precisa ser nomeado assim. Ele já conquistou seu território bem antes de alguém colocá-lo por líder.
– Acho que... Isso vai surgir naturalmente entre vocês — ela respondeu.
Depois de dar as instruções necessárias, Natalie saiu correndo pelas escadarias, e logo os quatro viram-se sozinhos numa sala esquisita.
– Hum... O que vamos fazer agora? — Hector perguntou.
– Podemos estudar as instruções do plano de ação primeiro. Pra entender nossas obrigações — Cher sugeriu.
– Claro, assim quando fomos treinar, já teremos tudo em mente — Kiva completou.
Alguns segundos de silêncio seguiram-sd depois das duas falarem.
– O treinamento começa em três dias. Temos três dias para saber exatamente o que fazer. — Alan falou. — Vamos para a Biblioteca, é o melhor lugar que tem aqui para estudar algo. Topam?
Cher, Hector e Kiva assentiram.
Depois de uma hora observando o plano, Hector começou a entender o que Natalie dissera a respeito da liderança.
***
Enquanto isso, no prédio do que foi a antiga morada do presidente mexicano, em destroços e cinzas, chefes dos Mercenários discutiam com os descendentes dos antigos líderes políticos do país como iriam tomar o governo de volta...
– Senhor, mas você não está compreendendo o que digo — um dos chefes argumentou. — Illea é um país forte, aliado da China, precisaremos de tempo para essa missão. Caso contrário, seremos massacrados pela guarda real.
O mexicano irritou-se.
– Mais tempo?! Não temos MAIS TEMPO! O México já esperou tempo demais. Nosso povo já tem sido massacrado!
– Mas, senhor...
A porta da sala se abriu de supetão, revelando um homem alto e fardado. Ele tinha armas dos dois lados da cintura.
– Basta — ele ordenou. Todos se calaram.
– Quién es él?
– No sé. Esperé por Natalie Parker, no por él...
– Mas o que está acontecendo aqui?
À luz da lâmpada incandescente, foi possível ver quem era.
– Tevon, o Líder dos Mercenários — ele estendeu a mão.
– Oh, sim. Sou o neto do presidente — o mexicano apresentou-se.
– Senhor, estávamos discutindo a respeito do tempo para concluir a missão... Eu pedi dez anos, mas ele...
Tevon passou a mão no ar, interrompendo-o.
– Dez anos? — franziu o cenho. — É tempo demais.
– Senhor, não é um simples golpe de estado. É o renascer de um país! — o chefe falou.
– Quanto tempo lhes é máximo? — Tevon perguntou.
– Hum..Oito anos. É o máximo que podemos esperar.
Tevon riu com desdém.
– Oito?Só precisarei de seis.
Os mexicanos se entreolharam.
– Quanto quer por isso? — perguntaram.
– Dez milhões.
– Em dólares?
Tevon arqueou as sobrancelhas.
– Em libras.
O neto do que foi o presidente do antigo México arregalou os olhos.
– Mas uma libra vale cinco dólares.
– Terão o México de volta.
O mexicano respirou fundo, repensando toda a ideia.
Então estendeu a mão.
– Dez milhões em libras.
Continua
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