A Orig. da Energia - As Crian. do Caos (obsoleta)
2 Problemas incomuns
Notas iniciais
Mais tarde naquele mesmo dia, Vergil estava em casa descansado das aulas até que escutou uma ligação em seu celular. Indo atender, viu que era Cole:
– E aí?
– E aí. Agora pode ir soltando o ouro: onde você conheceu aquela menina?
– Cole, caramba, eu já disse que não sei! Uma mulher chamativa daquele jeito teria sido lembrada na minha cabeça.
– Sei... – disse Cole desconfiado e malicioso – Eu descobrindo que você tá mentindo, vai ver só...
– Arg... Deixe disso, rapaz: Você me conhece. Tchau.
– Tchau.
Mal desligou e viu a hora, correndo apressado para se arrumar. Estava quase na hora de seu treino de artes marciais. Voltando de Ryokun, sua proficiência melhorara bastante, avançando rapidamente até a última graduação antes da cobiçada faixa preta. A familiaridade com a Energia o fazia executar os movimentos com velocidade e potência. Daquele dia em diante, se dedicou à arte marcial, se tornando um dos melhores alunos. Estava atrás de poucos, como a Sora. Era um ano mais velha que ele, mas baixinha, com 1,53m e 42 kg, cabelos pretos e lisos. Pele branca e um rosto delicado, o que não mostrava nada quando praticava. Extremamente dedicada e leal, era praticamente a personificação dos princípios de sua arte marcial. Essa mulher o admirava, e Vergil não sabia dizer o porquê, já que era melhor que ele.
Terminado o treino, voltou para casa e foi dormir.
No dia seguinte, Vergil estava prestes a entrar na escola quando uma mulher alta, quase de sua altura bloqueou a passagem. Tinha cabelos loiros longos e claros, sendo incrivelmente lisos. Sua pele era branca, e com uma camisa social também branca, ficava difícil fazer distinção entre pele e tecido. Usava uma saia preta social e sapatos de salto baixo. Seu olhar era frio, e o encarava intensamente com olhos arroxeados. Estava acompanhada de um homem quase de sua altura também, com cabelos ruivos, curtos e espetados. Tinha olhos assustadoramente pretos, pele branca e corpo delgado. Via o garoto com desdém, quase que dizendo que “ele não era de nada” vocalmente.
– Com licença, preciso pas--
– Vergil Gadson – disse a mulher, a voz adulta cheia de escárnio – Não se aproxime de minha irmã, ou haverão consequências.
– Mas o que? Quem é sua irmã?
– Apenas tenha isso em mente – e saiu andando num passo que diferia o som da pisada. Estranhou aquilo até ser cutucado no ombro por Cole.
– Fazendo amizades, é? – disse o garoto, brincando.
– Ah, qual é! Eu nem sem quem é a irmã dela...
No intervalo, a menina que abalara a classe lhe procurou mais uma vez. Foi um desafio não admirar a menina, ainda mais que havia mostrado interesse em si. Os dois conversaram bastante sobre assuntos variados e nem viram a passagem do tempo. Perto do final do intervalo, ela deu tchau e o mirou com olhos brilhantes enquanto se afastava. O garoto nem notou quando seu grupo de amigos o cercou.
– E aí, Vergil: o que ela falava tanto com você? – perguntou Kenneth, junto de Cole, pronto para a resposta.
– Hm? – respondeu distraído – Sobre... Err... Qualquer coisa. Ela é muito curiosa, procurou saber mais sobre a cidade, o país. Muita coisa.
– Sei, e ela não tem nome? – perguntou Cole, ansioso.
– Sim, é Niéle. Niéle Hudson.
– Entendi – disse Suzan, um pouco incomodada – Ela é muito bonita.
– Gostaria de saber o que faz no cabelo pra ficar daquele jeito – comentou Jane, mais para si do que para o grupo. Suzan sibilou o nome dela em repressão à atitude.
– Eu não sei não, Vergil – disse Claire, acordando o garoto do transe – Ela parece esconder algo que eu não gostaria de saber.
– Sério? – disse Suzan – Pra mim, ela só pareceu interessada demais em Vergil.
– Como assim, Suzan? Ela só veio falar comigo no intervalo...
– É porque você só presta atenção no quadro, tapado – brincou Cole, quase rindo abertamente – Ela tá quase sempre te observando.
Com a interrogação de Vergil, Kenneth resolveu intervir, em meio à resposta sarcástica de Claire e Cole.
– Você não mudou nada, Vergil... Acaba sempre prestando atenção no que menos te interessa.
– O-ora, deixem disso – disse o garoto ligeiramente corado – Vamos voltar pra aula.
No período de saída, ao pôs os pés fora da escola, escutou apenas o farfalhar das árvores na frente da escola antes de desacelerar o tempo espontaneamente. Mesmo assim, escutou uma voz soando na velocidade normal.
– Eu avisei...
Se não fossem os anos passados em Ryokun como também o tempo treinando arte marcial, certamente teria sido esmagado e seria morto na hora por um caminhão jogado em direção ao muro da escola, poucos milésimos de segundo de onde estava. As pessoas gritavam assustadas e corriam desenfreadas, os carros aceleravam e batiam, tudo para tentar fugir do que aparecia diante deles: de um lado, um garoto moreno de 17 anos segurando um escudo translúcido vermelho na mão esquerda e do outro uma mulher loira de uns 25 anos flutuando em pleno ar, segurando um carro flutuando em uma única mão e uma placa de “Proibido Estacionar” na outra, ambas brilhando com uma energia roxa que as envolvia. O garoto olhou estarrecido para o estrago provocado e para o objeto que surgira em seu braço, que se dissipou logo depois como poeira no ar.
– Seu crime não será deixado impune, Vergil. Marque minhas palavras: você irá morrer.
Sem entender o que acontecia, recuou um passo. Nisso, a menina Niéle surgiu repentinamente em sua frente, esticando os braços para bloquear a mulher voadora. À frente dessa, mais três pessoas surgiram, brandindo armas antigas nas mãos. Com tudo muito rápido, Vergil não distinguiu muita coisa. Só viu a mulher sumir de repente e o carro e a placa caírem no chão antes de apagar com uma fadiga súbita.
Ao acordar, se viu na calçada, estirado, com Suzan, Kenneth, Cole, Claire e Jane a seu redor.
– Hã? – disse, levantando de súbito – O que aconteceu?
– Você apagou de repente – comentou Jane.
– Também não é pra menos: esse caminhão veio ensandecido pra cima de você – disse Kenneth – Sorte que você consegue desacelerar o tempo, senão...
– Mas... – disse Vergil – Vocês não viram a mulher flutuando? Níele correndo pra rua? Nem outras pessoas fugindo?!
– Vergil, não veio ninguém... – falou Suzan, um pouco assustada.
Ele olhou ao redor: a placa estava caída e o caminhão inserido como uma decoração no muro da escola. Mas não havia mais nada. Sem sinal das pessoas que lhe atacaram ou das que ajudaram. Sem qualquer imagem de carros batidos, areia espalhada e postes caídos. Estava normal exceto por essas duas coisas. Resolveu deixar pra lá, mas ponderando sobre o escudo vermelho que surgira em sua mão. Saiu do transe quando Cole o chacoalhou, logo ao se encaminharem à parada de ônibus.
– Eu sei o que vi, Vergil. Aquela mulher, os quatro, tudo. Alguém alterou as memórias, a realidade, sei lá.
– Ufa, ainda bem. Achava que estava ficando doido.
– Vou procurar isso à fundo. Está comigo?
– Pode crer.
Passaram-se alguns dias depois do ocorrido. Sua vida escolar transcorria normalmente, com Niéle conversando animadamente com ele e não se lembrando de nada sobre o acidente também. Cole procurava sobre notícias de atos parecidos pela internet, mas nada aparecia nos resultados. Parecia que os dois não teriam nenhuma pista até o mais alto ser abordado por uma professora peculiar: seus cabelos, olhos e quase a cor de sua pele eram laranja-escuro, próximo de um castanho. Era baixa, não passando dos 1,60m. Era sabido que fazia algum estilo de defesa pessoal, pois dominara um aluno problemático quase 2 vezes maior que ela a um tempo atrás. Usava um óculos fino, um jaleco branco de cientista e o cabelo parcialmente preso, com uma trança por cima da cortina de cabelos. Ajustou os óculos quando falou:
– Vergil?
– Ah, qual é Am-- Oh, desculpe, professora.
– Pode vir comigo? Tem algo que preciso discutir com você. E chame Cole também se o encontrar.
Percorreram todo o pátio, mas não foram em direção à sala de reuniões. Ela se direcionou a uma das salas de aula desocupadas e deixou o garoto lá. Cole se aproximou pouco tempo depois após um aceno de mão. Assim, os dois entraram no recinto. Dentro estavam Niéle e mais quatro meninos. O primeiro era um pouco baixo, de pele muito branca e cabelos loiros um pouco longos partidos ao meio. Mantinha dois pés na cadeira da frente e parecia despreocupado, com os olhos fechados e os braços cruzados. Era magro e atlético, e por vezes que se olhava, ficava difícil notar sua presença.
A seu lado direito estava um menino que mais parecia um homem de quase 2 metros de altura. Era negro, com cabelos pretos e lisos cortados num estilo militar e com braços fortes, parecendo capazes de levantar muito peso com facilidade. Apesar disso, ele não transmitia intimidação ou qualquer sensação hostil, parecendo uma pessoa gentil e calma. Já o mesmo não poderia ser dito da que estava à sua direita: o menino era de altura mediana e de aparência bem normal, com pele branca e cabelos castanhos. Cultivava uma pequena barba, o que reforçava a ideia de que estava sempre com a situação sob controle. Ele encarava os dois que acabaram de entrar, mas só o último veio os cumprimentar diretamente. Este era enorme. Mas não apenas alto, era também muito forte. Lembrava um competidor de halterofilismo, com músculos aparentes e volumosos. Combinados a sua pele moreno-clara, cabelo raspado e olhar firme, era como uma torre intransponível no caminho. Mesmo assim, ele apertou a mão dos dois animadamente e falou com voz amigável.
– Então, vocês são quem a professora estava procurando!
– Err, sim? – estranhou Vergil.
– Ah! – exclamou Cole, apontando para ele – Tyler!
– Isso mesmo! – e Tyler partiu para dar um abraço no garoto mais baixo – Há quanto tempo cara!
– Pois é. Depois que se mudou não tinha mais te visto cara. Tá enorme.
– O que alguns anos de academia não fazem, não é?
– Espera aí – interrompeu Vergil, sem entender – Você é o Tyler? Aquele amigo gordo que a gente conhecia?
– Isso! Mas não me chama de gordo, tá?
– Nossa, quase não te reconheci. Mudasse muito. – disse dando uns tapinhas amigáveis.
– Muito bom que já se conhecem – soou a professora por trás deles. Dando um pulo, eles se organizaram depois nas cadeiras enquanto ela ia para o birô e se preparava para falar.
“Primeiramente, me chamo Lillian, professora de Física. Como todos estão aqui, vou começar. Os chamei aqui por causa de um problema que surgiu nesse mundo. Alguém ou algo está alterando as Profecias.”
O magro, o baixo e o forte estranharam ela falar assim. Mas nenhum dos outros 3 esboçou alguma reação. Agora que estavam parados, Vergil sondou os rostos deles, que pareciam estranhamente familiares, assim como o da professora; e até o nome não era estranho. Como que adivinhando o que estava pensando, ela respondeu:
– Sim, Vergil. Você nos conhece. – respondeu com a voz um pouco amarga, resentida – Somos de Ryokun.
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