Notas iniciais
E consegui! Fiz esse capítulo para tentar mandar antes de terminar o ano! No mais, fiquem com ele. Mais coisas nas notas finais.

Com a arena reconstruída, os expectadores restantes retomavam seus gritos ensandecidos por sangue. Geardyne, no entanto, parecia impaciente e irritada: não sabiam se iria simplesmente gritar, cobrir o rosto ou sair numa matança descontrolada. Mas ela simplesmente se sentou no seu trono e seu parceiro a observava, enigmático. Foi aí que a grade reabriu mais uma vez e dela surgiu a silhueta de um homem alto com uma espada reta apoiada no ombro. Vestia uma calça de tecido branca um pouco folgada, junto com uma camisa vermelha e uma jaqueta rústica de couro marrom, com remendos por toda a parte. Seus cabelos eram pretos e curtos, com um rosto moreno marcado de cicatrizes de corte. Apesar disso, o homem não era grotesco, e seu olhar passava uma confiança que era de esperar de um soldado de elite. De uma forma estranha, ele não tinha Energia como os "competidores".

O calmo e raramente surpreendido John, que estava lá esperando sua vez deixou cair no chão a kukri que girava, com os olhos e boca demonstrando uma grande surpresa por ver seu instrutor da cidade. Quando seus olhares se encontraram, o rosto duro do homem abriu um grande sorriso, e agora sua expressão parecia a de um assassino.

– Ah, lembro-me de você — apontou o homem, feliz — Foi um dos mais intrigantes que ensinei.

John deu uma respirada funda, e caminhou para ficar frente a frente com ele, a corda na mão e a kukri na outra.

– O que Geardyne lhe ofereceu, Zaron? Pensei que ficasse sempre do lado certo.

– É aí que você acertou: eu continuo no lado certo. Mas esse sempre foi o lado dos Dorman, que você nunca enxergou.

– E ainda pensei que poderia argumentar com você — disse John, resignado — Mas parece que nada que eu diga o convencerá do contrário.

– Ainda bem que você conhece essa parte de mim.

Zaron balançou a espada no ar ao mesmo tempo em que avançava para John. Este acompanhou o movimento da arma com sua própria, absorvendo o impacto para então defleti-lo. Com a outra mão livre, concentrou ar pressurizado e avançou num golpe de palma. O antigo instrutor defendeu com o braço para cima, evitando a grande potência lacerante que disparou da mão de seu aluno.

– Você melhorou. Mas nunca vai me atingir com esse nível.

John resmungou em resposta. Sabia que não tinha muita chance caso Zaron resolvesse lhe atacar diretamente, então teria que usar Alteração, mesmo que não fosse sua especialidade. Se afastou com um salto, mas o instrutor o acompanhou diretamente.

– Procella Vis!– com um solavanco, John aumentou a distância entre eles, liberando uma rajada de vento. Girou a corda com a kukri na ponta ao seu redor, e sua Energia formou uma barreira quase invisível, apenas denunciada pela poeira. Zaron gesticulou com a espada enquanto andava de lado, esperando o que iria acontecer ou pensando no próximo passo.

Na ponta da arena, Vergil se questionou com Lillian.

– Por que ele não parece ter Energia? É como se não fosse um Sensitivo.

– E é a verdade. – confirmou a mulher, e como se soubesse o que o lutador estava pensando, continuou, ao ver sua expressão de surpresa – Zaron é um humano excepcional apenas, nunca tendo conseguido entrar para o campo dos Sensitivos. Há raríssimos casos de pessoas que com nosso treinamento não consegue ter a percepção da Energia ou consegue usá-la de modo consciente. E ele foi um desses.

“Apesar disso, você vê como ele faz frente a John, atacando e pressionando mesmo sem usar um pingo de Energia. Nunca descobrimos o que poderia ser, e com ele do lado dos Dorman, nunca tivemos chance. O que sabemos é que quem o enfrentar praticamente não tem chance de vencer, pois seus ataques não usam nenhuma das três disciplinas.”

Nisso, viram Zaron ser jogado contra uma das paredes da arena, mas conseguindo se apoiar de tal forma que percorreu uma boa distância sem destruir ou sofrer dano algum. John ofegava um pouco, mas parecia que sua estratégia estava funcionando.

Abriu o braço direito, lançando uma lâmina de ar da ponta de sua arma. Enquanto Zaron se preocupava em cortar o ataque com um golpe ascendente de sua própria lâmina, John envolveu a kukri numa esfera de ventos violentos e a lançou como parte de um ataque em queda, como um machado caindo para cortar lenha. A corda toda esticada e a faca acelerada pelo vento contribuíram para acelerar o ataque.

Pedaços de pedra e areia subiram nos ares, mas John não sentia que tivesse atingido o alvo. Retraiu a corda para enrolar no antebraço, repondo o cabo da faca na mão a tempo de bloquear uma nova investida do mestre. Fora a poeira que cobria o colete marrom e a camisa, ele não havia sofrido nada. E de repente, sangue espirrou do braço esquerdo do garoto, que fez uma careta e folgou a disputa, abrindo espaço para mais um corte, dessa vez no peito.

Girou no eixo do corpo, brandindo a kukri numa chicoteada lateral vinda da esquerda. Para evitar, Zaron saltou, o que provocou um breve riso de John: liberando mais corda, a kukri disparou como uma bala, acertando na panturrilha do homem.

Recuou a arma para a mão novamente, e deixou a corda enrolada como uma mola no ar. No que Zaron pousou, o garoto socou o cabo da faca em direção a ele rapidamente.

– Telum Lamnia!– a arma mal deixou rastro, sendo lançada instantaneamente contra o instrutor. Um impacto metálico relevou que a kukri havia sido jogada no ar. Com a atenção na arma, John não evitou a perfurada na lateral do abdômen, apenas tendo evitado um dano fatal. Sem conseguir sentir dor pela raiva que sentia, agarrou o braço dele e se impulsionou no ar, arremessando-o no chão e caindo em cima dele com os pés.

O homem levantou-se rápido, tendo finalmente sofrido algo. Sua espada também não parecia nada boa, estando rachada e amassada em vários pontos, com um buraco quase que no meio dela, feito pela kukri de seu oponente. Suspeitava que não iria resistir muito, então acelerou as coisas: avançou numa estocada em sequência, que foi desviada, mas que escondia um corte diagonal, abrindo um ferimento extenso no seu antigo aluno.

John ajoelhou-se, respirando fundo. Uma rajada súbita de vento ao redor dele fez Zaron recuar. Bem imperceptível, John havia coberto o corpo com correntes reflexivas de ar, repelindo qualquer ataque contra sua pessoa. Foi aí que notou que os cortes que havia feito não estavam tão profundos quanto achava que estaria. Levantou um meio sorriso, mas o livrou do rosto logo. Sacudindo a espada para eliminar o sangue nela, posicionou pouco acima da cabeça, apontando para John. A outra mão ficou esticada à frente, equilibrando sua base aberta e baixa. Uma súbita ventania ao seu redor fez com que o garoto ativasse o Primeiro Nível em resposta, frente ao mal pressentimento que teve.

– Penitus Tergiversatio!– socando o chão, John absorveu as correntes que lhe envolviam, deixando apenas o fluido avermelhado a seu redor. Visualizou o inimigo ainda parado na mesma posição. Empunhando a kukri, avançou com cautela. Tentou um golpe pela esquerda, mas foi repelido instantaneamente, vendo apenas um borrão de Zaron. Atacou com mais força, e viu que o braço do instrutor havia defletido diretamente sua lâmina. Arregalou os olhos em surpresa, e isso lhe custou a atenção: a espada veio imponente contra ele. Foi aí que sua defesa começou a agir, deslocando um pouco de ar para a direção oposta do golpe, afastando-o da linha de ação do ataque.

Zaron deu dois passos curtos e de repente rachou o chão, sumindo da vista. John já sabia o que fazer.

– Procella Vis!– um solavanco mais potente que antes jogou o instrutor para o ar. Com o Primeiro Nível, John foi capaz de chegar num instante, e moveu o braço em movimentos circulares, mas não visava atacar o homem. Sem perceber isso, Zaron apenas bloqueava como podia no ar, e assim que tocaram o chão, sua espada se partiu. Sem muito que fazer, o instrutor apenas descartou a empunhadura e estendeu o braço para o lado. Subitamente, uma nova espada caiu da arquibancada para lá. Testou o peso e voltou a apontar para John.

Cerrando os olhos, o garoto tornou a pensar em outra estratégia. Primeiro, teria que criar espaço entre eles para poder se concentrar, então acertou a kukri no chão envolta em ventos violentos e destruidores, levantando poeira e detritos. Tentou focalizar Energia em seu corpo, acumulando do Primeiro Nível e utilizando os cortes feitos no ar.

Girou a corda na mão e a pôs na frente, mantendo a distância: mal via Zaron, mas tinha certeza que ele tinha se movido pouco. E com uma súbita mudança na direção, John conduziu a arma como se estivesse viva, percorrendo os ares como uma serpente. Ouviu o barulho de metal se chocando e o rosto de seu instrutor a poucos centímetros do seu, a espada com poucos centímetros de seu corpo...

– Opprimo Cometes!– movendo os braços numa agilidade não mostrada antes, John amarrou a ponta da corda no braço de Zaron, e com a arma ainda se movendo para outra direção, ela carregou o homem, arrastando-o no chão. Esticando o braço, o garoto segurou no cabo da kukri e desceu num movimento semicircular limpo assim que a corda o trouxe para perto. A espada mal resistiu ao golpe, quase sendo cortada. Com uma rasteira ascendente, Zaron derrubou John ao mesmo tempo que levantava, buscando contra-atacar. De Primeiro Nível ainda ativado, o garoto desviou de uma, duas, três estocadas contra sua cabeça rolando no chão.

Deu um salto para trás e se pôs de pé. Juntou as duas mãos na frente do corpo e gritou “Aer Impetus!”, mandando uma rápida rajada de ar que atacou e derrubou o instrutor. Correu e juntou as duas mãos, envolvidas num vento selvagem e dilacerador. Com o primeiro ataque, a espada do homem não resistiu ao impacto de um soco-martelo que passou diretamente por ela. Zaron não desviou, recebendo o golpe por todo seu abdômen e cuspindo sangue em resposta.

Recuou diante daquilo e repôs a kukri na mão, pronto para continuar o combate, mas o instrutor não se levantou mais, ficando parado lá e arfando em meio aos gemidos de dor.

– H-heh, eu imaginei que não teria chance, m-mas não esperava ser tão grande a diferença.

– Zaron, você não lutou a sério, não foi? Se tivesse usado seu trunfo, teria me derrotado facilmente.

– Esse é o problema: eu já estava usando. Os Sensitivos são realmente uma força da natureza...

“Só espero que você não fique arrogante com o poder: ele pode destruí-lo caso você não o controle.”

John tentou se aproximar, mas o homem de repente explodira, deixando uma mancha gigantesca de sangue no meio da arena. Incrédulo, procurou o autor de tal atrocidade e viu o homem que estava do lado de Geardyne com o braço esticado e uma máscara de nojo gravada no rosto.

Notas finais
Agora, meu povo, desejo a todos um feliz final de ano e um 2016 revolucionário, onde tudo que está acontecendo de ruim irá sumir, e que inúmeras oportunidades apareçam para todos!