Notas iniciais
E mais outro capítulo. Dessa vez foi mais rápido. Pena que os capítulos que saem estão curtos, mas assim fica mais constante a novidade.

– Ah não, você não vai mesmo! – gritou Vergil, indignado. Correu o mais rápido que pôde para perto do corpo do homem. Ele havia sido cortado em vários pontos e estava queimado nos restantes, mas sua intuição dizia que ele ainda podia ser salvo. E se o olho fendido havia desaparecido, então era bem provável que ele não estaria mais controlado.

Juntou as mãos na posição de massagem cardíaca e gritou:

– Lupus Resurrectio!!! – um pulso de Energia vermelha partiu dos braços do lutador e se impulsionou quando ele fez a primeira pressão. O corpo de Jim se arqueou, mas não teve reação além dessa. Ele aplicou o mesmo pulso, pondo mais Energia, porém não houve resposta novamente. Iria tentar mais uma vez, mas as mãos macias de Niéle o pararam. Ele estava frustrado, e quase avançara para cima de Geardyne. Somente o pouco de razão que restava o parou, lembrando da promessa que tinha feito.

– Ótimo, ótimo... Era isso que eu queria ver – disse ela, enquanto sustentava com satisfação o olhar do garoto. Para ele, entretanto, a voz soou como se estivesse em sua cabeça, com um tom sobrenatural.

“No entanto, não para por aí, meus hóspedes. Temos aqui, passando pelo portão de entrada, um indivíduo notável.”

Em meio ao rangido dos portões, fumaça de dramatismo e a baixa iluminação, surgiu a silhueta de um homem massivo: tinha pelo menos 2 metros de altura, quase chegando aos três, braços tão grossos quanto troncos de árvores antigas, pernas grandes como pilares de castelos e um rosto velho e experiente, provando que era um indivíduo de alto nível. Era bem largo, quase tanto quanto um carro. Seus cabelos brancos eram curtos, que completava sua face com a barba espessa.

– D-Drenchkan, um dos pioneiros da Viagem... – gaguejou Daniel, na primeira demonstração de nervosismo.

– C-como é possível? – exclamou John, também sem ação.

O velho se ajustou para uma postura de batalha, e o mero movimento de seus braços e pernas provocou deslocamentos de ar tão fortes que pareceu que uma forte ventania havia passado naquela arena, levantando um pouco de poeira. O inimigo parecia muito superior a todos eles, e apesar disso, Tyler fora o único que não se intimidou. Ele que normalmente se assustava ou abismava diante do desconhecido, de toda novidade que era ser Sensitivo, estava sustentando o olhar com determinação. Uma brisa passou por ele, balançando sua roupa como se fosse uma cena de filme. Drenchkan deu um meio sorriso, mostrando dentes muito brancos em meio aos lábios finos.

– Há alguém de valor entre vocês – disse ele, cada palavra como uma trovoada – Vamos, criança, mostre o que sabe!

Tyler deu alguns passos há frente, ignorando os chamados de Vergil e Cole, e ficou em posição de batalha. Na sua luta para perder peso, ele acabou fazendo boxe e kickboxing além da academia, e toda vez enfrentava pessoas maiores que ele. Estava determinado a fazer valer sua experiência.

Mesmo assim, não estava preparado para a escala de coisas que acaba de entrar: em menos que um piscar de olhos, o homem gigante cobriu a distância entre eles com um impulso de perna, que rachou o solo. Um punho do tamanho de uma moto estava indo em sua direção, rasgando o ar que eram visíveis as correntes. Seu primeiro pensamento foi fugir, mas o corpo reagiu em seu lugar. Com a mão esquerda, ele atacou no punho dele, revestindo de Energia da gravidade repulsiva.

A aura roxa traçou um curto caminho até o impacto, que gerou uma onda de choque absurda. Destroços soltos do chão voaram impiedosamente contra a arquibancada, o chão ao redor deles fez-se de cratera e o solavanco de ar arrastou os lutadores restantes que observavam a coragem que o garoto demonstrava.

– Newton Campus! – a voz de Tyler pareceu baixa em meio a todo estrago. Ele foi envolvido por um escudo roxo que tinha sua silhueta, não passando de um palmo de sua pele. Seus punhos brilhavam com um roxo mais intenso, luminosos como lanternas. Ele expirou, liberando também fumaça roxa na respiração. Dessa vez, foi sua vez de atacar, avançando a passos medidos, mexendo a parte superior do corpo para distração e atacando com um soco ascendente. Drenchkan tentou desviar, mas fez uma careta ao sentir que, assim que o punho estava passando perto de si, seu corpo não se movia como antes. Segurando os dentes, recebeu do golpe parcialmente, virando o queixo para cima. Nem bem terminou, Tyler já mirava no abdômen dele, mas foi acertado com um soco poderoso.

Arrastado alguns metros pelo impacto, ele apenas levantou o rosto e avançou novamente, como se não tivesse sido afetado. Seu campo de gravidade estava dando certo: ao mesmo tempo que iria desacelerar os movimentos do velho, iria reduzir o impacto que recebia. Disparou um jab para tentar uma combinação, mas seu soco acertou apenas o ar. Drenchkan sumiu por um momento, apenas para reaparecer batendo com o cotovelo. Mais uma vez fora arremessado. Conseguiu se estabilizar no ar e concentrou-se para mudar a polaridade de seu campo nos pés. Felizmente, fez isso a tempo, usando a parede da arena como plataforma.

– Ele usou algo que eu costumo fazer... – percebeu Vergil, ao ver como ele estava se saindo.

– Tyler sempre ficava acanhado quando via você ou Cole executando aquelas técnicas. – comentou John – Pra ele, tudo isso é novo e fascinante, e ele queria poder estar no mesmo patamar que nós.

– Pra mim, ele já está bem além. Consegue fazer coisas que eu nem imaginaria.

– É o que venho falando pra Lillian a algum tempo: você sempre parece que quer resolver tudo sozinho.

Voltou seu olhar para a luta, mas considerou a sentença. Mais tarde iria pensar melhor. Nesse momento, Tyler estava batalhando com tudo que podia contra um inimigo avassalador, e podia querer sua ajuda, mesmo que só pudesse ser verbal.

Drenchkan era muito rápido, e mesmo Tyler conseguindo acompanhar sua velocidade, era muito difícil de atacar mesmo com o melhoramento gravitacional. Estava ficando gradualmente mais cansado, de tanto manter esse campo como de se mover. Resolveu administrar uma posição mais defensiva, apenas preparando para o melhor golpe. Viu o velho deslocando uma quantidade gigante de ar ao se mover, e ainda assim era tremendamente veloz. Depois de um certo tempo fintando e desviando, Drenchkan parou subitamente. Tyler viu a oportunidade e avançou com o punho direito em riste e a mão esquerda à frente preparada para segurá-lo caso tentasse fugir. O que não esperava era o homem falar.

– Imago Turbo!– a massiva corrente de ar que sempre aparecia com seu movimento ganhou vida, começando a girar rapidamente ao redor do garoto. Pouco a pouco a imagem real do velho foi sumindo e várias imagens ilusórias dele povoavam sua visão. E então vieram os ataques, que surgiam de direções totalmente aleatórias e atingiam os pontos vulneráveis de seu campo. Recebeu muitos deles, e assim que cessou o furacão, caiu de joelhos, ofegante e machucado, com pouca Energia e quase inconsciente. Sua cabeça estava bem quente, o que lhe preocupava.

O homem parou em sua frente e ergueu o punho gigante, descendo logo em seguida. Dessa vez, Tyler bloqueou com a mão nua, emergindo Energia de repente dele. Gotas roxas brotavam de sua pele e se aglomeravam, formando uma espécie de fluido ao seu redor. Uma ventania violenta brotava dele, esvoaçando as vestes rasgadas, revelando o Primeiro Nível de Energia.

Desvencilhando do aperto, o velho também ativou o Primeiro Nível, sussurrando “Consurgo Uno”. Cada soco desferido mandava uma lufada de vento no impacto, pouco a pouco cortando o chão pedregoso. Tyler contra-atacava com seu punho acelerado pela gravidade e reforçado com sua Energia, fazendo tudo se atrair para aquele ponto. Foi aí que teve uma ideia para reverter a situação: mantendo a concentração, abriu as pernas numa posição mais baixa e gritou.

– Ater Cavum!!! – um círculo grande e escuro se formou ao seu redor. Aos poucos, sua força de atração ia aumentando até quase não ser possível se segurar para não ser sugado. Geardyne levantou uma sobrancelha de curiosidade, afinal estava vendo uma técnica que era exclusividade sua. Drenchkan foi obrigado a cravar os pés no chão, que era exatamente o que o garoto esperava.

De onde estava, ele gritou “Nutus Ictus”, liberando a Energia acumulada com o buraco negro através do punho socando, atingindo o ar e depois o inimigo com a mesma potência. O velho voou para trás. Tyler continuou a combinação desferindo dois socos com a mesma Energia e saltando em seguida para atacar com as duas mãos juntas num único punho, batendo o inimigo como um martelo, para baixo. Ao cair, o homem não se levantou, sentindo seu peso aumentado. Para não deixar brechas, o garoto chegou num salto, com o fluido fustigando, e golpeou, fincando ainda mais o inimigo na cratera. Drenchkan ainda tentou se levantar outra vez, mas seu peso mal dava para levantar um braço.

– O que é isso?! – exclamou o homem irritado.

– Sua derrota!!! – bradou Tyler em resposta, erguendo a mão para o golpe final. Sabia que não iria durar muito, então teria que terminar naquele ataque – Nutus Frendo!

Em sua mão formou-se um pequeno vórtice roxo, que ao tocar o peito de Drenchkan ficou colado lá. Saindo de perto, o vórtice começou a fazer efeito: seis braços fantasmagóricos se esticaram e prenderam os membros dele. O velho estava profundamente irritado, mas não conseguia fazer nada contra aquilo.

– Eu sou Drenchkan, o pioneiro da Viagem! Nada que um moleque como você pode imaginar! Enfrentei monstros muito maiores e mais perigosos que você, então não pense que ganhou!

Utilizando força bruta e veias saltadas, ele forçava sua libertação. Tyler mantinha a pressão, mas mal se aguentava de pé. Ajoelhou-se enquanto via os grossos braços do homem se erguerem em liberdade. Com o fluido sumido, mesmo curado, estava tremendamente cansado. O inimigo esfregou os punhos e se aproximou, correndo rapidamente. Mas não chegou a completar o ataque, sendo bloqueado por um escudo triangular vermelho. Virou o rosto e viu Vergil com o braço erguido.

– O que eu falei sobre interferir? – disse Geardyne, mas não parecia realmente irritada.

– Tyler perdeu, eu sei. Mas não há necessidade de seu inimigo matá-lo. – falou Vergil, com um olhar intenso.

– Oh, que peninha... – respondeu Geardyne fazendo beicinho. – Tudo bem: estou me sentindo generosa. Pode levar seu amigo fortão.

Correndo junto com Cole, John e Daniel, eles ampararam Tyler, que estava quase inconsciente. Levaram para perto de Lillian, que estava melhor, e já aplicava os primeiros socorros no garoto. Cole sussurrou “Você lutou muito bem quando não conseguimos fazer nada.”. Daí, Vergil completou com “Vamos concluir o que você começou.”

Notas finais
O próximo está em progresso, calma lá que vem...