A Orfã
1 Capítulo 1
Íris era a rapariga mais calada e misteriosa da escola. Andava sempre sozinha, vestia-se de forma "estranha", mas apesar da aparência não ser boa ela tinha grandes notas a todas as disciplinas.
Um dia, quando ela ia para a escola encontreia pelo caminho e decidi meter conversa com ela. Começei por lhe dizer olá, se estava tudo bem, e porque andava sempre tão sozinha... ela respondeu-me e apenas me disse que andava sozinha porque não se identificava com ninguém da turma. Realmente tinha razão, os nossos colegas eram um pouco mal educados, e as raparigas andavam sempre a falar mal de umas às outras nas costas. Eu disse-lhe que também não me identifica-va com ninguém à excepção da Rita ( uma colega com quem eu falava mais), mas tranquilizei-a e disse-lhe que a partir daquele momento passaria a andar comigo.
Passámos os intervalos sempre juntas, e comecei a achar que afinal ela não era tão misteriosa como parecia, apenas se vestia daquela maneira para não meterem conversa com ela, coisa que não resultou hehe.
Ao final da tarde, pedi-lhe que fosse a minha casa. Quando lá chegámos, começámos a falar da nossa vida pessoal. Ao princípio ela estava desconfiada, mas acabou por me contar coisas que eu nem sabia que acontecera com ela. Então ela disse-me que tinha sido abandonada pela mãe aos 3 anos de idade devido a problemas financeiros que esta possuia, o pai dela tinha saído de casa um dia e nunca mais voltou, para a mãe não lhe fez diferença, uma vez que este tinha problemas com o alcool e às vezes chegava a casa e começava a bater na filha e na mulher. Eu ao ouvir isto fiquei estupefacta e horrorisada ao mesmo tempo, ela explicou-me que não era só isso, a mãe desta suicidou-se à pouco tempo, pois tinha problemas com drogas, e que neste momento vive com a mãe adoptiva e pai. Eu quis mostrar o quanto estava triste pela sua infância ter sido tão horrorosa que achei a minha vida algo sem valor, visto que ela tinha passado por aquilo tudo sozinha. Íris ao contar isto, saíu de minha casa devastada, eu não tive coragem de ir atráz dela, porque imaginei que esta precisa-se de ficar sozinha.
No dia seguinte, não veio à escola. Mais dias passavam e ela não aparecia, começei a ficar preocupada com ela. Mais tarde, passados dois meses veio-se a descobrir que esta tinha morrido vítima de atropelamento. Foi horrível o que senti, mas bem lá no fundo fiquei orgulhosa dela por me ter contado aquilo tudo sobre a vida dela, conhecendo-me só à um dia.
Então, ficou na história a rapariga corajosa e misteriosa ao qual todos da escola deram o nome de Orfã.
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