A Ordem dos Shinigamis
7 Rainha da Neve
Antes do final da madrugada de Halloween, a presença de sobrenaturais vagueando pelo Mundo Humano já se encontrava normalizada mesmo com a pequena quantidade de membros da Ordem em trabalho. Com a inclusão dos aprendizes nessa tarefa, acabou sendo mais fácil. Trabalhando em uma forma de camuflar temporariamente a situação de Quinn, Brendon manteve-se em sua missão simulando que ainda nao havia encontrado a Succubus. Depois de alguns estudos de Margot, metade da energia vital que fora roubada de Damien já havia se recomposto, mas ainda encontrava-se debilitado mentalmente, talvez alguma consequência do contato com a Succubus. Judy passou alguns dias isolada dos outros Shinigamis, ainda pensativa sobre duas questões: Continuar sendo aprendiz na Ordem ou Sair da Ordem e ser feliz fora do mundo sobrenatural como seus pais lhe aconselharam?
Casa de Drake
05 de Novembro de 2015
Drake despertara em um relance após mais um dos estranhos sonhos que estava sofrendo recentemente. Sonhos sobre Deuses, Demônios, Destruição, tudo no estilo de filme de fantasia dirigidos por Guilhermo Del Toro. Mas havia um diferencial naqueles sonhos, eles demonstravam realidade, algo além de apenas um sonho lúcido. O relógio marcava 11:27 da manhã, mais um dia de aula na faculdade perdida. Mais um de muitas desde o inicio do mês. Drake cumpre as suas higienes matinais, indo até a cozinha p
Para preparar o seu prato de café da manhã: Panquecas, Ovos com Bacon e Suco de Manga. Ou clichê americano. Como estava na faculdade, já havia se mudado de casa, mas diferente dos outros estudantes, preferiu não se acomodar no campus para ter melhor privacidade. Sua única companhia naquela casa é o seu Border-Collie, Roger, e varias das mulheres que leva toda semana.
– Roger? – Fitou Roger que cheirava a porta de entrada insistentemente – Você está bem, amigão?
Andou até Roger para retirá-lo, notando uma sombra de uma pessoa pela brecha abaixo da porta.
– Quem é? – Perguntou, afastando vagarosamente com Roger em mãos.
– Sou eu, Caleb. Eu não tive coragem de bater na porta depois daquilo, mas precisamos conversar..
Drake olhou para a porta hesitante em abrir, mas sua curiosidade estava falando mais alto, abrindo um pouco para ter visão do Shinigami.
– O que quer? – Bufou.
– Preciso conversar sobre aquela noite, deve estar bem confuso em relação aquilo. Eu percebi que você não saiu de casa desde então. Posso entrar? – Indicou com um dos dedos para o interior da casa.
Drake abre a porta totalmente, estendendo o braço como um convite para a entrada. Caleb adentra, e senta em um dos sofás, olhando para os detalhes da casa em admiração.
– Você tem um bom gosto até. – Assentiu, esboçando um sorriso de canto.
– Obrigado, mas.. Temos assuntos melhores para resolver. – Sentou em um sofá a frente – O que aquele cara lá disse é tudo verdade? Demônios realmente existem?
– Sim. Há os demônios que você pode conhecer como os religiosos retratam. São até um pouco parecidos com o que você viu, mas creio que piores. – Pausou – O sobrenatural não é tão complexo assim, só você querer enxergá-lo.
– Certo. Me sinto melhor ao saber que não estou enlouquecendo. – Cobriu o rosto com as mãos.
– Você sentiu alguma coisa nesse tempo em que não nos vimos? Tipo, algo diferente?
– Sim. Eu.. Eu tive uns sonhos bem esquisitos pra falar a verdade. Mas tipo, era real demais. Como se eu tivesse neles.. – Olhou para as mãos, fechando e abrindo a palma – Eu sentia tudo. A dor, o desespero, a felicidade.
– Talvez não fosse sonhos. Talvez esse foi o motivo que você nos viu em forma Shinigami. – Caleb levanta-se do sofá em um salto, correndo até o sofá onde Drake estava sentado, e sentando ao seu lado – Você pode ter despertado algum poder sobrenatural. Uma junção daqueles três contatos fez você ser..
– Ser? – Questionou Drake, arqueando uma das sobrancelhas em desconfiança.
– Um medium! – Caleb respondeu-o com tanta exaltação, que quase derrubou o abajur da mesa lateral ao lado do sofá – Perdão.
– Cada vez que eu pergunto fico cada vez mais louco. Mas tudo bem. Eu irei visitar uma Igreja, não vou há séculos. – Balançou a cabeça negativamente, coçando a testa com o dedo mindinho.
– Uma igreja? – Caleb sorri acanhado – Creio que não lhe ajudaria em relação á isso. Acredite, sou a prova viva disso.
Drake nota a mudança na expressão de Caleb ao ouvir sua citação, deixando a empolgação para o dêsanimo em termos de segundos.
– Estou vendo que você não é fã de religiosidade. Talvez por ser lá todo sobrenatural.
– Não foi lá apenas por isso. – Engoliu em seco – Eu não tive lá uma adolescência tão normal como os outros. – Levou uma das mãos ao braço
– Se você quiser desabafar, estou aqui para isso. – Drake força um sorriso caridoso.
A relação de Drake com Caleb inicialmente não foi uma das melhores, já que Caleb e Quinn foram os responsáveis por um dos poucos momentos de "derrota" que ele teve em toda sua vida.
– Tudo bem então.. – Caleb suspira profundamente, deixando as palavras saírem em um impulso – Minha adolescência não foi aquele sonho americano que todos os pais desejam, sabe? Pra você ver, meu pai é um pastor bem respeitado pelos membros do bairro onde morei. Quando eu me assumi ser Gay pra ele foi um dos momentos mais dificeis, mas infelizmente não o pior. Meus poderes de Tecnomago começaram a manifestar durante toda essa turbulência, isso foi o estopim para que meus pais me expulsassem de casa alegando que eu estava praticando Satanismo ou coisas assim. – Pausou um pouco, arqueando uma das sobrancelhas para encarar Drake – Mas felizmente naquela época eu já tinha conhecido Quinn, ela praticamente salvou a minha vida mesmo sofrendo com a falta do marido e do filho. Por isso devo minha vida á ela hoje.
Ambos mantiveram calados por alguns minutos refletindo sobre tudo o que Caleb havia dito. Drake não sabia o que agir, pensar, ou o que falar naquele momento. Não era de seu feitio servir como um ombro-amigo, ou ao menos de ter amigos.
– E-Eu.. – Drake quebra o silêncio – Admiro a sua coragem por conseguir sobreviver após isso tudo. Sei como é viver sem a presença dos pais, não foi nada fácil.
– Bem, eu não vim aqui para ficar remoendo com o passado. – Caleb suspira profundamente, esboçando um sorriso de canto – E aí? As coisas agora ficaram mais claras? Eu posso chamar uma das minhas mentoras pra vir aqui. Fora que agora você é um de nós, podemos nos contatar mais. O que você acha?
– Bom, infelizmente não posso ignorar o que está acontecendo comigo. São coisas completamente diferentes que aparentemente ninguém deste.. "Mundo" vai poder me ajudar. Confere?
Caleb assentiu em resposta.
– Então sim, pode contar comigo. Caso souber de algum jeito que possa me ajudar também, sabe onde me encontrar.
Caleb fica boquiaberto por alguns segundos, esboçando um sorriso bobo ao ouvir o que Drake havia dito mesmo sendo em um tom mais inocente.
– Sobre esse caso posso voltar daqui há alguns dias com uma solução. Mas sobre nós.. Eu preciso me pedir desculpa por aquela vez na casa da Quinn. Eu acabei dizendo muitas besteiras naquele dia, não quero que aquilo fique marcado entre nós. Então, quer sair pra conversar? Dessa vez eu prometo ser uma pessoa boa. – Convida Caleb, evitando um contato visual.
– Me desculpe, mas eu tenho um compromisso com outra pessoa que deve estar vindo pra cá. Obrigado pelo convite, Caleb. – Drake levantou-se do sofá, cumprimentando-o com um aperto de mão – Agradeço também por esclarecer minhas dúvidas.
– Tudo bem, até mais.
Caleb despede-se, saindo da casa rumo ao seu carro. Em meio ao caminho, avistou uma jovem mulher de traços coreanos que o cumprimentava com um aceno, adentrando a casa após.
Whitehorse, Yukon, Canadá
05 de Novembro de 2015
O motorista dos Montoya estaciona o carro frente a uma das ruas da pacata cidade gélida de Whitehorse. O que a diferenciava das outras ruas é que não há nenhuma residência por esta, apenas uma dominação de Pinheiros que trilhavam um caminho para a Floresta. Na entrada da rua, uma corrente impedia a passagem de automóveis, no centro tendo uma placa sinalizando a não entrada de pedestres.
– Tem certeza que este é o caminho? – Perguntou Thalia para Sebastian enquanto saía do carro, encarando a rua com uma das sobrancelhas arqueadas.
– Pelo menos é aqui onde o mapa indica. – Sebastian verifica o mapa mais uma vez, comparando com os detalhes do local – É sobrenatural, então deve estar oculto.
– Certo, e como faremos para ver esse local?
– Você se lembra como se ativa o Modo Shinigami?
– Se eu lembro? – Thalia dá uns passos a frente, concentrando uma quantidade de mana em mãos que percorre por seu corpo, substituindo suas vestes por um Manto característico de um Shinigami – Eu amo fazer isso.
Sebastian sorri ao ver a cena, ativando também seu Modo Shinigami. Com ambos já ativado, olharam para o norte da rua procurando algum vestígio de mudança, deparando-se com um templo oriental ao fim dela.
– Pelo menos não perdemos nosso tempo. – Thalia dá os primeiros passos rumo ao Templo.
Após não muitos minutos, estes chegam a entrada do templo. Em iniciativa, Sebastian dá as primeiras batidas na porta, esperando tempo suficiente para ter uma resposta. Thalia impaciente, deu mais algumas batidas insistentes, que também não obtiveram algum resultado.
– Retiro o que eu disse, parece que perdemos nosso tempo. – Bufou, revirando os olhos.
– Deve ter algum tipo de identificação.
Sebastian retira do seu bolso a pequena orbe azulada que obtinha em seu interior a espada larga de gelo de Edric, a mesma que Judy usou contra o Orc na batalha da noite de Halloween. Os detalhes do interior da orbe, e as marcas orientais do portão coincidiam-se. Pondo um pouco mais próximo do portão, a orbe começara a brilhar, fazendo que o portão se abrisse em passagem.
– Retiro o que eu disse novamente. – Sorriu Thalia, dando passadas adentro do Templo.
No interior do templo, ambos se surpreendiam ao ver que o local parecia ser muito maior por dentro do que visto no interior. Pela sua decoração de templo oriental da Era Feudal, esperavam que o local se tratasse de uma instituição que abrigassem sábios monges, guerreiros samurais e belas gueixas pelos corredores, mas foram abordados com uma espécie de Hotel, onde no grande salão é depositado diversas maquinas de caça-niqueis, mesas de pôquers, bares, um palco para shows. Uma espécie de Cassino de Las Vegas em um lugar errado.
– Edric deve ter nos enviado um dos lugares em que ele costuma se divertir, só pode. – Sebastian apanha o mapa para conferir novamente se haviam parado no lugar certo.
– Talvez nós julgamos errado. O que um templo feudal faria no Canadá? Essa é a questão.
Um dos garçons se aproximava com uma bandeija de bebida para oferecê-los, sendo amparado por Thalia.
– Ei, aqui é o templo da senhorita Tanabe? Nós precisamos de uma consulta com ela. Pode nos ajudar?
O garçom observa ambos com uma das sobrancelhas arqueadas, pondo a bandeija sobre uma mesa e aproximando seu rosto deles.
– E sobre o que se trata? A senhorita Tanabe não está recebendo visitas, não de qualquer um. – Murmurrou, empinando a cabeça em tom de soberania.
– Nós não somos qualquer um. – Sebastian ergue novamente a orbe, mostrando-o – É um assunto importante, viemos no nome de Edric Montoya.
O segurança repreende Sebastian ao ver que chamou a atenção de alguns dos apostadores. – Tudo bem então, podem ir. – Indicou com a cabeça para dois dos seguranças que estavam proximos para acompanhá-los até o andar onde se encontrava a mulher. No andar, podiam ser vistos alguns homens e mulheres que ao contrário dos que percorriam pelo saguão, não aparentavam estar alí por diversão. Por questão de segurança, os pertences dos shinigamis são recolhidos, deixando apenas a orbe em mãos já que aquilo alí se tratava de um assunto que estes já tinham um certo conhecimento, liberando então a passagem para o escritório da Tanabe.
– Senhorita Tanabe? – Perguntou Sebastian ao se deparar com o escritório vazio.
De uma das portas do escritório, saia uma bela mulher que aparentava ter uns trinta anos de idade, com um olhar marcante assim como o tom de sua pele pálida, cobria apenas seu corpo em um roupão de banho, enquanto prendia seu cabelo em um coque.
– Alguém me chamou? – Perguntou a mulher, fitando-os da cabeça aos pés – Quando disseram que dois encarregados dos Montoya estavam aqui esperava pessoas mais.. velhas em minha frente.
– E por conta disso você resolveu se enrolar em um roupão e ficar rodeando por aí seminua? – Rebateu Thalia – E sério? Estou cada vez achando que viemos para o lugar errado.
– Thalia, cuidado com as suas palavras. – Intervém Sebastian
– Obrigada, Sebastian. Tenha mais modos, Malone. Mas pelo visto parece que minhas intenções deram certo. – Sorriu em provocação, despejando um pouco de uísque na taça que estava sobre a mesa – E podem me chamar de Alienor, me chamando de Senhorita ou Senhora me deixa mais velha do que já sou.
– Espera, como você sabe nosso nome? Não dizemos pra ninguém desde que entramos. – Indagou Sebastian
– Eu sou uma Youkai, esqueceu? Por sorte acabei desenvolvendo esse poder, desde então evito esses cumprimentos desnecessários. – Disse gesticulando a mão desocupada, cruzando os braços, e pondo a taça entre dois de seus dedos – E pode parecer, mas não vieram, Thalia. Eu não sou do Oriente, sou uma Francesa, mas infelizmente uma das minhas desocupadas antepassadas era Youkai e essa praga veio passando de geração em geração até parar em mim. O meu sobrenome? Casei com um japonês bobão, simples. A família dele me idolatra, a fortuna é gigantesca, só ver esse império.
Thalia revira os olhos ao ouvir as palavras de Alienor, na qual aparentemente não acreditou muito.
– Então deve saber para o que viemos. Precisamos que você salve nossa amiga, Quinn. Edric disse que você é uma Youkai que aprendeu a controlar seus poderes, talvez possa ajudar um Demônio ocidental. – Pronunciou Sebastian
– Uma succubus? Tem anos que eu não vejo uma pessoalmente, será até divertido isso. Mas uma nascida succubus que viveu entre humanos agindo assim? É um pouco suspeito, até porque ela não recebeu uma preparação e pelo que vi, ela já sabia como agir. Fora que ela atacou antes do Halloween chegar, ou seja, já estava manifestada por meses. Creio que vocês perderam seu tempo vindo aqui para algo tão simples, não perceberam que ela estava sendo manipulada? – Alienor beberica mais um pouco do uísque, sentando-se em uma poltrona – Talvez eu possa quebrar esse contato com quem estiver controlando-a, mas vocês não a trouxeram.
Thalia e Sebastian surpreendem-se com a revelação de Alienor, mas que pela mente do segundo já se tratou antes como uma hipótese. Quinn mostrava-se bem hesitante em relação aos seus ataques.
– Nós não podemos trazer ela, é arriscado. Outros membros da Ordem saberiam, além de ela também podia acabar nos ferindo. Precisamos que você venha conosco até Georgia. O que acha? – Propõe Thalia, deixando um falso sorriso escapar.
– Oi?! Eu não saio desse templo há anos. Desculpem mas, não poderei ajudar vocês a não ser que a tragam aqui.
Sebastian retira mais uma vez a orbe dos seus pertences, deixando a em exposição sobre a mesa.
– Edric sabia que você diria isso, então me mandou isso. Eu sei que isso era seu, você perdeu para o tataravô lá do Edric que o derrotou mas por sorte a deixou viva. Ele levou a espada, você perdeu a sua honra e um pouco dos seus poderes, é claro. Então, o que você acha? Vai conosco e ganha parte do poder perdido, ou você vai continuar orgulhosa aqui com essa bunda velha sobre o sofá? – Sebastian a encara seriamente, pondo uma das mãos sobre a orbe.
– Eu esperava isso, só queria que o momento chegasse mesmo. Eu irei, obviamente. – Responde a mulher sem perder a sua postura de soberania, apoiando uma perna por cima da outra enquanto encarava Sebastian – Mas e então, Miller. Vamos falar um pouco sobre você já que temos um tempinho. Eu vi que você andou tendo uma amizade com a Mormont, um pouco irônico em relação ao histórico do primeiro Mormont e do primeiro Miller que viviam em pé de guerra. Sabia que eles foram alguns dos membros fundadores da Ordem?
Ambos se encararam por mais alguns instantes, iniciando assim um embate que naquele momento se tratava mais de expressões que físicos.

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