A Ordem dos Shinigamis
5 Halloween: Uma Festinha Nunca Matou Ninguém
Notas iniciais
Boate Sanctuary, 31 de Outubro
– Edric? – Gritou Quinn com a voz já começando a falhar.
A centena de jovens que estavam dançando em poucos minutos se tornara uma multidão desesperada em uma corrida pela vida. O DJ permanecia em sua mesa tentando acalmá-los no microfone, sem deixar de tocar o seu repertório que naquele momento reproduzia uma irônica canção interpretada por Fergie¹. Quando o tumulto começou a chamar a atenção de autoridades, os seguranças rondeavam por toda a casa noturna procurando pelo que causou tudo aquilo.
– Parado! – O mais jovem dos seguranças aborda um encapuzado que encarava Edric no chão – Solte esse rapaz! – Aproximou em passos lentos do encapuzado, retirando a arma do coldre.
– Saia daqui, meu jovem. Vá fazer seu trabalho em outro lugar. – Respondeu o encapuzado ainda fitando Edric.
– E quem você acha que é para falar assim comigo? – O segurança já impaciente puxou a corrediça da pistola. – Sabe que com toda essa movimentação que você causou, eu posso matá-lo e que não terei problemas, num sabe? – Deixou espacar um sorriso insano de seu rosto.
– Esses jovens de hoje em dia. – Resmungou o encapuzado. Em um rápido movimento com os pés, virou-se contra o segurança que acabou se assustando, e disparando o tiro.
– Desculpa, eu não.. – O segurança engoliu seco, expressando um espanto em seu rosto ao ver que a munição acabou desfragmentando ao se aproximar de uma energia azul próximo ao corpo do encapuzado – O que é você?
– Eu sou uma das pessoas que perdem o tempo protegendo humanos como você. Agora saia daqui! – Respondeu o encapuzado com um tom ríspido de voz.
O segurança ao notar a expressão sombria do olhar do encapuzado, não hesitou em correr em saída do local. Era como se estivesse encarando uma alma sem vida. Quinn permanecia sentada sobre o chão procurando por algum sinal de Edric, aquela correria contribuida com as cinco garrafas de vodca que beberam naquela noite não estava ajudando. Ao sentir uma presença sobrenatural no local, levantou-se com dificuldades, e rumou em direção ao ser. Ela estava fora de si, seguindo um instinto que não era seu.
– Olha, pensei que teria tanta dificuldade em te encontrar. – Disse o encapuzado ao ver Quinn se aproximando do corpo de Edric. – O que houve? Resolveu se entregar?
Quinn cessou os passos, encarava aquele homem encapuzado com uma expressão fria. Seus dedos movimentavam-se como se estivesse se preparando para um soco, mas a energia que estava emanando dela mostrava o contrário. Uma energia de cor negra, diferente do que é costumeiramente registrado por Semi-Shinigami.
– Então você finalmente resolveu se manifestar? Foi bem covarde entrando no corpo de uma das melhores aprendizes. – No rosto do homem podia ser visto um sorriso sarcastico, mas o que ele estava realmente sentindo naquele momento era medo do que podia ocorrer – O que houve? Perdeu a lingua?
Assim que ouviu as tais palavras, Quinn fechou o punho acumulando mais um pouco de mana negra em mãos. A iris de seus olhos mudou-se para um forte tom avermelhado, assim como a pele que estava mais pálida que o normal.
– Quinn! – Sebastian gritou na entrada da casa noturna, chamando a atenção de ambos – Cuidado!
O encapuzado retira uma espada bastarda entre as mangas de suas vestes, manejando ela em um movimento rápido contra Quinn que dá pequeno saltos para trás em defesa, concentrando a mana negra que estava em suas mãos para lançar uma rajada de energia contra o homem. Aquela energia acaba por revelar-se como uma chama do inferno, queimando seu capuz.
– Maldita! – Proferiu o homem enquanto desesperadamente tentava se livrar do fogo.
Ao adentrar na casa noturna juntamente com os outros jovens, Margot se depara com aquela situação, reconhecendo o homem ao ver seu rosto em um relance – Brendon? – Apertou os passos para alguns metros de seu companheiro, estendendo os braços em sua direção. Fechou os olhos, concentrando uma energia branca que rondeava suas mãos, e brevemente ia até Brendon, apagando as chamas negras de suas vestes.
– Tio? O que você está fazendo? – Perguntou Judy ao se aproximar, engolindo em seco ao ver a aparência demoniaca de Quinn – Temos que salvá-la, não lutar contra ela!
Quinn encarava seus companheiros em movimentos brustos com o rosto. Estava assustada, mas ao mesmo tempo sentia uma raiva que estava tentando apossá-la – Saiam de perto! – Sua reação naquele momento foi correr para longe o possível, correndo para a saída de emergência que levava aos bastidores da casa noturna.
– Hey! Podem me ajudar aqui? – Caleb acenou para os jovens ao ver Edric se debatendo no chão, apresentando os mesmos sintomas fisicos que Drake sentiu – O que você fez com ele? – Perguntou encarando Brendon
– Eu o marquei, precisava ter certeza que estava fazendo a coisa certa. – Disse Brendon, concentrando um pouco de sua mana para reestruturar suas vestes – Precisamos ir atrás dela também, ou seja, é neste momento que vocês terão que provar que estão realmente prontos. – Disse rapidamente, apontando para todos os presentes entre ele – Caleb e Judy, preciso que vocês fiquem aqui com Margot e Thalia dando suporte para o Edric, ou qualquer um que venha a ser ferido por um ataque demoniaco. Já é meia noite, o portão do mundo inferior já está aberto. Sebastian e Damien, preciso que me ajudem a confrontar aquele demônio.
– Sério isso? – Interviu Judy, se posicionando na frente de Brendon – Eu ouvi isso mesmo? Não é necessário tantas pessoas aqui pra cuidar de um ferido apenas. Eu irei com vocês, fora que é a garantia de que vocês não a matem! – Antes de qualquer palavra de Brendon, retirou um pequeno bastão de seus bolsos que dá lugar a uma espada curta, e andou em passos largos até o corredor.
– Judy! – Proferiu Brendon em tom autoritário.
– Ela está certa.. – Margot leva a mão ao peitoral de Brendon, suavizando sua voz para passar segurança – Não vou precisar dela aqui, podemos lidar com os ataques sozinhos. E, não se esqueça.. – Aproximou de seu ouvido – Quinn é apenas uma criança, podemos salvá-la! – Sussurrou
– Tudo bem, eu tentarei. Se cuide você também, ok? – Respondeu no mesmo tom de voz, lhe dando um selinho – Eu te amo! Cuide do nosso garoto também.
– Te amo. – Margot retribuiu o selinho, acariciando a barriga – Ele? Nós não sabemos ainda. – Sorriu – Mas vai lá, não podemos mais perder nosso tempo.
Brendon assentiu após o pedido de Margot, retirando a espada bastarda de sua bainha, e correndo ao lado de Sebastian e Damien para os corredores.
– Você tem um plano? – Perguntou Damien para Brendon durante a corrida.
– O que for aquela succubus que está a apossando, deve ser retirado antes das três horas da madrugada. Em um Halloween, uma criatura demoniaca que se apossa de uma pessoa pode ficar no corpo dela permanentemente. Caso passe, teremos que matá-la! – Brendon apertou os passos após a resposta, subindo as escadarias em saltos pelo corrimão até ouvir passos de alguns degraus acima – Elas estão há dois andares daqui.
– E o que podemos fazer? Eu a vi te atacando, aquela energia.. não havia nada normal naquilo.
– Apenas concentrem a energia de vocês, como se fosse sua armadura.
Os três permaneceram correndo pelos corredores até encontrarem vestígios de chamas negras na porta do terraço, se deparando com Quinn já em sua forma demoniaca encarando Judy.
Terraço da Boate Sanctuary
– Vocês não desistem, não é mesmo? – Encarou os quatro com uma risada insana – Não quero a ajuda de vocês. Isso é ótimo, é poderoso! Por que nunca senti isso antes? O que eu sou, hein? – Disse demonstrando sinais de loucuras através dos gestos e expressões
– Quinn? Você consegue me ouvir? Você precisa combater essa coisa. Ela é fraca, está no corpo de uma meio-shinigami, ela está mais frágil. – Disse Judy, se aproximando dela com as mãos erguidas em rendição – Por favor, lute!
– Para de ser rídicula! Eu estou aqui, na sua frente. Viva. Mais viva do que nunca.
– Eu não estou com paciência para joguinhos demôniacos. – Rebateu Judy, entrando em posíção de ataque – Se te desacordar é a solução, que seja!
Judy dá um forte impulso com os pés, iniciando uma investida em saque rápido contra Quinn. Quinn fica a encarar Judy ainda com o sorriso mantido em seu rosto, desviando das sequências de ataques que Judy lançara como se estivesse prevendo seus movimentos.
– É só isso? Que desperdício de tempo! – Provocou Quinn, concentrando uma pequena quantidade de chamas negras em mãos – Como você quer provar ao mundo que é independente se ao menos não é forte o suficiente para se cuidar?
Quinn faz um rápido movimento com os braços, lançando duas rajadas em sequência contra Judy. Por um triz, Judy é repreendida por Damien que a joga contra o chão, deixando-os livre da rajada.
– Você está bem? – Perguntou Damien para Judy, que o olhava ainda incrédula.
– Sim, eu acho. – Recebeu o apoio de Damien para levantar-se do chão, voltando a encarar Quinn que voltava a acumular mais chamas em mãos – Ela é poderosa demais, aquelas chamas infernais podem acabar nos ferindo. O que faremos? – Perguntou direcionando o olhar para Brendon.
– Preciso que você concentre sua energia shinigami. Use-o como se você estivesse se cobrindo de um frio de inverno. As chamas não conseguirão penetrar sua pele tão profundamente, ela não está em seu estágio ainda. – Respondeu Brendon, andando em passos de modo de defesa.
– Tudo bem.
Após receberem as instruções de Brendon, os aprendizes afastam alguns passos para iniciarem a sua primeira transformação ao Modo Shinigami fora dos treinamentos. Um momento que exigia toda concentração, para evitar qualquer tipo de falha prejudicial. Aos poucos podia ser possível ver a mudança nas vestes dos aprendizes, suas vestes foram rodeadas pela energia que o transformava um longo manto negro do estilo medieval. Brendon aproveitou o momento para iniciar o mesmo procedimento, em um espaço de tempo menor.
– Isso vai ser divertido! – Ironizou Quinn enquanto assistia a cena.
Damien, como não costumava usar armas em batalha, começou a murmurar umas frases em linguas estranhas que chamara a atenção de Brendon. As tatuagens de seu corpo começavam a brilhar em uma tonalidade mais azulada, como a energia shinigami, porém mais chamativa. Ao perceber as mudanças em sua estrutura, correu em investida até Quinn, concentrando a energia em volta as mãos para tentar descartas as defesas da adversária. Aproveitando que Quinn estava distraída defendendo-se dos ataques de Damien, Sebastian retira dois revólveres com munição a lazer de suas vestes.
– Damien, preciso que abra espaço! – Proferiu ao companheiro.
Quando Damien cessou os ataques, Sebastian dispara as primeiras rajadas de lazer contra Quinn. A adversária consegue desviar sem dificuldade das primeiras, mas ao se distrair, acaba dando uma oportunidade para receber uma investida de Quinn que desfere um corte profundo em suas costas.
– Gostou disso, vadia?! – Judy trincou os dentes nos poucos segundos em que teve um contato visual com Quinn, afastando em um salto.
– Quantos minutos nós temos? – Questionou Sebastian para Brendon ainda em posição de ataque.
– Quatro minutos.
Quinn cambaleia até uma das paredes próximas, encostando-se nela com a mesma expressão insana no rosto, como se sentisse prazer ao sentir aquela dor. A estrutura da pele próximo do corte começa emanar energia demôniaco, recompondo os ferimentos aos poucos. Ao ver que Quinn estava regenerando as feridas, Damien que era o que mais estava próximo, concentra mais energia em seu punho, e parte em investida novamente contra Quinn, desferindo uma sequências de socos contra esta. Ao desferir um último soco, Quinn defende-se usando apenas a palma de sua mão para bloquear o ataque, segurando fortemente sua mão, e aproximando de seu rosto.
– Damien, creio que nós nunca ficamos. Sempre tive curiosidade em saber como é sentir sua boca. – Provocou Quinn, beijando-o antes de obter um rebate.
Ao sentir o toque dos lábios de Quinn, a reação de Damien no mesmo momento foi ceder aos seus encantos. Fugir de uma Succubus era quase impossível, elas em sua forma demoniaca não tinha uma aparência agradável, mas a sua essência atraía qualquer ser como se fosse a coisa mais prazerosa do mundo. Durante o beijo, raízes negras são vistas na bochecha de Damien, indicando que a Succubus estava começando a drenar sua energia vital.
– Bom, não foi tão ruim. – Murmurrou Quinn para Damien, desacordando-o após lhe dar um selinho – Tudo bem, quem é o pró..
Aproveitando-se o momento de distração aos beijos com Damien, Brendon finca sua espada bastarda contra a barriga de Quinn – Eu não vou deixar você destruir mais um dos meus alunos!
A forma demôniaca de Quinn começa a entrar em colapso com a sua forma humana. Nos momentos em que sua forma demoniaca predominava, a expressão de Quinn só demonstrava ódio e desprezo aos seus adversários. A forma humana, sentia remorso ao ver todos os seus amigos naquela situação.
– O que você fez? – Gritou Judy para Brendon, descontando seu ódio e tristeza através de empurrões – Ainda tinhamos poucos minutos, Tio. Por que você fez isso? – O encarou com um balançar negativo de cabeça, retirando as lágrimas que começara a escorrer por seu rosto.
– Não havia tempo, Judy! – Rebateu em um tom de voz baixo, segurando nos braços de Judy – Não havia, eu disse aquilo mas.. Eu menti! Eu andei investigando e estudando sobre Succubus desde o incidente com Joshua, e lá li que uma Succubus revela-se quando está próximo do Halloween. Pesquisei nos orgãos publicos sobre o falecido marido de Quinn, e soube que ele morreu alguns dias depois do Halloween. Sim, você pode estar achando que a Succubus pode estar possuindo ela esse tempo todo mas nós Meio-Shinigamis somos bem resistentes em casos de possessão. – Disse rapidamente, entrando em pausa ao se aproximar de Quinn que estava agonizando de dor sobre o chão – Ou seja, ela é realmente uma Succubus. Se eu não a matar, outra pessoa fará isso!
– Não, você não fará isso! – Sebastian aproximou-se do corpo de Quinn, disparando um tiro á laser tranquilizante – Nós podemos ajudar ela. Há outras formas, outras pessoas fora da Ordem que conhece isso. Caso você a matar, terá que me matar também. Eu não vou deixar que matem minha melhor amiga assim, sem ao menos tentarmos ajudar.
– Você está assumindo um problema e tanto, Sebastian. Saiba que a Ordem inteira está atrás da tal Succubus, mas apenas eu e Margot sabemos por enquanto onde ela está. Gaia nunca deixaria viva a mulher que matou seu filho. – Respondeu Brendon, encarando Quinn até que a mesma começasse a desacordar – É a escolha de vocês, ou a matem ou outra pessoa fará isso sem dó, podendo até matar vocês no processo.
O silêncio pairou por alguns minutos após as tais palavras de Brendon. Sebastian apenas assentiu em resposta, carregando o corpo de Quinn em mãos – Eu me responsabilizo por isso, não se preocupe.
Brendon bufou pela teimosia, se aproximando de Damien, e pondo os dedos em seu pescoço para conferir os sinais vitais – Ele está vivo, por sorte! – Envolveu os braços no corpo de Damien, chegando até usar um pouco de energia sobrenatural para carregá-lo sem dificuldades – Precisamos levar Quinn para algum lugar privado.
Os três shinigamis se reuniram no centro do terraço para partirem em retorno ao interior da casa noturna, mas uma explosão acabou por chamar sua atenção. Uma espécie de explosão aparentemente estava ocorrendo próximo a uma das maiores construções da cidade, deixando o céu claro em nuvens carregadas de tom laranja, como se a Terra estivesse se preparando para uma tempestade de fogo.
– O que é aquilo? – Perguntou Judy, fitando o evento.
– Parece que o portão do mundo inferior abriu-se. – Brendon conferiu o horário em seu relógio, que naquele momento marcava três horas da madrugada.
Centro de Buckhead, 31 de Outubro
Após algumas horas desacordado sobre o efeito da marca do Shinigami sobre seu pescoço, Drake desperta momentaneamente, sofrendo com uma forte pulsação de seu coração, e sua respiração ofegante – A-Alguém? – Clamou em voz falha. Abriu a porta do carro, saindo dele cambaleando até a calçada onde sentou-se para tentar recompor seu fôlego que estranhamente não estava em sua melhor situação. Em um beco ao lado, um Ghoul se aproximava da rua em passos lentos, deparando-se com o jovem apoiado na parede – O que diabos é isso!? – Questionou-se Drake, levantando em um surto, e correndo com dificuldades para o mais longe possível da criatura.
– Você consegue me ver? – Indagou a criatura, dando um salto para interromper a passagem de Drake.

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